Mensageiros 2 - Versão Alternativa
41 Capitulo 41
Notas iniciais
POV MARY
Jhon ainda não tinha chegado da cidade e Lindsay chorava enjoada como se algo a incomodasse. Comecei a ficar preocupada, onde meu marido se meteu?
Fico observando o milho que antes era tão bonito, o verde se foi dando lugar a palha com cara de morta rodeada por corvos que sobrevoavam de todos os lados e as vezes gritavam, me assustando. Aquela fazenda ultimamente de dava arrepios, Jhon prometeu que iriamos morar na cidade e não disse mais nada depois da briga, ele anda muito distante e frio comigo.
O vento assobiava alto lá fora, com certeza choveria e eu rezava pra que a chuva ajudasse a plantação, já que a porcaria da bomba não funcionava. Lindsay estava agoniada no meu colo, não queria mamar, não queria dormir. Coloco a mão na testinha dela, estava bem quente e o narizinho começava com aquele barulho de entupido. O que eu ia fazer sozinha em casa com ela doente? Tentei de todo jeito acalma-la mas ela resistia. Foi quando uma batida na porta me deixou assustada, Bummer latiu como sempre, deixando Lindsay mais agitada.
Abri a porta, um senhor de meia idade me olhava com uns olhos assustadores.
_Senhora Rollins?
_Sim... Sou eu.
_Seu marido se encontra?
_Por que? Quem é o senhor?
_Desculpe não me apresentar, que grosseria! Meu nome é Walt Huberman, o senhor Jhon é meu cliente, sou gerente do banco central.
_Em que posso ajuda-lo? Jhon não está, foi a cidade.
_Humm, a senhora poderia entregar essa notificação para ele? E assinar aqui por favor?
_Algum problema? -Falo embalando Lindsay com os olhos grudados nos papéis.
_Sim senhora. Seu esposo deve uma grande quantia pro nosso banco devido a compra de um cavalo de puro sangue, gastos com bebidas, serviços hospitalares e outras despesas.... Bem essa notificação por escrito deve ser entregue a ele e quitada a divida no prazo combinado, do contrário eu posso entrar com um pedido de reivindicação dos bens do senhor Rollins.
_Mas como assim? O senhor está maluco? Jhon não deve nada pra ninguém e...
_A senhora vai ou não assinar aqui? -Ele fala grosso.
_Você não está vendo que minha filha está chorando e eu tenho só dois braços? Portanto acho melhor que você volte outro dia para que meu marido assine isso pra você. -Praticamente grito em meio ao choro da minha filha.
Bato a porta na cara do sujeito e tento desesperadamente fazer ela parar de chorar, em vão. Ouço uma batida leve na porta, em seguida o maldito papel é colocado por debaixo da mesma. mas que droga! Por isso ele anda estranho, está endividado! Cavalo? bebida? O que ele andou fazendo quando eu estive fora?
Uma hora depois ele chega, eu já estava cansada de tentar fazer Lindsay parar de chorar, já chovia muito lá fora e os trovões a assustavam, impedindo que ela dormisse. Ouço seus passos na sala.
_Jhon, pelo amor de Deus, a Lindsay não está bem.
_Que aconteceu? -Ele corre preocupado até a cozinha.
_Ela está com febre, não quer mamar e não dorme, só chora. Amor tenta fazer ela parar por favor!
_Ei menina vem aqui com o papai! -Ele toma ela nos braços bem sereno, se achando pai do ano, crente que fosse resolver. Claro que ela esperneou ainda mais.
_É, acho que bebês doentes só querem a mãe mesmo. Vamos pro hospital já.
Seguimos pro hospital mais próximo que era em Los Angeles.
POV JHON
Passamos a madrugada no hospital, a pobrezinha estava com uma gripe ao que parecia. Os médicos fizeram uns exames e mandaram aguardar os laudos, enquanto isso a medicação já fazia efeito, ela dormia bem tranquila nos meus braços, Mary estava exausta.
_Vai ficar tudo bem, ela não tem nada grave, só um resfriado. -Tento parecer gentil, ela fecha a cara.
