Memórias de uma vida

4 Casa nova. Vida nova?


Olhei no meu relógio de pulso que marcava 20:30h, eu havia acabado de chegar da casa do Stu onde deixei a pequena. Estava arrumando minhas malas no meu futuro ex quarto, peguei meus violões, minhas roupas, enfim toda a minha tralha. Quando finalmente coloque a última caixa no porta malas do carro, eu voltei para dentro e escrevi um bilhete para a Liz.

“Querida – não tão querida assim – Quero lhe avisar que minhas coisas já não estão mais nesta casa, tudo o que achar que é meu pode ficar. Espero que trate MINHA filha bem na ausência do pai.
Sabe o que esta me incomodando mais no momento? Não é a falta de fidelidade, e nem a falta do sexo, o que eu sinto é a falta da honestidade que eu sempre tentei demonstrar para você, contei tudo e achava que você fazia o mesmo.
Desde quando não é feliz no casamento? Desde quando me traí com ele? Isso tudo me vem na cabeça, além da galhada. – Tive que rir com essa – Espero do fundo do meu coração, que nos entendemos para o bem da Pietra. Por que de todo o tempo que ficamos juntos o melhor resultado foi ela.
Estou deixando minha aliança aqui, para você doar ou vender, o que achar melhor.
Espero que esteja feliz e que saiba que estou indo, mais infelizmente eu chorei e queria ter falado que eu te amo ainda, mas meu orgulho e meu amor próprio envelheceram junto comigo e hoje posso dizer que daqui não sairá música.

Com, ou sem amor
Edward Christopher Sheeran
Seu EX MARIDO.”

Coloquei o bilhete na bancada da cozinha próximo ao telefone e saí trancando a porta, indo em direção ao meu carro. Entrei, sentei e suspirei, coloquei a chave na ignição e tomei caminho do meu apartamento, que com muito carinho venho mantendo durante todos esses anos. Cheguei ao prédio, estacionei na garagem, pegando apenas algumas coisas e meu violão, passando pelo porteiro ele sorriu e eu retribuí, entrei no elevador com a caixa tampando meu rosto de tanta coisa, o violão nas costas e mesmo antes dele fechar ouço alguém correndo.

– Segura!!! – Era voz de mulher, eu coloco o pé na porta. – Obrigada. – Ela agradece e respira pesado, cansada.

– Disponha. – Respondo em voz baixa e ela apertou o andar.

– Mudando hoje? Qual andar?– Ela perguntou e sem eu enxergar percebi que sorria.

– Não, Bem sim... – Suspirei. – Morava aqui quando era solteiro. No oitavo, por favor.

– Me deixa adivinhar, mulher te chutou de casa por que você fez cagada. – Ela riu e apertou o meu andar.

– Errou. Separação mesmo.

– Eu sinto muito, desculpa minhas brincadeiras. Meu psicólogo diz que sou muito humorada e isso pode ser perigoso.

– Não para um comediante. – Sorri.

– Verdade. – Ela gargalhava o elevador parou no meu andar.

– Bom, foi um prazer conhecer você... – Esperei ela falar o seu nome.

– Jade, Jade Adams e você? – Eu gelei e comecei a gargalhar saindo do elevador e abaixando a caixa lentamente antes que pudesse falar algo pude ver ela com cara de espanto e a porta fechando.

Fiquei uns minutos rindo de mim mesmo, não acredito. Jane esta no mesmo prédio que eu, deve ser alguma pegadinha, me perguntava onde estava as câmeras. Fui até a minha porta e com muita dificuldade abri a porta, coloquei as coisas no chão do lado da porta e encostei a mesma.

– Home Sweet Home – Disse olhando em volta e colocando as mãos na cintura. – Hora de abrir essa casa.

Abri todas as janelas e liguei o ar para circular pela casa, vi se tinha algo na geladeira e ainda bem que ela estava limpa, por que não queria encontrar comida de sete anos atrás. Liguei pedindo um pizza, não demorou muito. Depois de comer eu fui ver o que tinha pela casa, achei fotos de estúdio, do Stu, e da Liz. A da ultima eu queimei e no lugar dela coloquei a da Pietra na parede. Após um bom tempo dedicado a limpeza, estava tudo finalmente ajeitado. Tomei um banho e após sair com a toalha enrolada na minha cintura dei uma olhada na hora, que marcava 21:40h.

