Memórias de vidro

20 O cheiro da pólvora mesclou-se como breu noturno.


Era uma manhã calma e atônita. Passara uma semana desde a corrida de cavalos. Eu não havia feito progresso algum quanto a busca pelo mandante. Não sabia seu nome, não havia descoberto nem mesmo a cor de seu cabelo, ele se escondia muito bem. Nenhuma gangue que trabalhava para ele sabia quem era. Apenas recebiam o dinheiro e seguiam as ordens. Eu deveria me organizar, refletir desde o começo, reler documentos e jornais dos últimos meses.

Levantei de minha cama e dirigi-me ao gabinete. Quase via de regra havia uma prateleira que corria, normalmente a fim de guardas algo em sigilo. Eu sabia qual era a prateleira correta, já havia limpado o local para usar algum dia. Corri à prateleira. Ela guardava uma parede branca e um pouco encardida por ser escondida da criadagem. Pendurei um mapa de Burtchendill e outro de Morryes ao lado. No mapa de Morryes apliquei tachinhas e peguei um rolo de fio amarelo. As tachinhas foram fincadas sobre o local dos casos que eu havia obtido os documentos e liguei todos os pontos da linha. Logo em seguida usei uma linha azul a fim de ligar os pontos de tentativas de assassinato a mim e minha família. Logo a linha vermelha representava as mortes de minha família. Uma outra amarela que ligava aos assassinatos gerais. Depois usei uma linha negra e liguei todos os pontos.

As linhas se cruzavam no teatro.

— Estão brincando comigo…. Espere! Talvez eu esteja criando uma regra que não exista.

Levantei e segui à porta, chamei um carro e entrei. Seguimos diretamente ao teatro. Estava como era antes, as portas velhas e interditadas. Meu braço começou a doer repentinamente, talvez automaticamente haja lembrado de quanto fora alvejado. Caminhei calmamente e entrei pela porta, tive que fazer força a fim de empurrá-la e entrar.

É incrível que uma coisa depois de abandonada envelhece mais rápido. As portas do teatro eram novas, mantiveram-se assim por décadas, mas depois de abandonadas, elas simplesmente apodreceram. Eu entendo que havia manutenção, mas nada como realmente é. A poeira continuava a se depositar ali. Nada havia mudado, a mancha de sangue no palco ainda continuava aonde fora derramada. Decidi caminhar mais ao fundo. Olhei atentamente os detalhes do assoalho a fim de ver se não havia um alçapão, mas não havia.

— Então não há nada mesmo. — Exclamei. — Talvez eles tenham enganado todos com um falso padrão. Talvez eu esteja procurando algum padrão que não exista.

Sai do teatro e dirigi-me ao bar Lua cheia. A porta estava fechada, como era de se esperar. Bati na porta, não demorou a abrir.

— Estamos fechados hoje, senhor. — Disse Thomas.

— Quero informações.

— O que queres saber?

— Alguma pista do mandante dos crimes contra Daniela e Cecília.

— Não disseste que sabias?

— Estava errado, completamente errado.

— Entendo, ninguém sabe ao certo quem é, sabe-se apenas que é romeno.

— Já é algo.

— Belos dentes. Imagino o que sejam. — Indagou Thomas.

— Não era atoa que conseguia as informações que pedia sobre os Black Night e os casos, não é mesmo?

— Imagine. Apenas algumas informações básicas que qualquer um pode conseguir.

— Tu delataste a si mesmo há algum tempo, meu caro.

— Como fiz? – Mostrou-se surpreso.

— Quando trouxe Daniela a esse bar.

— Entendo. Lembro-me agora, que erro o meu. Pois bem. Se cá vem sabendo quem sou. Diga o que queres.

— Existem projeteis que assassinam os Werckinberrevichs?

— Provavelmente.

— Como provavelmente? Quer dizer que não sabem?

— Usamos projeteis de aço apenas para desmaiá-los, assassinamos de outras formas. Apesar de decapitá-los pode os matar, mas isso é muito difícil em combate.

— Entendo.

— O que farás?

— Testes.

— Testes? O que quer dizer?

