Mentiras e Decepção
7 Medo
Notas iniciais
Bella acordou sentindo uma coisa quente e molhada em sua bochecha que ia se movendo até seu nariz e sorriu. Já tinha alguns dias que ela não era acordada assim. Sentiu o perfume doce e infantil entrar pelas suas narinas e inspirou mais fundo querendo sentir mais daquela fragrância que aquecia seu coração o enchendo do mais puro amor. Passou seus braços pelo corpinho pequeno ainda de olhos fechados o trazendo pra mais perto de si e o derrubando por cima dela o que arrancou uma gargalhada gostosa e infantil de seu pequeno pedacinho de amor. Sorriu abrindo os olhos e se deparando com o rostinho de seu filho.
— Bom dia meu pedacinho de amor! — Bella saudou o filho enquanto enchia seu rosto de beijos fazendo o pequeno rir ainda mais.
Benjamim Sam Romão, a criança de apenas dois anos era a cópia fiel de seu pai. Cabelos loiros, olhos castanhos esverdeados e o mesmo sorriso encantador. Com certeza ele dará muito trabalha com as mulheres, Bella pensou enquanto erguia o filho o colocando sentado na cama.
— Madre. — A criança falou com sua voz infantil estendendo a mamadeira pra ela.
Bella sorriu pegou o filho no colo e o ajeitando em seus braços, então colocou a mamadeira em sua boca. Ben mamava enquanto olhava pra mãe com seus olhos brilhantes e com a mão fazia um carinho no rosto da mãe, parecia fascinado olhando pra ela. O pequeno não dava trabalho, era muito independente pra sua idade mas ele amava quando sua mãe lhe dava o mamar. Eles se fechavam em uma bolha só deles como se nada mais existisse.
— Parece que cheguei atrasado pra acordar a mamãe. — Alec falou saindo do banheiro com uma toalha em volta da cintura e os cabelos molhados ao qual escorriam algumas gotinhas de água que desciam por seu pescoço e rolavam por seu peitoral definido. Era uma imagem sexy pra porra, alias ele era sexy pra porra. Bella observou essa imagem e suspirou mordendo os lábios.
—Não me olha assim, nosso filho está no quarto e não vou poder pegar você de jeito agora. — Ele falou com um sorriso malicioso nos lábios e Bella fez um biquinho fazendo o sorriso dele aumentar. Ele caminhou até a cama lhe dando um beijo.
— Buen dia my vida!
—Buen dia my amor. — Ele colou os lábios nos dela apenas em um selinho demorado e sentiu quando pés pequeninos empurraram seu peito. Sorriu diante dos ciúmes do filho.
— Buen dia campeón. — Pegou o pé do filho e beijou arrancando um resmungo do mesmo. Quando estava em seu momento com a mãe o pequeno Benjamim não gostava de ser incomodado e nem de dividir sua atenção com ninguém.
— É mesmo um pequeno ciumento esse meu filho. — Comentou entrando em seu closet e procurando o que vestir.
—Não consigo imaginar a quem ele puxou. — Bella falou um pouco mais alto pro marido ouvir, ele saiu do closet já vestido em uma calça social preta e uma blusa social branca que abraçava perfeitamente seus músculos e com os sapatos de couro italiano na mão e a encarou com olhos cerrados.
— Está insinuando que eu sou ciumento, senhora Isabella ? — Ele falou e ela arqueou uma sobrancelha pra ele. — Eu não sou ciumento, só cuido do que é meu. – Retrucou enquanto se sentava numa pequena poltrona que ficava ali no quarto e calçava os sapatos.
— Se você diz, quem sou eu pra discordar ?! — Bella terminou de dar a mamadeira pro filho, se levantou com ele no colo e o entregou pro marido que recebeu o filho com um beijo em sua testa.
— Vai com o papai my vida, a mamãe precisa se arrumar. — Ela falou dando um beijo no rosto do filho — Leva ele pra se trocar enquanto tomo um banho, daqui a pouco Alice deve estar chegando por ai.
— Certo, vou pedir pra Maria trazer nosso café no quarto e ver se Tessane quer se juntar a nós. Te amo — deu um beijo na testa dela e saiu.
