Mermaid
9 Capítulo 9: Revelações
Aioros havia perdido a fala. Bem ali na sua frente, estava a "sua sereia". Saga encarava aquele humano sem dizer nada. O castanho se aproximou tocando o rosto daquele ser.
Kanon não gostou nenhum pouco daquilo e se levantou encarando o casal.
— Saga, sai de perto dele!
— S-Saga? É realmente você? Você voltou pra mim?
— Irmão... O que ele quer dizer com isso?
— Há algum tempo, eu salvei um garoto que tinha caído no mar. Nós trocamos algumas palavras e eu fui embora antes de aparecer mais humanos.
— Humano? Então... Quer dizer que vocês são como o meu Milo?
— Seu Milo? Nós não somos de ninguém! E queremos os outros tritões. Agora!
— Calma Kan! De fato precisamos de Shion e de Mu. Ainda mais por Shion ainda ser o líder da nossa colônia.
— Saga... Acho melhor voltarmos num outro dia! Vamos pegar Milo e sair daqui.
— Não vão levar o meu Milo!
— Já lhe disse, não pertencemos a ninguém!
Kanon agarrou Camus pelo braço. Nesse tempo, o tritão desacordo abre os olhos. Sua cauda ainda estava presente, com alguns machucados. Sentou na areia e segurou seu irmão pela perna.
— Tenha calma Kan. Acredito que o melhor a se fazer é irmos embora daqui!
— Milo! Você acordou, Milo... — Camus se livrou do aperto de Kanon e abraçou o tritão pelas costas. — Pensei que tivesse te perdido.
— Eu nunca fui seu, para você me perder. Me solte! Eu voltarei para o mar.
Nessa momento, Aioros agiu pegando a mão de Saga que deu um pulo para trás. Kanon tinha raiva daquele humano fazendo com seu irmão.
— Porque vocês não ficam hoje? — Ele falava olhando para o ser mais belo que já vira. — Ouça Milo, sei que não gosta de nós, mas pelo menos por hoje, fiquem em meu castelo! Irei providenciar um aposento só para vocês, tritões. O que me diz? — Ele falava, mas para o castanho, apenas existia Saga ali, a sua "sereia" salvadora.
— E o que você seria, humano? Um nobre? Um pirata? — Kanon estava com muita raiva. Ninguém tocava seu irmão. Teve que aturar os piratas e agora isso?
— Sou apenas uma pessoa a procura de minha salvadora.
— Salvadora?
— A sereia que me salvou.
— Nunca disse que era uma sereia. Somos tritões. Eu sou um homem, caso não tenha notado! E o que aconteceria se nós três aceitarmos a sua oferta humano? Não sabemos que és.
— Eu sou um nobre que estava a sua procura. Gostaria que ficasse comigo, mas sei que não posso lhe obrigar!. Mas posso pedir que fiquem hoje? Será que poderia aceitar essa proposta deste príncipe? — Ele não ficou abalado em saber que sua sereia é na verdade um belo tritão.
Kanon precisou deixar a raiva de lado por alguns instantes depois dessa revelação. Milo encarou o castanho, esquecendo-se que tinha um humano colado em corpo.
A mão de Saga ainda era segurada pelo castanho. O sorriso de Aioros deixou o tritão corado. Teve os dedos entrelaçados pelo outro enquanto era puxado de leve. Camus pegou Milo no colo. A cauda era escorregadia e só agora ele pode sentir as escamas em sua mão. Kanon não teve outra saída a não ser segui-los.
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Shion olhava para a lua no céu e em seguida para o seu reflexo no mar. Ele sentia saudades de poder nadar livre, mas agora ele pertencia aquele lugar.
Ele se preparava para deitar, quando ouviu vozes entrando no castelo. Shion correu para a porta e a abriu. Tentou ouvir um pouco mais e então ele ouviu vozes que há muito tempo, não ouvia. Olhou para os lados e saiu do quarto, torcendo para não encontrar Dohko pelos corredores.
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O jovem tritão de longos cabelos lilases também ouviu as vozes. Algumas vozes, ele não ouviu mais. Assim que percebeu quem eram os donos daquelas vozes, ele andou até a porta e a abriu. Viu que Shion estava um pouco mais a frente e decidiu segui-los.
— Shion... Irmão?
— Mu. Você também ouviu essas vozes?
— Sim. E faz tempo, mas eu me lembro.
— Então vamos!
