Notas iniciais
E aí­, como vão, leitores meus? Sorry pelo atraso uma falta de inspiração desgracenta me acometeu + meu Word ficou de mimimi. Isto deveria ser um presente de aniversário para Elza, mas estou alguns dias atrasada agora. De qualquer forma, it's for you, my dear~~


À caminho do Maid-Latte, lembrou-se uma vez mais de seu último sonho. Somente a recordação atiçava sua vontade de esmagar a própria cabeça contra o poste mais próximo. Definitivamente, aquele foi o pior de todos. O pior. Arrependeu-se amargamente de ao menos ter cogitado a possibilidade de transferir Usui de colégio, mesmo em seus sonhos. Foi uma escolha terrível. Um pensamento terrível.

E teria de encará-lo agora, em seu emprego de meio-período. Vislumbrar aqueles olhos verdes e cabelos claros apenas evocariam a lembrança de seu contato com outro loiro, este de olhos amarelados... O presidente do Miyabigaoka, importunando-a mesmo em seu restrito universo pessoal.

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Os primeiros dias para a maioria dos novos alunos são uma experiência difícil. Somando acanhamento, inexperiência, desconhecimento, não-entrosamento, a maioria dos recém-chegados não guardam boas memórias de seu primeiro contato com um colégio distinto. Este, porém, não era o caso de Usui Takumi. Talvez porque a opinião de terceiros pouco lhe importassem e suas intrigas e fofocas não lhe atingissem. Talvez porque o tédio fosse demasiado o suficiente para que nenhuma outra sensação o superasse.

E era mesma monotonia que sentia ao término das aulas, enquanto seus colegas deixavam a sala com alguma euforia para o intervalo. Tanto fazia; ambos, Seika e Miyabigaoka eram igualmente maçantes. Contudo, lembrou-se daquele que o convencera a se transferir ― aquele que, dentre todos os alunos fúteis, era o único divertido. Como se invocado, Igarashi Tora surgiu dentre a massa de pessoas que andava num sentido contrário, já que ele pretendia entrar no ambiente.

― Entediado, Usui? ― ironizou o presidente, tão logo o viu.

― Você acha? ―O rapaz de olhos verdes respondeu o sarcasmo à altura. ― E o que faz aqui, Tiger-kun?

Aquele maldito apelido, pensou o presidente. Depois que Usui descobrira a maneira com que o irmão mais velho o denominava e a irritação que sentia ao ouvi-lo, não deixava fugir uma oportunidade sequer de provocá-lo. No entanto, não lidava com um simples garoto colegial, pois Tora sempre revidava suas provocações. Neste sentido, suas personalidades que naturalmente se repeliam encontravam um ponto semelhante.

― Fala como se não soubesse o que vou fazer ― replicou Igarashi, com seu tradicional sorriso malicioso e sádico ao aproximar-se do rosto do outro. O mesmo sorriso que despertava em Takumi o desejo de dominar aquele que a todos dominava.

― Existe algum lugar que eu ainda não tenha visto? ― indagou o loiro mais velho, pois sabia que o outro referia-se às eventuais visitas para conhecer toda a extensa instituição.

Como primeira resposta, uma risada curta e desdenhosa. Tora respondeu-lhe, como se fosse óbvio:

― Que graça teria se eu mostrasse tudo de uma vez?

“Extremamente difícil” não era suficiente para descrever o processo de persuadir aquele bastardo a estudar no Miyabigaoka. E, como descobrira Igarashi, o potencial herdeiro da família Walker facilmente se cansava de absolutamente tudo. Manter seu interesse desperto para que não desistisse da transferência e voltasse àquele colégio ordinário era a função que sua família lhe incumbira ― a maneira com que o faria, entretanto, estava à sua escolha.

E por que não divertir-se também enquanto cumpria com uma obrigação?

― Sala de música? ― indagou Usui logo que adentraram no ambiente espaçoso. Devido ao intervalo, estavam sozinhos naquela sala que intensificava cada som.

― A acústica desta sala é a melhor de todas. ―explicou o menor enquanto aproximava-se. Qualquer mínimo ruído seria intensificado, dizia nas entrelinhas. E, conhecendo o gosto dele por este tipo de distração, murmurou sobre seu ouvido: ― Não é um bom jogo?

Em um gesto rápido, foi pressionado contra o instrumento mais próximo ― um piano de cauda. Ambas as mãos foram presas ao lado de seu corpo, e sentiu seu membro pulsar quando o loiro mais alto o fitou demoradamente. Merda, ele ainda não havia feito nada! Ainda que não tenha desviado os olhos verdes dos seus, Takumi comentou com algum sarcasmo:

― E você acha que vai ganhar?