Bella terminava de escova os cabelos quando alguém bateu na porta.
— Entre.
— Buen dia Nina Bella.
Maria, a governanta de 63 anos já tinha seu cabelo todo branco. Magra e de estatura mediana, as marcas da idade já era bem perceptíveis pelas várias rugas que lhe cobria a pele. A mulher de olhar bondoso trabalhava pra família San Romão desde o nascimento de Alec e já fazia parte da família, ninguém ali a via como empregada. Todos a amavam como uma mãe, principalmente Bella que se apegou muito a senhora desde o dia em que pôs os pés na mansão San Romão no México.
Ela entrou no quarto acompanhada de outra empregada que empurrava um carinho recheado de alimentos.
—Buen dia madrecita. (Bom dia mãezinha) — Bella abraçou a senhora ternamente depositando um beijo no topo de sua cabeça.
— He venido a traer su café (vim trazer seu café). — Ela falou já se dirigindo pra pequena varanda do quarto “que não era tão pequena assim" e ajudando a moça a por a mesa.
— Gracias madrecita. Donde estar mi marido y mis hijos ? (Obrigada mãezinha. Onde está meu marido e meus filhos ?)
—El muchacho Alec está terminando de vestir al pequeño Ben, nuestra princesa ya ha tomado café y esta en la habitación. Desea alguna cosa más chica ? (O menino Alec está terminando de vestir o pequeno Bem e nossa princesa já tomou seu café e está no quarto. Deseja mais alguma coisa menina ?)
— No, esta perfecto. Gracias. (Não, está perfeito. Obrigada.)
x--x
Alice adentrava os portões da grande mansão encarando tudo de boca aberta. Quem diria que sua amiga, uma das pessoas mais simples que ela conhecia, moraria um dia em uma mansão dessas ?
Olhava impressionada a grama bem cortada que se estendia por todos os lados, os pequenos arbustos bem podados que adornavam a estrada e que davam um charme especial. Ela olhou mais adiante tomando cuidado pra não sair da estrada de paralelepípedos que levava até a mansão, avistou a imensa casa de dois andares. A parte de baixo eram de um marrom terra com janelas brancas e a parte de cima era toda branca com duas escadarias do lado esquerdo e direito também branca que levava até a entrada. Era imensa, daria pra abrigar umas quatros famílias ali. Olhou pros lados procurando o fim da propriedade e avistou um pequeno lago um pouco mais distante onde lindos cisne nadavam, mas a propriedade parecia não ter fim. Parou o carro em frente a mansão maravilhada com a beleza do jardim que a rodeava.
— Alice, tem certeza que a Bella não vai ficar com raiva por eu ter vindo e também por ter trazido Quim com a gente ? Afinal ela é filha do Edward e da Tânia. — Esme perguntou um tanto aflita.
—Fica tranquila mãe, a Bella não tem nada contra você. — Alice tenteou tranquilizar a mãe mas na verdade nem ela sabia. Tudo que ela queria era que Bella voltasse a fazer parte de sua família de novo e por isso quando Esme disse que queria ver Bella, ela não poupou esforços para traze-la com ela.
— E quanto a Quim, fique tranquila. Tenho certeza que a Bella irá trata-la muito bem.
Esme respirou fundo afastando a insegurança, agora ela teria a oportunidade de pedir perdão a Isabella por não ter feito nada pra ajuda-la e por ter duvidado dela mesmo que por um instante. Saiu do carro e abriu a porta de trás acordando a neta. Liz apareceu em sua casa logo cedo pra deixar a pequena, já que Edward tinha dado folga a babá e não tinha mais ninguém pra ficar com ela. Todos, incluindo ela, precisaram sair. Exceto Edward que ainda dormia um sono pesado, já que teve que sair do evento na noite anterior carregado devido seu estado de embriaguez.
— Nós já chegamos na casa da amiga da tia Alice, vovó Esme ? – A menina perguntou sonolenta.
— Já sim amor, agora vem vamos entrar.
— Tenho medo dela não gosta de mim por que sou cega. – A voz da menina transmitia medo, o que fez o coração das duas mulheres a sua frente se apertar. Alice se abaixou segurando as mãos da sobrinha entre as suas.
