Mentiras e Decepção
8 Confiança
Notas iniciais
Na sala da mansão San Romão o silêncio reinava, lágrimas rolavam pelo rosto de Alice, Esme e Bella. A emoção tomou conta das três mulheres após a narrativa de Bella sobre tudo que ela tinha vivido até aquele momento.
Alec abraçava forte a esposa que tinha a cabeça encostada em seu peito recebendo do marido o carinho como forma de conforto. Mesmo depois de anos, relembrar aquele passado sempre era muito doloroso pra ela.
O coração de Alec doía toda vez que via a mulher e o amor de sua vida chorar por tudo que tinha lhe acontecido no passado, ele se sentia inútil por não poder tirar totalmente essa dor dela. Por muitas vezes desejou sofrer em seu lugar, mas sabia que isso era impossível. Então fazia a única coisa que podia que era lhe dar apoio, a enchendo de carinho e a amando intensamente. Ah como ele amava aquela mulher.
Ele a amou desde o primeiro momento em que seu olhar se encontrou com o dela. Era um olhar tão perdido, tão assustado e sem vida mas mesmo assim ele conseguiu enxergar tanta bondade e verdade naqueles olhos chocolates que transmitia o sofrimento de uma alma despedaçada. Naquele momento tudo que ele quis foi abraça-la e retirar dela todo aquele sofrimento. Sentiu a necessidade de protege-la, de coloca-la dentro de uma bolha onde ninguém pudesse toca-la pra nunca mais feri-la, como se ela fosse o mais fino dos cristais que se partiria ao menor som.
E naquele momento ele soube que a amaria por toda vida e que faria qualquer coisa para a fazer se sentir a mais feliz das mulheres, e se fosse preciso daria a própria vida por ela. Alice se levantou secando as lágrimas que molhava seu rosto e se aproximou da amiga pegando as mãos dela entre as suas. Alec se afastou um pouco dando espaço as amigas.
— Sinto muito que tenha passado por tudo isso. — Ela falava enquanto com as próprias mãos secava as lágrimas da amiga. — Sinto mais ainda por não ter estado ao seu lado. Eu não consigo acreditar que Charlie tenha te expulsado de casa e ainda mais dessa maneira.
—E meu Deus, como Edward pode ter caído numa armação como essa ? Como ele não percebeu que não era você naquele vídeo? É um absurdo isso, logo ele que sempre soube distinguir muito bem vocês duas. Eu não consigo acreditar nisso, a vontade que eu tenho é de estrangula-lo com minhas próprias mãos.
— Alice, eu também sinto muito por todo sofrimento que a Bella passou e acredite eu nunca vou me perdoar por não ter ajudado como devia. Concordo que o Edward foi imaturo por ter acreditado nisso tudo mas também precisamos entender o lado dele, ele estava cego pelo ciúmes. Sabemos que Tânia sempre que podia enchia a cabeça dele de mentiras sobre a Bella, você lembra como ele era ciumento e possessivo em relação a ela e o vídeo só piorou tudo. — Esme falou procurando uma forma de amenizar a situação daquele que ela tinha como um filho. Ela sabia que quando ele soubesse a verdade, iria ficar despedaçado.
— Imaturo, mãe ? Imaturo ? Você só pode estar brincando comigo. Ele foi é muito burro isso sim e por favor pare de tentar defender o Edward, até por que ele não tem defesa. — Alice esbravejou, estava possessa com a burrice do irmão.
— Tudo bem Alli, a Esme é mãe, é normal ela querer defende o filho. Além disso, eu não contei tudo isso pra que vocês julgasse o Edward, mesmo porque isso agora não vai nos leva a nada. Isso é passado e é lá no passado que tem que ficar.
— Tudo bem Bella, você está certa. Não vamos mais falar do passado. — Ela fala e se vira pra Alec. — Muito obrigada por ter cuidado dela quando eu não pude, tenho uma dívida eterna de gratidão com você.
—Você não me deve nada Alice. Eu amo essa mulher e faria tudo de novo se preciso fosse, mesmo porque eu já fui muito bem recompensado. Tenho como esposa a mais perfeita das mulheres, que é a mulher que amo e que ainda me presenteou com dois filhos lindos que assim como ela são a minha vida. — Alec falou emocionado puxando Bella pra si e a olhando nos olhos.
— Te amo my amor! — Ela falou recebendo um beijo nos lábios e um abraço apertado enquanto ele sussurrava em seu ouvido.
— Te amo muito mais my vida, pra sempre!
As mulheres olhavam a casal emocionadas, Alice estava feliz por sua amiga ter encontrado um homem que a amava tanto e que a fazia tão feliz. Apesar da raiva que sentia do irmão, seu peito se apertava um pouco ao pensar em tudo que ele tinha perdido. Não só a chance de ter sido feliz ao lado da mulher que ama mas também a chance de ter visto a filha nascer e crescer, de ser pai de uma criança tão linda e encantadora e isso seria impossível de ser recuperado. Respirou fundo sentindo o nó que se formou em sua garganta.
