Mentira perfeita
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
— Vocês não podem me obrigar!
A voz exaltada do jovem rapaz ecoou pelos quatro cantos da sala de jantar, onde três pessoas, antes, tentavam jantar amigavelmente em família.
— Entenda, meu filho...
— Não! — gritou, pondo-se de pé.
O clima estava cada vez mais pesado entre os três.
— Já basta, Ben, Leia. Eu estou cansado disso — a voz grave de Han Solo silenciou os dois. — Não há mais motivos para discutir sobre isso. Ben irá para Tatooine e vai se casar com a mulher que Luke escolheu, ele já arranjou tudo. Assunto encerrado — finalizou, encarado o filho.
— Não vou — rosnou, socando a mesa. — Vocês não vão me vender. Vovó nunca aceitaria isso...
— Não estamos te vendendo, Ben — suplicou Leia, interrompendo o rapaz. — Isso é para salvar você, nossa família. O legado de seu avô...
O jovem podia ver a dor nos olhos de sua mãe, no entanto, aceitar algo como aquilo era imperdoável. Ele não fingiria interesse por ninguém apenas por dinheiro e principalmente, não se casaria para manter status social.
Ele era livre para escolher com quem queria passar o resto de sua vida e nem seus pais lhe tirariam isso.
— Não vou me casar com quem não amo — rebateu convicto.
— E você ama alguém, Ben? — Han Solo perguntou sem olhar para o filho e doeu em Ben sentir toda a frieza na voz do homem que chamava de pai.
Ele estava sendo traído e seus pais pareciam irredutíveis.
Decidido a fugir de tudo aquilo, o rapaz deixou a sala de jantar a passos rápidos, ignorando os chamados da mãe.
Pensou em ir direto para seu quarto, no entanto, seguiu caminho para o lugar onde sabia que iria encontrar o conforto que precisava.
— Vovó — chamou ao bater na porta, entrando assim que ouviu a voz suave de Padmé Amidala soar, concedendo sua entrada.
O ambiente estava claro, assim como a luz que a presença dela própria irradiava para todos ao seu redor e Ben amava a sensação de paz que a avó lhe passava.
Seu abraço era o refúgio do garoto e foi para os braços da avó que ele correu.
— O que houve, querido? — perguntou, acolhendo ainda mais o garoto em seus braços.
— Eles estão me usando, vovó. Me usando como mercadoria...
— Se acalme, filho e, me conte o que está acontecendo — suplicou com a preocupação explicita em sua voz.
Então, sem se prolongar muito, Ben contou toda a conversa desastrosa que havia tido com os pais minutos atrás até o quão ferido estava. Ele estava magoado e deixou isso bem claro para ela.
— Sabe, você me lembra muito seu avô, Ben. Não na aparência, isso você puxou do seu pai, mas sim no olhar. Eu vejo a mesma paixão que via nos olhos dele — falou ela, alisando os cabelos negros do neto, logo após ouvir tudo o que ele tinha a dizer.
— E o que ele faria se estivesse no meu lugar, vovó? — Seus olhos se encontraram, enquanto o rapaz se sentava em frente a ela.
— Ele lutaria pelo que achava certo, mesmo que o mundo inteiro dissesse o contrário.
Ouvir aquelas palavras fez o coração de Ben se acalmar.
Mesmo que não conhecesse o avô, sabia que ele havia sido um grande homem, que morrerá por amor. O grande Anakin Skywalker havia escolhido o amor e mesmo em seu leito de morte, não se arrependerá de escolher Padmé e isso o deu esperança.
Queria encontrar algo pelo qual valesse a pena lutar, alguém pelo qual ele daria a vida.
— Obrigado por isso, vó — murmurou.
— Não precisa agradecer, filho. Eu amo você — sorriu.
— Eu sei e eu também amo a senhora —falou, esforçando-se ao máximo para dizer aquelas palavras.
Nunca fora um garoto aberto a demonstrações de carinho, mas sentiu que precisava dizer. Algo bem no fundo de seu ser, sussurrava que, àquela talvez poderia ser a última vez que de fato se encontraria com sua tão amada avó.
Ainda não estava certo do que deveria fazer, mas estava decidido e faria o certo, nem que para isso tivesse que fugir e renegar aqueles a quem mais amava. Mudaria até o próprio nome se fosse preciso, afinal, Ben Solo nunca fora o filho perfeito.
***
— O que você faria, vovô — perguntou a jovem de belos olhos verdes ao encarar o velho senhor, sentado em sua alta poltrona.
— Eu faria o que fosse melhor para nossa família, minha pequena — respondeu calmo, sustentando o olhar da neta.
— Pensei que fosse dizer para eu fazer o que fosse melhor para mim...
— Às vezes o egoísmo pode destruir sua família, Rey. Por isso fazemos escolhas que nos machucam, apenas para manter o equilíbrio — rebateu.
— Essas suas metáforas não estão me ajudando, senhor Obi Wan. O que devo fazer? — suplicou a jovem mulher.
— Suas próprias escolhas. Um dia tudo isso será seu — assinalou, abrindo os braços. — E eu não vou estar aqui para deixar as coisas mais fáceis...
— Hm — resmungou, apanhando todos os relatórios da empresa que estavam sobre a mesa. — Obrigada pela grande ajuda, senhor Obi Wan Kenobi — finalizou com o sarcasmo pesando em sua voz.
— Não há de quê, senhorita Rey e, não seja petulante — riu.
— Eu nunca sou.
Sem se prologar, saiu porta a fora da grande sala da presidência, logo pegando o celular.
“Finn, aqui é a Rey. Quando ouvir essa mensagem, liga para o Poe e diz que preciso de uma festa e é para ontem. Te adoro. Beijos”
Desligou, sorrindo.
Se seu avô queria que ela fizesse suas próprias escolhas, então Rey as faria, afinal; ninguém precisava ser perfeito sempre.
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