— Escuta o que a titia vai te falar meu amor. Você é uma criança linda, inteligente, carinhosa, educada e encantadora, não tem motivo nenhum pra ninguém não gostar de você. Tenho certeza que a Bella vai te adorar. – Alice alisou o rosto da sobrinha enquanto falava.
— Minha mãe não gosta de mim e fala que ninguém mais vai gostar de mim por que sou cega. — As lágrimas já brilhavam nos belos olhos azuis e sem luz. Alice cerrou os punhos, tinha vontade de pegar Tânia pelos cabelos e arrasta-la em praça pública.
— Sua mãe não sabe o que diz querida, ela é uma desalmada.
— Alice! — Esme chama a atenção da filha, que olha pra ela e rola os olhos.
— Certo, o que eu quis dizer meu amor é que ser cega só te torna ainda mais especial. Agora vamos entrar, tudo bem ? — A menina sorriu minimamente agarrando a mão das duas o mais forte que podia tentando afastar o medo de ser rejeitada por sua deficiência. Juntas, as três sobem as escadas e param em frente a porta, cada uma com sua aflição particular.
Alec segue sua mulher com os olhos enquanto ela dá mais uma volta pelo quarto, não conseguia entender por que ela estava tão nervosa.
—My cielo, vai acabar abrindo um buraco no chão. Não sei porque está tão nervosa, afinal você já viu sua amiga ontem.
— Eu sei, é só que eu não gosto de ficar relembrando o passado e com certeza terei que contar tudo e com detalhes a Alice. Ainda tem... -Ela não precisou terminar pra que ele compreendesse, sabia muito bem do que ela falava. Ele se levantou a tomando em seus braços em um abraço apertado.
— Eu estarei lá com você my vida. — Ele sussurrou em sua orelha a fazendo se acalmar de imediato. Escutaram uma batida na porta pra logo depois uma das empregadas entrar.
— Com licença, desculpe atrapalhar mas a senhora tem visitas. — Ela informou.
— Obrigada Laure, já vamos descer. — A moça apenas acenou com a cabeça e se retirou.
— Pronta ? — Bella respirou fundo.
— Sim, vamos.
Alice e Esme olhavam tudo ao seu redor admiradas com a decoração moderna e elegante da casa, tudo ali gritava o qual caro cada item era.
Bella entrou na sala com um sorriso no rosto que logo morreu quando viu Esme.
— Alice. — Ela cumprimentou a amiga com um abraço.
—Bella amiga, como você está ? Sua casa é linda por dentro e por fora. Espero que não se importe, eu trouxe minha mãe. — Alice falou um tanto insegura, Bella apenas sorriu.
— Tudo bem Alli. Como está, Esme ? — Bella estendeu a mão pra um cumprimento mas foi surpreendida quanto Esme a puxou pra um abraço. Ficou sem reação por alguns segundos mas logo correspondeu.
— Bella minha filha, é tão bom te ver de novo. Estou tão feliz que esteja bem. Me perdoe querida, por te duvido de você e por não ter feito nada pra ajudar. — Ela soluçou sem conseguir conter as lágrimas.
—Tá tudo bem Esme, só vamos esquecer isso. — Bella falou se afastando um pouco e limpando o rosto de Esme. Alec lhe estendeu um lenço.
— Obrigado!
— Esme esse é meu marido Alec.
— É um prazer conhece-lo senhor San Romão. – Esme estendeu a mão.
—O prazer é meu Esme, mas por favor me chame apenas de Alec. – Alec depositou um beijo na mão estendida da senhora.
— Certo Alec. — Um silêncio um tanto desconfortável caiu sobre a sala. Então Bella percebeu a pequena garotinha loira sentada encolhida no sofá como se quisesse se fundir a ele. Não precisou perguntar pra saber que aquela era a filha de Edward e Tania, a menina era muito parecida com a mãe.
Bella se aproximou e se abaixou pra ficar na mesma altura que a criança.
— E você pequenina, quem é ? — Ela perguntou mas a menina apenas abaixou a cabeça e se encolheu mais. Bella franziu o cenho percebendo o medo da criança e olhou pra Alice.
—Bella, essa é Quimberlly. Ela é filha do Edward — Alice falou pedindo desculpas com os olhos.
