Meninas Más Não Têm Bons Sonhos
6 Night VI - ...Idiots!
Notas iniciais

Permitiu-se esboçar um pequeno sorriso de contentamento. Desde o infeliz dia em que Usui descobrira sobre seus sonhos, não fora mais incomodada por eles uma noite sequer. Há exatamente uma semana, não mais sofria ao mentalizar Usui e outro garoto qualquer em cenas íntimas. Sim, dormira muito bem nestes últimos dias, acreditando que ao revelar seu tormento ao rapaz e despejar sobre ele sua raiva, livrara-se daqueles pesadelos.
Ledo engano. Estava certa ao supor que aquele alien pervertido não lhe incomodaria nas noites seguintes; contudo, o rapaz voltaria, cedo ou tarde. E, descobriria ela naquela mesma noite, quando inocentemente adormeceu despreparada, Takumi não era o único capaz de infernizar sua mente inconsciente.
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Aqueles dois idiotas, pensou o moreno repetidas vezes. Não podiam passar um dia sequer sem discutir! Deveria ser o maldito passado delinquente, supôs Ikkun. Era a única explicação plausível para tanta violência. Procurou-os entre os corredores durante o intervalo, pronto para interromper qualquer briga que envolvesse confronto físico. E foi no depósito da quadra coberta que encontrou-os.
Para sua surpresa, não trocavam ofensas em alto e bom som; sussurravam, cúmplices, algum plano de que estava à margem. Sentiu-se excluído, e decidiu não adentrar para interrompê-los. Se quisessem ficar de segredinhos, ele não iria se meter! Idiotas! No entanto, esbarrou sobre a porta enferrujada e atraiu a atenção dos dois.
Ao perceber sua presença, ambos retesaram-se, como se descobertos durante uma artimanha. Estavam lhe escondendo algo, e o moreno mais baixo estreitou os olhos. Kurotatsu foi o primeiro a reagir, voltando-se para o antigo colega do fundamental e acenando, como se quisesse se certificar de algo. O loiro assentiu ao comando.
― Eu não vou ficar aqui assistindo vocês brinc- ― A despedida de Ikkun foi interrompida quando o rapaz de cabelos compridos estendeu o braço à sua frente, impedindo-lhe a passagem.
― Não fique magoado, Ikkun ― murmurou o maior, num tom manso que deixou o moreno mais baixo desconcertado.
― É, não estamos escondendo nada de você ― garantiu Shiroyan, ao aproximar-se. A mesma voz calma e controlada. O que havia com eles?
― Vocês estão muito estranhos... ― admitiu, enquanto recuava com passos para trás. Acabou por bater suas costas de encontro ao loiro, que sibilou sobre seu ouvido:
― Quer saber sobre o que estávamos falando?
― Vai mesmo contar à ele? ― indagou Kurotatsu, para em seguida suspirar. ― Bem, é melhor que saiba antes mesmo.
Após recuperar-se do arrepio involuntário ao sentir o hálito quente a roçar sobre sua orelha, o menor fitou confuso seus amigos, enquanto afastava-se mais uma vez. Entretanto, foi o moreno de cabelos longos a puxá-lo contra si. Novamente sentiu-se pressionado contra o corpo de outro rapaz, e mal pôde protestar, pois mais sussurros foram proferidos:
― Nós estávamos brigando por sua causa. ― Interrompeu-se para morder seu lóbulo. O que ele pensava estar fazendo?! ― Mas chegamos a um consenso.
― Kurotatsu, idiota apressado! ― reclamou o outro. ― Nem para explicar direito antes. ― Pôs a mão sobre a face, em indignação. Logo esclareceu ao amigo perplexo: ― Eu descobri que este tarado estava interessado em você. ― Kurosaki Ryuunosuke ignorou a ofensa, enlaçando o mais baixo com mais intensidade. ― Como eu também estava, nós discutimos e...
Gradualmente, a voz de Shiroyan foi tornando-se mais baixa na mente do menor. Ainda não compreendera. Eles estavam interessados nele?! Desde quando? Por quê? Inúmeros questionamentos surgiam, e a nenhum deles alcançava uma resposta digna. Quando seus olhos retornaram ao foco e sua audição passou a captar novamente as palavras do loiro, ele já havia encerrado sua explicação:
― ... então, resolvemos dividir. ― Um sorriso malicioso acompanhou sua sentença.
