Mermaid

11 Capítulo 11: Lembranças


Após o desjejum, Kanon resolveu ficar sozinho por um tempo. Saga bem que tentou ir atrás dele, mas seu gêmeo o impediu.

Ele não fora para a praia com seu irmão mais novo, Milo, havia feito. Kanon seguiu por um longo corredor até ver um jardim. Procurou um lugar para ficar e se sentou no chão mesmo, olhando para seu braço direito. Vestia uma camisa de mangas longas. Ergueu a manga e viu seu braço enfaixado. Tinha enrolado com algas para não ver o que tinha ali. Ele tirou as plantas revelando as cicatrizes que o pirata havia deixado. Kanon se viu perdido nas lembranças daquele dia...

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Radamanthys o carregava por cima do ombro, enquanto Kanon assistia o que os demais piratas faziam em seu irmão. O gêmeo mais novo observava a tudo sem poder nada por ele. A Saga, apenas restava ficar ali, satisfazendo os subordinados do capitão do navio pirata.

Kanon fora jogado de qualquer jeito na cama do pirata. Radamanthys se serviu de rum e acendeu um charuto. O tritão torceu a cara de nojo, mas ficou quieto.

— O que devo fazer para você me obedecer tritão?

— Me deixar em paz seria uma boa opção!

— Você me pertence!

— Eu pertenço ao oceano e apenas a ele.

— E quanto ao teu precioso irmão? Não pertence a ele também, peixinho?

— Vocês fizeram isso! Vocês são responsáveis por tudo isso!

— Ora essa tritão. Nós apenas queríamos nos divertir com alguma coisa... Diferente! E obriga-los a dormirem juntos, foi no mínimo... Excitante!

— Hipócrita! Você é muito falço!

— Sou pirata! Você queria o que? Um conselheiro real da corte?

— ...

— Hahaha ora vamos, Kanon! De uma risada! Você fica lindo quando sorri. — Ele começa a passar os dedos pela pele do braço. — Ou se preferir, gosto de ouvi-lo gemendo!

— Não farei nada com você!

— É o que veremos Kanon!

Do nada, ele passou a tortura-lo com a ponta acesa do charuto, deixando marcas quentes na pele do tritão. Quanto mais Kanon pedia para parar, ou chorar, ele o torturava. Muitas vezes, até fazendo onde já tinha queimado antes.

O sangue do tritão escorria pelas feridas em sua pele. Radamanthys agora o tinha prendido em sua cama, e se arremetia no casulo quente, sem lhe dar chances de se acostumar.

Kanon fora torturado de todas as formas. Ele estava longe de seu irmão, mas podia ouvir seus gritos de súplica e também seu choro. Sabia que Saga também poderia lhe ouvir. Ambos tiveram aquela noite de torturas.

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Não muito longe de onde estava, um nobre o observava, escondido. Kanon parecia perdido em seus pensamentos e nem notou que alguém se aproximava. Aioria vinha bem devagar, sempre atento aos movimentos do jovem tritão. A cada passo que dava, ele podia notar a pele do braço com cicatrizes.

— O que são isso no seu braço, filhote de tubarão?

— Nada que lhe diz respeito! — Cobriu rapidamente do braço, mas ele já tinha visto.

— Ora vamos, "pequeno sereio" o que são essas cicatrizes?

— Já lhe disse, humano. Nada que lhe diz respeito! — Ele se levantou para sair de lá, mas Aioria o segurou firme pelo braço, quase o machucando.

— Não irá passar até me contar como conseguiu essas marcas. Acaso esconde algo de meu irmão e de mim?

— Me solte! Não quero falar a respeito disso! Agora lergue meu braço!

— Não até me contar! — Num gesto rápido, o homem de cabelos acobreados o fez se sentar num banco de pedra que existia ali. — Senão me contar por bem, irá me contar por mal!

— São queimaduras. — Disse seco.

— De que?

— Não lhe diz respeito do quê! Apenas me deixe em paz!

Aioria não lhe deu ouvidos e rasgou a manga, expondo novamente as marcas diante de seus olhos curiosos. Kanon queria partir pra cima dele, mas pariu quando este o tocou. Um arrepio lhe cortou o corpo ao sentir os dedos dele. Ele se lembrou do pirata, que sempre tocava as marcas que havia feito. O medo fora mais forte e lágrimas escorreram em seu rosto.