— Olá pequena, você é muito linda sabia ? — Bella elogia tentando deixar a menina mais a vontade.
A menina levantou a cabeça "olhando em direção da voz doce".
— Não sou bonita. Eu sou cega, como posso ser bonita ? — Bella sentiu seu coração se encolher em seu peito ao mesmo tempo em que se enchia de ternura e amor pelo pequeno anjo a sua frente.
Ela se sentou e colocou Quim em seu colo, a pequena se assustou um pouco mas logo se acalmou quando Bella acariciou seus cabelos.
— Ser cega não tira sua beleza anjo, só te torna ainda mais especial. -Ela fala e a menina encosta a cabeça em seu peito aproveitando o carinho que lhe aquecia o pequeno coração.
—Isso mesmo pequena, você é linda e especial. — Alec fala se aproximando e dando um beijo em sua bochecha.
— Eu sou Alec mas pode me chamar de tio. — Ele fala e a menina acena com a cabeça.
—Posso te chamar de tia também, senhora Bella ? — Ela pergunta fazendo todos na sala sorrir.
—Claro que pode anjo.
— Viu só Quim, a titia falou que a Bella ia te adorar. — Alice fala pra menina que apenas sorrir e se aconchega mais ao colo da sua mais nova amiga.
— Muito bem Bella, agora começa a desembuchar por favor. Eu quase não dormi a noite de tanta ansiedade. – Alice pede
— Alice por favor, contenha-se. – Esme tenta conter a filha, mesmo sabendo que não ia adiantar de nada.
—Tudo bem Esme, eu sei bem como Alice é. Por favor sentem-se, eu vou pedir a Maria que nos providencie um café.
— Deixe que eu vou amor. – Alec se levanta e segue pra cozinha.
— Tudo bem. – Ela encara as mulheres a sua frente e respira fundo. Mas quando ia começar a falar, um pequeno furacão de dois anos vestido de nemo entra na sala chamando a atenção de todos.
— Ai meu deus que coisa mais fofa! — Alice fala olhando o pequeno que não parecia muito feliz vendo a menina no colo de sua mãe.
— Esme, Alice, esse é Benjamim meu filho.
— Oi coisa mais linda da titia. — Alice fala pegando Ben no colo que abre um sorriso pra ela mostrando seus dentinhos brancos.
— Parabéns Bella, seu filho é lindo! — Esme fala olhando o pequeno nos braços de Alice que já estava bem distraído brincando com o colar em seu pescoço.
— Ben!
A menina ruiva entra na sala aos gritos e paralisa ao ver as pessoas.
—Desculpe mamãe, não sabia que estava com visitas – A medida que a menina fala, seu rosto ganhando uma tonalidade vermelha devido aos olhares espantados das mulheres estranhas.
Esme tinha as mãos na boca e olhos arregalados. Se existia alguma dúvida de que Bella era culpada, agora não existia mais. A garota a sua frente aparentava ter entre 9 e 10 anos, seus cabelos arruivados tinham um estranho tom de bronze e iam até abaixo de sua cintura fazendo cachos nas pontas. Seus olhos de um verde esmeralda a olhava com curiosidade, pequenas sardas se espalhavam pelo seu nariz, era a cópia perfeito do pai e não tinha como negar. Alice apenas sorria.
—Tess, foi você quem vestiu seu irmão assim ? — Bella fala chamando a atenção da menina.
—Sim. Desculpe mamãe, não resisti. Ele fica tão fofinho. — Ela explica e Bella rola os olhos. Tessane tinha mania de fantasiar o irmão, sempre era uma fantasia diferente, na semana passada tinha sido de minion. Tess olha pra mãe e volta a olhar pras mulheres a sua frente e pra criança no colo de sua mãe. Seu olhar transmitia curiosidade.
—Tess essas são Alice e Esme. – Assim que termina de falar, Bella vê os olhos de sua filha se encherem que compreensão. Bem que ela tentou esconder a verdade da sua filha, mas Tess acabou ouvindo uma conversa dela e Alec sem querer e ela não teve escolha. A verdade é que acabou sendo mais fácil do que ela esperava, Tess é uma criança extremamente inteligente e muito madura pra sua idade, apesar de ter ficado com muita raiva do pai biológico na época.