― Até que enfim acabou de falar ― comemorou o moreno mais alto, e, antes que Ikkun pudesse queixar-se, tomou seu queixo entre as mãos para voltar sua boca à dele.
Como um otaku típico, Sarashina Ikuto não tinha a mínima experiência em nenhum tipo de relacionamento íntimo. Porém, nunca presumiria que seu primeiro beijo seria roubado por um homem. Um de seus melhores amigos! Permaneceu estático quando sua boca foi invadida pela língua quente e atrevida de Kurotatsu, mas com a intensificação dos movimentos, gemer, mesmo que minimamente, foi inevitável.
Enquanto seus lábios eram duramente lambidos e mordiscados, Ikkun sentiu alguém a afrouxar sua gravata, para desabotoar-lhe o uniforme. Shiroyan era rápido, descobriu quando o tronco foi parcialmente desnudo pela abertura da blusa. Um tanto apressado, notou que avançou sobre seu pescoço, arrancando-lhe um suspirar abafado pelos lábios do moreno de longas madeixas.
Ao acariciá-lo sobre o tecido durante o beijo, Kurotatsu era lento e incitador, despertando-lhe um desejo que nem imaginou existir. Já Shirokawa Naoya sugava e lambia sua garganta com sofreguidão, e as sensações conflitosas extasiaram o menor deles. Enquanto as mãos do moreno atiçavam-lhe as coxas, num dedilhar vagaroso e delirante, as unhas do loiro arranhavam-lhe o peito descoberto, provocando em Ikkun um formigamento entre suas pernas.
E percebeu a ereção do maior atrás de si a esfregar-se em suas nádegas quando seu quadril foi pressionado contra o dele com mais força, enquanto sua boca simultaneamente foi liberta ― a única maneira de reprimir os próprios gemidos era morder o lábio inferior. Ousados, os lábios de Kurotatsu passaram a abusar de sua nuca, ainda que de distinta maneira aos chupões intensos com que o outro lhe marcava enquanto descia para alcançar seu peito.
Assim como durante o beijo, o moreno explorava sem pressa seu pescoço e ombros com a língua, alternando-a com deliciosas mordidas; e também seu abdômen e suas pernas, deliberadamente mantendo as mãos afastadas de sua área mais sensível. Shiroyan, ao contrário, era voraz ao percorrer sua pele, ignorando quaisquer provocações ou antecipações ― atacou sem dó um de seus mamilos com os lábios, enquanto ocupava os dedos a beliscar o antes negligenciado. E Ikuto quase os denunciou com um alto ofegar. Quase.
― Você não quer que venham até aqui, não é, Ikkun? ― sussurrou o maior sobre seu ouvido, após encobrir seu gemido ao introduzir os dedos longos na boca do otaku. Reconhecia o tom obsceno de sua voz, embora pela primeira vez a ele mesmo fosse dirigido. ― Não quer que nós paremos, ou quer?
Era obviamente uma pergunta retórica, dado o impedimento à fala desobstruída do mais baixo. Sua saliva apenas umedecia os dedos a remexerem sua língua, e este prazer somado ao friccionar de dentes e lábios sobre os botões túrgidos com a excitação e aos murmúrios roucos sobre seu ouvido o mantiveram receptivo às carícias.
― Sou eu que falo demais, é? ― resmungou Shiroyan, antes de ele mesmo beijar o moreno menor quando sua boca foi novamente desocupada.
Desta vez, completamente entregue, Ikkun correspondeu ao beijo, ainda que mover seus lábios e língua conforme à selvagem inserida sem pudores fosse dificultoso. Tentou estender os braços livres para entrelaçar seus dedos aos fios claros, mas, ao ser despido da blusa branca, surpreendeu-se quando ambos os pulsos foram presos, atados pela própria veste.
É claro, o gosto de Kurosaki por amarras.
Desnudas, as costas do otaku tornaram-se o novo alvo das carícias demoradas e torturantes do rapaz, enquanto o outro profanava-lhe os lábios num beijo explicitamente libidinoso. Ambos os ex-delinquentes transmitiam-lhe um calor insuportável através das línguas aquecidas a estimulá-lo, cada um à sua maneira. Quando seu membro roçou a do amigo à sua frente e latejaram em conjunto, a primeira reação de Ikkun foi contrair-se com a sensação deleitosa, e devido aos membros aprisionados, perdeu o equilíbrio e acabou por cair ― e levou o outro moreno consigo.
