Meninas Más Não Têm Bons Sonhos

3 Night III - Look into my eyes


Notas iniciais
Hello! Poxa, estou chateada com os leitores fantasminhas - 12 leitores e só dois comentários no último capí­tulo? =/ Bem, de qualquer forma, boa leitura~


Pesadelos malditos, gritou a morena em sua mente enquanto adentrava no próprio quarto. E seu último turno no Maid-Latte, mal conseguiu olhar seu pequeno amigo cross-dresser, embaraçada com seu sonho que o envolvera. E, ao vê-lo reclamar da presença constante de um certo cozinheiro perseguidor de maids nem tão inocentes assim, apertou os punhos para conter a fúria.

Mas desta vez driblaria aquilo que se tornou seu inferno pessoal nestes últimos dias. Não iria dormir pelos próximos dias, concentrada em seus relatórios e trabalhos escolares. Sim, não deixaria o sono transportar-lhe para aquele pavoroso mundo novamente. Iria estudar! Porém... as leituras arrastavam-se... os exercícios eram cansativos... fechar os olhos, apenas por alguns poucos segundos, não lhe faria mal algum...

****

Um grupo de garotas particularmente ruidosas passou ao seu lado; suas vozes ecoavam pelos corredores, estridentes. Após um arrepio involuntário ao sentir roçar seu ombro em uma delas, o moreno encobriu a cabeça com seu capuz uma vez mais. Não poderia fugir, no entanto, daqueles seres frágeis que o atormentavam, pois o colégio estava cheio delas. Mulheres.

E aquele que antes era um agradável, ainda que não pacífico, colégio masculino passou a aceitar também garotas em seu corpo discente. Contudo, o motivo pelo qual tantas ingressaram no Seika era evidente para qualquer um de seus alunos. Todas vieram por ele. Usui Takumi. Aquele que reunia em si todas as qualidades máximas ― era o mais inteligente, mais bonito, mais atlético... E mais cruel.

Porque dentre todas as meninas patéticas que suspiravam por ele, nenhuma foi aceita ao declarar-se. Choravam com a rejeição, até. Sussurros nos corredores diziam que o rapaz loiro as humilhava sem piedade. Soutarou Kanou, no entanto, sabia a real causa das irritantes lágrimas femininas ― ele apenas as ignorava, negando suas investidas de maneira apática. De alguma forma, sua impassibilidade era insensível.

Mas iria encerrar hoje este ciclo trágico, pois, usando de suas habilidades hipnóticas, convenceria aquele que a todas atraía a mudar de colégio. Provavelmente, era a sua esperança, a maioria de suas “fãs” debandaria em conjunto também. E foi com este objetivo em mente que chegou ao terraço, onde sabia que o rapaz passava os intervalos sozinho.

― Yo, Kanou-kun ― saudou o loiro, retirando um pirulito rosado de sua boca. Estava sentado sobre uma laje de concreto à meia altura, apoiando os cotovelos sobre os joelhos.

Rapidamente, Kanou descobriu os cabelos de seu capuz claro e os afastou de sua testa, retirou os óculos e aproveitou-se da posição estratégica de seu alvo, puxando-o pela gravata até que seus olhos estivessem à mesma altura. O contato visual era fundamental para a hipnose. Pronunciou, claro e pausadamente, suas instruções:

― Usui Takumi, você quer mudar de colégio. ― Complementou, antes de estalar os dedos para finalizar sua técnica: ― Vai se transferir do Seika até o final da semana.

Durante alguns poucos segundos, o rapaz de olhos verdes nada disse ou fez, de olhos arregalados. Após o som do atritar áspero dos dedos, baixou os olhos, agora encobertos pelos fios dourados. Estaria em transe, se uma risada abafada não fosse logo ouvida. Ergueu o rosto e ali estava um sorriso malicioso que o moreno desconhecia.

― Habilidade interessante ― comentou ele, suavemente. E repetiu o gesto do garoto de óculos, agarrando-o pelo tecido para que se aproximasse. Sugeriu: ― Quer tanto assim jogar comigo?

Merda, pensou o hipnotizador. Esqueceu-se do fato de que a vítima deveria acreditar e ser suscetível ao processo para que este se realizasse com sucesso. Estremeceu com as palavras de seu veterano e tentou à seu modo soltar-se. Era poucos centímetros mais baixo que Takumi, e seu porte físico era bastante semelhante ao dele; porém, seus movimentos apenas fizeram com que ambos se estatelassem sobre o piso impermeável da cobertura. Sua armação e lentes pousaram, intactas, ainda que distantes.

