Meninos sérios são mais disputados.
7 Meninos sérios, às vezes, são compreensivos
Notas iniciais
Capítulo sete
Meninos sérios às vezes são compreensivos.
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Me sentia perdido daquele bar-boate gay. Era fácil de entrar, entretanto quando alguém queria sair, transformava em um labirinto com vários obstáculos: Iluminação baixa junta com alguns adereços de neon, a área muito estreita, várias pessoas na pista se amontoando na direção oposta a saída. Esses empecilhos, mas o fato de está bêbado e com o estado emocional dilacerado. Queria embora de qualquer jeito, mas quanto mais tentava entrar em alguma brecha entre as pessoas da pista, mais elas me empurrava de volta. Um homem com altura muito maior que a minha tentou pegar o minha cintura e puxar para si, desvincilhei com cuidado pegando a sua mão e se afastando de mim. Ele tentou mais uma vez, todavia desistiu por algum motivo. Parecia que alguém havia lhe chamado atenção. Tentei seguir adiante quando ouvi Levi me chamar.
– Eren. — Disse em tom sereno, não era aquele traço de irritação que parecia o tempo todo.
Parei no mesmo instante, mas não me virei porque ainda estava chorando, os meus olhos permaneciam vermelhos e sentia vergonha do que tinha feito. O efeito do álcool ficou em mim facilitando mais essa minha condição. Havia passado a parte do meu eu valente que invadiu o palco, para o estágio mais triste da garotinha envergonhada.
Ouvi Levi suspirar atrás de mim. — É surdo, ou o quê? Se vira para mim! — Retornou com sua voz cheio de irritação.
Em câmera lenta, me virei muito sem graça. Meus olhos estavam inchados, a minha face estava toda corada e ainda permanecia tonto por causa da bebida.
– Eu não vou mais te incomodar...
– Pensasse nisso antes de invadir o show da minha banda e vir aqui. Que é? Tá querendo apanhar de novo? Experimenta falar aquela merda aqui para ver o que acontece.
– Desculpa, senhor...
– Tsc! Garoto, você não precisa se desculpar. Precisa de tratamento psicológico, dobrando a esquina tem um de graça. Vai se tratar, em vez de ficar me perturbando! — Disse mais irritado como de costume, realmente se aborreceu com aquela declaração toda para ele. — Se decide logo o que você quer.
– Todo bem... — Olhei para baixo.
– Vai chorar de novo?- Perguntou mais irritado ainda.
Sacudi a cabeça negativamente com olhos querendo transbordar de lágrimas.
– Você é muito garotinha, pirralho. Me irrita.
Fiquei triste ao ouvir isso porque ele estava certo. Não era atitude de homem, aquilo não era característico da minha personalidade, mas juntava a bebida, vergonha e mais aquela pressão que Levi fazia, a idade mental reduzia em mim.
O baixinho revirou os olhos, depois repousou a sua visão a mim com ar de seriedade. Parecia que todo que tinha para falar de desabafo esgotou. Se aproximou até mim, depois subiu nas pontas dos pés, até alcançar altura da minha orelha. Envolveu a sua cintura me puxando mais para si.
– Dizem que temos ser paciente como pirralhos que nem você, mas todo tem um limite, não é mesmo? — Afagou a minha cabeça encostada em seu ombro.
Quando me dei conta, Levi estava me consolando no meio da pista de dança. Foi o momento mais próximo que tive do paraíso. Envolvei mais os braços na sua cintura e puxei para mim com uma forma possessiva, me dei conta de como havia me apaixonado mesmo por ele. Aquela onda de desespero invadiu o meu peito, mas tive de conter porque senão choraria de novo, não posso dar essa vergonha novamente, tenho que controlar mais emoções perto dele.
Queria falar que naquele momento foi de puro romantismo, que começou tocar uma melodia calma, que as pessoas no lugar nos deram espaço para dançar, dançamos dois passos para cá e dois passinhos para lá sem sair do lugar e que um vento fresco percorreu, refrescando a minha cabeça. Como uma verdadeira cena de filme romântico.
