Memórias de um Imperador

2 Pedro, conheça uma pequena parte da população.


Notas iniciais
Hei, então, eu voltei com mais um capítulo que acabou de ser revisado. Eu peço desculpas pela demora, mas tive alguns problemas em relação a esse capítulo. Antes de começar a escrevê-lo eu tinha ideia de fazer um batizado, logo em seguida, mudei porque Dom Pedro II era maçom, mas Dom Pedro I foi expulso da Maçonaria em 1822, então eu não sabia se poderia escrever um batizado ou não. Mais tarde eu descobri que o bisneto de Dom Pedro II, também com o nome de Pedro, foi batizado em uma Igreja no Rio de Janeiro. Eu ainda estou com incerteza de fazer um batizado para Dom Pedro II, então, eu quero muito que vocês me ajudem a pensar sobre, certo? Eu devo fazer um batizado para ele, sim ou não? Bom, mas falando do capítulo, eu fiz algo que fizeram recentemente na Inglaterra com o bebê recém-nascido. Apresentaram-o ao público afronte ao Palácio. E também citei a Cisplatina (o Uruguai nos dias de hoje) que era uma província (estado) do Brasil antigamente. Boa leitura!

— Um menino? — Maria da Glória perguntou um pouco animada. Mariana assentiu, enquanto penteava o cabelo louro dourado da menina. A garotinha deu um meio sorriso. — Que bom que és um menino! Estou farta de garotas! — resmungou cruzando os braços. Mariana deu um meio sorriso a garota.

— Dona Mariana, elas já estão prontas? — uma criada entrou no quarto. Seu vestido branco sujo na barra, pequenas gotículas de suor escorrendo pelo corpo. Mariana assentiu, largando a escova na penteadeira branca. Maria da Glória encarou a mulher que penteava seu cabelo, e por fim, levantou-se.

— Posso ver a mamãe? — perguntou já mais animada. Mariana assentiu. A princesa saiu dali andando como uma jovenzinha, fazendo Mariana dar um sorriso. Como havia crescido...

— Estão — Mariana respondeu á criada voltando a cama com as duas pequeninas. Januária, com seus três anos de idade, dava seus passinhos curtinhos e vagarosos. A mulher pegou Francisca no colo, e fez um sinal para a negra na porta, para a mulher pegar Paula Mariana, que mordia o vestido branco que usava.

A negra pareceu um pouco assustada, mas logo tomou dianteira e partiu na direção da menininha que parecia estar irritada com o vestido branco grande e cheio. Mariana riu, segurando Francisca fortemente, a garota balançava seus pezinhos e mexia no cabelo da mulher, dando leves puxadas de vez em outra. Mariana esticou sua mão para Januária, que deu um sorriso sapeca e agarrou na mão da mulher, sorrindo enquanto dava os passinhos com suas perninhas gordinhas.

A mulher ás vezes se sentia feliz cuidado das crianças de Dona Leopoldina, mas tinha de admitir, sentia falta de pegar sua menininha no colo e contar história sobre heróis da história portuguesa. Dona Mariana tinha medo de perder toda a infância de sua filha, e por mais que a cozinheira admitisse isso estar acontecendo, a mulher insistia em negar constantemente.

Caminharam mais um pouco, chegando próximo aonde Dom Pedro I era arrumado por Domitila. Mariana teve de se controlar assim que viu aquela mulher ajeitando o terno de Dom Pedro I, com um sorriso torto no rosto e a felicidade nos olhos pouco brilhantes.

Mariana clamou num sussurro baixo pela criada que trazia Paula Mariana a qual tinha uma cara nada agradável. A mulher avistou a Imperatriz um pouco a frente, com o pequeno Pedro em seu colo, enquanto a mulher sorria para a criança que acabava de nascer, e que poderia finalmente quebrar a maldição. Mariana tinha suas esperanças. Assim como teve com Miguel e João Carlos, teria com Pedro, e desta vez, Deus estaria do lado dos Bragança.

— Dona Leopoldina — Mariana fez uma pequena reverência ainda segurando Francisca em seus braços e apertando a mão de Januária, que se soltou forçadamente e andou a passinhos lentos em direção a Maria da Glória, a qual estava ao lado da Imperatriz, passando a mão nos pezinho do pequeno menino, que tinha os olhos abertos e a face com certo cansaço. A criada ao lado de Mariana também fez uma pequena reverência e se limitou a deixar Paula Mariana no banco próximo a mulher do Imperador. Fez outra reverência e então saiu a passos apressados com seus pés descalços.

— Elas estão deslumbrantes, Mariana! — Dona Leopoldina exclamou com um entusiasmo e certa felicidade. A mulher sorriu, colocando Francisca no banco, e deixando com que Maria da Glória corresse ao encontro da irmã, deixando uma Januária confusa, e indo atrás da irmã mais velha. ­— Estão mais lindas que a própria mãe! — admitiu com um sorriso de canto. Mariana sorriu. Nem parecia que Domitila estava a alguns passos das mulheres e crianças, arrumando Dom Pedro I e lhe dizendo palavras confortantes.

