Mermaid

5 Capítulo 5: O Retorno de Aioros


Alguns dias se passaram e Milo aprende usar as pernas sozinho. Ele agora tinha que usar tecidos para esconder seu corpo. Tinha conseguido um tempo e correu para a praia. Como ele ficava descalço, o tritão gostou de sentir a areia em seus pés. Seu olhar era paralisado naquela imensidão azul do mar, mas se quer podia voltar. Ele tinha feridas pela extensão da cauda e era possível ver nas pernas. Milo não queria, mas acabou recebendo ajuda de Camus. Este passou um unguento de ervas para cicatrização e antiinflamatório. Nos locais das feridas já não estavam como antes.

Sentir-se na areia ainda olhando para a sua casa. Gostaria de saber como o resto da colônia estava. Como Saga e seu irmão, Kanon estavam... Se Shion sentia falta do mar... Se Mu está bem... Aquele loiro não saia de perto de seu irmão. Assim como o humano que cuidou dele também não. Milo já tinha tentado de tudo para afastar o outro de si. Mas nada do que fazia, e faria sair de perto... E ele já estava cansado disso...

Podia fazer tudo. Não era um incapaz que precisava da ajuda dos outros. Milo sempre fez tudo sozinho quando estava na colônia. Aliás, cada um lá dentro, tinha uma função diferente. Apenas as moças que cuidavam dos pequenos seres e do castelo no fundo do mar. Os tritões cuidavam do serviço mais pesado. A única diferença, é que não caçavam peixes e afins mas tinham outros serviços para eles.

Ele continuava olhando para sua casa quando fora surpreendido. O humano que sempre o ajudava ali, estava ao seu lado, olhando para a água salgada.

— O que faz aqui? Achei que sumindo de você, eu fosse ter paz! — Seco.

— Sei disso! Mas está na hora de voltar!

— Volto quando eu quiser! Você não é meu dono! Não manda em mim! Podem ter domado Shion, mas a mim nunca!

— Shion... Então vocês realmente se conhecem? Nós só sabemos que ele tem uma cauda, barbatanas, guelras...

— Não temos guelras!

— Não? Então como respiram embaixo d'água?

— Não adiantaria explicar. Um humano como você não poderá entender!

— Tente!

— Diferente de vocês, humanos, pode-se dizer que somos... Adaptados para isso! Em outras palavras, se soltar um bebê humano recém nascido, ele sairá nadando, pois no começo, seu corpo é adaptado para isso, nós somos parecidos! Agora será que você pode me deixar em paz?

— Pode ficar aí mesmo! Eu ficarei aqui, ao seu lado!

O tritão olhou para o aquele homem, que o fitava. Camus deu um leve sorriso, colocando sua mão em cima da outra. Milo tentou puxar, mas este a segurou firme, dando a entender que não o soltaria. Realmente Camus tinha gostado dele quando o viu pela primeira vez, e sempre que podia, o ajudava de certa forma. Chegou um pouco mais perto, sem soltar a mão e deitou a cabeça no ombro esquerdo de Milo, que deu um pulo. Essas demonstrações só eram feitas em público, quando alguém de sua colônia se casava. E infelizmente, ele precisou se afastar de sua amor... E isso não ia revelar. Milo precisava arrumar um forma de sair de lá. Mas onde estão seus irmãos que sumiram? Um, ele acabou encontrando, mas é os gêmeos? O que tinha acontecido com eles?

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Shion andava de um lado para o outro. Ele estava no quarto que fora obrigado a ficar com dohko, e agora ele pensava numa forma de tirar seus irmãos dali. Mu ainda conservava o jeito doce, tímido e inocente, e sinceramente, ele queria que ficasse assim para sempre. Já Milo, este tinha aquele jeito marrento. Mas no fundo, sabia que ele amável. Ainda mais com o tritão que se encontrava em posse do loiro.

Shion pensava num plano, mas ia precisar de ajuda. Dohko, sem chances! Este poderia lhe prender no cais e o deixar lá de enfeite... Milo... Este tinha Camus, que não saia de perto. Parecia que ele queria se entender com Milo, mas este, vivia num mundo ao seu e só se preocupava com a colônia e com os irmãos... Talvez ele precise agir sozinho. Abrir um caminho para livrar os irmãos que estão presos ali.

Ele precisou se acalmar, pois a porta do quarto fora aberta e por ela, Dohko entrou, indo em sua direção.

— Shion... Que cara é essa?

— Que cara, meu senhor? — Tentava disfarçar.

— Essa de quem está tramando algo!

— Não estou tramando nada, senhor!

— Melhor assim! — Ele se aproximou ainda mais, puxando o tritão para os seus braços, e o sentiu estremecer. — Vamos para a banheira!

— N-não posso!

— Quero ver sua bela cauda. Sabe que isso... Me excita!

— ... — Ele não conseguiu dizer mais nada, pois o castanho lhe tomou os lábios, num beijo sagaz.