Entretanto, aquele lugar não era o ambiente apropriado para esse tipo de cena, o som da batida da música continuava alto, alternando para rock, ou batida eletrônica, ou um remix do dois. A luz do ambiente ora apagava e ora acendia como grande flash, aparecia que as pessoas se juntava cada vez mais umas nas outras, mas respeitando o mínimo de espaço dos casais. O calor aumentou e comecei a suar, fazendo o meu cheiro natural ficar mais forte e também do pequeno homem agarrado minha frente. Nós dois não estávamos dançando, ele só ficou abraçado em mim e eu como poste, fiquei quieto. A única coisa que ficou fiel a descrição do cenário perfeito de romance, foi que inacreditavelmente a música ficou lenta, porém não remetia algo sentimentalista, era algo mais propriamente...
Sensual. Erótico.
Aquele lugar todo era erótico. Especialmente nós, porque havia um feitichismo bem grande na gente: Um homem mais baixo e velho dominar outro mais novo e mais alto. Um experiente ensinar um calouro. Se a garotinha desobedecer apanha, sou um inocente garoto que está se descobrindo na sua sexualidade.
A música soou a palavra “romance” e ri internamente na minha própria piada, se a palavra para denominar aquele lugar, com certeza não seria romance. A música soou sem letra, só a batida com remix bem de leve no fundo.
– Sabe qual é a sua sorte? — Levi afagou mais a minha cabeça com a sua mão como fosse um cafuné, achei que iria para as nuvens com aquela carícia. — Que não sou mais aquele há cinco anos. Eu era mais nervoso, não tinha paciência. Eu teria que te dar outra surra assim que veio até a mim choramigando, mas parece que quando os anos se passam, mais a minha impaciência diminui.
Fiquei calado ainda ouvindo com a minha cabeça abaixada encaixada em seu ombro.
– Mas já te disse garoto. Todo tem um limite. — Até que os dedos, antes massageando o centro do meu couro cabeludo, se tornaram garras, quase arrancando tufos do meu cabelo. Ele segurou bem firme, puxou, deixando praticamente a sua orelha colada em sua boca.
– Eren...Não queira extrapolar esse limite. — Falou pausadamente, especialmente quando me ameaçava.
– Sim, senhor.
– Senhor? Porque me chama assim? Tsh! Deixa. — Largou o meu cabelo dando um grande alívio.
Ele se afastou, ainda permanecendo sério, mais concentrado em mim, ele penetrou os seus dedos no meu cabelo da nuca que fez os pelos do meu corpo enriçarem, empurrou a minha cabeça para baixo, encaixando perfeitamente a minha boca com a sua. Tinha gosto doce e forte. Bebida alcoólica doce, identifiquei depois que era vinho. Não importava, porque fazia tanto tempo que não tinha um beijo dele que estava com sede nesse vinho. Por incrível que pareça não fiquei submisso, acompanhava o ritmo intenso da sua língua com a minha, me distanciei dele querendo pegar um pouco de ar, entretanto todo que consegui foi retirar um vapor abafado do lugar, foi novamente pego e me beijou mais uma vez, sua mão pressionou as minhas costas e a sua mão segurava o meu cabelo como rédea. Não me importava se eu tinha ou não o controle. Segurei na sua nuca e afundei mais daquele beijo, era um querendo ter o outro de qualquer jeito, por fim estávamos “dançando”, não pela música leve e sensual que tocava, mas devido os nossos “pacotes” ficavam se sarrando e nós dois gostamos da brincadeira. Abri os olhos e comecei ao olhar ao redor.
– Que foi? — Questionou Levi, enquanto deslizava suas duas mãos sobre os meus braços — Porque está tão tenso, garoto? Olhe ao redor, todos aqui são iguais, ninguém aqui irá te julgar
– Não fico à vontade nesse lugar.- A minha vista se acostumou com a pirotecnia das máquinas de luzes do lugar e agora formava as silhuetas das pessoas que antes estavam difusas em minha visão. Era só homens. Com apetrechos de sadomasoquismo, colheira, calça de couro ou jeans bem apertado, com certeza não havia roupa íntima por debaixo.
– Mas esse lugar não é para um hétero que nem você. Ou quer ficar viado como eu? — Perguntou Levi com tom ranzinza de sempre. Estava repetindo o que havia falado daquela hora que invadira o palco.