Dona Leopoldina voltou-se a observar o pequeno menino em seus braços. Sua cabeça com poucos fios, sua face com cansaço pela noite mal dormida e cheio de barulho com a chegada do Imperador ao Palácio. Entretanto, isso não diminuía a beleza do garoto e a esperança que todos tinham em seu coração.

A alguns passos dali, Domitila deu um sorriso ao seu amado.

— Tudo darás certo, Pedro — falou colocando o máximo de confiança em sua fala. Domitila tinha de admitir estar um pouco receosa quanto ao fato da criança de Leopoldina ser um menino. Não havia dado nenhum menino á Dom Pedro, e pensar que Leopoldina fizera tal ato, poderia fazer Dom Pedro se aproximar da criança, se aproximando cada vez mais de Leopoldina.

— Sempre tão confiante, Domitila — o homem comentou de volta, passando seu polegar pela bochecha esquerda da mulher. Seu rosto delicado estava pintado de forma fina e bem fraca. Domitila gostava de aparecer com seu rosto limpo a qualquer tipo de resíduo artificial, mas de vez em outra, se resistia aos encantos que tais resíduos poderiam fazer. — Pergunto-me como pude merecê-la...

— Oras, Pedro! Tu és o amor da minha vida — sussurrou próximo aos lábios do amado. Pedro sorriu e fechou seus olhos por alguns segundos. Várias pessoas afirmavam e recobravam que Domitila só estava com o Imperador pelo seu dinheiro, pelo seu poder, entretanto, diante a moça, Pedro via em seus olhos a bondade, a felicidade e isso o fazia esquecer-se de qualquer coisa que as pessoas dissessem. Amava aquela mulher.

— Tenho de ires, Domitila — o homem soltou com sua voz grave e séria. Os olhos de Dom Pedro se abriram, revelando as órbitas sérias e temerosas do rapaz. Já havia feito isso com Miguel e João Carlos. Tinha medo de repetir a mesma história e enterrar os filhos, como fizera das últimas vezes.

Domitila assentiu, dando um passo para o lado, dando espaço para o Imperador caminhar até a sua oficial esposa, que se encontrava com suas filhas e Dona Mariana — a fiel escudeira de Leopoldina e uma segunda mãe para as filhas da Imperatriz. Maria da Glória logo avistou o pai, sorriu e foi andando na direção do homem, abraçando-lhe as pernas. Pedro sorriu com o gesto.

— Imperador — Mariana fez uma pequena reverência, colocando-se atrás do banco, onde Paula Mariana, Francisca, Januária e Leopoldina com o pequeno Pedro repousavam. Pedro II sorriu para a mulher e se virou para Leopoldina.

— Estás na hora? — sua esposa questionou fitando o bebê que aparentava estar com a vontade de começar a chorar clamando por alguma coisa que dificilmente os pais entendiam.

— Sim — o homem respondeu. Dom Pedro pegou Francisca no colo, e logo em seguida pegou Paula Mariana. Estava acostumada a conviver com todas suas filhas, e pegá-las no colo não era um desafio. Fez um pequeno aceno para Maria da Glória, que agarrou na mão gordinha de Januária e sorriu para a irmã mais nova. Dona Leopoldina colocou-se de pé, balançando o pequeno bebê em seus braços.

Todos se viraram para a janela que continha cortinas longas e brancas, que balançava pouco com o vento nada úmido de dezembro. Diferentemente do clima que Dona Leopoldina estava acostumada, no Brasil, em dezembro, o Sol era forte, e o calor era muito. Não se via neve por ali, nem mesmo nos meses mais frio. Raramente, os pequenos flocos ousavam cair no Sul, mas a mulher não se contentaria em ir para o Sul somente ver a neve cair. Havia-a visto muito quando era pequena, e também sentindo o frio que ela causava.

O homem sorriu para sua mulher, tentando passar alguma confiança para ela, mas a mesma se permitiu a suspirar e fitar as cortinas fechadas, implorando para que aquilo acabasse logo.

Depois de um rápido anúncio na sacada, os guardas abriram as cortinas brancas, e então os portugueses caminharam em direção a sacada.

Da última vez que estiveram ali, era Francisca quem repousava nos braços de Dona Leopoldina. O povo estava mais contente, menos bravo, irritado com o governo de Dom Pedro I. Eles aplaudiram, gritaram urras de comemoração e então se dispersaram quando o monarca e sua família adentraram de volta ao Palácio. Leopoldina estava feliz pelo povo, e também pelos gritos de comemoração. Estava alegre naquele dia.

Assim que adentraram na sacada, Dona Leopoldina já percebeu a diminuição da última vez. O povo que estava ali esperou alguns segundos, até alguns aplaudirem, enquanto outros apenas encaravam. Dona Leopoldina sorriu, um sorriso forçado, mas sorriu; e ergueu seu pequeno menino, mostrando a todos a chama da esperança para quebrar a maldição que tacaram na Casa dos Bragança.

