Notas iniciais
Nunca irei saber o que dizer para todos. Mas apenas lamento, por seus sonhos e desejos que não viraram realidade ainda.

Olá Querido Amigo.

Infelizmente eu não lembro que dia é hoje, e cada célula do meu corpo me prende a essa cadeira, enquanto apenas as luzes do led iluminam a mesa sobre a qual você esta apoiado. Acredito que estamos em algum dia de agosto. Um dia tão quente que me sinto como um sorvete, derretendo lentamente no asfalto fervilhante.

Estou sorrindo. Motivo? Não sei. Hoje ao acordar, com uma pequena linha de luz sobre meu rosto, não me senti como nos outros dias. Parte do vazio se foi, e eu me senti flutuando sobre a superfície de um lago de aguas cristalinas.

Infelizmente ele não voltou. E aqui estou lendo nossas conversas e sorrindo que nem um retardado. Minha vó já veio me perguntar umas quatro vezes se eu estou ficando maluco. Talvez eu esteja. Já sentiu como se você estivesse vazio? Apenas oco, sem nada dentro de você, e isso te faz querer sorrir? Você deve se sentir assim, afinal é só um diário, com folhas amareladas e rabiscadas com palavras deprimentes e desenhos estranhos, que um dia foram significativos para um garoto que agora se tornou aquilo que ele mais temia.

Estou sentindo algo dentro de mim, tirando esse enorme vazio, algo como uma pequena fagulha de ódio. Estou enjoando cada vez mais das pessoas. Comecei a deixar alguns amigos, que diziam que ficariam para sempre, irem embora. Porque simplesmente já não tem lógica para mim prende-los a uma pessoa que morre a cada dia, e algum dia irá partir e deixa-los chorando por algumas horas antes de começarem a me esquecer lentamente.

Agora estou rindo, como se tivesse acabado de ouvir a piada mais engraçada do mundo. E sabe o por quê? Eu simplesmente não sei. Talvez seja o nervoso. Talvez seja essa vontade louca de sentir a ardência em meus pulsos, ver o sangue escorrer lentamente pelos cortes e pingar sobre a superfície lisa do piso. Talvez, seja a vontade de tomar meus remédios, que já passaram da hora de serem tomados. Mais uma vez, talvez seja apenas o desejo de ser levado pela escuridão e me afundar nela, até que a única coisa sobre de mim nesse mundo, seja meu corpo dentro de um caixão, com algodões no nariz e pele fria.

Mas por que merda eu não consigo esquecê-lo? Por que a cada dez pensamentos, oito giram entorno desse garoto que deve estar feliz e sorrindo, enquanto outros lábios tocam os seus? Eu sinto falta dele, como a terra desse sentir falta da chuva em dias quentes como este.

Eu já não sei mais sobre o que lhe contar. Eu devia escrever como são meus dias. Sobre minhas aventuras na escola, ou sobre eu devia ser feliz nessa cidade. Mas eu estaria mentindo sobre isso, porque eu simplesmente não consigo ser feliz de verdade aqui. É como se algo estivesse errado. Como se eu estivesse preso dentro de um pesadelo, e eu simplesmente não conseguisse acordar, ou não quisesse.

Estou evitando chorar ao máximo. Evitar ficar aparecendo com olhos vermelhos, com o nariz escorrendo. To tão cansado de usar mangas longas pra esconder os pequenos riscos, que graças a uma pomada ai, que estão começando a ficar menos visíveis.

Tento tocar minha vida sem ele, do mesmo jeito que tento acompanhar a letra de Numb, ou seja, errando mais do que tudo.

Infelizmente, nunca sei como parar de escrever. Por mim, você estaria cheio em apenas algumas horas, mas preciso guardar folhas para acontecimentos que poderão vir acontecer. Ou simplesmente eu deixe de escrever, caso isso aconteça, saiba que duas coisas podem ter acontecido. Primeira; eu posso estar em coma em algum hospital, por ter consumido o maior numero possível de remédios, calmantes e toda merda que possa me fazer dormir. Segunda; a escuridão pode ter finalmente me vencido.

Espero ter coisas mais alegres para poder contar.

Notas finais
Oi pessoinhas que eu amo. Desculpem pela demora, eu fiquei estranho esse dias e não tive vontade de escrever nada. Mas felizmente, hoje ta frio e chovendo e o Chermnt ficou me encorajando a continuar. Espero que você tenham notado a súbita mudança de humor do Paul, durante a escrita. Recomendo a leitura desse cap, ao som de Numb do Link Park. Um beijo do Chão.