Shion não teve outra escolha e correspondeu ao ósculo daquele homem. Ele enlaçou o pescoço do castanho e este o segurou nos braços. Dohko andou com ele nos braços e o colocou na banheira, abrindo a torneira. Como ele estava com uma túnica, o castanho arrancou e o observou as belas pernas, dando lugar a cauda de peixe mescladas entre o verde e o roxo. Dohko entrou junto lhe encarando nos olhos e lhe tocou na face.

O tritão não queria admitir, mas sentia algo muito forte pelo humano. Novamente, Dohko recomeça o beijo de onde haviam parado. Ali começaram o que mais tarde, seria terminado embaixo dos lençóis, com Shion gemendo seu nome, enquanto se amavam.

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Mu vestia uma túnica branca que cobria seus pés. Desde o dia que apareceu na praia com seu irmão Milo, ele vestia roupas longas e brancas. Shaka nunca tocou no corpo dele. Por isso, ele o fez usar branco. Ele era puro, e para o loiro afastar seus demônios do sexo, ele o fez usar essa cor. Só assim, Shaka conseguia afastar os desejos que sentia pelo tritão. O beijo roubado desde o dia que descobriu, nunca mais aconteceu. Mu até que estava aliviado por isso. Mas não entendia nada. Sempre que o loiro chegava perto, o lilás via em seus olhos um sentimento forte neles.

A porta fora aberta e Shaka entrou. Ele trazia frutas, sucos, pães, queijos... Trouxe um café da manhã para os dois reforçado. Mas tinha um problema... O tritão nunca vira aquelas coisas no mar. Eles comiam algas comestíveis e às vezes, crustáceos.

— Trouxe algo para comermos!

— O que são?

— Frutas, sucos, pães, alguns queijos, um pouco de leite...

— Eu... Eu não conheço isso!

— Garanto que irá gostar!

O loiro pegou algumas frutas e às levou até a boca do lilás. Mu olhava para a mão segurando um pedaço de maçã e depois para o rosto do loiro. Shaka o fez abrir a boca, e ele mordeu a fruta. Azeda... Ele fez uma careta e quase cuspiu fora, mas o humano o fez engolir, alegando que era assim mesmo. Mu mastigou a maçã e engoliu.

— Bom não é? Trouxe outras frutas. — Shaka se afastou levando a bandeja para um pequena mesa, deixando ali e andou até o lilás.

Mu olhava para ele assustado, o humano. O loiro estendeu a mão para o menor e lilás exitou. Mas aceitou após ver a feição impaciente do homem. Shaka o puxou para si e caminhou até a mesa. Fez Mu se sentar, ficando ao seu lado. O menos pegou algumas frutas e comeu. Bebeu um pouco do suco e parou.

Shaka pegou um pão e comeu, oferecendo ao menor que acabou aceitando. Mesmo satisfeito, Mu precisou engolir mais alguns pedaços. O loiro também parou e puxou o menor para perto. Mesmo ele vendo a roupa branca, seus desejos voltaram. Uma vontade imensa de sentir o gosto dos lábios do tritão lhe invadiu o âmago.

Mu não entendia aquele olhar para ele. Shaka começou a tocar o corpo coberto pela túnica branca. Sabia que era errado e jurou que não o tocaria, mas o desejo era mais forte. Já para o tritão, ele tentava entender o que se passava. O porquê do humano lhe tocar corpo...

Sem nem mesmo esperar, o homem lhe toma os lábios, sentindo o gosto do beijo trocado. Shaka o segura nos braços e anda com ele até a cama. O loiro o deitou delicadamente e ficou por cima, o observando.

— O... O que houve?

— Você!

— E-eu?

— Sim! Você! Você me confunde! Eu o quero. O quero pra mim! Só pra mim!

— N-não... Por favor... Não faça nada comigo...

— Não vou fazer... Mas não sei se vou resistir em te tocar. Em te querer fazer meu!

Nesse momento, Mu se encolhe. Aquele humano parece dizer a verdade. Mas o que faria... Milo estava em outro quarto, Shion quase não era visto quando estava com Dohko... Como sair dessa, se o próprio Shaka tinha revelado isso?

— Por favor... Não...

— Não fazer nada! Apenas quero ficar assim com você.

O loiro abraçou o lilás que estranhou. Ele paralisou e assim ficou. Ambos ficaram na cama com o loiro abraçado do tritão e este ficou paralisado. Mas antes que o humano fizesse algo, Mu o abraçou de volta a ficaram assim por um tempo...

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Ele desceu do navio, feliz por pisar em terra firme. Aioros procurava, mas se quer encontrou. O castanho retornou para o seu castelo junto do irmão.

Ambos tinham saído em busca d"a sere"ia que o salvou. Na verdade... Ele não se lembrava que "a sereia" era um tritão. Desde de o dia que ele cairá no mar após a explosão, nunca mais o viu. E ele queria muito encontrar. Saga... Esse era o nome "da sereia".

Seu irmão sempre falava que ele delirava e que sereias não existem. Era tudo um mito. Aioros não falou mais nada ao caçula e ao retornar, ele sabia que encontraria "aquela" que o salvou. E era isso o que mais queria. Reencontrar "sua sereia amada"...