Memórias de uma vida
3 Sorvetão!
Notas iniciais
Chegamos ao parque, ficava a 10 minutos da escola da Pietra. Descemos do carro e fomos para um carrinho de sorvete, pedi ao homem que caprichasse.
– Senhor, pode caprichar por que essa gatona merece.
– Sim senhor. – Após isso Pietra abriu um enorme sorriso, ela pegou o sorvete e se sentou em um banco.
– Quer papai? – Estendeu para mim.
– Não meu amor, o sorvete é todo seu, você que merece. – me sentei ao seu lado.
– Papai tem certeza que não quer? – Ela insistia.
– Pit, eu não mereço.
– Papai, você merece sim. – Eu a olhei assustado.
– Por que?
– Você é lindo, toca violão bem e adoro quando canta para mim. – Fiquei bobo com a visão dela em relação a merecimento.
– Mas isso não me faz merecer Dona Pietra. – Coloquei a mão na cintura brincando com ela.
– Claro que sim, Sabe por que? Vai pergunta o porque?
– Por que? – Eu ri.
– Por que você é o MELHOR PAI DO MUNDO INTEIRINHO. – Ela abriu os braços no fim da frase indicando ser muito e quase lhe rendendo a perda do sorvete.
– A minha querida. – Beijei seu rosto e dei um lambida do sorvete e passei o dedinho depositando um pouco no nariz dela.
– PAPAI! – Ela gargalhou e encostou o sorvete no meu rosto me lambuzando.
– A sua danadinha. – Eu me juntei a sua risada.
– Você cresce e não muda né Ed.
– E você, passa os anos e nada de cabelo ai em cima né? – Eu disse após reconhecer Stuart vindo com Nick ao seu lado.
– NICK!!! – Berrou Pit.
– PIT!!! – Nick retribuiu o berro.
– Nick, vamos no balanço? – Pietra levantou em um pulo.
– Sim!
– Papai, eu posso né?
– Sim filha, só me da um beijo bem aqui. – Apontei para a bochecha que logo em seguida foi tomada pelos lábios macios e gelados da pequena.
– Vamos Nick. — Ele assentiu e correram com sorvete e tudo ao balanço.
– Cuidado hein. – Berrei vendo a virar e sorrir. – Stuart, estou cada dia mais apaixonado. – Disse olhando para Stu que agora estava sentado ao meu lado.
– Ela é encantadora Ed, isso é normal. – Comentou enquanto me passava um copo de café. – Toma.
– Obrigado – Dei um gole. – Precisava disso.
– Então Ed, o que aconteceu? – Direto ao assunto, olhe para o copo e suspirei.
– Liz esta me traindo.
– O QUE? – Ele se virou no mesmo instante em que a frase entrou em sua mente. –Mas, ela sempre demonstrou te amar, e vocês formam um casal tão lindo e tem esse anjo. – Ele apontou para Pietra que ria do tombo do Nick.
– Pois é. – Tomei um gole generoso. – Nós fomos visitar Liz no hospital hoje de manhã, e quando ela apareceu nos comprimento com a boca borrada do batom.
– Mas até aí tudo bem, batons não passados corretamente ficam borrados. – Stu me ensinando sobre batom.
– Não Stu. – Eu o interrompi e o olhei. – Borrado do tipo, beijei alguém.
– Mas como sabe disso?
– Stuart, depois que saímos de lá, a Pit me questionou o porque da mãe dela estava beijando um cara que nem me beijava.
– Crianças mentem Ed.
– A sua sim, a minha não.
– Como tem tanta certeza?
– Após deixar a Pit na escola eu fui para casa e esperei a Liz chegar, e depois dela ter chego, desenfreamos uma discussão do qual ela disse com todas as letras “Edward eu não quero mais você”- Olhei para Pietra que estava empurrando muito alto o Nick. – PIETRA ASSIM NÃO FILHA.
– DESCULPA PAPAI. – Ela berrou e parou.
– Edward.
– Huh? – Olhei para ele novamente.
– E o que pensam em fazer? Você ainda a ama, certo?
– Eu estou decidido a ficar perto da Pietra, e infelizmente eu ainda amo a Liz, só que agora é amor por gratidão. – Olhei para a Pit que brincava de pega-pega.
– Olha Ed, tem que pensar bem. Logo volta a rotina de show’s, e até turnês. Pietra é pequena demais para rodar por aí. E sabe sei lá, pela força do destino você ainda volte para a Liz.
– Creio que nunca mais Stu.
– Você sabe que provavelmente a guarda da Pit vai para a Liz né?
– Infelizmente sei disso. Mas não vou desistir até ter ela só para mim.
– Se precisar de algo me avise, esta bem?
– Sim. – Parei olhando para umas mulheres que me encaravam do outro banco. – Acho que irei para a minha antiga casa.
