Meninas Más Não Têm Bons Sonhos

8 Night VIII - This is an order - Part I


Notas iniciais
Hey, hey! Sim, eu sei que demorei para cacete. Conjuguem uma falta de inspiração desgraçada e uma rotina de 15 horas diárias fora de casa. Foi duro. Mas consegui terminar a primeira parte deste capítulo. AH, SIM! Muito, muito obrigada à boku-tachi pela recomendação lindona; é sério, fiquei muito feliz *amor* Boa leitura!


Suspirou de alívio ao deitar-se na cama devidamente preparada. Afinal, no dia seguinte teria sua folga: do colégio, do Conselho Estudantil, do Maid-Latte e, principalmente, daquele estúpido Usui. Sim, tanto fazia se aqueles pesadelos terríveis continuassem a assombrá-la naquela noite, pois não teria de compartilhá-los com ninguém.

Antes de fechar os olhos, porém, voltou seus olhos para os discos sobre sua cômoda. BL Games emprestados por Satsuki. Aceitou-os, resignada, pois explicar a verdadeira situação era impossível diante do entusiasmo de sua gerente. Contudo, não tocou neles nenhuma vez mais. Não tinha tempo para divertir-se com jogos, e já bastavam para ela as cenas elaboradas em sua própria mente.

Cansada devido ao esforço exercido durante a semana, não demorou a ser sugada pelo sono ― e pelos sonhos.

****

Agir como uma sombra foi a maneira pela qual o rapaz fora ensinado. Seus feitos nunca deveriam ofuscar os de seu superior, ainda que lhe fosse exigida a excelência como bom empregado. E manter seu bom desempenho nunca foi um empecilho à Maki Kanade. Porém, no momento voltar sua atenção para a lousa sobre a qual o professor distribuía fórmulas para garantir suas boas notas mais parecia uma tarefa impossível.

E o motivo era ele ― sempre ele. Sentado algumas fileiras à frente, o presidente do Conselho Estudantil do Miyabigaoka concentrava seu olhar sobre as informações transmitidas, alheio a tudo à sua volta. Ao menos aparentemente. Porque, tão logo anotou algum cálculo algébrico qualquer, Tora desviou seus olhos para seu subordinado.

“Não é divertido?”

Era o que seus olhos amarelados transmitiam. Um puro jogo sádico. Costumeiro, embora para o moreno a sensação de ser alvo de Igarashi sempre o dominasse como algo completamente novo. Como se, de alguma maneira, fosse infinita a necessidade do outro de saciar seus próprios desejos carnais e egoístas. E, ainda que soubesse não ser o único a satisfazer seu mestre, Kanade aceitava de bom grado as oportunidades que lhe eram oferecidas. Como um bom serviçal.

A caminho do colégio, naquele dia, quando sentaram-se lado a lado no banco traseiro da limusine, o subordinado acompanhava a ligação entre o loiro e o líder da família Igarashi, sobre uma negociação qualquer. Porém, subitamente, uma das mãos do presidente, livre de qualquer impedimento, passou a acariciar sua coxa sobre o tecido do uniforme.

Despreocupado, Tora não interrompeu sua conversa ao telefone enquanto seus dedos tornavam-se mais exigentes ao avançar para a parte interna entre as pernas; instigavam Maki sem pudor algum. Já o moreno mordeu os próprios lábios, contendo qualquer manifestação vergonhosa que certamente poderia ser ouvida pelo pai de seu superior.

Sabia muito bem que o presidente o fizera de propósito. Afinal, torturá-lo ― assim como torturar a qualquer um ― era um dos maiores prazeres para o herdeiro Igarashi. Prosseguiu com calma em seu diálogo, como se não castigasse as coxas do outro ao alternar um toque mais áspero a um leve friccionar provocante. Lançava-lhe também olhares furtivos como se para assegurá-lo de que deveria permanecer quieto.

