Aquele pesadelo me deixou um pouco perturbada, mas mesmo assim, eu não me lembrava o que havia acontecido. Cumprimentei minha tia e fui para a escola normalmente. No caminho, encontrei Rosalya, quando ela me viu, percebi que se assustou e notei que ela estava um pouco diferente, mas nem toquei no assunto, deveria ser briga com namorado ou algo assim. Nas aulas não aconteceram nada demais. Durante o intervalo, fiquei com as garotas conversando. Algumas delas levaram lanches e nos ofereceram.

Eu ouvi Melody e Íris cochicharem que eu e Rosalya estávamos um pouco estranhas hoje. E realmente... Hoje apesar de estar normal, estava tão estranho. Era um clima um pouco tenso e eu não sabia por quê.

Logo na saída, subimos todas embora, e como no dia de anteontem, sobramos apenas Rosalya e eu. Ela me encarou e me disse em uma voz bem estranha, um pouco sombria “Sinto uma aura maligna”. Eu a encarei e perguntei “Oque?” Ela piscou os olhos e deu uma leve chacoalhada na cabeça, ela me olhava normalmente de novo. “Nada não”. Conversamos bastante, e o clima já não estava tenso.

Nos despedimos e eu fui pra casa. Novamente minha tia não estava lá e o carro também não. Pensei em entrar naquele quarto novamente, mas achei melhor não e continuei á explorar a casa. Afinal, era a casa que eu estava morando. Entrei no corredor e novamente as portas trancadas e os quadros. Cheguei onde estava à porta do quarto vermelho, a porta estava tampada com papéis de parede. Um pouco estranho e assustador. Veio-me á cena da minha tia gritando e repetindo aquelas palavras e percebi que ela nunca havia ficado assim. Ela sempre foi calma, educada, gentil e engraçada. Mais estranho ainda é o fato de ela sair sem dar satisfações e não atender ao telefone. Quando me deparo com outra porta que não estava trancada e me perguntei se não tinha problema eu entrar também. Achei melhor não. Deixarei para outra hora, quando tivesse certeza de que minha tia não voltaria logo.

Continuei á andar no corredor. Na frente, havia uma escada para cima. Á esquerda, uma escada para baixo. E á direita, uma porta. Eu havia pegado certo trauma de abrir portas desconhecidas. Mas o medo havia de ser enfrentado. Eu abri aquela porta e juro não ter enxergado nada daquilo, além de tudo branco, e logo após abrir meus olhos, ter visto uma garota de vestido verde, correndo. Ela era loira, bem branca com olhos azuis. Eu também podia a ouvir rir, mas depois disso nunca mais a vi.

Logo após a visão, o quarto voltou ao normal. Era um lugar comum, havia alguns quadros na parede, algumas coisas tecnológicas como celulares, computadores, videogames, etc... Não reparei muito por lá, apenas fiquei impressionada com os computadores de última geração (eram cinco). Quando saí, olhei pelo corredor para me certificar de que minha tia não estava lá. Então resolvi descer a escada que havia logo á minha frente.

O caminho era iluminado, mas foi ficando um pouco escuro ao decorrer de cada degrau. Quando cheguei ao final, havia outro pequeno corredor, porém largo, com 3 portas e uma grande porta no final.

Na primeira porta, não havia absolutamente nada, era um quarto com parede branca, piso de madeira e um lustre de cristal muito bonito. No segundo quarto (que era ao lado), não havia nada também, era praticamente uma réplica do quarto anterior. O terceiro quarto estava completamente escuro, mas aparentemente era o mesmo que os quartos anteriores, sem o lustre. Eu voltei, subi as escadas novamente e reparei que o corredor estava mais escuro, porém ainda havia luz. Fui correndo até a sala, quando me deparo com a cena de dois assaltantes. Estavam armados e um deles apontava para a cabeça de minha mãe enquanto conversavam em uma língua estranha. O outro, apenas conversava também, naquela língua desconhecida. Nenhum dos dois havia me visto até minha tia me perceber e me encarar. Logo, os dois perceberam minha presença e um dos dois começou a me dizer coisas estranhas. Depois de minha tia ter falado algo que não entendi, ele falou comigo normalmente, me injetou algo nas veias e acordei apenas no dia seguinte, com o despertador tocando.

