Mermaid

4 Capítulo 4: A Fuga


Notas iniciais
Demorei mas tá aqui xD

— Precisamos voltar!

— Como? Estamos longe de casa...

— Já aprendemos a usar essas coisas. Vamos esperar todos dormir e damos um jeito de fugir.

— Acha que já não pensei nisso?

— Prometemos ao Milo voltar! Já sabemos que não tem nada errado com o mar. A culpa toda são dos humanos! Já descobrimos isso. Está na hora de voltar pra colônia.

— Espero que todos estejam bem!

— Vão estar bem, Saga!

— Kanon... Eles...

— Estão vindo. Só nos resta dar eles o que querem...

— Somos irmãos... Gêmeos!

— Mas descobriram a respeito do que somos! Faremos o que querem, e a noite, pegamos nossa liberdade!

— Motim?

— Morte!

— N-nao Kanon! Isso não...

— Apenas assim teremos nossa liberdade! — O gêmeo chegou perto do outro, juntando suas testas. — Sabe o que tem que fazer!

— ... — Apenas encarou o outro e quando a porta foi aberta, ambos começaram aquela loucura.

Os piratas os tinham apenas para a diversão. Infelizmente, ambos foram vistos um vez e desde então, o capitão decidiu que iria ter os dois para seu entretenimento. A diversão no entanto, se dava em fazer os tritões se relacionarem entre si. Saga não queria é muito menos Kanon. E no começo foi difícil, mas agora... Eles faziam com ou sem os piratas ali. Eles acabaram se entregando a isso...

... E hoje, eles teriam sua liberdade...

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Shaka entrou no quarto depois que Shion saiu. Ele olhou os dois no chão e andou em direção ao lilás. Como estavam no quarto de Camus, o loiro apenas pegou o outro no colo e deu as costas para Milo, que quase gritou quando viu seu irmão ser levado. Mu o olhava de volta, com lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto.

Milo tentou se arrastar para impedir, mas a porta fora fechada antes que ele pudesse fazer alguma coisa. O loiro carregava o menor até seu próprio quarto.

Shaka abriu a porta e a trancou assim que entrou. Ele colocou aquele ser em sua cama e se afastou. Fitou aquele ser de aparência delicada e sem mais nem menos, tocou-lhe a face. Foi tomado por um impulso que nunca antes teve com ninguém. Secou-lhe as lágrimas o encarando nos belos olhos verdes.

— Nãofaçanadacomigo!

— Então você fala! Achei que fosse mudo! Mas dá pra repetir novamente? Não entendi o que disse!

— Não faça nada comigo!

— Mas eu não farei. Salvamos você e aquele outro rabugento. E pelo que eu conheço do Camus, deve ter se apaixonado à primeira vista. Mas eu quero saber uma coisa... O que estavam fazendo naquela praia, enterrados da cintura para baixo? Acaso vocês tinham bebido muito rum?

— Rum? O que é isso?

— Uma bebida de gosto forte.

— Nós apenas... Queremos ir para casa, mas não podemos.

— Agora estão em casa. E não vão sair daqui!

E agora? Mu não pode revelar a veio... Esse loiro... Não parecia está de brincadeira. Era melhor seguir conforme a música ou poderia acabar como seu irmão, Shion...

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Camus entrou no quarto e viu aquele homem ainda caído no chão. Correu para ajudá-lo a se levantar, mas este não bateu na sua mão. Se teria que ficar de pé e andar, não seria com a ajuda desse humano, destruidor de oceano.

— Só quero te ajudar. Mas tô vendo que você e seu amigo vão precisar de uma cadeira que tenha rodas... Mas não temos aqui, então me deixa te ajudar. Por favor!

— A única coisa que quero é: dá pra vocês nos levar para onde nós encontraram?

— V-você fala?

— É contra as regras falar com um... Humano, mas sim eu falo! E quero ir embora! Agora!

— Ir embora para onde?

— Pro mar.

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Shaka levou até uma banheira e lá o colocou. Retirou o tecido cru do corpo do mais novo e abriu a torneira. A água começou a escorrer. Ele tentava fugir ou seria descoberto. O loiro saiu do banheiro, do quarto e o deixou ali sozinho. Sentiu que não tinha chance de escapar e deixou acontecer. A água tocou sua pele e como por encanto, a cauda de peixe surgiu. O brilho das escamas verdes levemente arroxeadas se deu em seu despespero. Ele tinha que esconder aquilo antes que o loiro voltasse. Mas como? Ele estava em território inimigo... Como fugir... Como pedir por ajuda... Ele viu o modo como Shion fora tratado... Então... Sua ruína estava próxima. Agora era só esperar pela liberdade. Seu execução!