Mas foi ao apertar a ereção do menor, já pronunciada depois de deliberadamente ignorada, que conseguiu despertar nele alguma reação mais interessante. Envolvendo o membro de Kanade com suas mãos, pressionando com a devida intensidade para estimulá-lo, fez com que um sufocado gemido saísse de seus lábios ― e satisfeito com o resultado, passou a experimentar os mais diversos movimentos, como se testasse até onde o controle de seu subordinado suportaria.

Mesmo após encerrar a chamada, continuou em seu jogo, fitando o empregado de soslaio ao empregar mais força e destreza ao acariciá-lo intimamente. Extremamente corado e ofegante, o menor ainda se reprimia, já que compartilhavam o carro com o motorista ― e por conhecer a natureza polida do moreno, Tora não deixava de constrangê-lo quando possível.

Com os lábios inchados após mordê-los durante toda a viagem, as faces em completo rubor e a respiração ruidosa, Maki foi abandonado dos toques de seu superior, que aproximou-se de seu rosto para criar nele a expectativa de algo mais, apenas para ordenar, em seu tradicional tom autoritário:

― Vamos, Maki.

Nem ao menos percebera que chegaram à Miyabigaoka; contudo, ao leal vice-presidente restou segui-lo à edificação exuberante, após gaguejar em concordância, ainda afetado diante da deliciosa sensação de outrora.

E os efeitos de suas carícias perduraram mesmo durante as aulas, impedindo-o de concentrar-se ao lembrar do dedilhar sobre sua coxa, provocando formigamentos em sua virilha. Ou ainda das mãos simultaneamente rudes e sutis comprimindo sua própria ereção, cujo volume apertava-se contra a calça clara. Para reforçar suas memórias, constantemente Igarashi mirava-o, disfarçadamente, ainda que com intensidade o bastante para excitá-lo com seus orbes claros.

“Quanto tempo mais você aguenta?”

A resposta veio tão logo o horário das aulas matutinas encerrou-se. Mal ergueu seu rosto, voltado para a carteira como para mascarar seu rubor constante, Kanade percebeu que o presidente já deixara a sala. Sabia exatamente para onde se dirigira, e era lá o seu destino. A Sala do Conselho Estudantil.

Mesmo que fosse desapontar aos desejos sádicos de Tora ao encurtar aquele jogo, avançando em sua direção, controlado por seus próprios hormônios, não podia negar as vontades de seu corpo. E aceitaria sem questionamentos qualquer punição à sua ansiedade ― na verdade, a ideia de ser submetido aos caprichos do outro não lhe repugnava nem um pouco; era excitante.

Estranhou a ausência do loiro quando adentrou na sala ― por acaso suas suposições estavam erradas? Contudo, ao virar-se, pronto para voltar às portas duplas, sentiu alguém a comprimi-lo contra uma das bancadas próximas do acesso. Estava de costas para o atacante, embora soubesse exatamente quem era aquele a apalpar seu peito contra as vestes, a sugar com veemência o seu pescoço.

― Como você é fraco, Maki ― menosprezou o maior; uma de suas mãos avançava para o zíper da jaqueta branca enquanto a outra apertava as coxas do moreno para pressioná-lo contra sua própria ereção.

― P-perdão, presid- ― Um gemido longo interrompeu sua fala, quando seu ombro foi mordido sobre o tecido escuro da blusa social. Sua jaqueta já havia sido jogada ao chão.

― Já está assim com tão pouco, tsc ― sussurrou o outro ao ouvi-lo tão barulhento. Entretanto, não deixou de desabotoar-lhe da veste negra, lambendo a pele exposta do dorso conforme o tecido afrouxava.

Era difícil ao empregado conter-se quando reagia ao prazer de cada mínimo toque, principalmente quando Igarashi usou de suas próprias mãos para prender-lhe os pulsos sobre a bancada. Deixou-o submisso às suas carícias; à língua e os dentes a roçar sobre suas costas parcialmente desnudas devido à blusa completamente aberta e amarrotada; ao membro a atiçá-lo em suas nádegas.

