“O que está acontecendo?” Pensei.

– Apenas esqueça isso. – Comentou Rosalya.

“Ela lê minha mente?” – Pensei, novamente.

Rosalya me olhou com uma expressão diferente um pouco, apenas cerrando os olhos levemente.

– Preciso ir embora. – Rosalya disse.

– Mas já? Comeu alguma coisa pelo menos? – Perguntei.

– Não, eu como em casa.

Ela se despediu de mim e da minha tia e foi embora. Eu subi no meu quarto e as garotas ainda estavam dormindo. Eu resolvi ir ao banheiro ao lado. Tomei um banho na ducha, escovei os dentes e me troquei. Quando voltei no quarto, Íris e Melody já tinham acordado. Elas foram ao banheiro também e eu aproveitei para esperá-las ficando um pouco na internet.

Você: Acontecem coisas estranhas com você?

Victor: Como assim?

Você: Minha tia... Ela age estranho desde que me mudei de cidade.

Victor: Se a sua família tem histórico de pessoas com problemas mentais é provável que seja normal.

Você: Não tenho certeza se é algo do tipo.

Victor: Por quê?

Você: Ela estava estranha, porém não estava fora do normal.

Victor: Entendo.

Você: Depois eu entro de novo. Preciso sair, tchau!

Victor: Tchau.

As garotas estavam vindo, por isso me despedi de Victor rapidamente. Não quero que pensem que sou uma anti-social depressiva por ficar muito tempo na internet.

– Cadê a Rosa? – Perguntou Melody.

– Ela teve que sair, o pai dela a ligou. – Respondi, olhando para os lados.

– Entendi...

– O que vamos fazer agora? – Indagou Íris.

Surgeri irmos ao shopping fazermos compras. Todas concordaram.

Já estava tudo certo. Tomamos café da manhã e fomos até o ponto de ônibus, que era perto de casa. Fizemos compras á tarde toda, e no fim, fomos no cinema do shopping. Foi bem divertido, mas me pergunto se Rosalya não iria ficar chateada...

“Ah, ela foi embora sem ao menos se explicar.” – Pensei.

No caminho de volta para a casa, fomos embora com o ônibus novamente, tudo ocorreu bem.

Passei a noite inteira conversando com Gary e Lettuce, claro, pela internet. Victor não havia entrado naquela noite, eu havia ficado preocupada. De vez enquando eu ouvia alguns barulhos estranhos, mas não sentia medo algum, apenas coloquei meus fones e aumentei o volume.

A cada frase dita daquela musica, uma memória de alguém muito especial pra mim no passado.

[Flashback on]

“Eu sinto minhas asas quebrarem em suas mãos”

– Eu não quero que você me deixe ir!! Eu quero ficar aqui com você pra sempre!! Você não entende?!

“Sinto palavras não ditas dentro de você, e isso me deprime”

– Nós nunca seremos “nós”. Você acha que me ama, mas não é verdade.

“Eu lhe daria qualquer coisa que você quisesse, mas saiba, você era tudo o que eu quis”

– Eu nunca menti pra você. Meus sentimentos e minhas palavras são e sempre foram sinceras, não havia nada nem ninguém que eu já havia amado tanto [...]

“Todos os meus sonhos estão mortos.”

[...] Eu desisti de tudo. Eu larguei tudo por você [...]

“Rastejando ao redor”

[...] E no fim, eu só fui mais um brinquedo pra você. De mim nada restou. Eu estou morta por dentro e cansada por fora.

Preciso de alguma alma para fazer companhia para minha solidão.

“Alguém me salve...”

[Flashback off]

Foi uma noite fria, solitária e depressiva. Eu me sentia vazia, nada tinha efeito sobre aquela camada de pedra no meu coração. Quando eu finalmente havia entendido o amor, ele resolveu brincar comigo. Mas por incrível que pareça, isso me ajudou a me tornar uma pessoa melhor.

Victor me perguntava o que havia acontecido, eu apenas respondia que estava doente.

Me deitei, caí no sono. Dessa vez não houve sonhos, não que eu me lembre, afinal só restaram os pesadelos, mas nem isso teve. Acordei com Rosalya apertando loucamente a campanhinha.

– O que lhe fez vir em casa tão cedo? – Perguntei.

– Escola, né? Dã! – Brincou.

– E o que mais?