― Você não me conhece, Usui ― respondeu Tora, enquanto roçava seu joelho sobre a ereção do mais velho. Suas pernas estavam livres, afinal.

Contudo, mal flexionou sua perna poucas vezes e seu pescoço foi duramente estimulado enquanto lábios o sugavam com força. Sabia muito bem o motivo pelo qual o loiro maior não havia começado por sua boca: assim abafaria seus gemidos, que de alguma forma Igarashi tentava conter. Contudo, era difícil resistir quando os chupões em sua garganta tornaram-se mais intensos.

Estendeu-se, então, até alcançar a orelha do parceiro para morder seu lóbulo. Não deixaria nenhuma carícia sem revide, e passou a contornar o ouvido com a língua, enquanto o mais velho mordia a curva entre seu pescoço e ombro. Arrepiou-se quando ele tentou intrometer a língua entre seu uniforme, e respondeu tocando-o uma vez mais em sua intimidade com os joelhos, já completamente sentado sobre o piano, pois assim o alcance era maior.

Mexeu ambas as mãos, para que o soltasse, e Takumi apenas reforçou a restrição, enquanto alternava lambidas e mordidas em sua clavícula. Podia ouvir seu pequeno riso de satisfação, e aquilo incitou nele uma raiva absurda. Não seria subestimado de maneira alguma. Reagindo à provocação, envolveu suas pernas ao redor da cintura dele, enquanto repetia o que havia feito sobre a pele do rapaz de olhos verdes. Com o contato, ambos latejaram sob o uniforme e quase gemeram simultaneamente.

Enfim, foi solto, mas não porque Usui se rendera ― queria despi-lo daquela jaqueta e blusa incômodas. Rapidamente livrou-o do jaleco branco, e Tora fez o mesmo com as mãos agora livres. Quando o maior voltou sua boca até a garganta novamente, para descer enquanto desabotoava a veste negra, o loiro de orbes amarelados acariciou-lhe a nuca, puxando seus fios sem gentileza. Sabia que aquele era um ponto fraco do maior e não deixaria de aproveitá-lo: os lábios sobre o seu peito tornaram-se mais exigentes e famintos, assim como a respiração mais grave.

Aquele som o excitava. Na verdade, a natureza provocativa de Takumi era semelhante à sua, o que tornava sua vontade de atiçá-lo ainda maior. E, quando o fazia, um outro lado, mais sério e selvagem, despertava. Estreitou o enlace, enquanto mexia o quadril lentamente para que o atrito à ereção do outro loiro o enlouquecesse, assim como este o fazia enquanto mordia e lambia seus mamilos.

No entanto, a resposta de Usui o surpreendeu: ainda que tenha sentido seu latejar e as unhas a arranhar seu abdômen, logo as mãos ladearam sua cintura para aproximá-lo ainda mais e tornar o contato ainda mais intenso. Mordeu os lábios para que nada escapasse, mas desta vez queria outra língua a compartilhar o espaço de sua boca. Que se dane o jogo, ele queria beijá-lo.

Puxou-o pela gravata e assim o fez. Envolveu os lábios de Takumi com os seus, roçando sua língua sem nenhum pudor. A carícia era urgente, e logo o rapaz mais velho tratou de torná-la mais rude e grosseira. Havia entre os dois apenas desejo, expresso enquanto roçavam-se um ao outro; enquanto as unhas do estudante transferido marcavam as costas do presidente, que despia-lhe da blusa para fazer o mesmo aos seus ombros.

Quando os dedos de Usui meteram-se entre suas coxas, friccionando-o sob a calça, um gemido escapou dos lábios do menor entre o beijo, e o som apenas incentivou o outro a prosseguir. Maldito, amaldiçoou enquanto o volume entre suas pernas tornava-se mais acentuado e seu arfar, mais alto e rouco, que fez com que seu parceiro se afastasse brevemente para abusar de seu pescoço e orelha enquanto puxava os fios de sua nuca, e sua cabeça para trás em conjunto.

― Bela tentativa, Tora ― murmurou sobre seu ouvido, anunciando sua derrota. Ao menos estava excitado demais para que a voz explicitasse algum sarcasmo, consolou-se o mais novo. E a seriedade de Takumi apenas antecipava seu descontrole.

― E agora vou ter que te compensar, não é? ― supôs Igarashi, em escárnio. Seu sorriso atrevido deixava explícitas as suas intenções.

― Te transformei num masoquista? ― indagou Usui, desta vez com um sorriso obsceno e vitorioso.

― Vai negar que quer isso? ― desconversou o presidente, enquanto dedilhava a coxa do mais velho, insinuante, ainda que sério. Iria negar até a morte que gostava de ser subjugado ― era o confronto e a tensão que ansiava; alguém que não obedecia seus comandos, tão pervertido quanto ele mesmo.

