Meninas Más Não Têm Bons Sonhos
4 Night IV - You feel lonely?
Notas iniciais

Já havia sonhado pela quarta vez.
Ao cruzar seus olhos amarelados aos de um verde intenso, a maid corou e fugiu da cozinha, em direção ao salão. Sabia que sua atitude já despertara no rapaz algum estranhamento; contudo, era impossível encará-lo quando lembranças... ruins lhe vinham à mente. Sua sorte era o fato de que agora não freqüentavam o mesmo colégio.
Sabia, no entanto, que confessaria à ele se Usui a pressionasse, e era este o motivo de sua fuga. E, apesar do embaraço, aos poucos, se acostumava àquela estranha rotina noturna, a ponto de prever um dos “escolhidos” ― o único do qual não sentiu ciúmes, apenas comiseração. Seu delicado vice-presidente...
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Ao seu lado, uma garota queixava-se do exercício repetitivo e exaustivo. Porém, ainda que sua frágil constituição física não lhe permitisse maiores esforços, Yukimura Shouichirou dava o máximo de si naquela mísera aula de educação física. E lhe foi cobrado tal exagero: uma leve tontura o impediu de prosseguir na corrida, e a professora, aflita, o enviou à enfermaria.
O pequeno não pretendia demorar-se, pois pretendia voltar à aula para que ao menos acompanhasse a atividade dos colegas da arquibancada. Contudo, um obstáculo surgiu à seu objetivo inicial. Um obstáculo loiro e pervertido.
― Que sorte a minha ― comemorou Usui Takumi, quando o conteve no corredor. Espalmou uma de suas mãos sobre a parede, acima da cabeça do moreno, para que ele não fugisse, enquanto usou a outra para tomar-lhe o rosto e voltá-lo em sua direção. Como sempre. ― Veio brincar de novo, Yukimura?
Consciente do significado da palavra “brincar”, Shouichirou encarou confuso o sorriso despido de malícia do mais alto ― como se o que planejasse não fosse abusar do aluno empenhado. Tornara-se uma rotina: desde que lhe roubara um beijo sem motivo algum, o rapaz de olhos verdes parecia encontrar algum distorcido divertimento em implicar com o vice-presidente. Quando a impertinência tornara-se tediosa, o assédio intensificou-se, e o menor já não tinha noção de quantas vezes fora beijado naquele colégio.
― N-Não quero matar aula, Usui-san! ― Tentou ser categórico; no entanto, a proximidade do maior lhe causou certo embaraço. De novo não!
― Bichos de estimação não deveriam retrucar ― murmurou o mais velho sobre sua orelha. Yukimura arrepiou-se com o contato. ― E matar aula é divertido ― comentou, mais leve.
“Divertido” era outro vocábulo perigoso. Para o pequeno, sinônimo de carícias em salas vazias quando proferido. Cansado devido à atividade física, foi praticamente arrastado até a enfermaria, por coincidência. E, de maneira conveniente, a sala encontrava-se vazia naquele momento. Ouviu o som de algo se trancando, e logo sentiu o hálito quente sobre seu ombro.
― Sinta-se honrado, Yukimura ―sussurrou o loiro uma vez mais sobre seu ouvido, e o moreno reagiu da mesma maneira. ― Vou cuidar de você eu mesmo.
Algumas peças interligaram-se na mente do garoto inteligente, pois ainda que estivesse atrás de Usui no posicionamento das notas, possuía um raciocínio ímpar. Como ele sabia que precisava de cuidados? Contudo, a aproximação do maior fez com que recuasse e acabasse sentado sobre uma das camas do recinto. Somente após recuperar o fôlego que tinha suprimido conseguiu gaguejar sua suposição:
― Est-tava me e-espionando?
― Algum problema? ― Um sorriso malicioso esboçou-se em seus lábios.
― N-Não ― mentiu o pequeno, pois, sim, havia um problema naquele perseguidor. Mas em sua atual condição, haviam preocupações mais importantes. Como o fato de que já estava praticamente deitado enquanto fugia de Takumi, que subira na mesma cama.
― Agindo desse jeito só atiça a minha vontade de te provocar ―atentou Usui num sussurro sobre a pele de seu pescoço. Como quer que eu aja de outra maneira, pensou o menor enquanto retraía-se sob a leve carícia. Encontrava-se completamente deitado, enquanto o outro sustentava-se sobre mãos e joelhos acima de si.
― U-Usui-san, p-par ― Seu pedido foi interrompido quando gemeu ao sentir algo úmido contornar-lhe toda a superfície disponível.
―Então tem orelhas sensíveis? ― E, ao dizê-lo, mordeu seu lóbulo, pois percebeu que o pequeno estremecia mais quando sua língua destinava-se a esta região. ― Quantos pontos fracos você têm, Yukimura?
Aquele tipo de pergunta indiscreta, sibilada num tom rouco e grave, já era familiar ao vice-presidente. Porém, não pôde impedir a si mesmo de contorcer-se e arfar somente ao ouvir sua voz. Sentia crescer em seu íntimo a excitação, e ela lhe aquecia o corpo, insuportável, pois desejava liberar-se de uma vez. No entanto, como o colega mais velho mesmo dissera, seria provocado, e não saciado.
Desejoso por devorar aquele pequeno garoto inocente e pervertê-lo com suas vontades mais primitivas, o rapaz aspirou sua pele incólume, esfregando o nariz por entre toda a superfície. Ao ouvir um ronronar satisfeito, prosseguiu, alternando isto a beijos que iniciaram-se suaves para intensificarem-se quando Yukimura começou a remexer-se, inquieto. Usou de suas mãos para prender seus pulsos; não poderia provocá-lo se insistisse em fugir.