Fiquei sem palavras. Não tinha moral nenhuma para questionar ele.
– Hein? — Me instigou. Percebi que toda a sua gentileza momentânea havia ido embora. Precisava de ter mais cautelas das minhas palavras.
– Quer dizer que não saio da sua cabeça? — Meus olhos abriram um pouco mais ao ouvir isso. — Quer dizer que me achou sexy, quando eu estava em cima no palco cantando? — Minha face corou mais ainda, o efeito da bebida estava passando e a minha vergonha estava voltando. Minha respiração ficou pesado, não queria olhar para ele.
– Eren...
“Serei sua amante esta noite. Quero te por em transe”
O trecho da música se juntou exatamente assim que Levi me chamou. Parecia que os dois havia combinado, se sabe se lá isso era possível...
Fiquei um pouco pensativo como um ser de um e sessenta tem uma voz com tom mais grave do que muitos gigantes da nossa faculdade? Anyway. Fingi que nem escutei, queria o meu rosto vermelho que nem tomate longe nos olhos dele. Queria falar qualquer coisa para despistar aquilo.
– É... Você sempre vem nesses lugares? — Perguntei desviando de qualquer assunto.
– Sim. Tenho uma queda por sadomasoquismo.
– A Hanji já havia me contado.
– O quê? — Ele fez com que eu o encarasse, estava surpreso com a minha resposta. Depois que pode perceber, que aquilo foi uma provocação da sua parte
“ Tenho uma queda por sadomasoquismo.” , era depois dessa fala, era para ter ficar gago e ele se sentir ainda mais prepotente. Não como havia feito “ A Hanji já havia me contado” como tivesse “ Ah isso? Eu sei que você faz, não se preocupe.”
Era para tido ficado surpreso, e agora ele queria explicações em como consegui essa informação.
– O que ela te falou, moleque? — Perguntou irritado.
Falei, digo, gaguejei, que tinha uma fama de pessoa sádica, que gostava de bater e entre mais coisas jogadas aleatoriamente. Só sabia que cada palavra que dizia, mas Levi me olhava com mista de confusão e assombro. “Então essa é a minha fama?” Estava escrito em sua testa.
– Tá! Cala boca! Entendi. Então deixa eu ver se entendi. Mesmo depois de todo aquilo que aquela maluca falou, você veio até a mim
– E...Que...
– Você gosta de apanhar? Hein, pervertido? — Era primeira vez que havia um sorriso brincalhão em seu rosto, apesar de sido muito pouco nítido.
– Não. — Achei que morreria. — Não! — Já não bastasse está de frente dele com o corpo mole, eu estando no modo menininha, a música também não ajudava naquele momento.
“Eu vou te dar amor, "bater" em você. Eu vou te dar amor, te ensinar como. Quero te por em um transe..., por todos os lados”
Tanta música para tocar. Pensei. Coloca Katy Perry, mas não coloca incentivando esses tipos de coisas. Não sou masoquista. E ainda bem, que ao olhar a expressão do homenzinho a minha frente, parecia que aquilo todo era invenção da garota de óculos.
– Então você não me quer. É isso? — Perguntou Levi.
Não respondi.
“Eu acho que você não sabe o que é dor. Acho que você nunca sentiu isso. Eu posso te dar tanto prazer”
E acabei odiando essa música.
– Vem. — Disse gentilmente pegando na minha mão e me levando fora dali. — Vamos para o meu quarto. Irei ter dar algo que não tem coragem de pedir. Vamos ver se assim esclarece mais a sua mente.
Obedeci que nem um cachorro. Nem precisava colocar uma coleira em mim, porque qualquer um que veria a gente, saberia quem era o dono. Saí dali muito fácil sendo guiado por ele, depois andamos pela rua ainda de mão dadas, sempre ficava de alerta se tinha alguém conhecido, enquanto ele ia na frente com cabeça erguida e mal-encarada, não estava nem aí se veria ou não.
Chegamos no seu quarto, exatamente como naquele dia. Organizado, pilhas mais pilhas de livros em seus devido prateleiras, alguns pôsteres de anarquismo e banda de rock preso na parede. Não muitos, no máximo três. E limpo. Sempre limpo, todo no lugar, era assustador como ele conseguia deixar todo em ordem.