Ao mordiscá-lo, chupá-lo, lambê-lo, Tora não incomodava-se de causar alguma dor ― e as marcas avermelhadas comprovavam de sua violência. Ao deslizar a língua por sobre as feridas, apenas fazia com que ardessem mais. No entanto, embora o superior castigasse sua pele e provocasse nele lamúrias involuntárias e contrações incômodas, estava enfim agradando a seu mestre. E pouco importava se encontrava alguma satisfação em meio à tortura dolorosa ― por ele, seria um masoquista.

Mais cedo do que esperava, o loiro afastou-se, deixando-o atordoado, a arfar pesadamente enquanto apoiava-se contra a bancada para não desmoronar sobre as próprias pernas bambas. Ainda inflamava-se nele o eco das sensações anteriores, expostos no estado desajeitada em que seu uniforme encontrava-se, prestes a escorregar por seus braços; ou em sua respiração descompassada; ou ainda nas manchas obscenas deixadas em seu dorso.

Muito depois notou que o presidente atendeu a outra chamada, enquanto caminhava até o sofá aos fundos da sala. Despiu-se da jaqueta desagradável no percurso, e ao sentar-se apoiou um dos cotovelos sobre o braço do sofá, um tanto entediado com seu interlocutor ao telefone. Enquanto resolvia qualquer assunto que fosse, Maki endireitou-se tanto quanto lhe foi possível, mirando o presidente ao aguardar alguma ordem.

Com seus fios loiros displicentemente desalinhados, seus olhos amarelados que transmitiam malicia e atrevimento, e seu porte arrogante e egocêntrico, Igarashi Tora transmitia uma imagem sedutora ― principalmente quando os primeiros botões de sua blusa social negra estavam abertos e revelavam o contorno de sua clavícula. Tentado por esta visão, o subordinado não percebeu que mirava o outro até que este o fitasse de volta, enquanto encerrava mais uma ligação.

― Maki. ― Sua voz rouca fez com que estremecesse e enrubescesse de imediato.

― Sim, presidente?

― Venha cá ― ordenou o outro, dominador.

“Divirta-me.”

Nas entrelinhas, foi desta maneira que o vice-presidente interpretou sua sentença. Porque não importava o quanto jogasse, Tora sempre iria querer mais; nunca iria saciar-se por completo. E estava sempre preparado para dispuser-se às suas vontades ― como o fez ao aproximar-se do maior.

Sem aviso, foi puxado violentamente contra o Igarashi, e acabou sentado em seu colo. Ainda desnorteado com o gesto súbito (a sentir novamente o membro pulsante do loiro contra si mesmo), o moreno ainda teve seus braços atados mais uma vez quando o outro os prendeu com uma das mãos. Manteve-os para trás, deixando livre para explorar todo o tórax de Kanade, nu devido à blusa anteriormente aberta.

Aquela posição humilhante, com suas pernas esparramadas ao lado do quadril do presidente e os pulsos firmemente unidos em suas costas, aumentava exponencialmente a excitação do menor. Ao notar o sexo do empregado a latejar contra o seu, Tora enfim deixou de torturá-lo com a demora e reagiu: puxou com força os fios negros e compridos para trás, e a garganta exposta estava pronta para receber sua voracidade.

Fez ao pescoço o mesmo que ao dorso: friccionou seus dentes antes de fincá-los à superfície macia e cálida, para chupar em seguida e marcá-lo onde fosse possível. Sua boca veemente despertou em Maki novos suspiros e gemidos, assim como seu remexer inquieto sobre a ereção do outro ― que somente levava ao loiro a estreitar o aperto de seus pulsos.

