Memórias de Um Guildmaster

5 Dia 5 - Nublado / Dia 6 - O jovem de Ice Dungeon


Dia 5 — Nublado

Falar de amores no passado e mulheres acabou lembrando-me “dela”, uma outra moça que acabou com minha vida... E eu não quero lembrar “dela”. Maldição, percebi que diferentemente de ontem, meu dia começou nublado. Muito nublado. Muito, muito nublado e chato. Eu não estou afim de escrever hoje. Achou que vou deitar-me. E por que raios está chovendo? Odeio chuva. Odeio você também, malditas memórias! Por... (Este pedaço do papel encontra-se rabiscado.)

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Dia 6 – O jovem de Ice Dungeon.

Em minha crise de ontem, enquanto eu estava deitado, observando a chuva cair na janela, acabei lembrando-me de mencionar alguém muito importante. Estranho, por que sempre que deitamos na cama nós paramos para pensar nas coisas que não fizemos no dia? Nós pensamos na vida, ou em meu caso na morte. Hah, hah, hah! Entendeu o trocadilho? Ah, deixa pra lá...

Aquele jovem em Ice Dungeon entra em cena agora. Pouco tempo depois do incidente com Ktullanux, lembrei-me daquele Hunter que treinava logo na porta do labirinto de gelo. Diziam que eu era muito bondoso, mas foi essa bondade que mais tarde tornou-se minha maior sina. Porém, ao mesmo tempo foi ela que levou-me a conhecer meu melhor amigo. O jovem estava a treinar matando alguns Geographer na área, sua sorte era de não deparar-se com nenhum Gryphon até agora.

— Meu jovem, necessita de alguma ajuda? — perguntei educadamente.

O Hunter virou-se, e um pouco espantado deu um passo para trás. Acho que minhas roupas chamavam atenção demais, e me deixavam com uma aparência forte. Ele me olhava maravilhado agora.

— Eae, mano! Tu vai ter a paciência de me upar?? Que dahora, bicho!! — respondeu o menino, animado.

Eu dei um passo para trás e pensei: Maldição! Esse cara não fala minha língua, e agora? Que vergonha... É muito ruim quando você vai tentar falar com alguma pessoa e ela não fala a mesma língua que você. — Perdão, não entendi o que o senhor quis dizer. Can you speak english? — repeti. Na verdade eu até entedi algumas coisas, mas parecia uma mistura de português com... Sei lá, era muito estranho.

I donti ipeak inglish, Senhor.

Céus!! Ele era Analfabeto! Agora piorou de vez. Por isso que o mundo não vai pra frente! E não sabia o que responder, aquela situação era muito constrangedora para mim.

— Tu não vai me ajudar a upar não, tio? — perguntou o rapaz, curioso.

Tu? Ele deve ser do mesmo país de Steal, ele também falava assim, mas o que será que significa Upar? Ele deve estar me chingando...

— Huh, hah, huh, hah! Tu é novo? Manja nada! – respondeu o garoto colocando o braço em meu ombro. Ele ria de um jeito muito estranho... Acho que ele estava tirando uma com a minha cara. E a propósito: Manga? Ele gosta de manga? Mas o que Manga tinha haver com a conversa? Acho que era isso mesmo que ele tinha dito.

Nóis vamos nos dar bem, velho! Meu nome é Shark in the Desert, mas me chama de Shark parceiro!

Essa não! “Nóis” de novo? Será que ele já conheceu Stealzin? Será que essa mania já espalhou-se e contaminou o mundo todo??

A princípio, ter conversado com o rapaz foi a maior besteira de minha vida. Esse pequeno Hunter, aliás, já um renomado Sniper em minha morte, foi uma das pessoas que me ajudou a criar a guild. Sua influência era muito grande nela, apesar de ser muito fraco. Todos seus equipamentos foram comprados por mim e membros da grupo que colaboravam para sua ajuda. Mas mesmo, ele é a pessoa mais simpática que já conheci.

Péssimo como um guerreiro, mas sua amizade não tinha preço. Graças a Shark, a Gondor Knights existiu, e mudou minha vida para sempre. O que é a vida sem amigos não é? Ás vezes eu fico imaginado se eles estariam bem do outro lado. Por enquanto eu fico com minha solidão...