Memórias de vidro
38 Todas as noites capturei espécimes e estudei-os.
No dia seguinte, levantei-me e vesti um terno, havia uma reunião com uma empresa de tecidos.
— Meu senhor, acord.... Veja só! A cada dia que passa, menos preciso te acordar. Estás ficando mais ativo. – Disse a governanta.
— Chamas-me de preguiçoso? – Sorri.
— Jamais, já que tens disposição em sair todas as noites e dormir poucas horas. Ah! Lembrei-me, a reunião fora remarcada, daqui duas horas o senhor deve se encontrar com os representantes.
— Por isso veio me acordar?
— Certamente, se não fosse algo urgente, deixar-te-ia dormir, estavas exausto.
— Obrigado. O que seria eu sem meus bons criados?
— Apenas somos gratos por ser um bom senhor. Todos gostamos de ti, apesar de Henrique parece te adorar. Depois da feitura da oficina, ele pouco nos vê, mas sempre te elogia.
— Estou lisonjeado. – Arrumei o casaco de lã. — Vá acordar Carmelia, pergunte se ela quer me acompanhar, mas já adiante que será uma reunião chata e tradicional.
— Como desejar, senhor. – Deu as costas e saiu.
Segui ao gabinete e pus-me a ler os jornais. A cada dia que passava, Morryes caia em violência, os Black Night não conseguiam mais conter o avanço dos Werckinberrevichs e dos Schattenkrieger, pilhas de cadáveres das duas espécies, humanos e vampiros, eram encontrados nos becos e vielas todos os dias. A moral da polícia começara a desmoronar. A população não suportava mais os assassinatos em série. Eu precisava terminar minha vingança logo.
Carmelia entrou no gabinete. Estava vestida com sua roupa de dormir. Sentou no sofá e disse.
— Não irei hoje. Se abrires a gaveta, verás que há inúmeros documentos a serem lidos. Quero terminar o trabalho o quanto antes para podermos capturar algum espécime.
— Entendo. Então sairei agora mesmo. — Levantei-me e dirigi-me à porta.
— Diga-me, por que aceitaste o pedido daquela mulher?
— Se eu negasse, seria morto.
— O que ela deseja fazer contigo?
— Não sei, isso me incomoda. Sinto um certo receio quanto a isso. Sinceramente, tenho medo de que ela deseje fazer comigo o que eu ordeno que faças com os outros.
— Espero que seja algo que não envolva dor.
— Assim espero. — Sorri. — Bem... Adeus.
— Adeus.
Sai do gabinete e dirigi-me à saída, entrei no carro e parti.
Desembarquei em frente a um hotel três estrelas. Segui diretamente à recepção e anunciei-me. Logo a recepcionista ligou ao quarto e permitiu minha passagem. Caminhei até os elevadores. Os corredores desse hotel eram de porcelana branca, levemente amarronzado. As paredes deram bege-claro e os detalhes da estrutura do edifício eram banhadas em ouro. Apesar de três estrelas, era uma decoração bonita. Entrei no elevador e pedi a parada no terceiro andar. Após chegar, desembarquei do elevador e dirigi-me à sala de reunião.
Em reuniões como essas, sempre me lembrava de Branca, fora ela quem me ensinou a arte das negociações. Confesso que demorei algum tempo até entrar em uma sala de reuniões, com esses propósitos, sem sentir um forte aperto no peito.
Haviam três homens, um deles era Gregório. Cumprimentei-o e depois os outros dois.
— Sou Ferdinand. É um prazer te conhecer, meu senhor.
— O prazer é meu. E esse ao seu lado é?
— Sou Daniel. – Cumprimentou-me.
Sentamos em nossos lugares e pusemo-nos a conversar.
— Se não me engano, essa empresa que desejam instalar aqui, seria ela uma filial da fábrica de tecidos da vila das flores?
— O senhor já fora lá? – Perguntou Daniel.