— Digamos que descobri algo interessante.

— Como o que? — Debruçou-se sobre o balcão.

— Não tenho intenção de esconder, entretanto, direi quando obter os resultados.

— Que assim seja. Agradeceremos se for algo útil.

— A propósito, tenho uma pergunta. Os Werckinberrevich não podem entrar em contato com a luz do dia, não é mesmo?

— Isso é um mito, apesar de ser praticamente verdadeiro. Os Werckinberrevich puros podem por, aproximadamente, dois minutos, os mestiços por cinco, mas mesmo alguns segundos podem provocar danos fatais a eles, por esse motivo não saem nem por alguns segundos. Bem, isso levando em consideração o sol em regiões que ele aparece, em nosso país, que quase não vemos o sol, esse tempo se estende em 10%, e sob neblina intensa eles podem sobreviver o dobro do tempo. Contudo, existem exemplares que podem aguentar em média uma hora sob a luz solar, mas eles já os primeiros vampiros existentes.

— Obrigado. Realmente ajudou a entender algo.

— Há apenas uma questão que estou estudando nesse exato momento.

— Qual seria? Eu andar em pleno dia?

— Exato. Como pode isso?

— É o dom nobre.

— Entendo, agora tudo faz sentido. Então ela era nobre?

— Sim.

— Qual linhagem?

— Desculpe, não posso dizer.

— Todos tem um segredo ou dois, que seja, espero que tua pesquisa apresente resultados satisfatórios.

— Assim espero. Ainda tenho perguntas referente aos antigos casos, mas deixemos elas para depois. Sirva-me três dozes de uísque.

Bebi calmamente e degustei a bebida. Levantei e dirigi-me à porta.

— Trarei notícias em breve. — Afirmei antes de abrir a porta. — A propósito, eu gostaria de saber há algum tempo. Por que escolheram o nome "Lua nova" para o bar? Pois não é como disseste antes.

— Digamos que é um abrigo. Descobrirá em breve.

— Entendo.

Não fora um dia longo. Dormi à tarde para acordar à noite. Assim fiz, era uma hora da madrugada. Levantei e trajei uma roupa de lona negra, calcei uma bota e trajei um casaco negro de couro. Equipei-me com o coldre de peito, velei as pistolas e os carregadores. Desci ao laboratório. Carmelia não estava lá, os livros e papeis ainda estavam sobre a mesa. O Dr. Potter dormia com a cabeça sobre os braços cruzados sobre a mesa. Avistei uma arca frigorifica próxima à mesa. Na tampa havia escrito "Espécime fluido 1", jazia dentro inúmeros frascos de sangue.

— Não posso usar congelado.

Avistei um frasco hermeticamente fechado sobre a mesa, era sangue de lobo. Guardei-o no bolço do casaco e peguei alguns utensílios. Deixei o laboratório e segui à porta.

A lua fulgente iluminava as ruas com a ajuda dos postes. Estava pacata e calma. Ultimamente ouvia-se sons de armas no norte de Morryes, o que até algumas semanas não ocorria. O Sul sempre fora palco de gangues disputando o controle territorial da região sul e do porto, porém, não escutávamos com frequência os sons. O que me impedia de caminhar nas ruas pela madrugara era a Branca. Desde quando ela se alojou no palácio pude sair. Agora que estava só, poderias realmente não retornar em dias. Vesti a máscara que usei no meu noivado. Caminhei perdidamente pelas vielas em direção ao centro. Próximo ao teatro. Havia uma pequena praça. Sentei-me em um banco e pus-me a esperar. Foram longos vinte minutos até duas pessoas surgirem.

— Veja só, um mascarado. — Disse um deles sentando-se ao meu lado.

O outro sentou na outra extremidade. Não lembro muito bem de seus rostos. Lembro apenas que o de minha direita era negro e magro, o da esquerda branco e magro.

— O que desejam, senhores?

— Queremos o senhor, senhor Edmund. — Respondeu o negro.

— Antes vamos aos cortejos. Poderiam dizer para quem trabalham?

— Infelizmente terei de ignorar. Não posso responder perguntar dessa estirpe.