— Muito bem, chega de melação. -Alice falou tirando o casal de sua bolha. – Bella, agora que você apareceu eu finalmente vou poder me casar e você é claro será minha madrinha.
— Será um prazer Alli!
— Ótimo! Então vamos falar dos preparativos, pretendo me casar daqui a 2 meses antes que o Jasper desista de mim. -Ela falou batendo palminhas enquanto quicava em seu lugar.
— Siento molestare chica, el almuerzo se sirve (Sinto incomoda-la filha, o almoço está servido). — A governanta anuncia.
— Muchas gracias madre (Muito obrigada mãe). — Bella fala indo até a velha senhora e a abraçando pelo ombro.
— Alice, Esme, essa é Maria. É ela quem cuida de todos nós e que se tornou uma mãe pra mim.
— É um prazer conhece-la Maria, obrigada por cuidar da minha amiga e da minha sobrinha.
— É realmente um prazer conhece-la Maria.
— Muicho gosto. — Maria falou recebendo os cumprimentos das amigas de sua filha de coração.
—Alice, vamos fala dos preparativos do casamento enquanto almoçamos. Pode ser ?
— Claro Bellinha, está ótimo pra mim. – Alice responde animada.
— Muito bem então. Amor você busca as crianças ? – Bella se vira pra Alec.
— Claro my vida. – Alec dá um selinho nela e vai buscar as crianças.
O almoço foi leve e descontraído, Alice estava super empolgada falando dos planos para o casamento e Bella ouvia a amiga com atenção e alegria. Apesar de ainda não gostar de compras e preparativos de festas, ela estava feliz em poder ajuda a amiga em seu casamento. Sabia o quão importante era pra ela e daria o seu máximo pra que o casamento de sua amiga fosse inesquecível pra ela, e estava disposta a atender todas as suas vontades.
Esme olhava fascinada a neta postiça, estava maravilhada com a forma educada e elegante da menina. A forma carinhosa como ela ajudava a irmã a se servir, ou como ela se prontificou a cortar seu bife. Aproveitou pra conhecer um pouco mais a menina, seus desejos, sonhos e seus gostos. Notou que em nenhum momento ela perguntou do pai biológico, a forma como olhava pra Alec era um olhar de adoração e cheio de amor, sentiu que Edward teria uma batalha dura pela frente pra conquistar o carinho da filha.
Após o almoço Alec decidiu deixar as mulheres mais a vontade com suas conversas.
— My vida, tenho que sair pra resolver uns assuntos, mas volto antes que escureça. — Ele informou beijando os lábios da esposa. – Te amo my cielo.
— Te amo! — ela respondeu.
— Esme, foi um prazer conhece-la. Volte sempre!
— Obrigada Alec, gostei muito de conhece-lo também, obrigada por tudo. Espero recebe-los em minha casa também. – Ele acenou com a cabeça.
— Alice, não canse muito a minha esposa. — Ele falou sorrindo e ela lhe deu língua o fazendo rir ainda mais. Bella não mentiu quando disse que era muito fácil gostar dela, "você fala com ela uma vez e é como se a conhecesse a vida toda" ela dissera uma vez e era exatamente assim que ele estava se sentindo.
x—x
Edward acordou sentindo uma dor de cabeça do cão. Levou as mãos até as laterais de sua cabeça as massageando, se levantou olhando ao redor e percebendo que ainda vestia a mesma roupa da noite anterior, faltava apenas o paletó, a gravata e os sapatos. Tentou se lembrar de ter tirado mas nada lhe vinha a cabeça, a última coisa que se lembrava era do corpo macio, quente e cheiroso de Isabella contra o seu quando ele a beijou. Sentiu vontade de cortar o próprio pescoço por ter sido tão fraco, soltou um resmungo e olhou o relógio sobre a mesinha de cabeceira percebendo que era pouco mais de três da tarde.
— Mas que merda! — Como se não bastasse surgir do inferno pra mim atormentar, ainda me fez quebrar uma promessa que fiz a minha filha. Rosnou em pensamento se lembrando que prometeu a filha que fariam um piquenique naquele dia. Saiu apressado pro banheiro, tomou um banho e se vestiu na esperança de poder pelo menos aproveitar o resto da tarde com a filha.
Enquanto caminhava pela casa percebeu que tudo estava muito quieto, chegou a cozinha encontrando apenas seu padrasto/sogro sentado a mesa tomando um café.
— Eleazar, onde estão todos ? — Perguntou percebendo o olhar avaliativo do sogro sobre ele, o homem respirou fundo pra só então responde-lo.
— Tânia saiu bem cedo e ainda não voltou, sua mãe também saiu, tinha umas coisas pra resolver.
— E minha filha onde está ? Ângela a levou para passear em algum lugar ? — Continuou perguntando enquanto se servia de uma xícara de café.
—Não, você deu folga pra ela hoje, já se esqueceu ? — Ele respondeu e Edward não deixou de notar uma pontada de acusação na voz dele.
