Mentira perfeita
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo 1
O carro seguia lentamente pela avenida movimentada da cidade e Ben Solo não conseguia desviar os olhos da janela aberta do veículo, por onde o ar da noite entrava, batendo suavemente em sua face pálida. No entanto, não era como se estivesse muito interessado na paisagem urbana, mas, sim, perdido em seus pensamentos, tanto que só foi perceber que seu celular estava tocando quando Hux lhe avisou.
— Você devia trocar de número se não quer mais ter contato com sua família — falou o ruivo enquanto o outro rejeitava a enésima ligação de sua mãe.
— Eu sei — foi tudo o que respondeu desviando os olhos do aparelho, voltando a posição em que estava minutos antes.
Faziam exatos dez dias desde que deixara a casa dos pais no meio da noite para morar com o amigo, renegando tudo o que havia sido planejado para si e a cada dia sentia-se mais sozinho e perdido.
A certeza de que havia feito a escolha certa ruía pouco a pouco em seu âmago, porém, para ele já não existia mais um caminho de volta e seu pai, Han Solo, havia deixado isso bem claro ao cortar todos os cartões de credito do rapaz e proibir sua mãe e avó de ajuda-lo de qualquer maneira.
Mas lá estava Leia, que não desistia do filho, ligando a todo momento a fim de descobrir sua localização, mesmo que todas as chamadas fossem ignoradas pelo rapaz, tornando as coisas ainda mais difíceis para todos.
— Chegamos! — Hux falou com uma empolgação exagerada na voz, fazendo Ben revirar os olhos. — Não faça essa cara, Ben. Viemos aqui por sua causa. Então tente se divertir um pouco.
— Hm — resmungou o moreno analisando a casa noturna que o amigo havia escolhido e a fila enorme que teria de enfrentar para entrar no estabelecimento, sem falar do preço que a entrada deveria custar.
Será que Hux havia esquecido que seus recursos estavam quase no final?
— Ah! E não se esqueça: Aqui você não é Ben Solo. Não queremos que a Tia Leia descubra onde estamos, certo?!
— Não precisa me lembrar — rebateu saindo do taxi, ignorando Hux, que reclamava sobre o quanto Ben estava mal-humorado naquela noite.
***
Caminhava apressada pelo grande apartamento onde morava desde que completara dezoito anos. Já estava atrasada e as cinco mensagens, seguidas, de Finn deixava isso muito claro.
Haviam combinado de se encontrar a uma hora, mas seu avô tinha lhe passado mais relatórios para analisar do que a moça tinha imaginado.
“Onde você está?” — a voz de Finn soou zangado quando Rey atendeu sua ligação.
“A caminho” — rebateu deixando cair as chaves do carro, enquanto trancava a porta do apartamento.
“Não me diz que está saindo de casa agora?!”
“Não. Relaxa. Chego aí em vinte minutos” — mentiu a moça, já no elevador.
“Certo. Apenas chegue logo. Poe e eu já vamos entrar e te esperamos no bar” — desligou fazendo Rey suspirar, enquanto adentrava no carro.
O caminho até a boate foi tranquilo com pouco trânsito, assim, Rey logo deixava seu carro no estacionamento especial da boate e seguia para a entrada VIP do local, passando por aqueles que esperavam na fila para entrar.
***
Faziam quase quarenta minutos que estavam na fila da boate e Ben não conseguia disfarçar seu descontentamento. Não queria estar ali, mas Hux se mostrava animado demais, fato que o fez apenas aguentar tudo aquilo calado. Não queria ser ingrato com a única pessoa que o acolhera naquele momento difícil.
— Sabe o mais odeio do que ter que esperar na fila?! — o ruivo perguntou de repente, encarando dois rapazes que passavam livremente pelo outro lado da entrada. — Pessoas VIP’s! — completou.
—Você não parecia odiar quando éramos nós a passar na frente desse povo antigamente — Ben rebateu fazendo o outro se calar e assim permaneceram até passar pela porta de entrada do lugar.
Finalmente estavam dentro e Ben já queria ir embora. Nunca gostara de multidões e lugares apertados, então apenas dispensou o amigo, que reclamou, mas concordou quando o outro disse que iria beber algo.
O bar do local estava menos tumultuado e o moreno conseguiu se sentar rente ao balcão e logo pediu um whisky ao barman.
Não queria admitir, mas sabia que Hux estava certo, já que estava ali, tentaria relaxar e esquecer toda aquela história, que o atormentava há dias, nem que para isso precisasse beber até perder a consciência. Com isso em mente, bebeu todo o liquido marrom de seu copo em um gole, pedindo outra dose ao garçom, em seguida.
— Vai com calma aí, garotão. A bebida não vai fugir do copo, não! — uma voz risonha chegou a seus ouvidos, fazendo-o estremecer ao encontrar olhos verdes que o analisavam com divertimento. Porém, logo que a surpresa passou, Ben resolver ignorar a moça, virando de uma vez outra dose da bebida, que desceu queimando sua garganta.
Ser simpático não estava em seus planos para aquela noite.
— Ei, garçom?! — ouviu a moça, que ainda permanecia a seu lado, chamar o barman, logo sendo atendida. — Um Martini para mim e mais uma dose do seu melhor whisky para esse moço aqui.
Contrariado, Ben apenas a encarou sem sorrir.
Quem aquela garota pensava que era? E o que queria com ele?
— De nada — a garota sussurrou, sorrindo e Ben apenas ficou a observá-la curioso.
***
“Onde vocês estão?”
Rey digitou rapidamente a mensagem em seu smartphone, sem obter resposta. Talvez Finn e Poe tivessem cansados de esperar e agora ela se via sozinha no meio da boate lotada, onde tinham marcado mais cedo.
Estava quase desistindo de esperar os amigos, quando um rapaz, vestido de preto com cara de mal-humorado lhe chamou a atenção. Não era como se estivesse atraída por ele, mas uma curiosidade gigantesca crescia em seu interior, fazendo-a cruzar o bar, para se sentar ao seu lado.
— Vai com calma aí, garotão. A bebida não vai fugir do copo, não! — falou ao vê-lo beber todo o liquido que estava em seu copo de uma só vez, chamando a atenção do rapaz, que a encarou surpreso.
E assim, por míseros segundos, Rey se pegou admirando os olhos negros do desconhecido a sua frente como se só existissem os dois naquele bar, mas esse contato logo foi cortado quando o rapaz passou a lhe ignorar, bebendo outra dose de whisky que ele havia pedido momentos antes.
Ele não era muito amigável pelo que Rey pode perceber.
— Ei, garçom?! — chamou. — Um Martini para mim e mais uma dose do seu melhor whisky para esse moço aqui — sorriu, encarando o rapaz, que a observava sem corresponder ao seu sorriso. — De nada — Rey sussurrou, vendo uma carranca se formar na face dele.
— Eu não pedi nada seu — o rapaz rebateu, ignorando o copo que o barman colocou a sua frente.
— Apenas aceite a bebida. Não há nada de mal nisso — Rey declarou intrigada pela atitude do rapaz. Não era sempre que algum homem rejeitava suas investidas.
— Por que eu deveria? Nem te conheço — declarou ele, virando seu corpo todo para encará-la, deixando a moça intimidada por alguns instantes.
— Me chamo Rey — estendendo a mão, que foi ignorada pelo rapaz, que apenas se deixou observá-la atentamente, relaxando aos poucos, pelo que a moça pode perceber. — E você? Como posso chamá-lo?
— Kylo — respondeu, bebendo a bebida que ela havia lhe oferecido minutos atrás sem tirar os olhos negros dos dela. — Pode me chamar de Kylo.
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