_É pelo menos uma coisa na nossa vida tem que estar bem, nossa filha. -Ela diz grossa.
_O que foi? — Já perco a paciência, Mary andava bem estúpida ultimamente.
_O Que foi? Eu que te pergunto... O que foi aquele cavalo super caro que você comprou? Ah? E aquele gasto gigantesco com bebidas? Jhon, o que você aprontou quando eu estive fora?
Se eu tivesse um espelho eu veria como fiquei branco. Como ela sabia daquilo?
_Quem te falou do cavalo?
_Um tal de Huberman apareceu lá em casa hoje, mandou te dar isso e assinar uma procuração, mandei ele a merda.
Ela me entregou o papel timbrado pelo banco, eu sabia do que se tratava. Se eu não pagasse essa dívida esse gerente colocaria meus bens em questão para o pagamento, ou seja, a fazenda.
Olho para Mary que me olhava com raiva. Eu sei que errei em não contar pra ela, me sinto mal por isso.
_Olha, eu te contar o quanto devemos não ia ajudar em nada... Eu só quis te manter longe disso, queria que você se dedicasse a Linday somente e não se preocupasse com nada. Eu vou dar um jeito, pode ficar tranquila.
Ela suspira e me olha cansada.
_Tudo bem. Só acho que você poderia dividir mais sua vida comigo, não ficar me poupando o tempo todo.
_Desculpe. -Peço.
_Nós vamos dar um jeito.
Ela encosta a cabeça no meu ombro, eu a abraço e olho pra droga do papel. Quase 300 mil negativo desde que comecei a gastar loucamente, ou seja, desde que ela foi embora. Eu estava louco depressivo, gastei com tudo que quis e nem me importei. Quando ela voltou montei o melhor quarto pra nossa filha e paguei o melhor hospital do estado pra que ela nascesse. O grande problema é que eu não entendo como, o milho vai de mal a pior, mesmo em época boa. O milho de todas as outras fazendas está dando bons frutos, só o meu e de Robert que morre cada dia mais e os corvos tomaram conta... Não sei como vou pagar essa dívida, mas vamos dar um jeito. Comecei a pensar no que a senhora doida Murdov me falou, até que fazia sentido. Mas não, não tem nada a ver, aquele boneco ridículo determinar quanto eu ganho....
Depois de umas horas no hospital nossa filha já estava bem melhor e fomos pra casa, amanhã eu sairia bem cedo pra ir a esse banco negociar com esses infelizes.
No dia seguinte.....
POV ROBERT CHANDLER
_Robert? Que esta fazendo aqui fora? não pode andar por ai sozinho... -Ouço a voz de Georgine.
_Conheço essas terras como a palma da minha mão... Não preciso de olhos pra andar por elas! -Respondo.
_Tudo bem, mas tome cuidado por favor....
Saio caminhando apoiado na bengala, sentir o vento fresco no rosto e a terra macia sob meus pés era o único prazer que me restara, e em breve isso também seria me tomado, afinal a fazenda não estava produzindo e logo o banco a leiloaria pra quitar as dividas. Maldição! Minhas terras! Eu não poderia perder o lugar que nasci e cresci a única coisa que eu podia deixar pra Michael, tudo isso por culpa dela, aquela menina que veio pra arruinar a minha vida, maldita, mil vezes maldita! Continuei caminhando, chegar a fazenda dos Rollins não era difícil apesar de não enxergar nada alem de vultos consigo chegar até a divisa das cercas, caminho entre o que imagino ser a plantação com dificuldade mas meu instinto e boa memória conseguem chegar a frente da velha casa que pra mim não passa de uma enorme mancha branca. Ouço barulho do carro e ouço a voz de Mary pedindo pra que Jhon não demore, era perfeito, seria muito mais fácil sem ele em casa, eu precisava acabar com aquilo ou Muller jamais me deixaria em paz, ele levou meu Simon e era questão de tempo pra que Michael também se tornasse uma vitima. Espero ouvir o carro longe e a porta bater, eu havia perdido a visão, mas meus outros sentidos pareciam ter se tornado mais aguçados. Ando em direção a casa, a porta está aberta, caminho rente à parede até chegar a cozinha. Por uns instantes lembro do velho Jack sentado no canto da mesa, reclamando do trabalho, sua esposa e Georgine preparando a mesa farta enquanto os meninos treinam jogadas de beisebol em frente a casa. Éramos felizes naquela época, tínhamos dinheiro o suficiente, fazendas produtivas, belas esposas e filhos fortes e saudáveis até ela nascer...