Foi muito estranho aquilo, eu não me lembrava de nada, mas logo as memórias foram voltando e me pergunto se havia sido um pesadelo. Eu estava em meu quarto e havia percebido que novamente estava atrasada para a escola, mas dessa vez eu consegui pegar o portão aberto, por pouco.

Eu não conversei muito com as pessoas hoje, só conversei com Lysandre na sala. Castiel me olhava feio, devia estar com ciúmes do amigo dele. No intervalo fui ao refeitório pela primeira vez, era bem grande e tinha muitas opções de refeições. Eu subi as escadas do refeitório e fui pra parte de cima. De lá eu avistei uma pequena discussão entre um ruivo e um loiro. Percebendo melhor, era Castiel e Nathaniel. Os dois xingavam um ao outro, mas não conseguia ouvir direito, e logo partiram para os socos. Vieram algumas pessoas para apartar a briga, mas não adiantou muito, continuaram se batendo, mas logo a diretora veio saber o que estava acontecendo e os dois foram até a diretoria. Não sei mais de nada da história, logo depois disso. Perguntei para Íris, ela me disse que era por que eles não se davam bem. Acho que não é só isso, mas não tenho opção, senão acreditar.

Logo na saída da escola, Castiel e Nathaniel ficaram encarando um ao outro. Uma garota loira segurou Nathaniel e foram embora. Lysandre segurou firme nos braços de Castiel. Eu apenas observava junto com Rosalya, Íris e Melody.

Em casa, minha tia novamente não estava em casa, nem me preocupei com nada, estava cansada. Só fui comer alguma coisa, me deitei e dormi.

Quando acordei, percebi que não estava em casa, era um lugar escuro, com pouquíssima iluminação, parecido com a escadaria para baixo, no fim do corredor. Ouvia algumas vozes, mas eu não entendia nada do que falavam. Era uma língua estranha, aquilo não me era incomum. Eu estava deitada e podia sentir fortes dores de cabeça. Outra coisa que sentia também, era a presença de alguém ali, mas não podia ver nada. Levantei-me e comecei a andar e gritar por alguém. Sem respostas. Percebi que ali havia um interruptor, apertei-o, mas não fazia efeito, á não ser algumas faíscas. Apertei novamente e as faíscas saíram. Depois de alguns segundos, a luz se acendeu. Resolvi então me virar, eu não deveria ter feito isso. A pior coisa que fiz na minha vida. Foi uma cena horrível. Minha tia estava me olhando torto, com olhos pretos e olhar mortal. Dentes afiados e enormes saíam da boca dela e ela sorria. Era um sorriso maligno. Ela foi se aproximando e eu suava frio... Até que ela colocou as duas mãos nos meus ombros e enquanto me encarava, continuava a dizer palavras desconhecidas. Ás vezes me olhava bem no fundo dos meus olhos e sorria. Ás vezes sorria. Mas não era um sorriso de felicidade. Era um sorriso de como quando um assassino mata alguém por prazer. Estava muito assustada e meu coração saía pela boca. Ela foi aproximando o rosto ao meu e abrindo a boca, que deixava visível aqueles dentes afiados enormes e assustadores. Repetindo as mesmas palavras, agora com uma voz demoníaca, ela gritava ás vezes. Ela finalmente me mordeu. Perfurou meu pescoço e foi indo pra baixo.

Quando me dei conta, minha tia estava encima de mim me acordando. Quase tive um infarto de susto.

– Tia, pelo amor de Deus, não faz isso.

– O que foi? Eu só estava te acordando. Você não tem aula não?

– Hoje é sábado, tia, Sábado!

– A é! Então vá se arrumar e sair se divertir com seus novos amigos e amigas.

– Eu mal cheguei na cidade.

– Só foi uma idéia. Você nem sai de casa... Não pode ficar tanto tempo assim, presa!

– Posso sim! – Sorri.

Ela me olhou com cara feia e foi pra lá. Vesti um pijama qualquer, escovei os dentes e fui até a cozinha. Tinha bolo de fubá, leite e algumas frutas. Comi e fiquei apenas no computador e desenhando. Eu conversava com alguns amigos virtuais... Eu conhecia pessoalmente apenas um deles. Minha vida, eu apenas considerava a virtual. Ficava horas conversando com eles, muitas vezes, o dia inteiro. Eu achava que minha vida era uma merda e não valia muito a pena viver realmente. Victor era um amigo da minha antiga cidade, virou virtual por eu não poder mais falar com ele pessoalmente.