— Sim, pouco depois da morte da minha esposa
— Sinto muito. — Desculpou-se.
— Não há problema. Partamos ao plano. — Pedi.
— Pedimos um financiamento a fim de comprar as terras necessárias para a produção.
— E quanto as obras?
— Está tudo pronto.
— Se tens dinheiro para construir, por que não tens para comprar o terreno? — Perguntei.
— São terras do Estado, não podemos comprar diretamente, não enquanto a política do país não estabilizar.
— Entendo. Desejam financiá-la com esperança de poderem comprar nesse momento e quitá-lo depois da estabilização.
— Exato. — Concluiu Daniel.
— Apresentem-me o projeto.
— Aqui está. — Desenrolou uma grande planta com outros documentos ao lado. — Será um grande galpão com o maquinário, uma estrutura realmente simples.
— De fato. — Corroborei. — Precisam apenas do financiamento?
— Sim. — Concordou Ferdinand.
— Então vamos às condições? — Perguntei.
— Diga. — Pediu Daniel.
— O terreno que os senhores desejam está locado no bairro industrial, onde há a maioria das fábricas. Também temos o porto quase ao lado. Os senhores desejam exportar tecidos?
— Exato. — Disse Ferdinand. — Venderemos à Noruega e à Finlândia. Também receberemos algodão e seda da China.
— Entendo. Alerto-vos que não sabemos até quando discorrerá o caos político de Burtchendill, então não posso afirmar uma data que possam quitar o financiamento.
— Nossos fundos suportam por dez anos após o início da produção.
— Bem.... Aceitarei o projeto e permitirei que iniciem imediatamente com a condição primaria. A construção de um departamento logístico voltado à fábrica de medicamentos, construam uma cede de distribuição de Morckiaschen. E outra condição.
— Qual seria?
— Não entrei na bolça de valores com essa empresa.
— Posso perguntar o motivo?
— Apenas não entrem.
— Aceito. — Disse Ferdinand. — Construiremos a cede de distribuição e não entraremos na bolça.
— Assinarei o contrato assim que terminar de redigi-lo. — Falei.
Após a reunião voltei ao carro e retornei a minha casa. Carmelia ainda estava lento os documentos. Aproximei-me por trás e massageei levemente seus ombros.
— Estás muito tensa. — Sorri.
— Estou exausta.
— Vá descansar. Continuarei os afazeres. — Peguei sua mão direita e beijei. Ajudei-a a levantar.
— Não sabia que tinhas um lado assim. — Sorriu.
— Às vezes, apenas às vezes.
— Então aproveitarei esse momento. Pedirei que me acordem após duas horas.
— Bons sonhos. — Beijei seu rosto.
Após sair, sentei-me na poltrona e pus-me a trabalhar. Haviam algumas contas dos gatos do ducado que deveriam ser entregues ao contador do palácio.
Após alguns minutos o telefone tocou.
— Diga. — Falei.
— Sou eu, Scoot. Sinto muito, Edmund. Não poderei assumir teu lugar. Com a morte do rei e da rainha um grupo separatista surgiu, desejam criar uma república.
— Desejam fazer de Lognorth um país independente?
— Sim, a movimentação rebelde já começou. Provavelmente sabiam que tentaríamos assassinar o rei e prontificaram-se a fim de seus ideais.
— Sinto em informar, mas o senhor é o atual regente de Burtchendill. – Falei.
— Isso te faz o regente de Morckiaschen, já que não posso administrá-lo com essa revolta. Perdoe-me, filho.
— Não se desculpe, terei que conter meus planos por alguns meses. Provavelmente lidarei contra possíveis rebeliões.
— Não creio, a guerra da unificação anexou os dois distritos a Burtchendill, então ninguém de Morckiaschen desejar perder território. O que deves fazer, é se preparar para coordenar o exército a fim de conter as lutas nas fronteiras dos distritos.
