Merry Christmas - Thalico
2 Garota dos olhos azuis - Verdadeiro e único amor
Notas iniciais

P.O.V Thalia
Faltavam sete dias para o natal, faltavam sete dias para o meu último dia! É estranho saber o dia exato da sua morte, quando as pessoas ouvem que vão morrer elas tentam realizar todos os seus desejos, alguns querem fazer as maiores loucuras e acabam se matando antes, outros querem ficar em casa com seus familiares e outros só querem que o tempo passe mais rápido para essa tortura acabar , eu não, eu quero que o tempo continue e quero aproveitar o resto do meu tempo com ele, meu melhor amigo e meu único amor, Nico diAngelo.
Eu estava no médico para uma última consulta e última esperança, Zeus estava comigo e pela primeira vez senti ele como um pai, meu pai. Enquanto o médico falava os resultados dos exames meu pai colocou sua mão em meus ombros como se estivesse tirando toda minha dor e as passando para ele e eu agradeci com um sorriso, um sorriso sincero.
Thalia, lamento ter de dizer que os medicamentos que a senhora está tomando já não fazem mais efeito e temo dizer que esse será o seu último natal – eu olhei para meu pai e ele estava..... ele estava chorando?
Eu compreendo doutor, obrigada! – ele sinalizou com a cabeça como se dissesse um “sinto muito” e voltou a olhar uns papeis.
Segurei nas mãos de meu pai pedindo ajuda para levantar da cadeira, no mesmo momento ele enxugou as lágrimas e me guiou até a porta com cuidado, depois de ele fechar a porta atrás de si, meu encarou e eu desmoronei em seu colo, estava sem maquiagem então o terno de dois milhões de dólares dele saiu intacto, ele me abraçou de volta.
Pai, eu quero que você seja forte, eu estou aqui não estou? Você tem a Jason e a – tive um certo nojo de dizer o nome dela, mas fazer o que? É o momento – Hera.
Eu te amo minha filha – foram as únicas palavras que ele conseguiu dizer, mas elas bastaram para mim, havia muito tempo que não ouvia isso de meu pai, acho que desde minha apresentação do dia dos pais na quinta série e eu estava fantasiada de um coração gigante, tenho arrepios só de lembrar daquela fantasia.
Quando saímos vi Jason no carro meio eufórico e com cara de cansaço, não o culpo, são oito horas da manhã de uma terça e ele deveria estar em Los Angeles em uma audiência, mas lá estava ele, sempre perto. Quando entramos no carro, Zeus falou algo pra Jason que o fez fazer uma careta, dei de ombros e acabei adormecendo indo para casa.
Acordei em minha cama com uma loira do meu lado direito e um moreno do lado esquerdo, peguei um pouco da pouca força que me restava e empurrei os dois da minha cama
Puta merda Thalia, você quer matar a gente de susto? – Percy falou com cara de assustado e eu ri da cara de babaca que a Anne estava fazendo, depois todos começaram a rir feito idiotas até eu começar a tossir e eles entrarem em pânico.
Thalia, respira, calma, que que eu faço, PERCY ME AJUDA – eu fiquei com vontade de rir mais, mas percebi que se risse iria acabar tossindo meus pulmões para fora.
Depois de conseguir controlar minha respiração me virei para Anne e ela suspirou aliviada, os dois voltaram a se sentar na cama e me contaram as novidades, nada muito importante, só uma coisa me chamou a atenção, todos os meus amigos iriam passar o natal comigo, só consegui abrir um sorriso mas logo ele sumiu, porque lembrei da consulta de hoje de manhã e das palavras do médico “esse será seu último natal” e com toda certeza não queria que meus amigos me vissem pior do que já estava então tentei arrumar uma desculpa
Vocês não podem passar o natal comigo! – Afirmei olhando para ambos que agora estavam sentados em minha frente.
Mas porque não Lia? – Perguntou Percy confuso. – Tentei arrumar uma desculpa descente, mas a única coisa que saiu foi
Porque eu como de mais e vocês vão assustar. – Annabeth já tinha percebido que era mentira porque ela era minha melhor amiga e já tinha me visto comer milhares de vezes.
