Memórias de um Imperador

1 Nasce um novo menino.


Notas iniciais
Olá, bem, primeiro capítulo, nascimento do nosso imperador. Vamos lá. Algumas coisas básicas antes de vocês lerem esse capítulo. Amante não é somente aquele que trai, ok? Antigamente ele também poderia ser um homem/mulher que você é apaixonado. Não levem para o lado ruim.Outra coisa importante, sim, Dom Pedro I não estava no Rio quando seu filho nasceu, porque ele foi resolver alguns problemas verdades no Sul (tinham a ver com a Guerra da Cisplatina). Todos os personagens aqui - exceto a parteira, Matilde e João - são reais, podem pesquisar.Agora, leiam e me digam o que vocês acharam!

O grito agudo da mulher foi mais alto que qualquer outra coisa. A moça bateu o pé repetidamente, tentando acalmar toda a tensão que se espalhava pelo corpo. Queria muito que a Imperatriz desse luz á um menino. Pedro ficaria tão feliz, que poderia resultar em vários beijos e carinhos para com Domitila. A mulher já sentia falta disso. Já jazia algum tempo que Dom Pedro I havia ido para o sul resolver alguns problemas, e isso intrigava muito Domitila. Assim como havia a conquistado, poderia conquistar outra, e então dormir com ela. Domitila tinha muito medo disso.

— Já nasceu? — João apareceu no corredor. Domitila quase não o conseguira ver, pela sua cor escura. Ainda estranhava o fato de Pedro conseguir confiar tanto no rapaz. A mulher deu um meio sorriso ao negro. Pedro havia lhe advertindo sobre o seu jeito com o homem. Já não gostavam muito da moça, se ela demonstrasse algo de ruim contra João, sua situação poderia piorar, e muito.

— Não. Ainda não — respondeu com o sorriso forçado. Mas, a moça sabia muito bem que João não era burro e havia percebido seu jeito um pouco frio. O moço passou um lenço branco na testa e se afastou alguns passos. Domitila continuou firme onde estava, com as mãos juntas, e o corpo um pouco tenso. Aquela criança não poderia morrer. Se morresse, poderia ser culpada e sua imagem só pioraria diante a população.

Domitila estava ficando cada vez mais nervosa e embaraçosa com a situação. Nunca havia ficado sozinha no mesmo corredor, com tão pouco espaço de distância com outro homem, após conhecer Dom Pedro I. Sentia-se uma traidora por estar tão perto de João (por mais que ele estivesse a alguns passos de distância).

João, por sua vez, ainda se sentia constrangido em estar ali. O homem sabia que seu amo amava Domitila mais que Dona Leopoldina. Mas, tinha de admitir, ainda ficar em frente à Domitila era estranho. O rapaz sempre soube que Domitila não gostava de si, principalmente por ser de cor, e por Dom Pedro confiar tanto nele. E, isso o deixava, no mínimo, zangado. Afinal, Dona Leopoldina era bem mais amigável e gentil, e mesmo assim, Dom Pedro conseguira traí-la e ficar com uma que tinha um sentimento ruim para com João.

O negro escutou barulho de passos apressados e mordeu o lábio pensando em ser qualquer uma das crianças. O homem sabia muito bem que Dona Leopoldina não admitiria que uma de suas filhas acordasse naquela hora da madrugada, muito menos Dom Pedro (que por mais que não estivesse no Rio de Janeiro naquele momento, Domitila lhe contaria o fato — João tinha certeza). No entanto, vira uma figura totalmente conhecida.

— Mariana! — exclamou indo de encontro para a moça, que mantinha um ritmo rápido, e ainda vestia seu traje de dormir. João deu um meio sorriso a moça, que retribuiu e parou de andar, passando a mão na testa. — Ainda não nasceste a pequena criança... — soltou com um rosto murcho. Mariana assentiu. — Estás tudo bem?

— Um pouco — a moça respondeu soltando aquele sorriso gentil que João tanto conhecia. — Já não sirvo para corrida — comentou ainda com o sorriso. Mas, o mesmo morreu quando viu Domitila, encostada na parede, com as mãos juntas, movendo rapidamente e silenciosamente os lábios. — O que Domitila faz aqui? — indagou olhando ao rapaz, que deu de ombros delicadamente. Ambos não se importaram em usar o novo nome da mulher, afinal, ela não merecia aquilo.