—Olá, é um prazer conhece-las. Eu me chamo Tessane mas pode me chama de Tess. — Ela se apresenta numa postura elegante.
— Oh minha querida acredite, o prazer é todo meu. — Esme fala abraçando emocionada a menina que retribui o carinho.
— Pode me chama de tia Alli, você é tão linda. Vejo tantas possibilidades, já precisamos ir ao shopping — Alice fala dando pulinhos, Tess apenas sorri.
— Eu vou adora tia Ally.
— Ah meu Deus Bella, ela é linda. O Edward vai... — Ela para com uma mão na boca percebendo o erro que cometera — Desculpe Bella, eu não queria.
—Tudo bem Alice, Tess sabe de tudo.
— O que tem meu pai, tia ? — Quim pergunta deixando Alice sem saber o que responder e Tess olha pra menina. Então aquela era a filha de Edward, sua irmã. Ela se aproxima da menina que dividia o espaço do colo de sua mãe com seu irmão.
—Olá Quim, eu sou a Tess. – Ela estende a mão pra irmã que não retribui e apenas fala um "oi" tímido. Ela olha pra mãe que aponta pros olhos dela, o que foi o bastante pra menina entender e seus olhos se encherem de lágrimas.
— Filha, porque você não leva a Quim e seu irmão pra brinquedoteca ? — Alec fala entrando na sala acompanhado da empregada que trazia uma bandeja com café e alguns quitutes.
— Claro papai. Quim, você gostaria de brincar comigo e com o Ben ? – Tess pergunta gentilmente a menina.
— Posso mesmo ? — A pequena perguntou com a voz cheia de excitação, nunca era convidada a brincar. Só brincava com outras crianças na escola e eram como ela, crianças normais nunca se aproximavam dela.
—Claro que sim,vem. Vai ser muito divertido. — Ela segurou a mão da irmã e a ajudou a se levanta com todo cuidado. Esme e a Alice olhava tudo com lágrimas nos olhos e Bella e Alec com orgulho.
— Filha tenha cuidado. — Bella alertou mesmo sabendo que não era necessário, tinha certeza que a filha seria muito cuidadosa com a irmã.
— Pode deixar mãe, com licença. — Ela pediu as visitas e se retirou com seus irmãos um de cada lado.
— Bella, ela é incrível e linda. Meu Deus ela é a cara do... — Esme para antes de concluir a frase pedindo desculpas com os olhos.
—Sim, ela é — ela fala simplesmente.
— Bella querida, sei que não deve ser fácil pra você mas nós precisamos entender o que aconteceu. E pra isso é preciso que você nos conte. — Esme fala e Bella respira fundo balançando a cabeça, Alec segura em sua mão lhe dando forças.
— Bom, eu só posso contar a parte em que toda aquela sujeira foi despejada em cima de mim e tudo que Alec descobriu depois. — Elas acenam com a cabeça e Bella começa a contar suas desventuras e as mulheres ouviam tudo com atenção.
x—x
A chuva caia fina em Forks e lavava a neve que cairá na noite anterior,o vento soprava forte sacudindo os galhos das árvores,mais um dia na pequena e chuvosa cidade chegava ao fim.
Isadora colocava suas sacolas de compras em sua picape velha de um vermelho desbotado e enferrujada pelo tempo, picape essa que um dia pertenceu a sua irmã. Ela suspirou levantando o rosto pra cima deixando que a chuva o banhasse, desejando que ela lavasse não só sua face mas também sua alma e todo a sujeira que ela guardava. Não tinha um dia que não se arrependesse do que tinha feito a própria irmã. Destruiu sua vida por puro egoísmo e inveja e pra quê ? Pra nada, pois de nada lhe serviu. Achou que aceitando fazer parte daquela trama as pessoas finalmente iam olhar pra ela e iam enxerga-la sem ser a sombra da irmã. Que finalmente iria pode conquistar o amor de Emmett, que seria rica e sairia da cidade que ela tanto odiava. Porém nada disso aconteceu, arruinou a vida da irmã pra nada. Olhou a velha picape que parecia encara-la de volta acusadoramente e suspirou.