Percy você pode sair do quarto? Quero falar com a Thalia sozinha, vai ser só um minuto – Percy resmungou algumas coisas mas no fim acabou saindo me deixando sozinha com a reencarnação do Shelock Holmes
Muito bem, o que está acontecendo? – Contei tudo a ela e comecei a chorar, Anne saiu do quarto e expulsou Percy da minha casa, voltou bufando porque o garoto não queria ir embora, enfim sentou em minha cama e me abraçou.
No mesmo momento ouvimos alguém abrir a porta ferozmente e vimos que era Nico vermelho de raiva por eu não ter ligado para ele a hora que cheguei da consulta, no mesmo momento ele me abraçou e perguntou
Quantos dias ainda? – Anne me encarava com uma cara de indignação e começou a gritar do porque ele sabia e ela não, só depois de acalmarmos ela eu disse
Daqui exatamente sete dias – Sussurrei baixo o suficiente para ele ouvir – Até o natal.
Eles me abraçaram e nós nos deitamos, todos de barriga para cima e de mãos dadas, até o celular de Annabeth tremer e ela ver que era uma mensagem de sua mãe a mandando ir para casa, mas antes de sair ela me abraçou e disse que tudo iria ficar bem. Nico continuou ao meu lado, como sempre esteve, virei de lado e ele fez o mesmo, nossos rostos estavam a centímetros de distância e ele falou o que eu estava esperando a mais de dois anos, as palavras que mudaram a vida de uma adolescente que iria morrer, para uma adolescente que iria renascer.
Eu te amo, sempre te amei e sempre vou te amar! – Ele disse sussurrando, deitei minha cabeça na curva de seu ombro e lá nós dormimos, juntos.
Passaram-se 6 dias depois daquele, e todos os dias Nico e a Anne estiveram comigo, em minha casa ou na casa deles, eu fazia de tudo para não demonstrar, mas estava piorando cada vez mais e quando me dei conta, já era véspera de natal e todos estavam na correria dos preparativos; Annabeth havia dormido em casa no dia anterior e iria me ajudar com os presentes e roupas.
Vamos lá para fora que estão todos nos esperando. – Ela disse empurrando minha cadeira de rodas para sala de jantar, onde uma linda ceia estava posta.
Olhei para todos os lados e consegui ver todos os meus amigos reunidos na mesa conversando, rindo, brincando e felizes; Nico sentava-se em meu lado direito e Anne ao esquerdo, todos levantaram as taças em um brinde ao natal e por estarem todos reunidos aqui, Nico se levantou depois e começou a falar
Olá, gostaria de fazer um brinde a uma garota muito especial aqui presente, ela é grossa, chata, babaca e, acima de tudo, a melhor amiga que todos vocês poderiam querer. – Ele olhou para mim e sorriu de canto continuando. – Ela me ensinou a amar; ela fez alguém que imaginava nunca conseguir se apaixonar, olhar para uma pessoa e falar “eu te amo” pela primeira vez com algum sentimento; ela me ensinou que o tempo junto da pessoa amada não precisa ser longo, mas precisa ser perfeito para poder ser lembrado tempos depois; e por último queria acrescentar que, a vida é curta, mas esses pequenos momentos que passamos nela podem mudar outras vidas para melhor ou para pior, e você Thalia Grace, mudou minha vida cem por cento para melhor, Eu Te Amo.
Uma lágrima apareceu em meu rosto junto com o maior sorriso que eu já havia dado nesses dezenove anos de vida, puxei Nico pela manga e pedi para ele me levar até a sacada, olhei para Anne e ela estava chorando de mãos dadas com Percy, apertei sua mão e fui em direção a sacada guiada por Nico; chegando lá pedi para ele me ajudar a sentar em uma das cadeiras que ficavam no canto da sacada junto a uma mesinha.
Obrigada pelas palavras, elas significam muito para mim! – Falei encarando a vista que dava direto para o jardim que no momento estava iluminado pelos enfeites de natal.