— Entendo. Deixe-me ver. — Abri sutilmente o casaco e saquei a pistola, encostei abaixo do queixo do branco. — Isso não os assassinarão.

Disparei. O cheiro da pólvora mesclou-se como breu noturno proporcionado pela nuvem que cobrira a lua. Seu crânio fora completamente destruído. Descobri que se um Werckinberrevich tem seu crânio triturado, ele morre. Descobri pouco depois que um ferimento que danifique demasiadamente o cérebro, ocorre perca de memórias e sintomas relacionados. Mas o corpo se regenera, mas se separar a cabeça do corpo, não. Afinal, vampiros não fogem muito da biologia humana, com a diferença de serem imortais e uma cura rápida.

— O que está fazendo? — Perguntou o negro.

— Meu trabalho.

— És um Black Night?

— Não, longe disso. — Sorri. — Diga-me quem é teu chefe.

— E se não dizer?

— Espere um momento.

Retirei a seringa do bolço, desembainhei a agulha e pus-me a admirá-la.

— Veja só. Preciso testar isso em alguém.

— O que é isso? — Indagou o negro.

— Experimente e digas o que é.

Ele tentou se defender, entretanto, consegui injetar a substância. Logo caiu ao chão e iniciou um ataque epilético. Seus olhos tornaram-se vermelhos, fora possível ver o desenho das veias sob a pele do homem. Após um longo grito seu corpo parou.

— Fiz bem? Talvez Cecilia não quisesse que o fizesse. — Pensei entrelaçando os dedos atrás da cabeça.

O cadáver do sujeito estatelado sobre o chão frio e úmido fez-me refletir. A pele do vampiro estava pálida, não era possível reconhecer um homem negro nesse corpo sem vida. Era esse o efeito do sangue de lobo em contato com um Werckinberrevichs.

— Então Wladimir não usou cianeto de potássio? Entendo. — Pensei. — Eles usam isso como veneno. Talvez seja a única substancia que os elimine de fato.

Sinceramente não esperava encontrar uma resposta tão rapidamente. Levantei o banco e pus-me a olhar o outro sujeito, seu crânio despedaçado. Recolhi uma amostra de seu sangue em uma outra seringa e empunhei a seringa que injetara o sangue no outro homem, não estava vazia. Então injetei-lhe o resto da substância, para certificar-me da morte

— Devo voltar.

Dei as costas aos cadáveres e retornei a minha casa.

Carmelia ainda estava acordada. Quando visitara o laboratório a fim de pegar o sangue, ela havia saído apenas. Quando retornei ela estava estudando para os exames. Afundava-se em livros e mais livros. Sobre a mesa havia também alguns frascos de substancias desconhecidas. Ao lado dos frascos havia uma bandeja, e, sobre ela, descansava um coração humano. Ela o fitava rapidamente e voltava os olhos aos livros. Com uma caneta circulava algumas palavras. Caminhei calmamente, puxei a cadeira ao lado e sentei.

— Estás dedicando-se. Isso é bom. — Sorri.

— Estás acordado? Perdoe-me pelo órgão exposto sobre a mesa.

— Não há problema. Já vi coisas piores, a propósito, evoluíram a pesquisa?

— Não muito. Falta espécimes da substância negra.

Retirei a seringa com o sangue do cadáver e depositei sobre a mesa. Ela fitou-me assustada, não era a quantidade que esperava, era muito mais do que imaginava.

— Aqui está a amostra.

— Onde e como conseguiste?

— Tenho meus métodos. Logo saberás, infelizmente.

— O que queres dizer?

Retirei minha pistola do coldre e entreguei a Carmelia.

— O que é isso?

— Exatamente o que vê.

— Por quê?

— Tu corres perigo. Há pessoas que podem matá-la por viver comigo.

— Entendi. Então meu pai fora assassinado por conta disso?

— Sim.

Apesar de apresentar tristeza com a minha confirmação sobre seu pai, ela assustou-se mais. Levantou e deu-me um tapa forte no rosto. Seus olhos se lubrificaram e uma lagrima discreta escorreu.