― O seu pescoço também? ― Shouichirou ouviu o sussurro quente antes de sentir um forte chupão na garganta.
Completamente rendido, o moreno mordeu o próprio lábio inferior para impedir que qualquer manifestação de prazer fosse exprimida, enquanto sua pele sensível era sugada, mordida, lambida. Provavelmente a boca e os dentes a roçar sobre sua clavícula lhe deixariam vários sinais da “brincadeira” do loiro, e por diversas vezes o pequeno tentou negar-lhe as investidas. Entretanto, o prazer causava nele arfadas violentas que reprimiam sua voz.
― N-Não me deixe m-marcado, Usui-san . ― Enfim conseguiu insistir, e o loiro deslizou uma vez mais a língua até o limite de seu uniforme.
― Bom saber disso ― enunciou, satisfeito, enquanto as mãos vagavam por entre a silhueta magra de seu parceiro. Meteu os dedos entre a blusa do uniforme, acariciando a barriga com movimentos vagarosos. Completou, de modo indecente: ― Então vou te marcar onde ninguém mais pode ver.
― P-Por quê? ― gaguejou Yukimura, enquanto o toque aproximava-se mais e mais de seu peito e mamilos já entumescidos devido aos arrepios constantes.
― Por que eu quero ― afirmou o maior, categórico, e beijou o mais novo com veemência.
Geralmente o moreno só entregava-se após alguns minutos de relutância. Desta vez, contudo, as carícias em pontos estratégicos fez efeito e o garoto cedeu rapidamente sua boca macia e doce à língua voraz sobre a sua. Foi também facilmente dominado ― era Usui a explorar sua boca, assim como era ele a lhe tatear os mamilos para logo puxá-los sem delicadeza.
Deliciosamente calado, os gemidos de Shouichirou eram abafados pelo beijo selvagem, enquanto o maior toturava-lhe a pele do tórax com arranhões intensos. E mesclado a este prazer, havia a dor ao sentir as unhas rasparem. Como se consciente das sensações do pequeno, Takumi deixou seus lábios para descer, chupando rapidamente o pescoço no percurso, pois seu destino eram as áreas arranhadas. O calor emanado pelo corpo magro era convidativo e excitante.
Enrugou o tecido da blusa branca do mais novo e passou a traçar com a língua os rastros que deixou. Devido à sensibilidade, Yukimura arrepiou-se com o contraste da umidade sobre as marcas, que ardiam. Mais um, pensou Usui, ao recordar-se da busca por pontos sensíveis. E logo lamber não era suficiente; o maior mordiscava-lhe os mamilos, e sugava tudo ao alcance, como se ansiasse por provar de seu gosto. E não limitou-se: após delinear o contorno de suas auréolas e de suas feridas com saliva, continuou na direção de regiões mais baixas.
Quando percebeu a boca a explorar-lhe a barriga, enquanto dedos travessos venciam a barreira de seu short para apertar suas coxas, o moreno estremeceu. A respiração fazia-se com muita dificuldade, e o interior esquentava-se cada vez mais ― a tontura voltou a atacá-lo. Porém, tinha noção de onde estavam. Aquilo era errado, tentava convencer-se.
E suas negações permaneceriam apenas em sua mente se não sentisse algo a envolver sua ereção, enquanto os lábios que acariciavam seu abdômen aproximavam-se cada vez mais desta região já endurecida. Já era vergonhoso demais! Com algum impulso, tentou virar-se de bruços para escapar, mas foi logo apanhado pelo maior, eu comprimiu seu corpo contra o dele.
― Não sabia que queria nessa posição, Yukimura ― murmurou o loiro, malicioso, antes de lamber sua nuca. Em resposta, o menor ofegou com a carícia. Prosseguiu, ao morder seu ombro, citando sua busca por pontos fracos: ― Achei mais um.
E o contato tão próximo do corpo de Usui, seu membro a lhe roçar por trás, acrescido das carícias que recebia e a intensificação de sua própria temperatura e indisposição fez com que Shoichirou não resistisse mais: desmaiou. Tombou, inerte, sobre a cama, após o estresse e exaustão excessivos.
Já Takumi, ao compreender o ocorrido, abafou uma risada. Inacreditável: o garoto era praticamente uma princesa indefesa. SUA princesa indefesa. Apesar de seu desejo em terminar o que havia começado, ao menos o deixaria dormir tranqüilo por algumas horas. Porque era Yukimura o alvo de suas “brincadeiras”, e seu jeito puro e ingênuo tornava tudo mais divertido.
Sentou-se sobre uma cadeira qualquer e afundou também nas profundezas do sono. Mais tarde, pensou, mais tarde.
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Quando questionada pelo alien pervertido sobre sua mudança de comportamento, Misaki desconversou e novamente voltou ao salão. Aquilo já era bizarro o suficiente sem que ele o soubesse; iria manter em segredo pelo máximo de tempo possível. Talvez até lá a quantidade de garotos com que ele poderia se relacionar em seu mundo de sonhos já houvesse alcançado seu limite.
Mas permanecia uma dúvida: por que em seus sonhos Usui ainda estudava no Seika, se há mais de um mês havia sido transferido para o Miyabigaoka? A resposta viria na noite seguinte, e Misaki iria se arrepender por perguntar-se.
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