Tudo que disse é verdade, você mudou minha vida para melhor e eu te amo por isso. – Ele disse me encarando com os olhos brilhando por conta das lágrimas, tirei uma carta do bolso do roupão que estava usando e entreguei-a à Nico, pedindo para ele ir ler sentado no sofá da sala, mas que me deixasse ali. Ele ia se levantando quando o puxei para um beijo, um beijo calmo e sincero, quando o ar faltou o puxei para um abraço e sussurrei em seu ouvido
Eu te amo Nico.
Eu te amo Thalia – O mandei para sala e o perdi de visão, a última coisa que me lembro foi de sentir um vento soprar em meu rosto.
P.O.V Nico
Sentei no sofá e abri a carta que Thalia me entregara, comecei a ler e no mesmo momento à chorar
Querido Nico,
Não poderia começar essa carta sem antes dizer que sinto muito, sinto muito por não podermos ter mais tempo juntos; sinto muito por ter tomado tanto tempo de nossa vida juntos por causa dessa maldita doença; sinto muito por não estar mais com você; mas ao mesmo tempo gostaria de te agradecer por tudo, por estar comigo todo esse tempo; por me dar um motivo de lutar contra essa doença; por não me abandonar, mesmo sabendo que um dia iria embora e que esse dia não iria demorar e acabaria machucando muita gente, incluindo você.
Meu Nico, meu melhor amigo, meu único e verdadeiro amor queria lhe dizer que esses últimos sete dias de minha vida foram melhores do que imaginei, ter você e Anne junto a mim foi maravilhoso e o suficiente para eu conseguir levar comigo para onde quer que eu vá, isso me deixa segura, pois saberei que sempre terei vocês comigo e eu estarei com vocês.
Quero pedir que você cuide dela e de Percy para mim e quero que você tenha uma vida animada e divertida, como sempre foi; peço que seja forte, porque isso não é o fim, é apenas o começo; você tem apenas dezenove anos e tem a vida toda pela frente, e eu vou estar te acompanhando em todos os momentos, sua formatura, seu casamento, o nascimento de seus filhos e quando chegar seu momento de partir, eu estarei aqui, te esperando.
Mas antes de tudo isso acontecer, eu preparei uma surpresinha para você na segunda gaveta de meu guarda roupa.
Eu te amo Nico diAngelo.
Sua e sempre sua, Thalia Grace.
Quando terminei, percebi que as lágrimas insistiam em cair, olhei para a varanda e vi Annabeth ajoelhada gritando ao lado da cadeira onde você estava sentada, abaixei a cabeça e rezei para que isso não houvesse acontecido, mas eu sabia que não ia adiantar de nada ficar ali parado e corri até a varanda.
_______________________________ uma semana depois __________________________________
Uma semana havia se passado, o funeral já havia ocorrido e eu ainda estava perplexo com o que havia acontecido. Fui até minha casa e me joguei na cama, tentei dormir, mas não conseguia; tentei comer, mas também não conseguia, olhei para as prateleiras de meu quarto e vi a carta que Thalia havia escrito para mim e me lembrei da tal “surpresa” que ela tinha preparado, peguei o carro e fui em direção a casa de Thalia.
Chegando lá, pedi a Zeus se podia ir até o quarto dela e ele só assentiu com a cabeça, subi pulando os degraus de dois em dois, quando entrei no quarto de Thalia ele estava sem nenhuma modificação, Zeus não deve ter conseguido mexer nas coisas de sua filha ainda. Abri as portas de seu guarda roupa e puxei a segunda gaveta e lá estavam elas, um bolo de mais ou menos vinte e uma cartas escritas em cima como coisas do tipo “Leia quando estiver feliz” ou “Leia quando precisar de um abraço” ou “Leia quando estiver triste”.
Peguei as cartas e sai da casa, no carro me veio várias lembranças de Thalia, não contive nenhuma lágrima quando me lembrei de seu sorriso, lembrei de nossas últimas palavras “Eu te amo Nico” “Eu te amo Thalia”, simplesmente sorri.
Fale com o autor