– Preciso lhe pedir desculpas por ontem. Sabe... Existem algumas coisas que eu queria poder lhe contar, mas pelo menos agora não posso. Preciso ter confiança total em você, coisa que no momento eu não tenho. Preciso que me entenda.

– Claro que eu entendo. Eu também não posso sair contando coisas para você, Íris e Melody. Não por enquanto.

Rosalya sorriu, e eu retribuí o sorriso.

Me arrumei rapidamente, enquanto Rosalya comia alguma coisa na cozinha. No caminho, conversamos sobre coisas normais de quem acaba de se conhecer. Bandas preferidas, comidas que mais gosta e odeia e outras coisas... Eu e ela somos parecidas em algumas coisas. Mas Rosalya é tipo uma versão melhorada de mim. Ela faz amizade facilmente, é divertida... Alguém que qualquer cara deseja ter ao lado. Claro, além de linda e ter um corpo de invejar qualquer uma. Isso me deixa com uma invejinha básica... Fora o fato de ela conseguir ser durona. Esse jeito de marrenta dela ás vezes... Eu queria conseguir ser assim, mas sou uma bobona, chorona, manteiga derretida. Ah! Como eu queria ter a metade da coragem dessa garota... Mas ao menos posso tê-la do meu lado.

Durante o intervalo, eu preferi ficar sozinha sentada no banco. Eu percebi que alguém se aproximava de mim, mas eu estava distraída conversando com Victor pelo celular. Quando me deparei, vi que era Lysandre e rapidamente desliguei a tela do celular para que não me fizesse perguntas ou algo do tipo. Ele me pedia um favor.

– Quero que me ajude á encontrar meu bloco de notas, se não for um incômodo, por favor.

– Ajudo sim!

Então eu procurei em um canto, e Lysandre em outro. Enfim, achei. Estava embaixo de uma Cerejeira que havia ali por perto. O Bloco de notas estava cheio de terra e poeira. Eu ia abri-lo para ler, mas achei errado, não gostaria que fizesse algo do tipo comigo.

Eu devolvi á Lysandre. Castiel estava junto e me olhava de vez enquando. Lysandre agradeceu e eu voltei ao banco. Ouço então uma voz de longe...

– Ei! Venha aqui! – Castiel gritou.

Fui até lá para ver o que Castiel tinha á dizer, eu falava com ele poucas vezes.

– O que foi?

– O trabalho? Você fez?

– Você está no grupo também, senhor Castiel!

– Sim! Mas você é a nerd do grupo. – Sorriu.

– Ah, me poupe! Eu tenho mais o que fazer. Faça sua parte que eu faço a minha, fechou?

Ele me olhou com uma cara emburrada e braços cruzados.

– Era apenas uma brincadeira. Você é séria demais!

Dei os ombros e voltei ao meu lugar. Fiquei pensando nisso... Talvez eu tivesse que parar de pensar nas coisas e agir mais. Eu pensava demais... Castiel havia dito para mim que eu era séria demais. O que aconteceu comigo? Eu nunca fui assim. Sempre levei tudo na brincadeira. Coloquei novamente meus fones e voltei á falar com Victor no chat.

“Mudaram as estações

Nada mudou...

Mas eu sei que alguma coisa aconteceu

Ta tudo assim, tão diferente...”

Me vinham á mente aquela cena e não saída da cabeça. E a música não ajudava em nada.

“Se lembra quando a gente chegou um dia acreditar

Que tudo era pra sempre, sem saber

Que o pra sempre, sempre acaba...”

Recuso-me á acreditar em promessas novamente. E isso é uma promessa, para mim mesma.

Talvez isso seja só bobagem da minha mente. Eu devo esquecer isso. Meus amigos virtuais já devem estar cheios de ter que ler todas aquelas baboseiras que eu escrevia.

Eu observava as pessoas no intervalo. Percebi que quando Castiel havia me chamado, aquela garota loira estava me olhando feio novamente, não entendia o que ela queria, talvez um dia eu saiba. Aliás, eu não entendia nada dessa vida. Até agora nada fazia sentido, era tudo um mistério. Nem mesmo minha própria casa eu conhecia completamente, como poderei saber da vida? E das pessoas? É tudo um grande mistério pra mim e eu pretendo resolvê-lo.

Notas finais
Comentem e dêem opiniões/críticas se for necessário. Obrigada pela leitura! :D Músicas dos trechos em negrito: Remy Zero - Save Me Renato Russo - Por Enquanto