Em uma noite sombria e chuvosa, visitei sua casa peguei a chave em meu bolso e abri bem devagar. Um corpo jogado sobre o sofá com fotos antigas de familiares sobre a mão pálida e fria, não tinha outra duvida... Estava morto.

- Pronto, acabei meu serviço. – tão belo e jovem cantor de 18 anos, pena que tivesse esse triste fim. Essa chuva, a luz vaga e fraca e o som da morte soavam como música para os meus ouvidos.

UMA SEMANA ANTES:

- Você soube?

- Do que?

- Ele vai vim fazer um grande show aqui no Japão em Kyoto.

- Eu sei! O Jun Kyuuki... Ele é tão gato, pena que não tenho ingressos.

- Mas que pena, pois tenho dois ingressos sobrando, e como você não tem, decidi te dar um. Quê tal?

- Te amo amiga, tou doida para ver esse show há séculos, desde que soube que ele vai voltar ao Japão fiquei toda feliz, ansiosa, na verdade tudo...

- Bem, por sorte pedi para o meu pai comprar ingressos antes da noticia se espalhar, e você sabe que meu pai é bem influente nesses tipos de lugares e consegue quaisquer ingressos de qualquer show que queira ir.

- Vai ser demais, nós seremos a única do colégio a ir ao show do Jun-kun.

- Yes! Daqui a uma semana será o grande espetáculo.

- Jun Kyuuki... Belo nome.

Não era por achar esse nome bonito ou coisa assim, entretanto chamava minha atenção e não sabia o porquê, e quando uma coisa chama minha atenção boa coisa não à de acontecer. Meu nome é Maya, tenho 16 anos e estou no 2º ano do Ensino Médio, era para tá toda entusiasmada com essa noticia de um cantor adolescente famoso vim para esse fim de mundo, mas nunca me interessei por essas coisas acho até idiotice ver um monte de mulheres pulando para tocar em sua mão e gritando o seu nome ao ponto de deixar alguém surdo e ficar sem voz por uma semana.

Entrei na sala e encontrei uma garota com faixa na testa dizendo “Eu amo Jun-kun” e uma outra garota com um grande poste com a foto, o colégio estava virando um inferno só se falava desse cantor prodígio de 18 anos, “ninguém” quero dizer as garotas não conseguia falar de outro assunto a não ser nesse menino. Até a Mirelly não deixava estudar por causa do “Jun-kun”, só se falava dele, era Jun pra cá e Jun pra lá e assim vai. Ai veio a tal pergunta:

- Ma-chan você não gosta do Jun não?

- Quer que eu responda educadamente ou com sarcasmo? – andava com vários livros nas mãos.

- Mas ele é tão lindo, tão famoso e queria tanto um ingresso dele pena que acabou num estalo de dedos. Não tem como não gostar dele. – falava toda sorridente.

- Você sabe que odeio tudo que envolve adolescente gritando no meu ouvido, e você deve se lembrar do ultimo show que a gente foi. – com certeza deve se lembrar, dei um soco tão forte na cara da garota que fez a sangrar.

- E assim nenhuma garota daquele show se aproximou de você, foi um soco incrível como não me esqueceria? — falava enquanto andava mais lento com tanto livro na mão. – Me dá um pouco desses livros antes que você caia no chão. – pegou alguns da minha mão.

- Pra que você quis se eleger para presidente da classe? E por que eu como vice?

- Bem Ma-chan, para a sua primeira pergunta, você sabe que sempre me elegi para presidência da classe só que sempre ficava em segundo lugar ou alguém roubava os votos, na verdade fazia suborno, então percebi o quanto às pessoas me roubava aproveitei e roubei também, na verdade só foi uma troca de favores que fiz. Ta contente?

- Eu fiz duas perguntas, me responde a outra.

- Sim! Porque eu confio em você de olhos fechados.

- Eu não sabia que ser vice seria uma droga, eu nunca corrir tanto em toda minha vida – falava calmamente – e também isso está dando muita canseira nem consigo dormir direito...

- Está tomando antidepressivos? – parou e olhou para mim fixamente.

- Não.

- Pois fiquei sabendo por pesquisa dá muita insônia, e com o trabalho que você vem fazendo anda estressando muito.

- Ta querendo dizer que o trabalho que faço a vida inteira desde que me entendo por gente me está stressando? — parei bem na frente dela e nem se preocupei em olhar pra trás. – quer que eu pare?

- Não é isso... É que você não dorme há dias e mal presta atenção nas aulas, fiquei preocupada só isso.

- Não a necessidade de se preocupar, eu sei me cuidar sozinha como sempre fiz, e ande longo Presidente antes que os conselheiros fiquem sem esses relatórios, e está pesando muito.

- Estou indo. E ande devagar – andava rápido para alcançar-me.

A tarde estava indo embora e já tinha terminado todos os relatórios que tinha que fazer, a cada hora que passava queria que acabasse logo, não agüentava me arrastar pelos corredores da escola fazendo trabalho extra.

Quando cheguei em casa já era noite e hora de jantar, as vezes minha mãe ficava preocupada com esses trabalhos que faço e acabava chegando muito tarde e mal comia direito.

- Sakura – quando me chamava pelo meu sobrenome boa coisa não queria dizer.

- Estou bem e vou tomar banho e dormir. — já estava subindo as escadas quase correndo para chegar ao meu quarto e liberar esse peso que estava nas minhas costas.

- Ande longo.

Ao entrar no chuveiro parecia que a agua tirava todo o peso que contia em meu corpo, e pensei no que a Mirelly tinha me dito meu trabalho não stressa só que às vezes levo muito para o lado pessoal e acabo dessa maneira... Estragada e cansada. Ao desce as escada lentamente, vi minha irmã assistindo TV e jantado, pelo rosto dela nem ligava para a comida e sim pela noticia que estava passando. Passei direto para a cozinha e coloquei minha janta, e fui para sala onde todos estavam, era tão comum jantar vendo televisão que quando ia para casa da Mirelly me sentia incomodada na hora da janta. Não era minha praia jantar todos numa mesa e unidos, prefiro ver uma TV e relaxar até que algo me chamou atenção na TV:

Reporte – O cantor Kyuuki Jun dará uma entrevista coletiva amanhã à tarde no teatro de Kyoto, falando da sua turnê ao Japão e aos outros países como Alemanha, Inglaterra, Brasil, Estados Unidos, México e França. – falava a moça enfrente ao prédio onde estaria o tal cantor.

- Viu mãe! Jun-kun estará dando entrevista aqui em Kyoto, posso faltar aula amanhã?

- Não!

- Queria saber o que tem de tão importante nesse menino... Será que é sua ca... ra – quando vi passando em meio a seguranças pára entrar em seu carro, vi uma sombra negra passar rapidamente pela televisão.

- O que ouve Maya? – balançou para ver se reagia.

- Não foi nada... Pensei que vi algo. – levantei-me e peguei meu prato.

- Mãe, ela na verdade se encantou pela boniteza do Jun-kun e falou isso para disfarçar. — falou zombando.

- Estou indo para o meu quarto – subi rapidamente, deitei em minha cama com uma baita dor de cabeça aguda e duvidosa. Pensei que tinha visto errado ou os meus olhos me enganaram, pois há tanto tempo que não faço um serviço que acabei ficando paranóia. Contudo se meu pensamento não estiver me enganando... — O moleque não... – e cai no sono com sua imagem fixada em minha mente.

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