— Tens razão. — Concordei. — Qualquer movimentação suspeita reportarei a ti. Eles tentarão se infiltrar e atacar por dentro. Já se comunicou com o Medeiros?
— Sim. Felizmente ele é contra a separação. Ao menos por hora.
— Entendo, informar-me-ei a respeito e perguntarei aos líderes dos grupos e gangues a posição deles. Isso interferiria diretamente em seus negócios.
— Obrigado por entender, perdoe-me novamente por não cumprir minha promessa.
— Não se desculpe, adeus.
— Adeus, filho.
Desliguei o telefone e voltei ao trabalho.
Eu não poderia viajar por longos períodos em um momento delicado do país, mesmo minha vingança deveria ser sensata. Fitei o anel no meu dedo mindinho da mão direita. — O que pretendem? — Pensei observando do escudo dos Schattenkrieger. E lembrei-me da mulher. — O que pretendes fazer comigo? Por que eu?
A governanta entrou e me chamou. — Senhor, o Henrique te chamou à oficina. Não perguntei detalhes.
— Diga que assim que terminar meus afazeres, irei. São documentos importantes.
— Como desejares. — Deu as costas e saiu.
Depois de uma hora terminei o trabalho. Levantei-me e segui à oficina. Henrique estava trabalhando em um projeto. Estava concentrado cortando uma chapa de aço. Caminhei ao seu lado e dei-lhe um tapa leve no ombro. Desligou a máquina e virou-se.
— Senhor, estou trabalhando em uma arma.
— Entendo, bélica?
— Não, uma besta. Infelizmente não há possibilidade de usar uma arma sem haver ruídos, então uma arma branca que dispara à distância seria uma boa ideia.
— De fato, mas são poucos os momentos que não devemos fazer barulho. Em quase sua totalidade, os vampiros têm um olfato aguçado. Eu mesmo reconheço as espécies pelo cheiro. Por esse motivo, são poucas as vezes que há possibilidade de emboscadas bem-sucedidas. Mas continue com esse projeto, provavelmente seria bom uma variedade dessas armas.
— Trabalhei em um novo modelo de faca também. Ela possui um botão que libera o fluido armazenado e libera-o no sulco da lâmina. Apesar de precisar apertar o botão, isso faz com que o líquido não vaze ou coagule rapidamente.
— É idêntica a outra. — Proclamei segurando-a. — realmente, a única a diferença é o botão abaixo da guarda.
— Teste-a na próxima caçada. Soube que o senhor perdeu todo o teu armamento.
— Realmente, sobrou-me apenas o coldre, nem mesmo os carregadores recuperei. Provavelmente foram roubados. Mas irei à uma loja de armas.
— Não seria polêmico?
— Em tempos como esse, onde o rei e a rainha foram assassinados, a corte corre perigo, é natural nos armarmos.
— Posso ir contigo?
— Desejas ver como são as outras armas?
— Sim.
— Estava planejando ir depois de conversarmos, bata a poeira na tua roupa e vamos.
Saímos da oficina e seguimos à porta. Chamei Gabriel e ordenei-lhe dizer à Carmelia que eu saí com o rapaz, disse também que ela poderia dormir por mais tempo.
Entramos no carro e partimos.
A loja de armas não era muito grande, mas ostentava um enorme repertorio de armamentos. Desde armas da M&M a modelos internacionais. Caminhei até o balcão e logo fomos atendidos.
— Senhores, o que desejam? Pistolas? Escopetas? Rifles de caça?
— Pistolas. — Respondi. — Mas avistei uma bela arma, dê-me aquela, entre a 1911 e a Mauser.
— A Luguer P08? — Retirou-a da parede e depositou sobre a mesa. — É uma excelente arma, boa precisão e extremamente forte.
Empunhei-a e observei. — É um ferrolho estranho. — Indaguei.
— De fato, há dois círculos, segure-os e puxe-os para atrás enquanto faz uma pequena elevação e mantenha o polegar firme atrás da arma.