Shaka retornou para o quarto e caminhou até o banheiro. O que virá o deixou de boca aberta... O garoto era como Shion. E muito provavelmente, aquele outro rapaz que estava no quarto de Camus... Oh céus! Sereias e tritões não existem então como... Aquilo só podia ser uma brincadeira de mal gosto!

— V-você...

— Por favor eu... Não faca nada comigo... P-por favor!

— Vocês não podem... Ser reais!!! NÃO PODEM!

Shaka chegou perto do outro que se encolheu como dava. O loiro tirou uma adaga da cintura e entrou na banheira cheia d'água. Ele aproximou a arma do outro e Mu se defendia como dava da adaga.

Tomado pelo ódio, Shaka tentava fincar no peito do outro, mas de tanto lutar, o lilás joga a arma pro lado. Não convencido, Shaka leva as mãos ao pescoço do outro. Mu sentia o ar faltar e se debatia, jogando água por todos os lados.

Mu perdia as forças, mas algo fez o outro parar. Ele se sentou colo daquele ser, ainda o olhando. O tritão colocou a mão direita no pescoço, sentindo o ar voltar aos poucos, ouvindo a voz do outro.

— Vocês não são reais...

— Me t-toque... E tire su-suas próprias conclusões... — Ofegante.

O homem olhou para baixo, vendo a cauda verde com um leve brilho arroxeado e tocou. Era escorregadio. As escamas levantavam um pouco conforme passava sua mão. Levantou-se segurando a cauda daquele ser que era metade homem e metade peixe. Ele ia tocando toda a extensão do rabo de peixe até a ponta. Voltou seus olhos ao outro que estava corado, tentando ao máximo evitar contato com seu olhar. Shaka abandonou aquele parte, mas continuou subindo mão pelas escamas escorregadias.

Tomou o rosto do jovem com uma das mãos, enquanto a outra subia pela parte 'humana'.

— Qual o seu nome, tritão?

— Me chamo... Mu...

— Mu? Que nome... Diferente!

— Na colônia... Só são dados nomes ao som que um bebê faz... E... Bem... O s-som que saiu pela primeira vez da minha boca, foi 'mu'... E-então...

— Já entendi! Te chamaram de Mu! É um tanto quanto... Diferente...

Os olhares se encontram, me Mu abaixa a cabeça, não queria olhar para ele. Esse humano quase o matou. Shaka puxa seu rosto pelo queixo delicado e novamente seus olhares se cruzam. Ele não entendeu o que fez em seguida. O homem de cabelos longos loiro colou seus lábios.

O tritão arregalou os olhos verdes e abriu a boca, querendo uma explicação. A única coisa que ganhou, foi uma língua atrevida adentrando seus lábios, explorando a cavidade bucal. Mu não sabia o que fazer e não corresponde ao que o humano fazia. Mas também não o empurrou para longe. Shaka serão as bocas, olhando para o outro.

— Faça o que faço. Copie o que estou fazendo! — E o beijou de novo.

Ainda sem saber o que fazer, Mu acabou mexendo os lábios, copiando o que loiro lhe fazia...

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Ao anoitecer, os gêmeos saíram do quarto em que estavam. Não tinha ninguém observando. Nem na proa, nem na popa. Nós mastros onde tinham as imensas velas, também não. Os dois olharam a estibordo e bombordo. Ninguém. Tudo apagado. Deveriam estar dormindo. Era a deixa perfeita para deixarem o navio. Os dois foram para a parte mais escura e lá, desceram até para o mar. Arrancando as roupas, os irmãos se viram livres daquele lugar. Suas caudas surgiram e os dois nadaram para o mais longe que conseguiam. As águas estavam frias e isso alegrava aos dois.

Os gêmeos ganharam os mares e quando o capitão fosse querer mais uma rodada de prazer, eles já estariam bem longe... Kanon gostaria de ter acabado com o navio todo, mas seu gêmeo mais velho o impediu. Agora estavam livres e agora era achar o caminho para casa. E assim, encontrar a colônia e irem embora dali.