Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Eu fiquei muito feliz com os comentários que eu recebi da AndreaNeves no capítulo passado. Você é maravilhosa demais É bom saber que você está gostando tanto da história. Espero que gostem. Boa leitura....

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO

CAPÍTULO XXV — LAR

Não tenho ideia de quanto tempo permaneço deitado em minha cama no completo escuro, mas quando a dor de cabeça finalmente passa, uma onda de emoções me atinge. Todas as minhas memórias haviam retornado a minha mente, mas não nem todas eram agradáveis. Ao contrário do que eu imaginava, a vida como espião estava longe de ser glamourosa. E mesmo estando cercado de pessoas, sendo o CEO de umas maiores empresas de publicidade do país, a solidão era a minha maior companheira.

Tudo mudou quando eu perdi a memória e iniciei minha família de forma nada tradicional. O vazio que eu nem mesmo sabia que tinha em meu peito foi preenchido por amor. Kayla, Alex e Liz trouxeram um novo significado para a minha vida e Peggy se tornou o meu porto seguro.

Levanto-me com dificuldade da cama e, ainda cambaleando um pouco pela fraqueza da recente e dolorosa recuperação das minhas memórias, vou até o closet que divido com Peggy. Vasculho meus casacos e encontro a bússola que tem me acompanhado desde a morte de meus pais. Ligo os abajures do quarto e volto a me sentar na cama, encarando o objeto em minhas mãos com carinho.

Não era de se estranhar que eu tivesse tanto apego a ele. Foi o último presente que ganhei do meu pai, que anteriormente pertenceu ao meu avô, ao meu bisavô, trisavô e antes disso ao meu tataravô. Era uma espécie de amuleto para a minha família. Segundo meu pai, a bússola sempre me guiaria pelo caminho que eu deveria seguir para conquistar a minha felicidade. Sorrio ao ver a foto de Peggy. Ela sempre foi a pessoa que me fazia permanecer com os pés no chão, como a minha âncora, que jamais permitia que eu me esquecesse de quem eu realmente era.

Nunca foi fácil conciliar a vida dupla. Esconder de Peggy quem eu era foi a pior parte. Eu odiava mentir para ela. Odiava ver o olhar de decepção que ela me direcionava todas as vezes que eu aparecia atrasado na empresa com a mesma roupa do dia anterior, porque não tive tempo de passar em casa e me trocar. Doía ver a tristeza em seus olhos todas as vezes que eu precisava desmarcar alguma atividade que combinávamos de fazer junto, porque algum cretino da HYDRA apareceu de repente.

É claro que eu amava e amo ser parte da S.H.I.E.L.D. Foi para isso que eu dediquei tantos anos da minha vida. Para fazer a diferença na vida das pessoas, impedir que mais inocentes se tornem vítimas das armações da organização criminosa, lutar para que nenhuma criança perca seus pais, assim como eu perdi os meus para esses desgraçados.

Ainda assim, ser parte da CIA significava fazer coisas que não me agradavam. Matar pessoas estava no topo da lista. Não importa quanto tempo se passe, eu ainda sinto aquele gosto amargo na boca ao lembrar de todo o sangue que sujou minhas mãos. Obviamente, esse tipo de situação era somente em casos extremos. Sendo um agente mais de observação do que de campo, não era algo recorrente, afinal, eu também era uma figura pública e a agência precisava usar minha influência para conseguir informações de possíveis locais onde a HYDRA poderia atacar.

Mas eu estou há vinte anos trabalhando como um agente da CIA, mesmo que eu só tenha começado a ir para o campo aos dezoito anos. Durante três anos, todo o treinamento que recebi me fez perder toda a minha ingenuidade e passei a ver a maldade do mundo. E quando encaro os olhos de Kayla, eu consigo ver a minha versão em sua mesma idade, descobrindo que as pessoas podem ser cruéis e que nem sempre dá para salvar todos.

Suspiro e volto a encarar a foto de Peggy. O que ela diria se descobrisse as coisas que já fiz? O que ela faria se descobrisse que o Steve que ela conhece na verdade é alguém completamente diferente, que há muitos anos não hesita mais em atirar contra uma pessoa? Durante anos, eu sempre me questionei sobre a reação de Peggy ao conhecer meu eu por completo. Temia ser deixado por ela também e agora que estamos juntos, esse medo se tornou ainda maior.