Eu entrei.
Ele fechou a porta com chave atrás de mim.
Fiquei parado no meio do seu quarto, enquanto sentou em sua cama com elegância, cruzou as pernas e ficou me olhando esperando algo de mim. Não estava fumando, não tava vestido como um punk rock, só roupa social do show, apesar do jeans preto e coturno dava um ar de rebelde. Mas ainda permanecia a sua áurea de bad boy. Não aqueles moleques que não levam nada a sério na vida, mas aqueles que só de olhar já notam que é diferentes. Que é um líder, que é o fodão, que nem precisa de palavras para esclarecer quem manda. Eu odiava essa áurea, mas devido ser mais forte e por algum motivo ter me atraido por aquilo, tive que abaixar a minha cabeça para o ego dele.
– Que foi? Está com medo de mim? — Perguntou Levi.
– Não. — Disse meio em graça.
– Não acredite naquela maluca. Não bato em ninguém. — Descruzou as pernas. — Sou bem gentil. — Houve um brilho estranho em seus olhos quando disse “gentil”.
– Eu sei. — Olhei para lado.
– Então vem, mocinha.
– Eu odeio quando me chama assim! Porque ainda insiste?
– Porque Eren... — Levantou da sua cama e andou até mim. — Mesmo se ficasse por baixo, eu ainda seria o ativo.
– Já pensou se... — Calma, Eren. Se existe algum teor de álcool que corre ainda no seu sangue, crie coragem e afronte ele. — Eu quisesse que você seja o passivo?
Foi estranho porque ele não mudou a sua expressão apática, parou na minha frente e ergueu um pouco a cabeça para olhar nos meus olhos.
– Pirralho, ser ativo e passivo em uma relação não é somente quem vai morder a fronha. É ter controle do outro. E um moleque que mal saiu das fraldas, que fica chorando e me caçando em todo quanto canto, que não consegue controlar a si mesmo. Acha mesmo que vai me dominar em algo? Hunf! Se toca. Pelo menos não fico me escondendo o que eu sou.
Fiquei calado. Estava sem argumentos.
– Então, hétero. — Levi alisou o meu abdômen, pegou a minha blusa pela borda e levantou para cima querendo tirar. — Não sei onde por onde andou e nós suamos muito naquela boate. O seu cheiro ficou muito forte, especialmente com aquela brincadeirinha nossa. Hun?
O meu corpo ficou sonolento, me lembrei das risadas do Mike, e comecei imaginar os meus amigos ficarem assim quando descobrirem. A faculdade toda descobrir, será que eu falei algo no palco, além daquelas palavras? Será que falei para todos que eu amava ele? Levi beijava o meu pescoço e o medo cresceu dentro de mim ao pensar disso.
“Pelo menos não fico me escondendo o que eu sou.” Levi pode, eu não. Naquela hora que o baixinho me consolou dentro da pista de dança, deveria ter ido embora, não olhar mais para ele. A paixão passa, precisava passar, Levi tem namorado, será que Mike me filmou? Será que Levi está me testando? Se ele está me filmando agora? O que os meus amigos vão pensar em ter feito sexo com outro homem?
O pânico cresceu em meus olhos, enquanto Levi dava pequenos beijos em minha nuca.
– Eu tenho que ir. — Afastei dele bruscamente, fiquei procurando a minha camisa jogada no chão. Ele ficou parado, meio incrédulo o que estava havendo.
– Sério. Foi mal. Vou sumir da sua vista. — Vesti a camisa depressa, não queria olhar para ele, assim que toquei na chave, Levi levantou a perna e pisou na porta com coturno. Foi muito rápido como ele fez isso. Fiquei apenas olhando a porta igual um idiota, enquanto fui barreirado por uma perna ao meu lado.
Em seguida, ele pegou o meu cabelo e fui bruscamente jogado para trás. Não cai do chão, por causa do empurrão forte que teve depois. Cai na cama dele, quando ia me levantar, ele me prendeu ficando em cima de mim e segurando os meus braços, enquanto seus olhos irradiava raiva sobre mim.
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