Notas iniciais
E estou de volta com mais um cap! Desta vez vamos dar uma vista de olhos à vida social do nosso personagem principal. O que mudará?

Fiquei parado a olhar para a escola. Tinha apenas passado uma semana, mas parecia já um ano que não vinha a este edifício onde tinha passado uma boa parte da minha vida. Pergunto-me se a minha irmã teria pensado a mesma coisa quando a deixei na escola dela.

Respirei fundo e quando me preparava para passar os portões da escola, sinto algo a bater-me com força nas costas. Viro-me para deparar com Edward. Os seus cabelos louros e olhos azuis trouxeram-me um sorriso nos lábios. Naquele momento senti-me contente por ter voltado. Edward nem sequer me deixou falar, deitando fora o que tinha para dizer:

—Ouve, em primeiro lugar, lamento muito pela tua perda, eu pensei em te telefonar mas pensei que talvez quisesses estar um tempo a sós com a tua família para limpares a mente. Conhecendo como te conheço tu já tens a mente limpa e já criaste algum objetivo, por isso não te vou importunar mais sobre este assunto, o caminho é para a frente, estamos bem?

Dei uma longa gargalhada após ouvir isto, ele conhecia-me bem demais. Quem nos visse antes, quando ele chegou da América, nunca acreditaria que nos tornaríamos tão amigos. Estava contente por alguém me entender:

—Como sempre uma fantástica dedução Wattson! E se não se importar gostaria que me desse os apontamentos da matéria dada esta semana, mas suponho que não tenha tirado nenhum por isso vou perguntar á Alice.

—Vês como nos entendemos?

Rimo-nos em conjunto e entramos pela escola dentro, envolvidos por piadas secas e risos exagerados. Era algo superficial mas por algum motivo parecia que um enorme peso estava a sair de mim a cada gargalhada.

Os nossos risos foram cessados por uma voz feminina ao longe:

—Ei, vocês aí!

Olhamos os dois para o lugar de onde vinha a voz. Era Alice e Marta. Deu-me uma súbita vontade de fugir. Não queria que Alice me perguntasse sobre a morte da minha irmã, não queria parecer fraco ao pé dela. Pensei em fingir que não tinha ouvido, mas Edward já me tinha estragado os planos:

—Bom dia! Tudo bem?

Alice acenou afirmativamente e chegou-se mais perto de nós. Fixou os seus olhos nos meus, e pude constatar que transmitiam pena. Desviei o meu olhar do dela para que ela não notasse como eu me encontrava, algo que ela notou logo:

—Eu ouvi sobre o que aconteceu, e tenho muita pena, eu sei que não a vai trazer de volta mas dou-te os meus pêsames.

Eu tentei soletrar algumas palavras mas Edward colocou o seu braço sobre o meu ombro e foi mais rápido a responder:

—Ouve miúda, este rapaz é um Homem, com H maiúsculo. Este tipo de Homens, não importa quantas vezes caiam, vão sempre se levantar logo de seguida. Claro que o que lhe aconteceu foi um desastre e uma enorme tragédia, mas não é a chorar que a vai trazer de volta. Aliás, vós conhecíeis aquele génio que parecia que te descodificava com um olhar, ela preferia muito mais que ninguém chorasse sobre a sua morte, mas que fizessem os possíveis para descobrir quem a levou a esse ponto. A culpa foi tudo deste Quebra-Mentes, que está a levar as pessoas ao suicídio, a irmã dele provavelmente terá descoberto alguma coisa sobre ele, temos apenas de descobrir o quê e quem é este maldito!

Fiquei maravilhado com o discurso de Edward, assim como Alice. Quando queria conseguia dizer coisas interessantes… Ele poderia ter razão. A minha irmã poderia ter descoberto alguma coisa sobre ele… Isso explicaria muita coisa…

A Marta quebrou o silêncio com uma gargalhada um tanto quanto sinistra. Ficamos especados a olhar para ela, pois ela praticamente nunca falava. E o que nos chocou mais foi o que ela disse a seguir:

—Vocês acham que aquela rapariguinha terá descoberto alguma coisa?! Deixem-me rir mais um bocado! Ela podia ser muito inteligente mas nunca na vida conseguiria fazer frente ao Psycho-Change, apenas pessoas com uma mentalidade forte e impenetrável lhe conseguem fazer frente. Estai mas é quietinhos que eu descobrirei quem ele é e o trarei á luz do dia. Apenas observai!