Para muitos poderia não fazer sentido, afinal, ela já sabe que eu sou da CIA e por já ter sido uma agente do FBI, ela não era ingênua para não saber o tipo de ação que precisamos tomar quando trabalhamos. Ainda assim, como eu posso encarar a mulher que eu amo, depois de passar dias pregando a justiça e a bondade, quando na verdade eu sou uma verdadeira fraude? Como eu poderia olhar nos olhos inocentes e doces de meus filhos, quando eu não sou muito melhor que os membros da HYDRA. Pensar nisso faz meus ombros se vergarem ainda mais.

É claro que eu sei que não estou machucando pessoas inocentes e que minhas ações são baseadas em um bem maior, no entanto, durante esses dias em que não me lembrava de minha vida passada, eu voltei a ter aqueles sentimentos que por tantos anos tive que guardar a sete chaves em meu coração.

Empatia, responsabilidade pelos meus atos, consequências de minhas ações. Tudo isso pesava como chumbo em meu peito ao pensar nas famílias daqueles que matei, ao imaginar a dor de seus pais ao receberem a notícia de que seus filhos foram mortos brutalmente e que eles jamais os veriam de novo.

Eu me tornei pai agora. A vida de meus filhos é a minha prioridade. Eu jamais me perdoaria se alguém os machucasse, quem dirá tirar suas vidas, porque eu sei que não importasse o quão ruim eles pudessem se tornar, eles ainda seriam as pessoas que eu mais amo nesse mundo. A culpa por não ter feito um bom trabalho como pai em sua educação me consumiria eternamente. Então como eu poderia dizer que sou melhor do que os assassinos da HYDRA, quando eu também matei e roubei a chance de inúmeras famílias se despedirem de seus filhos ou entes queridos?

Eu sei bem que esse é o pior momento para eu estar em meio a uma crise ética e moral. Com um assassino atrás de minha família e com a possibilidade de colocar as mãos no líder da maior organização criminosa do mundo, eu não poderia questionar minhas ações ou as escolhas que fiz no passado. Esse é o momento em que preciso lutar com ainda mais intensidade e afinco para proteger a minha família.

Um novo suspiro escapa de meus lábios ao mesmo tempo em que a porta do quarto é aberta. Peggy parece surpresa ao me ver e posso seus olhos me encararem com repreensão.

— Steve! Você deveria estar deitado, descansando. O que você está fazendo? – Questiona a mulher, aproximando-se de mim. Ao ver a bússola em minhas mãos, vejo a curiosidade presente nos seus lindos olhos castanhos. – O que é isso?

— Uma bússola. – Respondo, dando de ombros. Ela me encara com ironia e eu acabo rindo. – Desculpa. Eu não resisti.

— Se já está fazendo piadinhas, então acho que você melhorou. – Comenta, sentando ao meu lado. Assinto, concordando. – Espera. Por que essa bússola tem uma foto minha?

— Porque você sempre foi o ponto de referência que me fazia lembrar qual era o meu caminho de retorno para casa. – Afirmo e ela dá um sorriso doce com as bochechas coradas. Encaro a bússola novamente. – Foi um presente do meu pai. Uma espécie de amuleto da sorte que é passado de geração em geração desde o meu tataravô, que era navegador.

— É uma linda bússola. – Afirma Peggy, parecendo encantada com o objeto.

— Foi o último presente que meu pai me deu. Ele provavelmente sabia que aquela era a última vez que nos veríamos. E sabe o que ele me disse? – Pergunto, encarando Peggy. Ela balança a cabeça, negando. Seus olhos se estavam fixos nos meus. – Que essa bússola sempre me guiaria a minha felicidade e que enquanto eu estivesse com ela, eu jamais estaria sozinho. Por isso, eu coloquei a sua foto aqui. Você sempre foi a minha felicidade e o meu lar. Era a parte boa que ainda existia em mim, que guiava meu coração para longe da escuridão. A âncora e o abrigo que eu precisava para não enlouquecer em meio a tantos sentimentos conflitantes.

— Steve... – Peggy sussurra e puxa meu rosto para me beijar. Algo carinhoso e reconfortante, repleto de amor e doçura. Ela acaricia minhas bochechas e seus olhos parecem ainda mais quentes que o normal. – Eu não sei pelo que você passou e confesso ainda me sentir chateada por ter escondido algo assim de mim por tantos anos, mas eu te amo muito e prometo que farei sempre o meu melhor para tentar entender as suas razões e ser capaz de te apoiar independente do que aconteça.

