Memórias de vidro
13 Aceitarei de bom grado teus conselhos, aceitarei também teu desafio que acabara de construir.
Fui convocado para uma reunião com alguns nobres do país.
Estávamos em uma sala com nove lugares. Todas as cadeias foram preenchidas por Duques, Duque-Marquês, Grão-Duques, chefes de setores e o conselho real.
Na primeira cadeira sentava-se o Duque de Belckan, Adolf Belckan. Na segunda o Duque de Blumenio, Alfredo Blumenio. Terceira cadeira, Duque-Marquês de Morryes, Edmund de Morryes. Quarta cadeira, Grão-Duque de Morckiaschen e Lognorth, Sherlock Scoot. Quinta cadeira, Grão-Duque de Guten Erde, Salomão Medeiros. Sexta cadeira, chefe do ministério dos médicos, Patrício Dias. Cadeira sete, Chefe da bolça de valores, Charles Pluma. Cadeira oito, ministério de importação e exportação, Josef Cortez. Por fim sob a tutela da cadeira nove havia a Procuradora do rei, Branca de Collins.
— Senhores, cá estou representando o rei por ordem direta. Aprecio o entendimento. — Proclamou Branca. — Convoquei a reunião a fim de pautarmos os principais transtornos presentes em Burtchendill atualmente. Cada uma das oito cadeiras ditará o infortúnio primário.
Adolf Belckan levantou-se e ditou. — Estamos nós sujeitos a dependência farmacológica de outros países. A importação não ocorre como deveria, medicamentos, materiais hospitalares. — Riu sarcasticamente. — Não há morfina em farmácias, os estoques desse material em hospitais estão diminuindo rapidamente. — Sentou-se.
Alfredo Blumenio levantou-se. — Idem.
— Sejamos ágeis. — Disse Branca. — Levantem todos com o mesmo tema do senhor Belckan e Blumenio?
Todos levantaram-se.
— Estamos cientes a respeito da falta de morfina em Morryes. — Proclamei. — Há alguns meses o fornecimento cessou.
— O que sugeres, Branca? — Perguntou-lhe Sherlock. — Fora a antiga estrategista de Burtchendill.
— Analisemos os fatores que podem levar a tais causas. — Respondeu.
Salomão Medeiros tomou a palavra. — Contrabando talvez.
— É uma causa plausível. — Concordou ela.
— Há a probabilidade de envolver esfera internacional.
— O que queres dizer? — Perguntou Branca.
— Interferência de corpos estrangeiros. – Sugeriu Patrício Dias.
— Pouco provável. Como pais neutros não seriamos alvo de tal atitude. — Refutou.
— Credito a proposta do Medeiros. — Concordei. — Os movimentos das máfias estão se proliferando em Morryes.
— Certamente. — Concordou Josef Cortez. — Seria de veras lucroso interromper a venda legal dos produtos e aumentar a procura no Mercado-negro.
Charles Pluma tomou a palavra. — Há uma pequena quantidade de empresas acionistas nos pais. Grande parte é do setor da saúde. Perdermos milhões de dólares se ocorrer uma crise farmacológica. Resultará em queda nas ações internacionais também.
— Compreendo. — Disse Branca. — Entretanto, senhores, estão esquecendo da guerra, a qual hoje reflete a instabilidade do mercado.
Concordamos com Branca, a Europa estava em ruinas, poderíamos comprar apenas com os Estados Unidos ao procurar por tecnologia.
— O que sugerem? — Perguntou ela.
— Proponho uma reclamação real. — Proclamou Sherlock. — Como Grão-Duque de dois distritos de Burtchendill, possuo o poder para abrir o processo de reclamação.
Todos se aquietaram, a atmosfera ficara tensa. A reclamação real é uma ordem ao rei, vinda de seus subordinados. Durante a história de Burtchendill apenas duas reclamações foram aceitas. Um rei não aceita uma ordem.
— Como? — Branca pareceu surpresa e um tanto perplexa.
— O que preciso é recolher os votos dos nobres aqui presentes. — Continuou Sherlock.
— O que ordenará a reclamação?
— A construção da primeira Industria farmacêutica de Burtchendill.
— Esperei que chegássemos a esse ponto, porém, não acreditei ser explicita e logo no início. – Disse ela.
— Escreveremos a carta nesse momento. – Empunhou sua caneta e pôs-se a escrever.
"Vossa magnificência Frederico IX.
Ordenamos-lhe a reclamação de número XV. Encarregada da tutela do conselho de administração real.
Perante testemunhas, é apresentada a reforma do sistema fármaco-logístico de Burtchendill. Compreendendo a esfera judicial sob a totalidade dos votos unanimes em prol da reforma a fim de evitar a deficiência médica do mesmo.