Amortecendo sua queda, havia um amontoado de colchonetes desorganizadamente espalhados por toda a extensão da saleta; todavia, não foi uma superfície macia que acolheu o menor após o deslize. Sentado sobre o colo de Kurotatsu, era claro o enrijecimento a que estava submetido, pois o maior estreitou os braços ao seu redor, comprimindo-o ainda mais contra o vértice pulsante de suas pernas.E, enquanto sugava de sua pele nua dos ombros e pescoço do mais baixo, Shirokawa não deixou-se ficar para trás ― ajoelhou-se à frente deles, voltando seus lábios aos de Ikkun, pouco antes de descê-los por entre seu corpo mais uma vez.
Estava ávido para provar de todo o seu sabor.
Contornou com a boca e as unhas o tórax e o abdômen do menor, sedento. Violento. Os chupões e arranhões deixados denunciavam seu percurso, e a mínima dor foi relevada quando pressionou a ereção do menor entre suas mãos. Prevendo sua reação, o moreno sufocou outro gemido ao beijá-lo, e assim como à Shiroyan, o otaku retribuiu com toda a ânsia que seu extravasamento permitiu.
A satisfação com tal reação lasciva incitou no maior um descontrole semelhante ao de seu colega delinquente, e passaram os dois a acariciá-lo ferozmente. Seja sugando e remexendo sua língua de modo pervertido, seja estimulando seus mamilos. Ou pressionando-lhe o membro sobre as vestes, ou ainda a maculá-lo com mordidas e saliva. Prestes a retirar-lhe da calça xadrez, o loiro interrompeu-se quando ouviram um estrondo.
Rudemente, o portão enferrujado que encerrava o depósito foi escancarado por algum professor sem noção de sua própria força. Procurou durante alguns instantes algum objeto, e enfim o encontrou sob alguns papéis, avisando a alguém na quadra que a próxima aula poderia começar em dez minutos. Durante toda a sua ação, os três garotos mantiveram-se em silêncio em um dos cantos do recinto.
Só suspiraram em alívio quando o homem partiu sem suspeitas. Repentinamente, os dois mais altos gargalharam alto e alegremente, após escaparem ilesos de um possível escândalo. Ikuto fitou-os, atônito diante da mudança de humor. Adquiriram de volta o comportamento imbecil e despreocupado, tão distinto à provocação e selvageria anteriores?
― Ei, Ikkun, se vista de uma vez ― pediu Shirokawa, ao levantar-se, desamarrando-lhe da própria camiseta para oferecê-la.
― Seria bom também se você se levantasse também ― sugeriu Kurosaki, num tom de ameaça ao fato de que ainda estava sobre o colo dele.
Apanhou então a mão estendida pelo loiro, e ao fitar ambos, encontrou ali os mesmos amigos de sempre.
― Seus idiotas!
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Droga de falsas esperanças. Droga de pesadelos. Droga de três idiotas! Irritando-a mesmo em seus sonhos; aqueles moleques malditos, amaldiçoou a garota. Possessa, fez questão de levar-lhe o prato que pediram, para assim escrever palavras muito feias com o creme açucarado. Não comoveu-se nem mesmo com a tristeza inocente do trio, tomada pela fúria absurda.
― Então os sonhos começaram de novo, Misa-chan? ― provocou um certo cozinheiro ao adentrar na área reservada aos empregados.
― Não comece, Usui! ― cortou ela, decidida a não se deixar levar por aquele imbecil. Já não bastasse o fato de que sabia daqueles constrangedores pesadelos.
― Quem foi desta vez? ― indagou ele, como se ignorasse os protestos da morena. Seu tom divertido acentuou a raiva já considerável da maid.
― Não te interessa. ― Foi novamente ríspida; contudo, uma veloz espreitada à mesa dos garotos em estado inconsolável foi involuntária, e entregou-lhe.
― Foi com eles? Os três? Ao mesmo tempo? ― A incredulidade do rapaz a desconcertou, e seus olhos arregalaram-se em concordância às suas corretas hipóteses. Era tão estranha assim a ponto de despertar surpresa em um alien? No entanto, logo as risadas vieram, desta vez não contidas. ― Depois eu que sou o pervertido ― declarou, enquanto voltava à cozinha.
Ser chamada de pervertida por Usui Takumi era demais. Demais!
― Cale essa boca estúpida!
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