Meninas Más Não Têm Bons Sonhos
7 Night VII - But I am a Guy
Notas iniciais

Quase que de maneira automática, cumpria sua função do café ― seus movimentos, geralmente mais energéticos, naquele momento eram mecânicos. O sono a abatera, afinal, após uma noite não-dormida debruçada sobre os papéis do Conselho Estudantil. Ao menos livrara-se dos pesadelos, confortou-se Misaki, embora sua principal fonte de fúria fosse o cúmplice de seu segredo vergonhoso a irritá-la sempre que possível. Maldito!
Contudo, nem mesmo a raiva manifestava-se em meio a tanto cansaço, e ao percebê-lo, a gerente permitiu que a funcionária cochilasse por algum tempo na saleta em que permaneciam durante o intervalo. Diante dos protestos da colegial, argumentou que desta maneira ela poderia recuperar parte do ânimo ao voltar a trabalhar, e mesmo a contragosto, a maid aceitou sua proposta.
Talvez, pensou a morena, os sonhos não a perseguissem durante um repouso tão curto. Talvez...
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Apesar dos conflitos internos, o rapaz não diminuiu seu passou, ou retornou. Havia decidido: seria hoje! Independente de sua decisão final, ou da resposta do outro, iria acabar com aquilo de uma vez por todas! Foi com esta (única) certeza em mente que Aratake Gouki adentrou no Colégio Seika, ignorando as advertências de seus alunos e funcionários diante de um estudante de outra instituição.
Conseguiu despistá-los com facilidade,devido à habilidade adquirida com o tempo; porém, foi a sorte que fez com que encontrasse seu alvo logo adiante. Sozinho. Próximo dos jardins aos fundos do edifício, Yukimura Shouichirou carregava uma pequena pilha de caixas, mas ainda assim encontrava dificuldade em transportá-las.
Quando se viu livre de parte do peso excedente, logo agradeceu ao bem-feitor, procurando por seu rosto por entre os arquivos; contudo, recordou-se da última vez em que oferecera sua gratidão a alguém que o ajudara e como seu primeiro beijo foi roubado repentinamente. Felizmente, não era Usui Takumi a auxiliá-lo, e sim alguém igualmente assustador ao pequeno.
Aquele garoto que sempre o confundia com uma mulher.
― O... O que está fazendo aqui?
― Não fique assustado, ok? ― tranquilizou o maior, estendendo a palma da mão livre como gesto de garantia. Desviou o olhar do rosto do outro, corando levemente. ― Só quero resolver nossos mal-entendidos.
Como se instantaneamente compreendesse, Yukimura depositou as caixas no solo pavimentado para liberar as próprias mãos, e estendeu uma delas ao intruso, com um sorriso amigável. Aparentava ser realmente fofo daquela forma, distraiu-se o loiro, mas logo tratou de corresponder ao aperto, mesmo que confuso.
Apresentaram-se devidamente um ao outro, com certa polidez e constrangimento que a qualquer um alheio à situação seriam hilários. E Gouki descobriu que, apesar da aparência muito feminina, tanto o nome quanto o sobrenome do mais velho eram adequados a um homem de grande virilidade. Que ironia.
No entanto, estava apenas adiando o real motivo de sua visita, pois não eram apenas palavras que queria trocar com o outro. Lutou contra o próprio embaraço, assim como suas negações, ao declarar-se, completamente avermelhado e aos berros, para o veterano ― cujas maçãs do rosto tornaram-se muito mais rosadas se comparadas às suas próprias.
― M-Mas eu já falei que sou um garoto! ― queixou-se o menor, perplexo diante da primeira declaração que recebera. E justamente de um rapaz, dois anos mais novo.
― Eu não me importo! ― contestou o calouro, exasperado, pois a afirmação também o atingiu em cheio.
Apesar de incomodá-lo, o fato de que estava interessado em um rapaz era incontestável.
Ao ouvir o menor gaguejar em resposta, num grau de enrubescimento muito maior do que poderia supor, não suportou visão tão adorável. Avançou e, ainda que desajeitadamente, tomou os lábios de Yukimura ― em seu primeiro beijo. Excessivo, o impulso concedido à aproximação súbita fez com que ele fosse comprimido contra a parede mais próxima.
