Meninas Más Não Têm Bons Sonhos
1 Night I - Is it delicious?
Notas iniciais

Estava escuro. Não de um negro insuportável, intimidante, e sim uma sombra acolhedora. Cúmplice. Trevas que ocultam o que deve permanecer em segredo. Solidárias. Pois, numa pequena saleta de materiais, estavam dois rapazes de dicotômicas personalidades.
― Takumi! ― reclamou o moreno, e o restante de sua súplica foi abafado, pois sua boca foi novamente preenchida.
― Foi você quem pediu, Sanshita-kun ― murmurou o mais alto, em divertimento.
E inseriu muitos doces mais entre os lábios de Shintani Hinata, que, apesar do esforço, conseguiu engoli-los sem engasgar-se. Era apaixonado não apenas por porções açucaradas, mas por toda e qualquer substância comestível. Porém, quando o loiro lhe dissera que poderia provar de sua comida, não sabia que esta fora insuportavelmente adoçada. O que de início se mostrou uma deliciosa sobremesa logo se tornou um sofrido martírio.
― Seja um bom menino e coma tudo ― completou Usui Takumi. Seus orbes esmeraldinos despiam-se da tradicional apatia para colorirem-se com a satisfação obtida naquele que era seu passatempo. Provocar e irritar os outros. De preferência, o moreno à sua frente, que foi novamente interrompido por doces diversos a ocuparem sua garganta.
― Quer falar alguma coisa, Sanshita-kun? ― Sua pergunta retórica foi acompanhada de um simulado sorriso. ― Ah, sim, eu errei, me desculpe. ― E desta vez, um afetado tom arrependido. ― Você não é mais um menino. ― Prosseguiu, de maneira inacreditavelmente maliciosa: ― É um homem, não é?
Constrangido, o mais novo enrubesceu enquanto engolia apressadamente o restante. Seu embaraço foi exponencialmente estimulado quando Usui não repôs a mesma quantidade, mantendo vazios os seus lábios que passaram a ansiar serem novamente ocupados. Sua respiração já dificultada devido à falta de fôlego intensificou-se, em semelhante ritmo de seus batimentos cardíacos, quando o rosto do loiro aproximou-se do seu.
― Quer que eu te ajude? ― sussurrou ele. Isenta das anteriores implicâncias, sua voz era séria.
Apesar de desapontado, pois esperava outra atitude do rapaz de olhos verdes, Hinata aceitou sem ressalvas o auxílio, já que não sabia quanto mais agüentaria daquela overdose de glicose. Porém, deveria lembrar-se de que lidava com um loiro pervertido inclinado à ações imprevisíveis. Ainda que tenha levado à boca um dos fragmentos adocicados, Takumi não o envolveu com seus dentes e lábios: guiou-se até o moreno, para que o menor a experimentasse.
Subitamente, o interesse pela sobremesa intensificou-se, diante da excêntrica maneira como seria alimentado dali em diante. Estendeu-se para frente, alcançando a porção em uma dentada. Com o movimento, seus lábios e os do mais velho quase ― por pouco! ― roçaram, o que não lhe passou despercebido. E, a cada novo pedaço, propositalmente aproximava-se mais e mais do rapaz que o servia.
Consciente deste fato, Usui pôs entre os dentes o menor bocado dentre os que preparara. Se o garoto de olhos amendoados queria brincar, não seria ele a impedi-lo ― apenas intensificaria aquilo que já fora iniciado. E, ao aproximar-se para apanhar o doce, foi inevitável que os lábios de ambos não roçassem um no outro.
A pequena sobremesa foi engolida sem dificuldade devido às suas dimensões, e enfim Shintani estava livre para corresponder à língua exigente e ávida que exercia domínio sobre a sua. Seus dedos estreitaram-se entre o tecido branco do uniforme do loiro, amarrotando-o; sua pele arrepiou-se ao sentir dedos longos a se estreitar em seus próprios fios castanhos.
Impetuoso, Takumi comprimiu o mais novo contra a superfície mais próxima, achatando-o com alguma aspereza entre um arquivo envelhecido e seu próprio corpo. No entanto, o gesto foi bem recebido por Hinata, cuja ereção tornou-se pronunciada contra as pernas do maior. Em resposta, a excitação daquele de olhos claros também acentuou-se e, faminto, deixou os lábios do moreno para ocupar sua língua na pele de seu pescoço.
Prosseguiriam em suas carícias se não ouvissem uma leve batida na porta, que logo converteu-se em incessantes golpes contra a madeira quando ignoraram as primeiras chamadas. Interromperam-se, contrariados, ainda que Shintani não tenha conseguido ocultar o próprio rubor. Em aviso, o loiro lhe diria que seriam descobertos se o vissem daquela maneira, mas reformulou-se ao perceber a expressão do menor.
― Mas que coisa, Sanshita-kun. ― Lá estava a dissimulação, agora camuflando-se como leve censura. Contudo, suas palavras tornavam-se mais baixas conforme as dizia. Como se o foco lentamente se afastasse... Bem vagaroso...
Você...
...quer...
...mais?
Em uma madrugada chuvosa e soturna, Ayuzawa Misaki despertou em sua cama, coberta por suor apesar da baixa temperatura. Sua única preocupação, no entanto, foram os eventos que se sucederam em seu sonho. Na verdade, pesadelo. Mas que merda foi aquela?
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