Ao descer os lábios para o peito do subordinado, cujas faces coradas evidenciavam sua ansiedade para com a carícia, o presidente preferiu ser deliberadamente lento; que mal faria provocá-lo um pouco mais. Avermelhadas e doloridas, as recentes manchas sobre o pescoço e clavícula do moreno tornaram-se mais nítidas conforme a língua do mestre contornava suas auréolas demoradamente. Atiçou-o até que o ofegar necessitado de Kanade ecoasse por todo o ambiente, para então atacar devidamente seus mamilos, ao mordiscá-los.

Mesmo ao tentar, não conseguiu reprimir os sons que emitia ― e estes eram altos o suficiente para que alguém de fora os ouvisse. Simultaneamente irritado e presunçoso com a ânsia e inquietação do menor, Igarashi resolveu calar seus ruídos ele mesmo. Foi rápido a encaixar sua boca à do outro, mas assim que tocou seus lábios voltou aos estímulos vagarosos, embora selvagens, de sua língua a dominar a de Maki.

Desfrutava do sabor do moreno, percorrendo cada pedacinho seu. Uma das mãos o mantinha atado, enquanto a outra agora arranhava-lhe as costas, arrancando gemidos que quando abafados em sua boca geravam um efeito delicioso de repressão. Subjugado diante das sensações intensas, o subordinado mal respirava; suas reações eram instintivas a contorcer-se no colo do superior. O latejar mútuo entre suas ereções já era insuportável.

E o celular tocou uma vez mais, estridente. Maldito telefone, Tora esbravejou mentalmente. Tentou ignorar o som, intensificando o beijo ao sugar a língua intrometida em sua boca, e nem desta maneira conseguiu dispersá-lo de sua mente. Frustrado e enfurecido, estendeu-se para pegar o aparelho, pronto para desligar aquela merda.

Contudo, Kanade interpretou mal o seu gesto, preparando-se para afastar-se e voltar à postura inicial. Em resposta, comprimiu o quadril dele contra o seu, enquanto encerrava qualquer outra interrupção, e jogou o celular em um dos cantos do estofado, indiferente às chamadas.

― Presidente, a ligação... ― Exasperado, deixou ainda as palavras morrerem.

― Foda-se.

Empolgado com a atenção que recebera; excitado com o modo quente com que o outro rejeitara o telefonema, assim como com seu olhar faminto e rude, Maki reiniciou ele mesmo o beijo, enterrando os dedos libertos neste meio tempo aos fios claros. Não durou muito tempo a sua iniciativa, já que um pouco surpreso com aquela ousadia, Tora tratou de mostrá-lo quem realmente dominava a situação: deitou-o no sofá, prendendo seus pulsos novamente (desta vez, acima da cabeça) enquanto envolvia o quadril do menor com seus joelhos.

Apesar disso, submetê-lo quando ele inicialmente reagia era muito mais divertido do que quando ele apenas o obedecia ― tornava o desafio maior, e a recompensa, mais prazerosa. Mas o moreno nem ao menos importava-se de voltar à posição submissa e nela manter-se infinitamente. Afinal, mesmo que pudesse dizer que Tora o tinha para si sempre que quisesse, naquele momento ele era apenas seu.

****

Definitivamente, os sonhos com aquele presidente do Miyabigaoka eram problemáticos. Foi a conclusão a que chegou Misaki, após acordar repentinamente durante a madrugada. Pressionou as têmporas, irritada, ainda que nada pudesse fazer para evitar aquela situação incômoda toda a noite.

O relógio indicava que ainda lhe restavam muitas horas a se dormir. E mesmo que soubesse o risco que corria ao ser atormentada por algum daqueles casais que sua mente elaborava involuntariamente, seu sono e cansaço não poderiam ser ignorados. Deitou uma vez mais, pronta para voltar à inconsciência.

Notas finais
Nham, mesmo que eu curta UsuixIgarashi, ver o Tora de seme é bem legal~~ No próximo capí­tulo vocês descobrem o segundo casal dessa noite. E eu nem posso falar que a Misaki é uma sortuda por ter esses sonhos, já que a própria ideia da fic nasceu de um xD Espero que tenha gostado, Elza ~~ See ya!