Assim fiz, não sei descrever como essa arma se apresenta quando seu ferrolho está retido. Mas era extremamente curioso. Soltei o ferrolho e empunhei-a, a alça e a massa eram boas. Mesmo que eu estivesse acostumado com a 1911, não resisti a beleza dessa arma.
— Dê-me duas delas. Com dez carregadores cada. Também adicione ao pedido três caixas de munição com 200 cartuchos cada.
— Poderia saber o motivo te tal armamento?
— Não sei se me reconhece, mas sou vítima de atentados frequentemente, as armas que te pedi são poucas.
Não perguntou mais nada, apenas atendeu o pedido e buscou as peças.
— Desejo também seis pistolas, são para as minhas criadas. Não precisam ser fortes, desejo apenas que apresentem um bom poder de fogo.
Não questionou, ele sabia a rotina de um grande nobre em tempos como aquele. Após efetuada a compra, saímos da loja e retornamos à minha casa. Ao chegar, seguimos diretamente à oficina. Lá separamos as armas. Carreguei os carregadores da minha nova pistola e disparei em uma parede.
— É uma boa arma. — Proclamei.
— Posso experimentar?
— Vá em frente.
Disparou algumas vezes e analisou a arma. — Realmente, uma bela arma. Mas acredito que a M&M não forneça munição para esse modelo.
Por conta disso faremos aqui. Compraremos os cartuchos e retiraremos os projeteis, deixaremos de modo desejado e reimplantaremos nos estojos.
— Nada muito diferente do que já fazemos. — Sorriu.
— Faremos alguns para essa noite mesmo.
— Como desejar.
Já era noite quando Carmelia entro na oficina. Havíamos feito uma quantia razoável de projeteis. Carmelia estava pronta para caçar, trajava o uniforme e estava fortemente armada.
— Vamos? — Perguntou.
— Veja só! Que arma formidável. — Proclamei apresentando a pistola.
— De fato, é bela, mas estás pronto? — Perguntou.
— Sim, falta-me apenas o casaco. Espere-me na sala de chá.
— Está bem. — Deu as costas e saiu.
Logo que terminamos de municiar os carregadores, guardei-os e velei as armas. Peguei a máscara e dirigi-me para fora da oficina.
— Faça o que desejar agora, hoje não deixo trabalho pendente. — Afirmei ao Henrique.
— Obrigado, senhor. Boa caçada.
— Obrigado.
Sai do local e segui à sala de chá. Chamei Carmelia, entramos no caminhão e partimos.
As ruas apresentavam um movimento fraco no Norte. Mas ao centro fora se intensificando, não era lua cheia. Naturalmente a guerra noturna acompanhava esse fato.
Estacionamos em frente a um bar. Desembarcamos e entramos no estabelecimento.
O jazz soava e bordejava com a fumaça dos charutos e cigarros. O cheiro do álcool era forte, porém, sedutor. Sentamos a frente do balcão e esperamos o velho garçom servir-me. Pedi absinto e Carmelia pediu um suco de laranja com Vodca. Não permanecemos lá por mais tempo. Saímos e retomamos nosso objetivo.
O homem era negro, mas ao contrário do Simbalad, era franzino e fraco. Voltou-se a mim, seus olhos estavam sérios, como um esquizofrênico olha uma vítima. Era a abstinência, cada indivíduo tem uma reação, a minha é fraqueza, a desse homem, era a ira. Avançou em direção à Carmelia, mas disparei antes de chegar, acertei-lhe o peito com um projétil de sal, imediatamente caiu e começou a debater-se sobre o chão úmido.
— Vamos pegá-lo. — Falei.
Amarramos suas mãos e amordaçamos sua boca. Pedi que Carmelia buscasse o caminhão. Logo que chegou depositei o espécime no veículo e embarquei. Não havia mais nada a se fazer ali. Decidimos retornar à minha casa.
