Mentira perfeita
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Capítulo 2
Acordou sentindo a luz do sol queimar sua face, enquanto uma dor lancinante o fazia fechar os olhos com força. Não conseguia raciocinar direito e muito menos identificar onde estava.
A ressaca nublava todos os seus sentidos, mas, ainda assim, Ben tentou se levantar, falhando no processo, deixando seu corpo cair pesadamente na superfície macia, onde estava antes.
— Ah! A bela adormecida acordou. Finalmente! — a voz desdenhosa de Hux chegou a seus ouvidos, fazendo Ben franzir a testa. Agora sabia estar no apartamento do amigo, entretanto, não conseguia se lembrar de como chegara até ali. — Cara, você está horrível! — riu o outro, fazendo o moreno bufar. Seu humor, que não era dos melhores, estava zerado naquele dia.
— Como cheguei aqui? — Ben perguntou, conseguindo se levantar enfim.
— Desculpa, Ben! Eu acabei com sua festa ontem, mas você não estava em condições de ir para a casa daquela garota....
— Que garota?! — indagou, cortando o ruivo, que o encarava risonho.
— Rey, pelo que me lembro. A garota que estava te pagando bebida desde o começo da festa. Você não parava de chamar o nome dela enquanto voltávamos para casa.
— Você só pode estar de brincadeira comigo — Ben rebateu encarando Hux com indignação no olhar, no entanto, olhos verdes logo vieram a sua mente e uma enxurrada de lembranças da noite passada vieram até ele como um furacão.
Desde a primeira troca de olhares até a despedida sem jeito no final da festa.
— Rey — sussurrou.
— Sim. Essa mesmo. Vocês pareciam bem íntimos ontem, mas não podia te deixar naquele estado — falou o ruivo, rindo da carranca de Ben.
— Cala essa boca.... — o moreno começou, mas logo foi interrompido por uma música desconhecida, que parecia vir de um aparelho celular, que estava sobre a mesa de centro da sala, mas que só naquele momento chamara sua atenção. — Não vai atender essa merda?! — perguntou encarando os olhos verdes do amigo.
— Eu não! Por que eu atenderia seu celular? — rebate o ruivo, indignado.
— Como não? Esse também não é o meu celular — declarou Ben, pegando o celular, analisando-o entre os dedos. Definitivamente, aquele não era o seu telefone. O aparelho que observava não era nem da mesma cor que o seu, sendo esse de um dourado claro e o outro, que lhe pertencia, preto fosco.
— Bom, acho que você deveria atender então, porque esse celular estava na sua mão ontem, quando te coloquei para dormir — falou e Ben só pode concordar, contraria.
Hesitante, o rapaz apenas atendeu a ligação sentindo os olhos de Hux presos em si:
“Alô” — falou, incerto.
“Kylo?” — a voz que ouviu do outro lado da linha fez sua pele se arrepiar.
“Rey?!” — perguntou deixando a indignação tomar conta de si.
***
“Eu sei. Eu sei, vovô! Já estou finalizando os relatórios” — Rey respondeu, encarando o celular preto, que estava sobre os relatórios, que já deveria ter entregue para Obi-wan Kenobi pela manhã, estando eles prontos desde a noite passada. Porém, tudo o que vinha a sua mente era quem deveria ser o dono daquele aparelho — “Claro. Deixo na sua sala depois do almoço. Te amo. Até depois” — Desligou, suspirando pesadamente.
Ainda que tivesse uma vaga ideia de como aquele celular viera parar em sua bolsa, algo se revirava em seu interior quando imagens da noite passada lhe vinham à mente. No fim, o mal-humorado Kylo havia sido uma ótima companhia para a noite.
Suspirou vendo o aparelho tocar pela terceira vez naquela manhã, enquanto a palavra “mãe” tomava a tela do celular. Poderia anteder, mas sabia que aquilo poderia ser considerado como invasão de privacidade, então ignorando a ligação, Rey acabou por digitar o seu próprio número para resolver aquilo de uma vez.
Precisava pegar seu celular de volta, sua vida inteira estava naquele aparelho, e tentar entrar em contato com a pessoa que estava com ele era a melhor coisa a se fazer.
“Alô” — uma voz masculina soou incerta em seus ouvidos.