— Liz a levou pra casa do seu pai já que ela não podia ficar aqui sozinha. — Ele continuou falando e encarando o genro. — Olhe Edward, quero que saiba que eu não vou permitir que agora que essa mulherzinha apareceu, você vá correndo atrás dela e faça minha filha e minha neta sofrer. Já passou da hora de você esquece-la e pensar em seu casamento, eu não aguento mais ver minha filha sofre por causa do seu desprezo.
— Escute aqui você. — Edward explodiu socando a mesa e assustando o homem. — Quem você pensa que é pra falar o que eu faço ou deixo de fazer ? Não se meta na minha vida Eleazar, já se esqueceu que sou eu quem paga as suas malditas contas ? Esqueceu que você não tem mais nenhum centavo porque perdeu tudo na porra de uma mesa de cassino ? O único motivo pra eu continuar te ajudando é apenas pela minha mãe que não merece esse desgosto, você e sua filha não passam de dois parasitas. Não teste a porra da minha paciência — O homem engoliu em cego enquanto olhava o genro lhe dar as costas e sair da cozinha.
Edward já estava com a mão na maçaneta da porta de seu escritório quando a campainha tocou. Ele caminhou em direção a porta rezando pra que não fosse mais problemas, sua cabeça já estava cheia demais. Respirou fundo e abriu a porta.
— Senhor Cullen, será que podemos conversar ? — Ele olhou surpreso a pessoa a sua frente, esperava qualquer um menos ele.
— Claro senhor San Romão, por favor entre. — Ele falou dando espaço pra Alec passar, não conseguia deixar de pensar que agora o homem a sua frente era marido de Isabella. Serrou os punhos tentando se controlar, o ciúmes estava tomando conta de seus pensamentos.
— Por favor me acompanhe até meu escritório, lá ficaremos mais a vontade. — Alec acenou com a cabeça e o seguiu. Edward abriu a porta do escritório e entrou sendo acompanhado de Alec, ele deu a volta na mesa e se sentou apontando a poltrona a sua frente pra que Alec se sentasse.
— Muito bem senhor San Romão, em que posso ajuda-lo ?
— Bom senhor Cullen, eu não gosto de perder tempo e nem sou homem de rodeios, por isso vou direto ao ponto. -Edward se endireitou em sua cadeira e olhou atento pro homem a sua frente.
— Eu sei que você e minha esposa foram namorados no passado, sei também tudo que veio depois e tudo que você acha que aconteceu. Quero que saiba que o passado da MINHA esposa não muda nada o que eu sinto por ela, quando eu a conheci você não fazia mais parte da vida dela. O que eu estou tentando dizer senhor Cullen, é que não vou permitir que ofenda a minha esposa ou que se aproxime dela de novo, quero que isso fique bem claro. Nós temos negócios juntos Cullen e seria uma pena ter que dispensar seus serviços. Eu aprendi com o meu pai a separar a vida pessoal da vida profissional e é por isso que cheguei onde cheguei hoje. A questão aqui é, você seria capaz de fazer o mesmo ?
Edward trincou os dentes, sabia que se o San Romão rompesse o contrato que tinha com a construtora ele perderia muito, vários de seus clientes mais importantes só tinham o procurado por saberem que um dos homens mais ricos do mundo tinha muita confiança em seu trabalho. Por mais que ele quisesse, não era propenso a perda desse contrato.
— É claro senhor San Romão, pode ficar tranquilo. Isabella faz parte do meu passado e é lá que ela vai ficar. — Alec sorriu pra ele, mas era nítido que não acreditou em uma só palavra.
— Ótimo, fico feliz que tenhamos nos entendido. Não vou mais tomar seu tempo, prometi pra MINHA esposa que voltaria antes de escurecer. — Ele provoca se levantando e estendendo a mão pra Edward, que dá a volta na mesa e aceita o cumprimento.
— Nos vemos na segunda no meu escritório pra tratarmos dos últimos detalhes da inauguração da área pediátrica do hospital.
— Claro, estarei lá. — Alec dá as costas pra ir embora mas se volta pra Edward que já se virava pra voltar pra sua cadeira.
— Cullen! -Edward se virou pra olhar pra Alec mas só sentiu a força do punho dele em seu queixo, o derrubando no chão.
— Isso foi por ter beijado minha esposa sem a permissão dela, agora sim estamos conversados. — Edward limpou o sangue do canto de sua boca ainda atordoado pelo soco que levou, a raiva borbulhava dentro dele.
— Quem te garante que foi contra a vontade dela ? — Ele provoca com um sorriso de deboche no rosto, sabia que corria risco de perder seu melhor cliente mas seu lado macho alfa falava mais alto naquele momento. Alec apenas sorriu.
— Eu garanto! Conheço minha mulher Cullen, Isabella não sabe mentir. Ela é incapaz de trair, você deveria saber disso. — Ele sai batendo a porta e deixando um Edward com orgulho ferido e pensativo pra trás.
Fale com o autor