Ao chegar, levamos o vampiro ao laboratório, amarramos à mesa. Empunhei um bule com água e despejei sobre seu ferimento a fim de dissolver rapidamente o cristal se sal.
— Tens certeza que deseja fazê-lo? — Perguntou Carmelia.
— Tenho.
— Eu não seria mais útil a ti como já sou?
— Mas assim podes morrer facilmente, como disse uma vez "És meu bem mais precioso."Não desejo que morras.
Não respondeu, apenas sorriu e buscou as ferramentas.
Retirei a mordaça do prisioneiro e perguntei seu nome, era Amaly, um africano.
— Diga-me, meu caro Amaly, és um vampiro nobre ou reprodutor?
— Reprodutor.
— Como é o procedimento de transformação?
— O que quer dizer?
— Como transformas alguém? Fazer de um humano um vampiro. Se transfere teu sangue, como fazes?
— Por que desejas saber?
— Se responderes, poderei ser gentil. — Acariciei seu rosto. — Vamos, diga-me.
— Transferes uma quantia de sangue ao humano. Não sei o processo. Só sei que ao morder, deve-se retirar uma quantia e dar a mesma quantia do sangue do vampiro. — Debateu-se. — Solte-me, já falei como faz, agora deixe-me em paz. Disse que se eu contasse.... Interrompi sua fala e proclamei.
— Disse que seria gentil.
Seus olhos delinearam desespero e uma gota de suor escorreu em seu rosto.
— Quantos anos tens? — Perguntei.
— 90.
— Aparentemente é assim há aproximadamente 60 anos.
— Exato. — Debateu-se novamente. — Deixem-me sair.
— Responda-me, por gentileza. Assassinas humanos com frequência?
— Sim. Preciso disso para viver.
— Entendo o teu lado, sou um vampiro também. Felizmente detenho fontes de onde posso beber sem assassiná-las. É uma vantagem de ser mestiço.
— Então somos companheiros, vamos, solte-me.
— Eu serei gentil com o senhor. — Proferi calmamente.
— Obrigado. — Seus olhos se iluminaram.
— Não te submeterei a testes, por haver dito a verdade, dar-te-ei uma morte rápida e indolor.
Esperei uma reação de desespero, mas fez-se o contrário. Respirou profundamente e perguntou.
— Tenho últimas palavras?
— O que desejares, pode fazer um pedido também.
Ele sorriu. — Pedir não significa que será realizado.
— Boa resposta. — Sorri.
— Poderia escrever uma carta de despedida?
— Se eu ler a carta e constatar tratar-se de tal, sim.
— Permita-me escrever.
— Carmelia, arme-se, desamarrá-lo-ei os membros.
— Está bem. — Sacou sua pistola e apontou ao homem.
— Não fugirei, meu povo se envergonharia de mim.
Amaly se dirigiu à mesa e empunhou uma caneta e pôs-se a escrever. Após vinte minutos as suas lágrimas começaram a gotejar sobre o papel. Depositou a caneta sobre a mesa novamente, pegou a carta e entregou a mim. Não pude entender, estava escrito em algum idioma africano. Guardei a carta em um envelope e deixei-o escrever o endereço.
— Pronto. São minhas últimas palavras ao meu filho. Daqui uma semana é seu aniversário de 12 anos. Infelizmente não poderei ir, já que pretendia encontrá-lo lá.
— Entendo. — Engatilhei a pistola e encostei-a em sua nuca. — Deverias ser um bom pai.
Logo fora claro o som do disparo e depois o cadáver estatelando-se ao chão.
Um mês discorreu-seapós esse dia, todas as noites capturei espécimes e estudei-os. Perdoem-me,meus caros leitores, mas omitirei esse mês, talvez o anote em outro momento oulocal, o qual não seja possível ser lido, pois apenas eu e Carmelia noslembramos do que fizemos nesses dias.
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