Os dois seguiram as vozes até elas ficarem mais altas. Eles andaram até um salão onde continha uma mesa enorme, com várias cadeiras. Assim que se fizeram presentes, os demais pararam de falar. Saga olhou para os irmãos e se levantou da cadeira em que estava. Kanon o imitou, mas este saiu de onde estava e andou até os dois. Saga o seguiu.
Shion abraçou os dois bem forte. Desde que ele saiu da colônia para procurar um lugar melhor, ele deixou os gêmeos no comando de tudo e nunca mais voltou. Mu apenas ficou olhando e logo fora a sua vez de ser abraçados pelos irmãos.
— Shion... Porque você nunca mais voltou? O que lhe aconteceu? Eu tentei voltar. Mas não me deixaram. Mas e vocês dois?
— Algo parecido nos aconteceu. Nós precisamos deixar a nossa colônia para te procurar. Acreditávamos que você tivesse se esquecido de nós...
— Isso nunca!
— Porque não se juntam aqui?
O quarteto olhou para Aioros, que sorria indicando as cadeiras vazias. Mu notou que Milo estava lá. Mas o que aconteceu a ele? O lilás andou preocupado até o irmão.
— Mi? O... O que lhe aconteceu?
— Ah isso? — Mostrou a pele manchada de vermelho. — Não foi nada.
— Então vocês são todos irmãos?
— Não, senhor Camus! Cada um de nós, veio de pais diferentes. Nossa colônia era bem unida. Cada um com suas casas dentro do mar, mas... Depois do que aconteceu ao mar... Ela se dividiu. Cada um de nós tomamos caminhos diferentes para sobreviver.
— E o que você era lá, Shion?
— Eu era o líder deles. O cargo mais alto em nossa colônia. Algo parecido com o senhor.
— Por favor. Nada de formalidades.as continue. Sempre tive curiosidade em saber da sua história.
— Eu tenho o cargo mais alto. Sou eu que devo liderar a todos. Mas nós começamos a ficar com manchas e feridas em nossas caudas. Decidi que que seria procurar um novo local para nos reestabecermos. Eu deixei o Saga e o Kanon cuidando de tudo e deixei a colônia. Eu não encontrava nenhum lugar e as feridas e manchas só pioravam. Até que num belo dia, Dohko me viu. Ele pegava os peixes no mar, e quando eu vi, estava com um cardume numa rede. E quando ele me trouxe para o navio, eu sabia que não poderia lutar. Eu estava sozinho. O resto você conhece.
— Dohko lhe prendeu aqui com ele. Meu conselheiro não deveria ter feito isso.
— Você estava sempre fora. O que poderia fazer? E Shaka também travava mal. E quando eu tentava fugir, ficava preso na madeira que sustenta o cais.
— Sinto por isso! Irei falar com eles.
Milo ouvia calado. Ele se quer abriu a boca. Mantinha seu olhar voltado para a mesa. Ele batia a ponta da cauda no chão irritado. Até que sentiu uma mão quente em sua coxa. Olhou para ver a quem pertencia e notou Camus a lhe fitar carinhoso. O humano olhava para ele querendo saber da história deste. Até que notou as manchas perto de sua mão. O humano ia tocar, mas sua mão foi segurada pela a dia tritão.
— Não preciso de sua compaixão. Essas manchas e feridas aparecerem depois que vocês, humanos jogarem coisas no mar.
— Como?
— É isso o que ouviu! Esse enfermidade só pode ter vindo de vocês, já que ficam jogando coisas no mar e se banhando nele. Nós tínhamos isso.
— Do que está falando Milo?
— Acho que sei do se trata...
— Saga não!
— É preciso Kanon. O mar... A nossa casa está enferma! E isso realmente é culpa dos humanos!
— Tudo bem! Então diga, já que começou.
— Essa manchas... Tem haver com o que vocês jogam em nossa casa. E isso não está apenas nos afetando, mas alguns peixes também sofrem com isso. Não sabemos o que é. Se ficamos um bom tempo sem entrar no mar, nos livrando disso. Mas se entramos... Isso volta.
— Me deixe cuidar de vocês!
— Como? Se nem as algas que usamos foram capazes de nós curar.
— Talvez... O que tem lá no fundo não seja tão eficaz.
— Saga... Não aceite. Já basta ter que passar essa noite aqui!
— Kan... Fique calmo! Eu também não confio mais nos humanos! Não depois do que passamos.
— O que aconteceu Saga?
— Shion... Não quero falar disso.
— Pode dizer. Pode confiar em mim. Não vou fazer nada com vocês. São meus convidados.