— Acolheu-me por pena?

— Por dois motivos. O primeiro: Não diria pena, diria algo como consideração ao teu pai. O segundo: O curso que estudas. Necessito da tua ajuda a fim de vingar-me dos assassinos de teu pai, Daniela, Elizabeth e Cecília.

Mesmo estando furiosa, estava extasiada, não conseguia acreditar no que ouvira. Seu corpo fraquejou, suspirou profundamente e fitou-me asperamente.

— Então sou apenas uma ferramenta?

— Não diga isso. A propósito, usará esse coração? — Apontei ao órgão sobre a mesa.

— Não mais. O que farás com ele?

— Um teste.

Peguei a seringa com o sangue negro e injetei dentro do órgão. Esperei por alguns minutos. Fora audácia demasiada talvez, acreditar que um coração começasse a bater após receber sangue vampírico. A única modificação fora a coloração, tornou-se negro como carvão.

— O que é isso? — Perguntou Carmelia afastando-se lentamente da mesa com passadas largas e cautelosas de costas. Não desviou o olhar.

Observei o objeto negro e pus-me a pensar. — Então sou assim por dentro? Por Deus. Espero não ver mais que meu sangue.

— O que tu fazes? — Perguntou ela.

— Não direi por hora, apenas necessito das respostas do teste. Proponho-te uma chance de vingança.

— Diga.

— Contarei a ti os segredos após descobrir as respostas que se escondem da pesquisa. Esforce-se.

— Pensei que fosses alguém bom.

— E sou, porém, cego-me cada vez mais pelo desejo de vingança. Entendo que as pessoas que amei não gostariam de me ver vingar suas mortes. Entretanto, sou um homem, acima de tudo humano. Estou fadado a viver uma vida longa, tão longa quanto o tempo, lembrando do fato de não poder fazer algo. Acredite, as vozes de clemencia em minha cabeça quase não são audíveis.

Não lembro ao certo o motivo de meu estranho comportamento naquela noite. Talvez houvesse relação com o fato de eu haver assassinado duas pessoas. A conversa não durou mais que isso. Acabei por ir ao meu quarto e dormir.

— Acorde, meu senhor. — Pediu Lili, antiga criada de Cecília, enquanto abria todas as cortinas. Ela não sentia remorso ao expor-me a tal tortura da luz da manhã.

— Deixe-me dormir mais. — Clamei. — Não sabes que mal faz?

— Deixe de drama e levante. Estás atrasado novamente.

Levantei e dirigi-me ao banheiro. A água estava quente e levava com ela o sangue dos dois homens. Minhas mãos estavam levemente manchadas.

— Meu senhor, desejas que lavem tuas roupas que usaras esta noite?

— Sim.

Sai do banheiro e vesti um terno de negócios. Havia uma entrevista coletiva no palácio, esperavam a declaração pendente sobre a reclamação rejeitada.

Realmente fora um dia perturbador. Após passar pela multidão de jornalistas e plebeus, consegui entrar no salão. Havia, sobre o palco, uma grande mesa com nove cadeiras, uma ao lado da outra. Jazia entre as nove, uma grande cadeira, era o assento do rei. Em frente ao palco havia algumas mesas com quatro cadeiras cada para acomodar repórteres e nobres. Também havia policiais armados nos cantos do local.

— Veja só! estás quase atrasado. — Disse Scoot ao me ver de longe. Caminhou em minha direção e estendeu a mão. — Acredito que a pontualidade não seja teu forte. — Sorriu apertando minha a não.

— Realmente, todavia, admitamos que dormir seja longinquamente melhor que esse evento.

— De fato, preferia estar dormindo ou pescando agora. Mesmo por que meu plano de reforma farmacológica fora rejeitado.

— Certamente a população não acatará, isso me preocupa.

— Infelizmente o rei não teme o povo, meu caro. Com a revolução russa, as pessoas degustaram novamente da visão que podem derrotar até mesmo um rei, por qual motivo ele estaria ignorando esse fato? Essa é pergunta a ser feita.

— Entendo. De qualquer forma, ocorrerá.