Havia alguma espécie de coincidência ao perceber-se atacado por um loiro que logo antes o ajudara, e a primeira reação do moreno foi chocar-se diante do contato; os olhos arregalaram-se, os membros permaneceram inertes, os músculos retesaram-se. Inexperiente, Aratake era levado pelo próprio instinto, e como resposta à passividade do outro, aprofundou à sua maneira, inserindo sua língua sem maestria, apenas fome.
Somado ao impacto intrínseco às novas descobertas, o delicioso sabor do pequeno fez com que a sensação de violar sua boca com sua língua intrusa se tornasse muito mais abrasadora. Desconhecida para o rapaz mais novo, uma queimação e desejo absurdos tomavam-lhe o corpo e os lábios, movendo-os segundo suas próprias vontades.
Ainda que pasmo, o menor não tentou afastá-lo ― ao contrário da anterior experiência repentina, a carícia durou o suficiente para incitar nele um prazer cadenciado, proporcionados por lábios cujo ritmo ele poderia acompanhar. E, ao corresponder ao delinquente, provocou no outro uma euforia ingênua, convertida em um roçar de línguas mais intenso e no tatear sobre o uniforme do estudante do Seika.
Sob o tecido, Yukimura arrepiava-se diante dos toques; a pele virgem tornando-o muito mais sensível. Guiado pelas manifestações do outro, o loiro prosseguiu, dedilhando as laterais de sua cintura; avançando sobre o abdômen magro até chegar ao peito. Quando o mais velho gemeu sob sua boca, excitou-se com o som, reduzindo muitas vezes mais a distância entre os dois ao pôr sua própria perna entre as dele. Involuntariamente, friccionou o membro do outro com o movimento, e isto provocou nele uma bela reação.
Extasiado com a tempestade de sensações incitadas pelo toque, o moreno espalmou suas mãos sobre as costas de Gouki, agarrando-lhe como se buscasse alguma segurança e conforto. Também afastou seu rosto, mordendo os lábios para que nenhum ruído exprimido os denunciasse. Distante o suficiente do vice-presidente para fitar seu rosto, o mais novo maravilhou-se com sua delicadeza; mirou sedento para o pescoço exposto quando Shouichirou desviou-se para conter seus próprios murmúrios.
E foi a garganta alva do menor o novo alvo de Aratake: inicialmente estendeu seus dedos à região, deslizando-os sobre a pele suave e sensível como se a preparasse para as carícias futuras, assim como a explorar sua textura. Ao perceber que o leve roçar despertou no outro satisfação tamanha a ponto de fazê-lo estremecer, prosseguiu ao prová-la com seus próprios lábios.
Enquanto alternava entre as possibilidades disponíveis ao lamber, sugar e mordiscar o pescoço do mais velho, verificou suas reações aos diferentes estímulos, intensificando-os conforme o outro contorcia-se e ofegava. Realizava os mesmos testes sobre o corpo delgado, pois ainda que recoberto por vestes, Yukimura conseguia desfrutar das mãos a percorrer sua barriga, suas coxas, sua virilha; das unhas a arranhá-lo a intervalos regulares para testar o que lhe incitava mais prazer.
Em conjunto dos chupões e mordidas em sua garganta, maculada já com inúmeras marcas avermelhadas e saliva, as mãos e dedos a provocar sua ereção enfraqueceram o já reduzido controle do moreno, que apertou com mais força o dorso do maior enquanto esforçava-se para abafar os próprios gemidos ― enfim reprimidos quando Gouki voltou a beijá-lo.
Mordiscou os lábios inchados do veterano, para em seguida friccionar sua língua à do outro. Moldavam-se um ao outro, saciando-se com veemência com mãos e lábios. E, quando o fôlego fez-se necessário, mantiveram-se unidos, ofegantes e corados ― as testas tocavam-se, a respiração de ambos mesclava-se uma à outra e, embora envergonhados, prosseguiram em suas descobertas e experiências do corpo um do outro.
...