E praguejou uma vez mais, pois o loiro caiu sobre o seu corpo, e não demorou a tirar proveito da situação estratégica, pois o envolveu seu abdomen com as pernas, prendendo seus braços entre elas. Reclinou-se, mantendo o rosto rente ao do moreno deitado, que devido à aproximação repentina, não reagiu. E aquilo que Soutarou julgava ser a preparação de um beijo converteu-se em uma substância esférica basicamente composta por conservantes enfiada em sua boca.

― Aproveite o doce, Kanou-kun ― sussurrou Usui, enquanto o pressionava contra sua língua, o impedindo de falar. ― É seu prêmio de consolação antecipado, caso perca.

Perder o quê, protestou o subjugado, perplexo, mas sua sentença foi sufocada pelo pirulito e por sua própria saliva a acumular-se. Enfim sentiu seu sabor ― cereja ― e percebeu que, momentos antes, eram os lábios do loiro a encobri-lo. A idéia o excitou de alguma maneira perturbadora. Em reação, debateu-se para se soltar, mas os joelhos do rapaz um tanto sádico eram firmes ao enclausurá-lo.

― Vamos lá. ― A animação de Takumi lhe assustava, assim como seu sorriso, ainda que embaçado devido à visão falha. ― Uma pergunta: porque rejeito todas as garotas que se declaram para mim?

Estava óbvia a resposta desde que ele iniciara aquele estranho desafio. Contudo, não conseguiu articular nem uma sílaba, contido por aquele pedaço açucarado que, como se para torturá-lo, era remexido vez ou outra. O estímulo constante à sua língua e a saliva a envolvê-la suscitou no míope uma absurda vontade de sugar algo. Contorceu-se uma vez mais, sem sucesso, enquanto grunhia irritado.

― Ah, que pena ― lamentou, dissimulado, o mais velho. ― Resposta errada.

Avançou, então, sobre seu pescoço, esfregando seus lábios sobre a garganta exposta. Alternava seus movimentos com a língua, num ritmo frenético e indefinido, enquanto volvia o pirulito por toda a extensão da cavidade bucal de Soutarou, impedido de gemer apropriadamente. Os chupões e eventuais mordidas que recebia lhe atiçavam uma reação; porém, nada podia fazer, pois seus braços e língua foram imobilizados de maneira torturante. Apenas recebia carícias deliciosas e líquidos com gosto agradável, quando, naquele momento, seu desejo era ter a boca fodida com força.

Gradativamente, a pressão a seus antebraços cresceu, assim como a voracidade com que Usui lhe lambia e sugava. E a intenção de Kanou de morder os próprios lábios foi contida por aquele maldito globo adoçado; da mesma maneira, seu anseio de trazê-lo de volta quando, cedo demais, se afastou, foi frustrado pelas mãos inertes.

Ao fitá-lo de cima, Usui expressava domínio em seu sorriso indecente. Para o moreno era visível, àquela altura, o volume pronunciado em sua calça escolar ― que ele mesmo sentia despontar em si mesmo. As pupilas dilatadas escureciam os olhos verdes fixados nos seus ― seu olhar era quente, e parecia despi-lo por completo. E ele voltou a mover o doce em sua boca, esfregando-o contra a sua língua como se simulasse... outra coisa.

― Você me deixou excitado, Kanou-kun ― murmurou ele sobre seu ouvido, mordendo o lóbulo em seguida. ― Então vou te dar uma segunda chance.

Enfim retirou o pirulito e o atirou em canto qualquer ― o calouro sentia a área dormente e, simultaneamente, sedenta. No entanto, novamente teve de engolir algo: os dedos do rapaz, que os inseriu rude e impetuosamente. Ordenou, com o tom mais sério até então:

― Chupe. ― A autoridade com que o dissera fez com que o moreno latejasse sob o uniforme.

Seu anterior empenho em fugir daquele loiro provocador desapareceu e agora apenas desejava obedecê-lo. Envolveu com os lábios as falanges longas que lhe oprimiam a fala, lambendo com avidez entre elas. De modo incoerente e faminto, sua língua as contornava, para em seguida chupá-las, como ele havia exigido. Apesar de seus olhos fechados, sabia que Takumi o observava ― sua respiração pesada o entregava.