_Robert... que você ta fazendo aqui? -Ouço a voz tremula de Mary.
_Robert? Você pode ser fruto de uma safadeza da sua mãe, mas fui eu quem te criei e sustentei. Ainda sou seu pai, não vai me oferecer um café?-Digo tateando uma cadeira e me sentando.
_Você tentou me matar mais de uma vez... -Ela fala com a voz quase sussurrada, posso notar que está com medo talvez chorando.
_Quer saber de uma coisa Mary? Eu sempre quis que você fosse realmente minha, mas quanto mais crescia mais lembrava o infeliz do Muller, os olhos dele, o jeito bonzinho e gentil irritante, mas eu tentei, eu tentei. Nunca deixei que e faltasse nada... -Antes de terminar ouço o choro do bebê...
_É melhor você ir embora, preciso cuidar da minha filha... -Diz ela.
_Não vai servir nenhum pedaço de bolo pra um pobre cego? -Digo irônico.
Vejo o vulto dela se aproximar pegando um cobre bolo e uma faca e jogando na minha frente.
_Não sou sua empregada, não sou sua filha e nem nada... Se quiser me mande à conta do que gastou comigo que eu darei um jeito de pagar! Coma e vá embora! -Ela diz irritada virando as costas e se afastando. Ouço o som dela subir as escadas apressada, tateio a mesa até encontrar o vulto da faca e a sigo lentamente. Os degraus da escada são um desafio, me vejo obrigado a largar a bengala e seguir encostado ao corrimão. Eu precisava terminar com aquilo de uma vez por todas, salvar o que restou da minha família. Empurro levemente a porta do quarto, posso ver o vulto de Mary embalando a criança próxima a uma luz que deve vir da janela, sigo em frente com a faca abaixada.
_Vai embora! Me deixa em paz, já não me fez mal o suficiente? Me deixa em paz! -Ela grita com a voz chorosa, fazendo o bebê cair em pranto. Avanço na direção dela rapidamente, eu não poderia errar, escaparia facilmente levando em conta o estado em que me encontro. Mary se desvia de mim e eu quase caio sobre uma poltrona, me volto rapidamente e consigo segura-la pela roupa a puxando com força e a lançando ao chão, mesmo cego ainda sou muito mais forte que ela. Consigo acertar um golpe no rosto ela não se defende apenas segura com todas as forças o embrulho cor de rosa nos braços.
_Socorro! -Ouço o grito mesclado ao choro estridente do bebê. Preparo o golpe com a faca mas sou puxado pra traz com força, sinto socos fortes no meu estômago e depois meu corpo ser arrastado e empurrado escada a baixo por um vulto magro, permaneço no chão por algum tempo tentando me recompor.
_Vincent, graças a Deus... ele queria me matar... -Ouço a voz soluçada de Mary... Levanto e me arrasto segurando na parede e sigo pra fora da casa, a noite já se anunciava eu ando até o imenso celeiro dos Rollins. Caminho entre a palha seca não consigo distinguir quase nada mas posso reconhecer os dois galões vermelhos de gasolina. Começo a jogar a gasolina pela palha, com o calor e a casa tão próxima em breve tudo estaria em chamas e se eu tivesse um pouco de sorte, Mary e o bebê também. Ouço algo arrastar logo atrás de mim, algo parecido com uma lamina riscando o chão batido coberto de palha seca. Me viro rapidamente embora seja apenas uma mancha negra em minha frente, o arrepio de frio que corre meu corpo não me deixam enganar... Era ele... Sinto um golpe forte no estômago e uma dor dilacerar minhas vísceras. Era hora de pagar as contas.
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