“Kylo?” — declarou sorrindo por estar certa. Sabia que não havia perdido o celular e, sim, trocado de aparelho com o rapaz, sem perceber.
“Rey?!” — a indignação era visível em sua voz.
“Sim. Como vai?” — perguntou a moça, recebendo silêncio como resposta. — “Acho que você está com algo que me pertence” — completou, indo direto ao assunto.
“Digo o mesmo, mas lhe digo que essa troca não foi proposital” — afirmou ele.
“Acredito. Você não me parece alguém capaz de algo tão extremo apenas para conseguir meu número” — riu e ouviu algo que pareceu um riso abafado do outro lado da linha.
“Então, quando e onde?” — Kylo falou, fazendo o estomago de Rey se revirar de uma ansiedade que ela não conseguiu compreender, por isso, apenas ignorou essa sensação.
“Isso quase pode ser interpretado como um convite para um encontro” — falou Rey, prosseguindo ao não receber resposta mais uma vez. — “No pub Império às oito da noite?”
“Perfeito. Até mais tarde”
“Até” — desligou desejando que as horas passassem mais rápido naquele dia.
Não entendi muito bem o porque de estar se sentindo daquela maneiro, porém, não estava muito a fim de descobrir. Não quando tinha muito trabalho a fazer. Obi-wan Kenobi podia ser seu avô, mas não iria facilitar as coisas para ela por isso.
No entanto, sem pensar, a moça pegou o celular preto de Kylo mais uma vez nas mãos, digitando uma rápida mensagem de texto para o seu número:
“Umas perdem o sapatinho, eu perco o celular”
— Que sorriso bobo é esse, senhorita Kenobi? — a voz de Finn a pegou de surpresa, contudo, Rey, ao se recuperar do susto, logo se lembrou do bolo que levara na noite passada.
— Sorriso bobo nada — falou, deixando o celular de Kylo sobre a mesa, caminhando até onde o amigo estava. — Estou chateada com você e com o Poe. Falaram que iam estar em um lugar e não estavam.
— Olha quem fala — Poe Dameron se defendo ao adentrar a sala logo atrás de Finn. — A senhorita sempre faz o favor de se atrasar ou nem vai. Que culpa temos?! Sem falar que dessa vez, Finn foi quem sumiu da festa primeiro — confessou.
— O que?! — Finn exclamou, indignado. — Mentira!
— Rose é o nome dela, não é? — Poe rebateu fazendo o outro se calar, corado. — Que fofos! Deixando o romance do Finn de lado, como foi a sua festa? Foi embora quando não nos achou?
— Não, mas não tenho nada para contar a não ser que troquei de celular com um cara que conheci no bar, enquanto esperava vocês....
— Como assim? Vocês trocaram números ou o quê? — perguntou Finn, sentando-se na cadeira em frente a mesa da moça.
— Não. Trocamos os aparelhos mesmo. Longa história. Iremos destrocar hoje.
— Hmm.
— O que foi, Poe? — indagou a moça, desviando os olhos dos castanhos do amigo.
Poe Dameron sempre sabia quando Rey escondia algo.
— Agora já sabemos o motivo do sorriso bobo...
***
Ainda observava o celular em suas mãos quando Hux empurrou seu ombro:
— Rey, hm?! — riu. — Ela está tão na sua....
— Não fala merda, seu idiota! — resmungou ignorando a piada pronta que o amigo pegara de uma série qualquer de TV, sentindo o celular dourado vibrar em suas mãos, enquanto o número de seu celular brilhava na tela do celular de Rey.
Curioso, Ben acabou por desbloquear o aparelho, visualizando uma mensagem de texto que ela havia acabado de enviar:
“Umas perdem o sapatinho, eu perco o celular”
Ben não conseguiu segurar o riso, que escapou por sua garganta, respondendo logo em seguida:
“Percebi que não era uma princesa usual quando me pagou o melhor Whisky do bar”
Mesmo sem querer e entender, Ben estava se deixando levar pela moça e assim, não sabia onde tudo aquilo iria dar, mas estava ansioso para que o dia passe rápido, ou talvez não.
Sorriu a ver a tela do celular dourado brilhar mais uma vez.
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