Os suprimentos de medicamentos e materiais hospitalares quase não existem. Ordenamos o surgimento da indústria fármaco-médica nacional de Burtchendill. Ignorando os custos que serão infinitamente menores ao que deverão ser pagos ao negligenciar essa possibilidade.
O conselho real dos líderes conclui a carta de abertura da reclamação com as seguintes assinaturas:
Adolf Belckan
Alfredo Blumenio
Edmund de Morryes
Sherlock Scoot
Salomão Medeiros
Patrício Dias
Charles Pluma
Josef Cortez."
— Parece estar feito. — Disse Branca.
— Convocarei a imprensa. — Acrescentou Sherlock.
— Entendo. Queres aplicar a mídia sobre o caso a fim de aumentar a probabilidade de aceitação. — Indagou ela.
Sherlock apenas deu-lhe um sorriso. — Convoco-lhes, senhores, a um baile caso seja aprovado a reclamação.
— Não sejas convencido. — Refutou Branca.
— Vossa senhoria, Branca de Collins, sabes tão bem quanto qualquer outro cá presente quais serão as consequências caso haja a rejeição do processo. – Afrontou Sherlock.
O clima tenso sessou e relaxamos aos poucos. Conforme os minutos correram os assuntos transformaram-se em assuntos sociais. Sai da sala e encontrei-me com Daniela, esperava-me ao lado de fora em companhia dos seguranças dos demais nobres. Caminhamos até um corredor vazio e sentamos em um banco. Sentei-me e relaxei meu corpo, suspirei profundamente.
— Detesto tais reuniões. — Confessei.
— Compreendo.
Após alguns minutos Branca veio ao meu encontro. Levantei e cumprimentei-a, coisa que não fizera antes devido a formalidade.
— Oi, Branca. Como estás?
— Bem, e tu?
— Bem. Como é se alojar no palácio?
— Estranho, sou acostumada com casas menores.
— Entendo.
— O que é esse corte em teu pescoço?
— Nada que precises se preocupar. A propósito, teu noivado não poderia ter sido anunciado em momento mais oportuno.
— O que queres dizer, Edmund? — Perguntou com tom sério.
— Sabes bem o que digo, já que a mídia focará em vós todas as lentes das câmeras.
Sentou-se ao meu lado no banco. — Estás procurando o assassino de Cecília ainda?
— Tu me ensinaste bem, coisas que me ajudaram a respeito de infinitos fins. Com teus ensinamentos pude realizar inúmeras reuniões ou até mesmo encontrar o assassino de Cecília.
— Não diga que fizeste o que estou pensando.
Voltei-me a ela, olhei em seus olhos e disse. — Tu és minha amada mãe. Aviso-te já que não quero que interfiras na procura do mandante do crime.
— Teu erro foi ter-me contado teu plano. Como tua mãe, achas que não interromperei?!
— Faça o que quiser, porém, não conseguirá me parar. Descobri coisas que não haviam nos documentos que confiscastes do meu quarto antes de sair de casa. Consegui outras informações preciosas que estão em meu conhecimento intelectual, as quais não poderá desfazer-se. – Desafiei-a com o olhar.
— Não desejo ter que usar meu poder contra ti, meu filho, mas se for para teu bem. Sabes bem do que sou capaz. — Devolveu a provocação.
— Não, não sei. Não conheço nada sobre ti, o motivo de haver se tornado noiva do rei, de haver sido a antiga estrategista real e outras coisas que não sei de ti, minha própria mãe.
— Não sejas dramático, nunca te ensinei a usufruir de tal artificio. — Ricocheteou minha provocação e mudou o assunto. — Daniela é tua segurança agora?
— Sim. — Respondi. — Daniela Panz.
— Da vila?
— Sim. Devemos retornar à sala. — Sugeri.
— Concordo.
— A propósito, mãe, proteja-se a todo momento. Não sei se sabes, mas sou alvo de assassinatos há algum tempo, evito deixar Elizabeth sozinha, e, quando a deixo, sempre ordeno os guardas focarem em sua segurança.
— Devido a isso levou-a à fazenda?
— Exatamente. Certamente agiriam contra ela, portanto não abaixe a guarda. — Pedi.
— Entendo, estás se envolvendo com assuntos delicados no momento. Aceitarei de bom grado teus conselhos, aceitarei também teu desafio que acabara de construir. — Sorriu.
— Obrigado por entender.
Voltamos à sala de reuniões. Sentamos todos em nossos respectivos lugares.
Após isso não houve nada comprometedor, logo que terminou a longa e entediante reunião sai do edifício e entrei ao carro.
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