O cenário nublou-se, convertendo-se em outra visão...
...
Aquele vocalista queria tirá-lo do sério, pensou o rapaz de madeixas excêntricas. Destratar uma fã, a ponto de despertar lágrimas na pobre garota! Quando ele iria aprender? Bufou, irritado, e atravessou os camarins à procura daquele presunçoso loiro ― e encontrou-o, enfim, a ler entediado uma revista qualquer. Adentrou no cômodo manifestando claramente seu desagrado:
― Kuuga, seu idiota!
― Sentir tanta raiva por uma fã retardada, Kou? ― refutou o mais novo, com uma risada desdenhosa.
― É sua fã “retardada” ― indicou, enquanto estendia a palma das mãos sobre o rosto. ― E se não deixar de tratá-las tão mal, não vai restar nenhuma.
― Se isto acontecer, é porque nunca admiraram a banda o suficiente para serem consideradas fãs ― alegou, seguro de que os absurdos que dizia eram corretos.
Levada aos extremos, a paciência de Yabu Kouma extinguiu-se, convertida no desejo de punir o companheiro da banda até ensiná-lo a valorizar as admiradoras do Yumemishi. Decidiu aplicar a que julgou mais rápida e efetiva dentre suas ideias, aproveitando-se do fato de que o loiro estava displicentemente deitado sobre um sofá cuja largura assemelhava-se a um colchão de solteiro.
Surpreendeu ao outro ao avançar subitamente, pressionando de bruços contra o estofado enquanto prendia seus braços, ajoelhado por sobre o corpo do menor. Estratégica, a posição dava-lhe acesso à seus ouvidos, e não demorou a murmurar sobre eles que Kuuga iria se arrepender por suas palavras, ao que o vocalista riu, desafiador:
― Apenas tente ― respondeu, debochado.
Suas palavras incitaram no rapaz de óculos a convicção de que toda aquela insolência merecia um castigo, além da fúria descomedida. Se fosse do tipo propenso a isto, esboçaria um sorriso sádico antes de investir contra a nuca do mais novo; como não o era, somente o fez silenciosamente. Satisfeito com os lábios a sugar de sua pele, Sakurai Kuuga remexeu-se, inquieto, enquanto sua respiração tornava-se mais pesada.
E, quando a língua a explorá-lo alcançou destreza tamanha a ponto de incitar-lhe gemidos, a carícia instantaneamente cessou. Confuso e frustrado, enfim entendeu o que Kou tratara como punição. Que droga! E o rapaz de fios coloridos continuou a torturá-lo, lambendo de sua nuca, mordiscando suas orelhas e interrompendo-se antes que o outro alcançasse algum alívio para a excitação crescente.
Sôfrego diante da provocação, Kuuga agitava-se abaixo do outro ao tentar se livrar do aperto, e tudo o que o companheiro mais velho fez foi voltá-lo em sua própria direção ― agora eram as costas do loiro comprimidas contra a superfície macia, e seu rosto, agora enfurecido, visível para Kou. Ignorou os lábios do outro, pois estes pareciam implorar por uma boca que os saciasse, e avançou sobre o pescoço para sussurrar:
― É isto que ganha por ser um mimado arrogante, Kuuga.
Mesmo que a voz do rapaz de óculos constantemente expressasse sua seriedade e frieza, desta vez, somente ao ouvi-lo, o menor arrepiou-se com o tom rouco, sentindo a ereção se pronunciar não apenas com a sentença, mas também com a impressão que os murmúrios provocaram em sua pele. Desta vez, Kou não usou de sua língua, roçando apenas sua boca e seus dentes sobre a garganta do rapaz que ansiava por mais chupões.
Contorcia-se contra as restrições de seus pulsos, praguejando mentalmente a cada vez em que o baixista afastava-se. Pediu então por um simples beijo, e o outro aproximou-se, prestes a tocar seus lábios, apenas para sibilar “Não”. E a tortura intensificou-se quando Kou desceu, rumo ao peito do mais novo: lambeu seus mamilos sobre o tecido, e a barreira parecia tornar a experiência mais sedutora. Por que não lhe arrancava a porcaria da blusa?