Todos que circundavam pelo palácio sabias muito bem do caso de Domitila com Dom Pedro I, e que o imperador só havia a nomeado Dama Camarista de Dona Leopoldina para ficarem mais próximos. Todos também sabiam que a mulher fazia muito mal a Dona Leopoldina. E, que sua aparência só piorou quando Dom Pedro I fez o favor de lhe entregar o titulo de Viscondessa de Santos. Ninguém sabia o motivo ao certo, mas, as suspeitas de que era somente para irritar certos cidadãos era grande.

Mariana colocou sua mão nas costas. Já jazia um ano que havia dado luz a sua primogênita. E, cuidar não somente dela, mas como das filhas de Dona Leopoldina lhe dava um trabalho danado. Sempre ia deitar cansada e com as costas doendo ao ponto de pedir a morte. Mas, sempre que podia, João estava com a moça, lhe entregando xícaras de chá, e jogando conversa fora. Ou então, o próprio homem mandava a moça ir descansar que faria o seu trabalho pelo resto da tarde. E, Mariana sempre se sentia segura com o homem. Até porque, seu amante havia lhe abandonado quando sua filha ainda estava em seu ventre. E, somente Dona Leopoldina e João lhe serviram de ajuda (principalmente emocionalmente).

— As crianças ainda dormem? — João lhe perguntou delicadamente, ajudando a moça a caminhar até um banco de madeira depositado ali. Mariana lhe agradeceu com o olhar e deixou um suspiro escapar por dentre os lábios secos. Não havia dormido até àquela hora. Sua menina estava com fortes dores, e não parava de chorar.

— Maria acordou enquanto eu caminhava, mas, pedi para que ficastes em seu quarto. Ela sabes que sua mãe estás a ter o bebê — Mariana comentou enquanto passava a mão no rosto cansado e com longas olheiras. João estava preocupado com a mulher. Nunca vira a moça tão rebaixada. Mas, tentava não se preocupar, era apenas sua menininha lhe dando um trabalho extra e mais pesado (e agora, a criança de Dona Leopoldina).

Uma das portas do último quarto se abriu dando um susto nos três que aguardavam ansiosamente. A parteira, com seu habitual vestido preto estava com as mãos cheias de sangue, um pano em volta da cintura também totalmente tingido de vermelho, e no rosto um sorriso vitorioso. Muito mais que isso, ela estava feliz!

— Nasceste! — exclamou alto para os três, mas não para acordar alguém mais. — Dona Leopoldina estás bem também, só um pouco cansada, mas nada que o tempo resolva — comentou enquanto retirava o pano de sua cintura. Domitila sentiu um leve enjôo ao ver todo aquele sangue, mas a parteira pareceu nem se importar. Afinal, ela fazia isso frequentemente. — És um menino! — comentou animada, animando a todos ali, e surpreendendo Domitila.

— A maldição fora quebrada? — Mariana indagou não acreditando no que ouvira. Aquela maldição acompanhava a Casa Bragança por anos! Seria ela quebrada, finalmente?

— Não, Mariana! O menino terás de subir ao poder para seres quebrada — a parteira retrucou. Mariana assentiu, relembrando de Miguel e João Carlos. Estava tão feliz ao saber que a maldição seria quebrada, que quando ambos faleceram, teve de se sucumbir a noites molhando o travesseiro com suas lágrimas quentes. — Tenham fé, a maldição serás quebrada! — Matilde, a parteira, falou novamente, abrindo mais um pouco a porta.

— Irei buscar um chá para a Imperatriz — a camareira-mor falou pegando na saia branca de sua camisola e erguendo a ponto de mostrar seus pés descalços que entravam em contato com o chão frio. Matilde assentiu, aceitando a ideia.

— Mariana! — o grito frágil, delicado, e suplicante ressoou dos lábios da imperatriz no interior do quarto. Matilde logo olhou para trás, voltando a encarar Mariana, que mantinha o olhar assustado.

— Creio que Dona Leopoldina queres te ver — a parteira explicou. Mariana soltou a saia, e deu um meio sorriso. Mesmo naquele momento de pura felicidade, a imperatriz não se esquecerá da camareira-mor. Ah, como Mariana estava feliz naquele momento.

— Eu irei buscar o chá — João logo soltou a voz, vendo ambas as mulheres aprovarem a ideia. O negro logo se colocou a andar com os passos rápidos e firmes, evitando fazer o menor barulho.