– Até que arrumei tudo rápido. – Fui até a sala e ligando a TV eu me sentei na frente dela.

“Vamos agora para a pergunta que não quer calar. Por onde anda Ed Sheeran?
Fontes nos informaram que o queridinho britânico esta passando um tempo com a sua família. – Um cara entrou em cena e soltou. – Mas creio que nada anda bem nesta família Eliz, já que fotos saíram por aí do rapaz indo para sua antiga casa de mala e cuia.” – Deixei no mudo.

– Ah, qual é? Não se pode mais viver não?! – Disse levantando os braços para cima em sinal de descontentamento e então a campainha toca. – Nossa, como são rápidos. – Me referia aos repórteres, me levantei e olhei pelo olho mágico e abri a porta.

– Oi Ed... – Ela olhou para cima de repente.

– Oi. – Olhei para Jane sem entender.

– Ed, você não quer que eu espere você colocar uma roupa? – Tampou o rosto.

– Hã? – Olhei para baixo notei que ainda estava de toalha. – Ah desculpa, entra e fica na sala. – Ela entrou e se sentou. – Já volto. – Fui ao quarto coloquei uma calça jeans e uma blusa branca. – Voltei.

– Bela casa Ed. – Ela olhava para as fotos da parede.

– Primeira recompensa de trabalho. – Sorri.

– Que menina linda, essa é a Pietra né?

– Sim, como sabe?

– Jornais, revistas, sites. – Ela me olhou e eu sorri. – Não que eu procure sobre você, mas saí direto foto de vocês juntos.

– É, tento ser um pai presente. – Fui indo em direção a cadeira da bancada e sentei. – O que lhe devo a visita Jane Adams?

– Depois da surpresa no elevador eu fui para casa e fiquei pensando. – Ela foi até o sofá e sentou no encosto. – Que senti sua falta, mas nunca mais havia conseguido te encontrar.

– Pois é. – Levantei e fui até ela. – Faz anos hein ?! – Ela assentiu. – Ei, seria loucura minha te convidar para ir ao Pub?

– Uau, isso é tipo encontro? – Ela sorriu.

– Na verdade não, é por que aqui em casa não tenho nada mesmo, e queria sair um pouco. – Eu ri da cara de descontente.

– Ah, ok. – Ela levantou.

– Vou colocar o tênis e já vamos.

Após algum tempo eu estava arrumado, e esperava me distrair de toda essa coisa de divorcio, da nova vida, e ficar longe da Pietra, isso estava me deixando deprimido.

– Vamos? – Perguntei passando pela sala.

– Claro. – Ela levantou e me acompanhou. – Espero que esteja tudo bem com isso.

– Com isso o que? – Disse fechando a porta.

– Sair, com uma amiga antiga logo após o fim do casamento, sabe paparazzis.

– Isso é o de menos, se passar na televisão que eu saí com alguém, quem vai me matar a minha filha. – Sorri olhando para ela.

– Ela te muito ciúme? – Jane falou indo em direção ao elevador.

– Sim, é como se ela fosse a minha esposa. – Gargalhei e apertei o botão. – Na verdade, creio que tenho vivido estes 6 anos apenas para ela.

– Ed.- Ela parou na minha frente para que eu a visse. – Você é feliz?

– Claro. – Na verdade não totalmente, mas não ia falar isso, não para ela. – Por que a pergunta?

– Porque viver para a sua filha, talvez não seja bom, digo, viver com o coração sozinho sem amor, e carinho.

– Jane, eu tenho carinho e recebo amor. Apenas não beijo na boca. – Eu ri.

– Ok. – Ela se calou e entramos no elevador, talvez ela esteja certa, mas se eu me ocupar com “mulheres” eu não teria tempo de ver Pietra crescer.

Minha cabeça estava mais embaralhada depois daquela conversa.

Notas finais
Espero que tenham gostado!