Novamente, o loiro implorou por sua própria satisfação, ao que o maior revidou prometendo-lhe tudo o que ele quisesse apenas se prometesse agir educadamente com as fãs. Foi o orgulho que o fez negar diante da proposta, e era ele seu novo grilhão, já que o mais velho deixou suas mãos livres para levar as suas próprias até as calças de Kuuga. Enquanto era estimulado sobre as vestes, embora não mais contido, o vocalista concentrava-se em resistir à tentação fornecida pelo outro membro da banda.
Contudo, tornou-se impossível não gemer quando o outro livrou seu membro das roupas que o escondiam, movendo os dedos vagarosamente por toda a superfície. Revezava lentos movimentos para baixo e para cima com outros, mais velozes, e em nenhum momento deixou o loiro alcançar a liberação, pois deixava de acariciá-lo para espalhar sua lubrificação por entre a glande.
A cada reinício daquele ciclo delicioso e agonizante, a sensação tornava-se mais e mais intensa para Kuuga, que já gemia sem reservas e cuja ereção enrijecera a ponto de provocar dor diante de tanta avidez. Ao perceber o estado no qual o mais novo atingira, Kou decidiu aplicar o próximo passo de seu plano, abandonando o órgão que ocupara suas mãos enquanto preparava-se para levantar.
― Já vi que não quer mais nada ― blefou, diante do silêncio do loiro com relação à sua oferta, já que sua reação ao prazer obtido não eram nem um pouco discretas.
― O quê!? ― indagou, perplexo, o adolescente insatisfeito. Lutou contra sua própria relutância ao admitir: ― Droga! Tudo bem! Eu trato as garotas de uma forma menos rude. Só continue, por fav-
Voraz, pois também se excitara com a punição, Kou nem ao menos aguardou o final da desistência do loiro para acatá-lo. Enfim preencheu-lhe os lábios com a língua faminta, explorando de sua boca ansiosa e igualmente insaciável. Também voltou a estimular seu sexo, estreitando-o entre seus dedos enquanto incitava-lhe indefinidamente, enlouquecendo Kuuga diante dos contrastes: lento e rápido, provocante e áspero. Próximo do clímax, o menor nem ao menos tinha controle de seu próprio corpo para corresponder-lhe o beijo; apenas ofegava, inconsciente.
― Bom garoto ― sussurrou sobre seu ouvido, enquanto o outro desfazia-se sob seu toque.
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― Misa-chan... Misa-chan!
Ouviu seu apelido repetidas vezes até despertar completamente, para perceber que quem lhe chamara era a própria gerente. Ao associar sua presença aos anteriores sonhos, corou com a possibilidade de que ela também descobrira sobre seu segredo. E seus temores se confirmaram:
― Não sabia que era do tipo que gostava destas coisas, Misa-chan ― animou-se Satsuki, enquanto os olhos brilhavam diante da suposição de que sua funcionária enfim decidira adentrar no mundo otaku.
― Hã? O quê?! ― Por acaso ela lia mentes?
― Fala demais enquanto dorme, presidente ― explicou uma voz conhecida, a que a morena associou ao rapaz recostado sobre a porta com uma expressão divertida.
Ruborizou ao imaginar o que murmurara em meio ao sono, e seu constrangimento diante da situação foi mais uma vez mal-interpretado pela mulher, que prometeu-lhe emprestar seus próprios BL Games para a colegial após confortá-la, dizendo que nada havia de estranho ou errado em suas preferências.
Nem ao menos tentou desmentir a efusiva morena mais velha, cuja animação excedeu seus próprios limites. E, apesar dos inconvenientes, ao menos não estava exausta como anteriormente. Como de costume, porém, o loiro findou sua já precária tolerância, sugerindo-lhe se, como dissera o nome de diversos garotos, desta vez sonhara com alguma orgia grupal.
Reprimiu-se para não atirar um prato àquele imbecil, pois seu maior aborrecimento agora não eram o suposto ciúme ou incômodo com os pesadelos que continham interações homossexuais. Era o estúpido a provocá-la quando acordada!
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