Mariana, por sua vez, passou por Matilde (esquivando-se da mulher, já que a mesma se encontrava com sangue em suas mãos) e adentrou ao quarto, vendo Dona Leopoldina segurando-se á um enrolado de lençol branco. A camareira-mor logo pode perceber que o pequeno menino estava enrolado nos lençóis. A moça, ainda cautelosa, foi se aproximando aos poucos. Algumas velas estavam acesas no criado-mudo, e Mariana pode ter uma boa visão do rosto cansado e suado de Dona Leopoldina.

— Não és lindo? — a mulher indagou ainda acariciando a face delicada e sangrenta do bebê. O garoto chorava, mostrando sua boca aberta sem nenhum dente. Alguns fios claros estavam em sua cabeça, e todos coberto por sangue. — Pedro irás ficar tão alegre — a mulher exclamou, e então virou-se para Mariana, que mantinha alguns passos de distância. — Oras, Mariana, não sejas tímida, mulher! Venha cá, aprecie o rosto de meu filho — pediu, voltando-se para o bebê.

E a camareira-mor fez. Aproximou-se lentamente, conseguindo ver que o rosto da criança realmente estava vermelho, não somente pelo sangue. Os fios claros eram louros, mas o sangue conseguia cobrir, e o cheiro era desagradável. Nunca sentirá tanto cheiro de sangue (exceto quando dera luz a sua primogênita). Era um lindo bebê, com o rosto arredondado, gordinho e bem. Mariana estava orgulhosa de Dona Leopoldina, e estava feliz pela imperatriz. Talvez, quem saiba, dessa forma o imperador dessa mais atenção a sua mulher oficial.

— Dona Leopoldina — Matilde chamou a atenção da mulher ao entrar no quarto com uma xícara de chá. A imperatriz deu um sorriso agradecido, mas, com a cabeça dispensou a mesma, voltando a encarar o seu bebê. O medo de perdê-lo, como ocorreu com dois outros seu, era enorme. A mulher já até havia pedido para que Matilde, ou qualquer outra, ficasse encarregada de trazer um padre logo após o nascimento da criança (esta, claro, se fosse um menino) para que pudessem benzê-lo e evitar que a maldição caísse sobre o mesmo.

— Alguma das meninas acordou? — a imperatriz indagou virando-se para Mariana que tinha um sorriso alegre e gentil. A mulher logo se recompôs.

— Não senhora.

— Sinto-me mais aliviada — respondeu dando um sincero sorriso, que fez Mariana se alegrar. Ah, como era bom ver sua majestade sorrindo, se distraindo, e esquecendo-se do imperador e de Domitila.

— Vossa Majestade já escolheste o nome? — Matilde indagou depositando a xícara em cima do criado-mudo e virando para a imperatriz. A parteira já estava sem aquele avental ensanguentado, e suas mãos já estavam limpas. A imperatriz, ainda encarando o bebê e passando a mão pelo seu rosto delicado, soltou:

— Seu nome será Pedro — acrescentou ainda passando a mão no rosto. Mariana trocou um olhar delicado com Matilde. — Em homenagem á São Pedro de Alcântara — a imperatriz logo acrescentou, ainda passando a mão no rosto do filho. Leopoldina não faria a besteira de homenagear o seu marido (por mais que todos pensariam nisso). — Ele será dedicado aos seus súditos, será diferente do pai — comentou já se sentindo emocionada.

— Ele será como você, Dona Leopoldina — Mariana falou dando um sorriso para a mulher, que a encarou. Era óbvio que todos amavam mais a imperatriz do que o imperador. Até o próprio imperador via isso!

— É... Eu espero que ele seja — a mulher murmurou fitando o bebê que começava a se acalmar. Seu desejo maior não era que, agora, Pedro fosse amado por todos. Seu desejo maior era que ele vivesse até ser amado por todos.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado disso. E, como eu dou duro - muito duro - nessa fanfic, peço reconhecimento, ok? Nem que seja só um pouquinho.Fará bem para a minha saúde. E se vocês não entenderem, usem o espaço em branco logo abaixo, tanto para elogiar, criticar, perguntar, e etc. E, eu voltarei algum dia com o próximo capítulo. Até mais, todo mundo!http://bonecofumante.blogspot.com.br