— Foi exatamente isso o que piratas falaram.
— Piratas?
— É claro que um nobre como você, não está sabendo! Fomos feito de escravos num navio pirata durante anos!
— Kanon agora já basta!
Aioros saiu de seu lugar e caminhou até os gêmeos. Ele enlaçou Saga que paralisou. Kanon o olhou com raiva, mas seu irmão o fez se acalmar com o olhar.
— Acontece que... Nós saímos da colônia para procurar Shion. Ele estava demorando muito. Ele disse que dentro de alguns dias ou meses estaria de volta, porém isso não aconteceu. Então decidimos sair para ir atrás dele. Infelizmente aconteceu o mesmo. Segundo aquele piratas, eles jogaram a rede para pegar peixes. Só que acabamos presos. E... E nos obrigaram a fazer coisas entre nós dois. — Saga abaixou o rosto corado. Não gostava de lembrar do horror que passou.
— Quer dizer que vocês...
— Sim. Eles gostavam de nos ver... Aos beijos e abraços.
— Saga... Você é seu irmão...
— Sim. Shion!
Aioros se afastou do tritão. Era difícil acreditar que seu amado Salvador tinha feito algo assim com o próprio irmão... Ele não poderia e não queria acreditar!
— Se relacionaram? Vocês... Vocês foram pra cama? Juntos?
— Qual o espanto humano? Não foi nossa culpa. Eles ameaçavam a nossa colônia. As nossas vidas. Éramos apenas uma diversão ao capitão Radamanthys. E quando eles não nos viam ao beijos e abraços, eu era arrastado para o quarto do capitão e meu irmão ficava a mercê do restante de sua tripulação. E quando tivemos uma oportunidade, fugimos. Eu queria mata-los, mas a "sua sereia", disse que não! Então aproveitamos a distração deles e pulamos no mar.
Aioros olhava espantado para eles. O castanho mirava Saga, que tinha o rosto ainda abaixado. Algumas lágrimas escorriam pelo belo rosto do tritao. Kanon trouxe o gêmeo para seus braços. Parecia uma cena típica de um irmão consolando o outro, mas ali tinha mais coisa envolvida. O jovem príncipe nada ditava. Apenas olhava a cena. Kanon o observava. Ninguém poderia ter Saga a não ser ele.
O humano encarava a cena ainda não acreditando no que via. Até que Saga se afastou do irmão e tornou a olha-lo.
— O que h-houve? Acaso fizemos alguma errada?
— Eu te avisei Saga! Deveríamos ter voltado para o mar, mesmo que este nos matasse!
— Não! — Aioros continuou. — Agora eu encontrei aquele que procurava. Não gostaria de perde-lo de novo!
— O que quer dizer com isso?
— Digo que me apaixonei pro você, desde aquele dia. O dia em que me salvou quando cai no mar.
Agora até mesmo Milo olhou para os outros. Ele ainda sentia a mão de Camus em sua coxa. Sua cauda começava a sumir. Camus notou isso e corou assim que o viu. O tritão estranhou aquele comportamento. Ele o tratava mal e mesmo assim, o humano lhe tratava com carinho. Talvez devesse abaixar a sua guarda... Não! Melhor não... Mas ele parecia ser tão inofensivo.
Camus aproveitou da distração dos demais, e encostou os lábios nos do belo ser marinho ao seu lado. Milo não fez nada, apenas deixou que aquele contato continuasse. Apenas virou o rosto ao sentir algo molhado tentando invadir sua boca.
Nesse momento, Shaka e Dohko cruzaram o salão irritadíssimos. O loiro parou ao lado de Mu, e o agarrou pelo braço. Dohko fez o mesmo com Shion que se assustou. Provavelmente seria castigado!
— O que faz aqui Shion? Eu mandei não sair do quarto!
— O mesmo vale para voce, Mu!
— Dohko e Shaka parem com isso agora!
— Como?
— Mandei que parem com isso! Vocês são meus conselheiros! Não podem fazer isso como se fossem seus donos!
— Aioros...
— Não quero mais ver isso aqui! Será que agora me entendem?
Os dois ficaram em silêncio. Shion se sentiu mais aliviado. Mas mesmo assim ficou ao lado de Dohko que o abraçou firme. O mesmo aconteceu com Mu. Saga se afastou do irmão e caminhou até o jovem príncipe, lhe tocando na face. Aioros tocou a mão em seu rosto de leve, porém isso fez Kanon sentir ira do que via. Seu gêmeo era cortejado bem na sua frente, por um humano nobre.