— N-não me toque! Não faça isso de novo...

— Do que está falando, tritão?

— A-apenas não faça isso... Não me toque...

— Do que está falando? Não estou entendendo.

Kanon apenas o olhava com as lágrimas escorrendo por seu rosto. Ele não enxergava o nobre, mas sim o pirata.

Já Aioria, tentava entender o que se passava ali. O tritão o olhava apavorado. Para ele, era Radamanthys que estava ali.

— O que você tem filhote de tubarão? Eu só lhe perguntei o que são essas queimaduras? Como as conseguiu? — Ele segurou o queixo daquele ser. — Sou eu, Aioria!

— A-Aioria?... — Algo nele o trouxe de volta a realidade. — O humano exibido... — Kanon ainda estava sem reação.

— Hum... Então o "Homem sereia" se lembrou de mim! Vamos! Diga-me como as conseguiu. — Ele dizia sem soltar o queixo ou o braço de Kanon.

— Radamanthys... Capitão do navio pirata...

Piratas... Então aquilo começava a fazer sentido. Por isso ele queria voltar para o mar com os irmãos e procurarem um outro lugar para morar, longe de piratas...

— Aqui você está salvo de Radamanthys. Realmente ele é um homem sádico. Eu e meu irmão estamos a sua procura também. Ele já aprontou muito por essas terras! Sugiro que fiquem aqui.

— Não podemos! Precisamos voltar e procurar um outro local melhor. Mas o mar...

— Está doente. Isso vocês já falaram. Mas voltando, como foram feitas essas cicatrizes?

— Ele usou... Algo que saia fumaça. Ele jogava isso em meu rosto e usava a outra parte para me queimar.

— Pelo formato, parece que foram usados charutos...

— O que?

— Ele fumava. De certo ele fez isso. Mas porque?

— Queria que eu lhe obedecesse. Nós só fugimos, porque não encontramos ninguém no navio. Pulamos no mar a nadamos até encontrar nossa casa. Ele deve estar nos procurando por essas águas. Preciso ir embora. Eu preciso partir daqui!

— Não! Você está mais seguro aqui. Nós vamos proteger vocês. Depois que isso acabar, a sereiazinha pode voltar para casa quando quiser!

Kanon encarava o humano sem acreditar realmente no que ele lhe propôs. Ficar ali? Ser protegido por esses humanos? Será que podia acreditar nesse homem?

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Saga andava pelos corredores até que encontrou o seu irmão conversando com aquele humano... Ele estava quase indo de encontro com seu gêmeo, mas sentiu uma mão lhe impedindo. Quando se virou, deu de cara com aquele que salvou, quando caiu no mar.

— Deixe! Meu irmão não vai fazer nada ao seu. — Aioros olhava para o caçula. Ele não estava agindo como sempre.

— Como sabe?

— Aioria é curioso. Ele deve ter visto algo ali que o chamou atenção. Não se preocupem.

— ... — Saga voltou a encarar a cena. Seu irmão conversava com o outro nobre.

— Podemos caminhar? Bom é claro que se você quiser.

— Vou! O Kan parece estar bem.

Saga se virou para Aioros que lhe sorriu. Como resistir a esse sorriso? Definitivamente, Saga estava divido...

— Eu quero te perguntar algumas coisas. Se importa em me acompanhar até meus aposentos? Poderia te levar até biblioteca, mas seríamos constantemente interrompidos. E em meus aposentos, poderemos conversar melhor. Quero apenas conversar. Mais nada.

Saga o olhou desconfiado. Mas acabou aceitando e seguiu o humano para o quarto deste. Mas ele não entendia sobre o que gostaria falar...

Notas finais
Provavelmente, mais algumas respostas deram respondidas :3 Aioria X Kanon? Um casal? Será que sim ou será não? Desculpem a demora.. tava sem ideias xD o pior é que eu tenho uma idéia pra uma nova fic, mas calma!! É de comédia.. apenas me veio a ideia, agora se vou postar sem outros quinhentos. A ideia que tive é... Fazer Saga de mulher por capricho dos deuses? Ou um castigo por tudo o que o cavaleiro de ouro de gêmeos fez no santuário? Bom a ideia é deixar engraçada o máximo que conseguir, mas como disse, é uma idéia.. quanto ao spoiler... Não sei se irei postar por isso comentei aqui hehehe