Sem dizer mais nada virou costas e começou a andar. Alice ficou atrapalhada, seguindo-a enquanto se desculpava:

—Perdoai-a por isto, ela não fez por mal…

O seu olhar cruzou-se com o meu por uns instantes, sendo quebrado logo de seguida. Fiquei a observá-las enquanto desapareciam do meu campo de visão. As palavras de Marta ficaram-me na cabeça. Lembrei-me que ela também tinha perdido o seu irmão para o Quebra-Mentes, daí a sua raiva. Mas aquela frase que ela disse sobre as pessoas terem mentalidade forte e impenetrável lembrava-me algo… Estes meus pensamentos foram interrompidos por uma palavra de Edward:

—P***!

Dei uma longa gargalhada após ouvir o que ele disse. Era bem o feitio dele. Direto e sem papas na língua:

—Deixa estar, eu não me importo.

—Mesmo assim! Tudo bem que ela também tenha perdido o irmão, mas tem que compreender que nem toda a gente é como ela. Odeio aquela rapariga! Se não fosse pela Alice já a tinha mandado para o…

Interrompi-o antes de ele acabar de falar:

—Não ligues, ela é sempre assim. Vamos enfrentar um dia de aulas?

Edward deu um resmungo e disse contrariado:

—Pois tem de ser…

E é então que o meu cérebro faz a ligação de tudo. Foi como um raio que atravessou a minha mente, iluminando tudo por onde passava. Tudo fazia sentido! Virei-me para Edward:

—Esqueci-me de pedir os apontamentos á Alice. Vai indo para a sala, eu estarei lá em pouco tempo.

Ele franziu o sobrolho como se me estivesse a ler, tentando decifrar se eu estava ou não a falar verdade. Não sei qual foi a sua dedução final, mas ele apenas disse:

—OK! Se caso a Marta começar com os seus ideais de rainha do drama tu assobia, que eu vou aparecer por detrás dela e dou-lhe um pontapé voador, nem me preocupo com o facto de ser rapariga, se ela voltar a abrir a boca para deixar sair baboseiras, ela nem vai saber de que terra é!

Sorri-lhe e fiz-lhe continência:

—Se isso acontecer eu chamarei logo por si, meu capitão!

Rimo-nos em conjunto e separamo-nos por uns momentos. Tentei ir para um sítio com menos pessoas e liguei o telemóvel, abrindo logo de seguida o site do grupo. Pus a password (que todos os membros tinham de ter, e que eu tinha planeado sempre mudar de semana em semana) e fui aos membros. Procurei as mensagens que me tinham enviado para entrar no grupo. E foi então que encontrei a frase:

“Eu acho que o mundo virtual está cheio de perigos, sendo um deles o Psycho-Change, eu acho que para impedirmos vítimas como as deste caso precisamos de fazer com que as pessoas do mundo virtual tenham uma mente forte e inabalável, se conseguirmos isso não haverá mais vítimas e ele terá de desistir ou de se mostrar á luz do dia”.

Era basicamente o que Marta tinha dito. O usuário chamava-se SilentWolf o que parecia encaixar no perfil de Marta. No entanto não tinha provas concretas.

Olhei o espaço em volta e reparei em Marta e Alice ao longe, tinha maneira de provar, ou pelo menos aumentar a certeza da minha teoria. No chat do grupo vi a mensagem de um usuária chamado FrozenHands:

“Por onde começamos?”

Ao que eu respondi prontamente:

“Primeiro vamos tornar os desconhecidos, conhecidos. Sejam anónimos e espalhem a mensagem, mas não se esqueçam, mente forte e inabalável a todas as circunstâncias, vamos começar por este ponto…”

Enviei a mensagem e olhei para Marta. Reparei que estava a falar algo com Alice, mas não consegui ouvir o quê devido á distância. Após uns breves instantes Alice afastou-se e Marta ficou sozinha. Ela olha para os dois lados e liga o telemóvel, e passado uns segundos sorri. Mal eu vi esta reação voltei a minha atenção para a sala do grupo. E também eu dei um sorriso.

Um usuário tinha já visto a minha publicação – SilentWolf.

Notas finais
E então gostaram? Bom, como podem ver tudo isto pode ser uma coincidência mas eu não vou revelar agora. Se gostaram não esqueçam de apoiar a história e comentem a vossa opinião, eu sou todo a ouvidos. Até á próxima!