Sentamos em uma mesa, eu, Scoot e sua esposa. Era próxima da parede, proporcionava uma ampla e limpa visão do palco. Logo que o escrivão se pôs a falar todos se calaram

— Senhoras e senhores. Nessa aclamada data ocorrerá uma das mais importantes reuniões coletivas já presentes no país. Peço aos membros do conselho, que venham cá, sentem-se em seus devidos lugares, a reunião começara com a entrada e discurso de abertura do rei.

Abaixou o microfone, curvou-se e saiu do palco. Eu e Scoot levantamos e seguimos ao palco, sentamo-nos nas cadeiras e pusemo-nos a olhar os convidados. Infelizmente nunca participara de tal batalha, uma espécie de arena onde pode atacar e ser atacado. Qualquer erro seria fatal, tal amplificara a aflição por ser os oito membros contra o rei. Os demais nobres sentaram-se em suas cadeiras. O silencio era quase audível. Era possível escutar minha própria respiração. Senti meu coração acelerar. Fora a mesma sensação de quando me encontrei com Philip Matos em Collins. Os nobres e repórteres fitavam-nos atentamente enquanto esperavam o rei.

Ele trajava a mesma roupa negra de seu noivado. Não desferiu qualquer palavra, apenas sentou-se em sua cadeira.

— Aprecio a vinda de vossas senhorias a esse evento. — Proclamou. — Comecem as perguntas.

Não recordo dos semblantes dos repórteres que proferiram as perguntas, lembro-me de algumas perguntas que sutilmente mudaram a história.

— Soubemos que vosso magnificentíssimo, rei de Burtchendill, negou-se a ceder à carta de reclamação escrita pelo Grão-Duque, Sherlock Scoot. Acredito que não apenas o nosso jornal, mas também todos estamos curiosos para saber qual é o motivo que te levou, excelentíssimo, a vetar o processo.

— Não seria prudente ceder um terço do tesouro a um projeto que necessite de anos a ser finalizado, que talvez não seja fielmente funcional, seria uma perca sem precedentes.

Outro jornalista aproveitou o argumento. — Então o que seria prudente a fim de solucionar esse infortúnio?

— Renegociar os contratos com as importadoras e reestruturar os números dos pedidos. É passível de entendimento que não haja o fornecimento dos medicamentos momentaneamente.

O Grão-Duque de Guten Erde, Salomão Medeiros, curvou-se sobre a mesa, apoiou-se com seus braços e olhou atentamente o rei. — O momentâneo já perdura há quase dois anos. O que diz sobre?

— Como é da ciência do senhor, acredito, sabes o quão aleatório está o comércio que sangra com a hemorragia da guerra. Devemos esperar o fluxo desta crise passar.

— A crise jamais passará, meu rei. Temo dizer que enquanto houver essa lacuna, nunca ocorrerá nada além do definho de nossa saúde. — Concluiu Medeiros

Um repórter perguntou. — Meu rei, como poderemos deixar para depois um setor de extrema importância ao reino?

— Por que ignora classe mais baixa? — Perguntou outro em seguida.

— Qual o motivo de não investir? Esperar a maré acalmar não trará ganhos ao país, quão menos será produtivo.

O rei ergueu sua mão, e, golpeou brutalmente a mesa. Então novamente o silencio tomou conta. Ele sabia que estava sendo pressionado. Não havia respostas para escapar.

— Eu nego.

Scoot levantou-se e apoiou-se com suas duas mãos sobre a mesa. — Não poderíamos apenas construir uma indústria de base? Fabricar pequenas quantidades e continuar importando o restante. Conforme o sistema consolidar-se, poderá aumentar a produção interna e diminuir a importação, levando tal processo em crescimento exponencial. Com isso logo não precisaremos mais depender de fora.

Após essa proposta, inúmeras outras perguntas surgiram. Era visível o incomodo do rei. Certamente que sabia que não poderia dizer não. Aquele instante fez-me refletir brevemente. Os flashes das câmeras atordoaram-me e proporcionaram-me desconforto.

O rei se levantou e proclamou. — Que assim seja. Façamos como sugeriu Scoot.