Ouço a campainha tocar. Atendo e... Era Rosalya, Íris e Melody. Eu as convidei para entrarem e minha tia havia feito um almoço delicioso. Ficamos conversando no terceiro andar da minha casa. Cheio de puffs coloridos, com alguns jogos também e a parede frontal era toda de vidro, mas tinha uma cortina gigante vermelha com uma renda. Ficamos jogando kinect e nos divertimos muito.

Eu as convidei para dormirem em casa hoje e aceitaram. Elas ligaram em suas casas para avisar que iriam dormir na minha casa hoje. Como já estava tarde, eram 19:56, peguei toalhas e todas fomos para um dos banheiros. Esse era o maior banheiro da casa. Ele ficava á uma escadinha acima do terceiro andar, onde havia uma pequena escada. Havia um grande ofurô, duas banheiras e dois Box com dois chuveiros, um vaso sanitário mais á frente e uma pia embutida na parede e um armário com espelho encima. Nos divertimos até no banheiro.

Acabando, descemos as escadas e fomos até meu quarto, que era grande suficiente para todas. Perguntei para as garotas se elas preferiam um quarto de hóspedes...

– Ah não... Sua casa é muito grande! Seria um pouco assustador ter que ir sozinha até a cozinha de madrugada para tomar um copo d’água. – Comentou Íris.

Todas nós rimos.

Ouvi minha tia chamar e descemos até a cozinha. A janta estava muito boa! Afinal, era pizza! E de sobremesa, torta de sorvete.

Minha tia pegou uns colchões e trouxe para meu quarto. Minha cama era de casal, mas deitei no chão com as garotas. Começamos a conversar e então resolvemos assistir um filme, todas concordaram com um de terror. Descemos a escada para preparar coisas para comer, como brigadeiro, pipoca e suco.

Enquanto descíamos a escada, ouvi um barulho, parecia ser algo como alguém caindo da escada, mas nenhuma de nós havia caído. Todas ficamos nos entreolhando assustadas e paramos por um tempo. Logo resolvemos descer a escada normalmente.

Rosalya fez o brigadeiro, Melody fez o suco, Íris fez a pipoca e eu fiz alguns lanches naturais. Subimos rapidamente. Eu dei uma leve olhada para trás enquando subia, eu jurei ter visto um vulto, mas foi bem rápido. Continuamos subindo.

Liguei o DVD, enquanto as garotas se aconchegaram. Nos divertimos bastante, eram mais risadas do que susto. Ao final, estávamos todas com sono. Melody já havia dormido mesmo com a pipoca na mão. Tirei a pipoca da mão de Melody e demos boa noite.

Sonhei que Rosalya era algo que tinha entrado na minha vida para me ajudar. Era uma espécie de “Minha tia era o mal e Rosalya era o bem”. Elas falavam em uma tal Princesa da Lua. Só ela poderia combater todo o mal que viesse. Só ela tem poder suficiente para enfrentar o Diabo, se ela quisesse. Mas ambas tinham dúvida de qual lado a princesa ficaria e não tinham pista nenhuma sobre ela.

Foi um sonho bem estranho, porém normal, comparado aos outros. Pergunto-me se esses sonhos fazem algum sentido com a minha vida, ou se são apenas fruto da minha imaginação, pelo fato de viver muito o mundo virtual e imaginário.

Acordei primeiro que as garotas e reparei que Rosalya havia saído. Eu a procurei pela casa. Desci as escadas para a sala e resolvi ir ao corredor. Percebi que a porta do quarto vermelho estava aberta. Eu fui me aproximando... Vi um fio de cabelo branco, acho que era Rosalya quando me aproximei mais eu vi... Minha tia também estava lá, mas as duas olhavam para frente e não me enxergaram.

Rosalya resolve se virar pra mim, acho que ela me percebeu...

Era um olhar morto, sem vida, me pergunto o que havia acontecido... Me lembrei daquele sonho maluco que tive hoje e fiquei completamente assustada.

Minha tia ia dizer algo mas Rosalya interrompeu.

– Ainda não é a hora.