O pequeno Pedro em seus braços mexeu as mãozinhas, e depois os bracinhos, tentando pegar as nuvens brancas que envolviam o Sol quente. Januária reclamou enquanto Maria da Glória olhava tudo admirada, agarrada as grades vermelhas. Paula Mariana parou de morder o vestido e levantou a mão, mas logo baixou, e Francisca apenas bocejou, incomodada por ter sido acordada cedo.

Dom Pedro II olhava tudo aquilo um pouco aturdido, mas também contente. Ver que ainda existia uma porcentagem do povo que admirava o carisma do monarca era bom. Por mais que a grande maioria dos habitantes estivesse se revoltando, criando revoltas e rebeliões, o Imperador sabia que ainda existia aqueles que estariam ao lado dele. Fosse qual fosse sua decisão para com o Brasil.

Ficaram ali até o bebê começar a se espernear no colo de sua mãe, mexendo os bracinhos com rapidez e força. Dona Leopoldina deu um último aceno à multidão, que já começava a se dispersar, e entrou no interior, vendo somente os dois guardas que estava ali anteriormente. A mulher balançou Pedro em seus braços e então começou a caminhar em direção ao seu quarto, onde poderia descansar da noite mal dormida.

Pedro fez um aceno para os guardas, que se curvaram rapidamente e voltaram a fechar as cortinas brancas. O homem reprimiu um suspiro cansado e então partiu em direção a seu escritório, onde João o esperava, em pé, próximo a mesa, segurando o chapéu surrado.

— Achei que tivesse cansado de esperar — o Imperador comentou com um sorriso torto. João fitou o homem e deu uma leve reverência, negando com a cabeça enquanto projetava um sorriso de canto. — Ah, João, já vistes meu filho? — questionou sorrindo. João negou para o homem, enquanto o mesmo sentava-se na cadeira atrás da mesa tão refinada. — Mais tarde irei te levar para conhecê-lo — afirmou animado.

— Certamente deve parecer muito com o senhor — João falou recebendo um aceno banal de Dom Pedro I, que indicava a cadeira afronte a mesa, para João se sentar. O negro assim fez.

— Oh, não muito — o homem passou a mão sobre a barba, ajeitando-a. — Pedro ainda és um bebê recém-nascido, não tens características certas — afirmou passando seus olhos sobre as cartas e os documentos. — Estive pensando sobre Cisplatina, João... — o homem afirmou deixando mostrar sua aparência cansada.

— Pretende deixar o Lavalleja tomar Cisplatina? — João perguntou certamente preocupado. Não que fosse do seu interesse ter Cisplatina como território brasileiro, mas a província tinha alguns súditos fieis, além de que era boa e muito importante ao Império Brasileiro.

— Não, não, isso seria a última coisa que eu faria — Dom Pedro comentou soltando o suspiro reprimido de alguns minutos atrás. Sua mão pegou a carta que havia recebido há algum tempo atrás. Seus olhos miraram a letra feia, mas que formavam palavras complicadas e bem atribuídas. — Não posso me arriscar novamente, João.

— O nordeste foi contido, Dom Pedro, principalmente Pernambuco — João rebateu. O Imperador retirou seus olhos cansados da carta e mirou-se em João, que tentava sorrir, demonstrando confiança. — O senhor os perdoou, e tudo voltaste ao normal — afirmou com os olhos brilhando de orgulho perante aquele a quem olhava. — Fará tal coisa com Cisplatina, eu acredito!

— És diferente, João — o homem deixou a carta sobre a mesa. — Nosso exército é pequeno — comentou enquanto fechava suas pálpebras, deixando apenas o escuro em sua mente. — Por mais que nossa população sejas grandiosa, nosso exército não chega à casa do milhar — seu rosto pesou para trás, e Dom Pedro o deixou cair.

— Nós estamos recrutando o máximo que podemos, senhor — João falou com a voz um pouco esganiçada. Não estava no comando para poder retrucar os jovens soldados, mas tinha as coisas no controle no Rio de Janeiro. Não eram todos os jovens que se recrutavam para o exército.

— Precisamos também de armas e novos navios para a Guerra — a voz de Pedro saiu forte e séria, e o Imperador abriu os olhos soltando um suspiro. Os olhos de João ficaram atentos. — Nós não podemos perder Cisplatina.

Notas finais
Bem, nada de dar spoiler sobre o futuro, mas vocês já sabem o que vai acontecer. Coitado do Pedro I. Oh, sim, a Maldição que sempre está sendo citada foi um mito, e ela foi citada em crônicas e tudo mais. A maldição foi lançada por um frade em Dom João IV, dizendo que os Bragança nunca teriam um primogênito que chegaria ao trono. Eu meio que a transformei para um rapaz que nunca chegaria ao trono, mas continua o mesmo sentindo. Comentem o que vocês acharam desse capítulo, e até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.