– Você não vai lá há anos, aquilo deve estar com um cheiro de velho.
– Terei um baita trabalho.
– PAPAI!!! – Ela veio correndo para perto de mim, entrando entre as minhas pernas. – Posso dormir na casa do Nick e do Tio Stu hoje?
– Pede para ele. – Apontei com o dedo indicador para Stu.
– Claro que sim, meu castelo pode receber mais uma realeza, princesa Pietra Sheeran. – Ele se curvou.
– Oba!! – Foi até o Stu e deu um beijo nele e saiu novamente correndo em direção ao Nick.
– Vê se toma conta direito dela hein.
– Claro que tomo conta. E se eu fosse você, fazia a mudança essa noite para evitar que a Pit veja.
– Sim, vou fazer isso.
Após uma três horas no parque, fomos para casa e aprontar a mochila da Pietra para a noite na casa de Stu. Quando chegamos a casa estava sozinha, indo em direção ao quarto, Pit me olhava seria.
– O que foi meu amor?
– Nada papai. – Parei no meio do corredor e me joelhei perto dela ficando na sua altura.
– Quem nada é peixe. – Ela deu um meio sorriso. – Ei, que carinha triste é essa?
– Pai, você e a mamãe, são amigos de outras pessoas? – De novo essa história.
– Somos, por que?
– Por que o Pai da Andy, disse para ela que quando vocês (adultos) tem um novo amigo é por que cansaram de brincar juntos.
– O que esse pai da Andy sabe? Ele não sabe de nada. — Eu sorri.
– Depois que o pai dela disse isso ele foi embora para longe. – Ok, Pietra conseguiu me deixar sem palavras e ao mesmo tempo com orgulho da forma como ela falava.
– Pit, vem cá. – Levantei a erguendo no colo e levando para o quarto, a coloquei na cama e sentei do seu lado. – Pietra, a Mamãe e o Papai, irão sempre ser amigos, mas agora seremos amigos em casas separadas. – Eu falei a verdade, mas temia a reação dela.
– Você vai para longe papai? – Seus olhos estavam cheios, as lágrimas estavam prontas para cair. – Você vai me abandonar? Não me quer mais?
– Filha. – A aninhei no meu colo. – Não, jamais te abandonarei ou irei para longe. Você é o grande amor da minha vida Bebê.
– Mas então, quem vai me fazer panquecas com formatos engraçados, ou ler para mim, e brincar comigo de barbie. E de avião, e quem vai por a estrela na árvore de natal?
– Amor, calma. –Beijei sua testa, ela fungava. – Eu ainda sou seu pai, e ainda iremos fazer tudo isso, mas agora na minha outra casa.
– Não quero Papai.
– Filha, lá você terá um quarto só para você, e eu te verei todos os dias aqui. – Ela suspirou e limpou os olhinhos.
– Papai, lê uma história?
– Não quer saber a continuação da de ontem?
– Quero.
– Vai no tio Stu ainda?
– Sim, mas antes quero história.
– Então tá. Aonde paramos? – Ela ainda estava no meu colo.
– Quando a Jane foi embora. – Para variar, mais uma que foi embora.
– Ok.
“Quando Jane foi embora, Edward fico sozinho, e logo desenvolver uma mania de escrever textos, que logo viraram poemas, e depois músicas. Ele escrevia tudo que passou e sua tristeza foi embora. Ele começou a tocar violão e cada música tocada naquelas cordas o acordava para uma nova vida. Um dia ele foi para Londres sem dinheiro no bolso e sua família havia ficado em suffolk. Ed dormiu na rua, e em estações de metro e as vezes conseguia sofás para dormir na casa de conhecidos e estranhos.”
– Pai, não pode dormir na casa de estranhos. – Ela limpava as poucas lágrimas ainda e soluçava.
– Isso aí, não pode. Mas papai era desobediente.
– Que feio papai.
– Vou continuar.
“Quando ele fazia show em um bar qualquer, apareceu um cara, meio gordinho, com pouco cabelo e...”
– TIO STUART!
– Nossa, como você é esperta. – Eu ri assim que a ouvi rir.
– Papai, vamos lá? – Se levantou saindo do meu colo.
– Sim, mas e a história?
– Amanhã eu quero mais.
– Ok. – Me levantei.
Arrumamos a mochila dela e a outra com seu material, já que iria de lá direto para a escola. Ela pegou o gatinho de pelúcia dessa vez, o que me deixou curioso.
– Filha, por que não pegou o burrinho dessa vez?
– Por que o gatinho eu ganhei de você papai. – Sorri com aquilo, dei um abraço de urso nela e a mantive perto de mim uns minutinhos. – Je t'aime papai. – Falou em Francês ‘eu te amo’.
– S’ayapo Filha. – Retribui em grego.
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