Memórias de um garoto apaixonado
6 Algo feliz!? Por que ainda me sinto vazio?
Notas iniciais
Caro amigo! Ele apareceu...
Tentarei explicar tudo o que aconteceu nesse pequeno tempo em que ele esteve aqui.
“Vinicius acabou de publicar no grupo Nyah Fanfiction”.
E foi assim que minha tarde começou.
Lembro que havia acabado de abrir os olhos. O vento balançando lentamente as cortinas de cor vermelhas que ficavam a frente das maiores de cor cinza, e estas arrastavam ao chão. A luz do sol banhava o quarto, o deixando com uma cor dourada. Eu girei na cama e peguei o celular, que havia vibrado.
Sabe aqueles breves momentos em que você ainda esta entre o acordar e o dormir? Eu estava exatamente assim naquele momento. Minha mente levou alguns longos segundos para processar aquela pequena informação, que me fez sorrir, mas ao mesmo tempo me atingiu em cheio no estomago, como um muro desferido por um valentão qualquer.
Meus dedos tremiam, enquanto eu abria o notebook e logava no Facebook. A bolinha verde, indicando que aquele idiota estava online, e que ele não tinha tido a mínima vergonha na cara de me mandar um “Oi”, era inebriante como o gosto do vinho gelado descendo por nossas gargantas em um dia quente.
“ Quanto tempo” – me peguei digitando, antes mesmo de pensar no que dizer.
“Ei. Pois é, minha vida anda meio corrida esses tempos.”
“ Ah.”
“ Pois é. Vestibulares. To me matando de estudar. Quase não to tocando no computador.”
“ Eu entendo.”
“ Mas e você? Como você ta?”
“ Ah, ta tudo na mesma. Hoje eu fiz algo louco na escola heuheuehue.”
“ É? O que você fez?”
“ Andei de cueca pelos corredores.”
“Meu deus! Eu queria que você estudasse na minha escola. Essa cena ia ser demais.”
E foi assim, algo nessa simples informação, que me fez começar a rir. E então, eu comecei a imaginar ele rindo, se dobrando na cadeira, as mãos sobre a barriga que começaria a doer de tanto rir. Mas tão rápido quanto me veio esse pensamento, ele se foi.
Cada minuto ali parecia uma eternidade perfeita. Eu não queria que ele se fosse, mas que ficássemos assim por éons, se possível. Mas infelizmente, tão rápido quanto ele apareceu, ele se foi com a promessa de que aparecia no dia seguinte. E com a promessa de que criaríamos um grupo, para podermos falar com nossa “filha”. Uma pequena jovem, tão rebelde quanto eu, chamada Kath. A qual conhecemos por meio da fic dele.
Dessa vez não me senti vazio ou preenchido quando ele veio e logo depois se foi. Talvez eu devesse contar para ele a verdade. Contar sobre os cortes, sobre as lagrimas, o vazio que me puxava todas as vezes que eu entrava e lia nossas conversas apenas para sorrir. Mas acredito ser melhor deixar isso para mim. Ele possui uma vida tão perfeita, que palavras dessa magnitude não merecem ser ditas para alguém que se ama.
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