Conseguiu convencê-lo silenciosamente após apalpar-lhe a ereção com movimentos vagarosos ― os dedos a estimulá-lo eram travessos enquanto percorriam o tecido claro, e habilidosos ao desafivelar seu cinto. Enquanto abaixava-se, podia sentir sobre si o olhar lascivo e autoritário que este lhe destinava, e excitou-se ao perceber que era o único a incitá-lo desta maneira.

Foi sobre a boxer que Tora passou sua língua primeiramente, umedecendo o tecido enquanto acariciava o membro rijo. Enfim ouviu um gemido do parceiro, e prosseguiu quando as mãos uniram-se aos lábios na tarefa de estimulá-lo, apertando-lhe os testículos. Roçou os dentes levemente sobre o volume que pulsava em sua boca, o que provocou em si mesmo um latejar involuntário. Ambos já não agüentavam a provocação.

Novamente com destreza, despiu-lhe da boxer para envolvê-lo com sua boca; contudo, permitiu-se atiçá-lo uma vez mais, já que lambeu a glande com lentidão, até engoli-lo por completo. Mal pôde fazer mais, pois o loiro de olhos verdes, já instintivo e sem rédeas, agarrou-lhe os fios claros e passou a controlar seus movimentos.

Sua saliva escorria enquanto o membro adentrava-lhe a boca sucessivas vezes, e era um tanto dificultoso acomodá-lo diante de investidas tão intensas e rápidas. Mas, acima de tudo, o prazer era maior ao sentir os dedos enlaçados em seus cabelos a guiá-lo; a ereção endurecida e quente a esfregar-se contra seus lábios com aspereza. E, enquanto seus gemidos eram sufocados enquanto sugava-o sedento, os de Takumi ora ou outra ouviam-se no ambiente.

E logo a avidez tornou-se demais para que a suportasse; com um único puxão, Igarashi foi solto e estava de pé, comprimido contra o piano uma vez mais. Desta vez de costas para o mais velho, respondeu-lhe com a mesma voracidade quando as mãos de Usui tomaram seu queixo para beijá-lo mais uma vez ― ansiava por aquilo tanto quanto ele. Empurrou-se contra o volume a friccioná-lo por trás enquanto era despido de suas próprias vestes inferiores por mãos dominantes. Agora seria muito mais difícil abafar os próprios gemidos...

Bem vindo ao Colégio Miyabigaoka.

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Arrepiou-se internamente ao lembrar-se mais uma vez daquele pesadelo que julgava terrível ― e seu gesto não passou despercebido a um certo cozinheiro temporário que estava a poucos metros dela. Quando tentou fugir desta vez, foi presa contra a parede, pois os braços do rapaz ladeavam sua cabeça, espalmados contra a superfície.

― Ayuzawa. ― Sua voz continha uma censura que a incomodava. ― Você está com problemas e não quer me contar.

Aquilo não era uma pergunta. Estava prestes a negar, mas ao fitar o olhar sério do loiro lembrou-se do sonho; corou e tornou-se impossível mentir ― empurrou-o para que a permitisse manter seu espaço pessoal. Então, de uma só vez, contou-lhe sobre os sonhos, ainda que superficialmente, já que de maneira nenhuma os descreveria em seus mínimos detalhes. Num tom baixo e apressado, listou todos os garotos com que o envolvera em suas “fantasias” noturnas e aguardou por uma resposta. Ele a acharia estranha, indagou-se, já que ela mesma passou a duvidar da própria sanidade.

―Só fiquei curioso em relação a uma coisa, Ayuzawa ― mencionou Takumi; sua voz era estranha. A seriedade parecia deformada por algo que ela não conseguiu captar. Porém, aguardou que completasse: ― Eu era o seme, não é?

E, de alguma maneira impossível, explodiu em gargalhadas, que até mesmo tentou abafar com uma das mãos, inutilmente. Perplexa, a morena o fitou sem reação durante um longo tempo. Longo tempo ― para que, então, convertesse sua confusão em raiva. Ódio excessivo. Ele estava zombando dela! Para impedi-lo de prosseguir com aquelas risadas ultrajantes, deu-lhe um tapa com força, mas isto não pareceu impedi-lo. Só restou-lhe gritar:

Usui idiota!

Notas finais
E aí­ está a cena que me motivou a escrever a fic, porque simplesmente acho esse shippe fantástico ~~ Relendo algumas cenas do mangá, notei que nas interações entre os dois são sempre Tora com um sorriso sarcástico enquanto Usui está puto xD E ukes que provocam são tão amor~~ Ah, sim. A história ainda não acabou ;D Só que agora Usui sabe sobre o que ela sonha xP