— Olá senhorita. — Se assustou ao ser abordada por dois homens. Um era loiro, alto, forte, de olhos verdes, que a encarava com um sorriso que lhe arrepiava os pelos do corpo de puro medo. O outro era negro, um pouco mais baixo e menos forte que o primeiro, seu olhar transmitia apenas impaciência.
— Quem são vocês e o que querem comigo ? — Ela perguntou olhando pros lados a procura de um jeito de fugir ou alguém que pudesse a ajudar, mas o estacionamento estava vazio.
— Calma docinho, não precisa se assustar. Só queremos conversar -o loiro falou pegando uma mecha de seus cabelos e aspirando seu cheiro, Isadora sentiu seu corpo estremecer de pavor.
— Não tenho nada pra falar com vocês, me deixem em paz ou eu vou gritar. Meu pai é chefe de polícia, não vão querer se meter comigo. — Ela tenta assustar os homens mas não tem efeito.
— Sabemos perfeitamente quem é seu pai. Alias, sabemos tudo sobre você e sua família e você não vai gritar, vai ficar bem caladinha. Me dá a chave do carro e entra. Afinal, não queremos que nada aconteça com seu marido ou com o pequeno Seth não é mesmo ?
— Por favor, por favor não façam nada ao meu filho nem ao meu marido. — Ela implora e as lágrimas já rolavam pela sua face. O desespero tomou conta do seu corpo que tremia sem parar.
— Calma doçura, nada vai acontecer a eles. Basta você me obedecer que tudo vai ficar bem. — O homem falava manso, se divertindo com o medo e o desespero da mulher.
— James, chega de tolices. Vamos logo, não podemos ficar dando bandeira aqui fora. — O loiro rola os olhos pro companheiro e segura o braço de Isadora a empurrando pra dentro da picape. Ele fecha a porta e dá a volta entrando do lado do motorista e dá a partida saindo do estacionamento enquanto seu companheiro os seguia em outro carro.
— Pra onde estão me levando ? O que vão fazer comigo ? — Isadora pergunta em meio as lágrimas.
—Já te disse que só queremos conversar, estamos indo pra um lugar mais reservado. — Ele responde e ela se encolhe no banco, seu pequeno corpo sacudia pelos tremores de medo. Alguns minutos depois eles estacionavam no velho motel da cidade.
— Desça e aja naturalmente. Se tentar alguma coisa, já sabe o que vai lhe acontecer. -Ela apenas balançou a cabeça e seguiu os homens até um dos quartos do lugar. O quarto era mal arejado, tinha duas camas velhas com lençóis que pareciam não ser lavados a semanas.
— Sente-se e escute com muita atenção o que eu vou lhe dizer.
Isadora ouvia tudo calada. Quando começou a compreender tudo que lhe era dito seus olhos se arregalaram, ela não conseguia acreditar naquilo.
— Vocês enlouqueceram ? Eu não posso fazer isso!
—É claro que pode e vai fazer. Encare isso como uma forma de redenção. – Laurent é categórico.
— Não, eu não posso. Vocês não entendem, isso vai acabar com minha vida. – Isadora chora mais ainda.
— Você não está entendendo doçura — James fala segurando os cabelos de sua nuca com força a fazendo o olhar nos olhos e gemer de dor — Você não tem escolha. Se não fizer, seu marido e seu filho é que vão sofrer as consequências. Estamos entendidos, vadia ?
— Sim. — Ela consegue falar entre os soluços.
— Agora vai. Lembre-se, você tem uma semana. Se você falhar, iremos fazer uma visitinha e eu vou adorar me esbalda nesse seu corpinho. E nem pense em fugir, estaremos de olho em você. — Ele fala descendo a mão pelo seu pescoço e apertando seu seio.
Isadora entra em seu carro e sai desesperada daquele lugar. Ela sabia que um dia teria que pagar por tudo que fez e a hora havia chegado. Perderia tudo que ama quando fizesse o que lhe foi ordenado, nunca as palavras que sua irmã lhe disse ao pé do ouvido naquela noite lhe fizeram tanto sentido.
— Você arrancou meu coração, eu voltarei pra busca o seu.
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