Saga estava dividido. Ele também queria encontrar aquele que um dia salvou, mas ele não queria magoar o irmão. Afastou-se do príncipe e mirou seu gêmeo novamente. Saga precisou se afastar dos dois. Ele foi até Milo e viu que a cauda sumia aos poucos. Ele tocou na coxa próximo da mancha.
— O que houve, irmão?
— É essa mancha.. foi bom termos saído do mar. Eu já estava ficando enfermo novamente.
— Mas afinal de contas... O que acontece com o mar?
— Alguns de nós... Encontraram corpos purulentos no fundo do mar. Isso afetou não só a minha colônia, mas algumas espécies de peixes e algas. Não sabemos como isso foi acontecer, mas tem uma quantidade imensa. Alguns dos nossos, tentaram tirar, mas não deu muito certo. Não deve ser apenas isso.
— Isso está parecendo ser alergia. — Camus acabou colocando seu pensamento para fora. — Olha não parece grave! Isso parecer apenas uma irritação. Poderia me mostrar onde foi?
— Poderia ficar sem respirar? É de difícil acesso para vocês, humanos. Apenas no mar seria possível. Mas mesmo assim ainda é perigoso.
— Saga, eu preciso me cobrir! — Milo disse isso ao irmão, que notou qua a cauda sumiu por completo, mas a vermelhidão ainda permanecia.
Camus acaba saindo de perto para buscar uma túnica para o seu tritão. Shion olhou para Dohko e este lhe deu permissão para fazer o mesmo para os gêmeos. Os dois voltaram algum tempo depois. Shion entregou duas túnicas de tecido cru para Saga e Kanon e Camus trouxe outra para o seu tritão..
O trio vestiu. Saga e seu irmão trouxeram uma camiseta de algum naufrágio. Ela era longa o suficiente para cobrir seus corpos, mas estavam úmidas. Mas felizmente as seus caudas não surgiram. Já Milo... Foi levado ainda com a sua cauda.
Depois de vestidos, Camus chegou ainda mais perto do tritao e puxou o seu rosto.
— Porque você é tão frio, Milo?
— Isso não te interessa.
— Vem comigo então Milo. — Camus não deu chances do tritao retrucar. Ele foi arrastado pelo homem.
Aioros suspirou. Ele finalmente deu por encerrado aquilo tudo. Shaka levou Mu e Dohko fez o mesmo com seu tritão. O castanho acompanhou os gêmeos para um quarto. Ele abriu a porta e os deixou ali. O príncipe saiu fechando a porta, mas Saga a abriu e tornou a fechar. Ambos estavam sozinhos no corredor.
O gêmeo mais velho se aproximou, ficando bem próximo do humano. Mesmo ainda negando o que ouviu, Aioros colocou uma mão em sua cintura lhe trazendo ainda mais perto de si.
Saga ainda o olhava e quando deu por si, estava perdido num beijo começado pelo homem. O ósculo não durou muito, pois o tritão o afastou.
— Agradeço por nós acolher aqui. Mas não podemos ficar. Pertencemos a mundos diferentes. E sem falar que eu...
— Que você...
— Eu... Eu estou dividido! Essa é a palavra! Eu amo meu irmão de uma forma que eu queria, mas aconteceu depois... Bom depois que os piratas nos forçaram a... Você sabe... Mas eu também sempre tive esperança em reencontrar você...
— Fica comigo então!
— Não posso! Eu não posso. — Abaixou o rosto. — Preciso entrar. Ou o Kan aparece aqui, pensando que eu estou sendo agredido.
Ele se afasta e caminha até a porta do quarto. Os dois se olham novamente, mas saga entra no quarto. O castanho sorriu e seguiu seu caminho para seu aposento.
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— Agora me diga! Porque seu está vermelho? Acaso se machucou? E porque não me conta a sua história?
— Isso não é nada. Já disse que não quero sua compaixão!
— Escute, Milo... Hoje eu acordei muito mal. Não queria saber de nada. Você realmente fez isso. Eu realmente gostei de você! Será que não me entende? A minha enfermidade foi porque você foi embora!
Milo fica desarmado. Como assim ele ficou enfermo só porque decidiu voltar para o mar? Ele apenas se sentou na cama e não disse mais nada.
Camus senrou-se ao seu lado o abraçou. O tritão queria tirá-lo, mas resolveu deixar. Não gostava de mostrar seu lado frágil para ninguém. Ainda mais quando se tratava dos pais...
— Minha história começa um pouco antes de me juntar a colônia...
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