E os braços foram também libertos quando o mais velho ajustou sua posição e voltou a castigar sua garganta, roçando lábios e dentes sobre ela enquanto a mão livre vagou até os quadris para acariciar sua ereção. Extasiado com a calidez e intensidade com que foi estimulado, Kanou deixou de sugar os dedos para gemer.

― Continue ― instruiu o loiro, muito próximo de seu rosto. ― Ainda não mandei parar.

Como se para tentá-lo, apertou-lhe as coxas sobre o tecido enquanto voltava a distribuir chupões pela pequena área disponível, devido ao casaco. Como ambas as mãos estavam ocupadas, foi com os dentes que Usui puxou de seu zíper, para em seguida explorar do encoberto deslizando a ponta da língua e sugando da clavícula do mais novo. E o hipnotizador, que reiniciara suas ações ao chupar com força os dedos metidos em sua boca, diminuiu seu ritmo para gemer novamente quando sentiu o dedilhar, seguido do atrito e aperto de seu membro, ainda vestido.

Entretanto, Takumi não lhe repreendeu novamente ― selou seus lábios aos dele ao retirar os dedos umedecidos. Meteu esta mão sob as vestes do moreno enquanto mantinha a outra a friccionar sua ereção pulsante, e aprofundou o beijo que o rapaz abaixo de si tanto esperava. Enroscavam as línguas, de maneira lasciva, e um fio de saliva os conectava cada vez que separavam-se para recuperar o fôlego e, então, retomar suas carícias obscenas. Ao tatear insistente e atrevido sobre o peito do calouro, o loiro enfim encontrou seus mamilos, beliscando-os com os dedos molhados.

Sem nenhum resquício de sanidade, Kanou usou de sua própria força para inverter as posições, sentando-se sobre o mais velho, que lhe apertou as nádegas antes de comprimi-lo contra sua própria ereção – e deixou que suspirasse sem restrições, pois voltou a morder sua clavícula, descendo em direção aos mamilos. Rodeou as auréolas lentamente, quase como em um castigo, para recompensá-lo em seguida com um chupão sôfrego. Em resposta, Soutarou pressionou com mais força seu corpo contra o dele, e mais uma vez beijaram-se, enquanto entrelaçavam-se e puxavam com violência fios claros ― e escuros.

Foram interrompidos com um gritinho agudo. Ambos voltaram-se na direção do som, que nascera da porta de entrada do terraço ― como estava deitado, Usui encarou a cena de ponta-cabeça. E lá estava uma garota, a apertar as mãos contra a boca, perplexa diante o que via. Não demorou a gaguejar um pedido de desculpas e retornar, alvoroçada, o caminho que provavelmente percorreu sem pressa.

― Agora vão descobrir porque não me interesso por nenhuma ― enunciou Takumi; sua voz era indiferente. Ao contrário de seu parceiro, que, diante da situação constrangedora, passou a procurar pelos óculos perdidos, um tanto embaraçado. Com um impulso, o loiro sentou-se: ― Só resta você aprender a lidar com elas, Kanou-kun.

Era este o motivo pelo qual viera ali, afinal.

― Mas... ― começou ele, ao recordar-se de sua fobia. ― Elas são tão frágeis!

― Você também pode ser frágil. ― Permaneceram sentados. Mas, para provar de suas palavras, o mais velho tomou seus pulsos, levando-os às costas enquanto sussurrava em seu ouvido: ― E eu adoro isso.

****

Na manhã seguinte, ao chegar em seu colégio, Ayuzawa Misaki assustou seus colegas com sua aparência ― olheiras profundas provenientes da noite mal-dormida; cabelos despenteados; aspecto cansado; roupas amarrotadas. Lançou um olhar estranho, desesperado, ao cruzar com Kanou Soutarou no corredor, mas esta foi uma exceção a seu comportamento bizarramente desanimado naquele dia.

Notas finais
Já era óbvio que este capí­tulo seria um pouco maior, já que Kanou é um dos meus personagens preferidos *amor* Usui sempre jogou indiretas sobre jogar/brincar com o Kanou, e, bem, apenas levei ao pé da letra. Ah, é a primeira vez que uso a palavra fodido(a) num texto, não sei se ficou muito estranho... ou pesado, sei lá =/ Eu tinha planejado uma fic com todos os capí­tulos bem curtinhos, mas minha imaginação não permite =X Até o/