— Eu estava com medo. – Confesso, afastando-me para que pudéssemos ter uma conversa franca. Peggy parece frustrada com a minha resposta. – Tive medo de você se afastar de mim, de me rejeitar. Eu não sou uma boa pessoa. Eu fiz coisas nas quais eu não me orgulho, Peggy. Matei e torturei pessoas de forma desumana. Eu não me sentia digno de lutar por você. Ao mesmo tempo, não suportava a ideia de te ver com os babacas com os quais você se envolvia. Você não merecia se entregar a alguém que nem mesmo dava metade de si para estar com você...

— Você fez todos os meus namorados terminarem comigo. – Deduz Peggy e eu assinto, ainda que isso não fosse uma pergunta. Ela não parecia feliz com a descoberta.

— Eu disse que eu não sou uma boa pessoa. – Afirmo e ela suspira, massageando as têmporas. – Mas em minha defesa, todos eles eram grandes babacas que estavam apenas se aproveitando da sua ingenuidade. Peggy, você merecia muito mais do que aqueles idiotas com quem você se envolvia. Merecia alguém muito melhor do que eu ou qualquer um daqueles namorados malditos que você trazia.

— Isso não lhe dava o direito de fazer todos os meus namorados terminarem comigo com menos de três meses de namoro. E menos ainda de tomar atitudes como essa. Você não tinha o direito de se meter na minha vida, Steve! – Peggy me repreende e eu me encolho, sabendo que ela estava certa. Não havia nada que eu pudesse fazer para consertar as minhas atitudes errôneas.

— Eu sinto muito, Peggy. – Lamento com sinceridade e ela suspira.

— Você é um idiota. – Resmunga a mulher, não parecendo realmente chateada comigo. Ela encosta a cabeça em meu ombro e encara a bússola novamente. – E você é uma boa pessoa, Steve.

— Eu fiz muitas coisas ruins, Peggy. – Garanto e ela dá uma fraca risada anasalada.

— Todos nós fazemos. O importante é que você se arrepende. Posso ver isso em seus olhos. Nada do que fizer vai mudar o que você fez, mas o presente nos dar uma chance todos os dias de sermos melhor, de repensarmos nossos erros e modificarmos nossas ações. Você agora é pai de três crianças incríveis, Steve. Você é o espelho delas. Então ao invés de ficar se lamentando pelos cantos, choramingando, levante a cabeça e seja o exemplo que eu sei que você é de determinação, responsabilidade, amor, justiça, bondade e confiança para eles.

— Eu te amo. – Declaro e a puxo contra mim, chocando nossos lábios em um beijo intenso e de tirar o fôlego.

Suas mãos se prendem nos fios de cabelo de minha nuca, causando um gostoso arrepio pelo meu corpo. Nossas bocas se encaixavam e se moviam em sincronia. A culpa em meu coração se dispersa de uma vez por toda, dando lugar aquele sentimento profundo e que me causa frio na barriga, coração acelerado e é como se uma descarga elétrica percorresse todas as veias de meu corpo.

— Obrigado. – Sussurro, assim que nos afastamos, completamente sem fôlego. Ela abre os lindos olhos e parece não entender o motivo do agradecimento. – Obrigado por ser o amor da minha vida e por ter se apaixonado por mim. Obrigado por ser meu lar e o meu ponto de partida. Eu sempre te amei e sempre irei te amar, cada dia mais em maior intensidade. Nunca se esqueça disso.

— Eu também te amo e sou grata por ter trago tanta cor a minha vida monocromática e solitária. – Sussurra Peggy de volta, abraçando-me com carinho e deixa um beijo demorado em meus lábios. – Você me deu uma família quando meus pais me abandonaram e me formou uma nova comigo quando eu me vi na beira do precipício com o coração cheio de ressentimentos e dor. Eu te amo demais, Steve Rogers.

Voltamos a nos beijar com intensidade, mas isso não dura muito tempo, já que Leonard aparece batendo na porta do quarto, pedindo permissão para entrar. Suspiro e permito que Peggy se afaste, enquanto libera o acesso dele ao quarto.

— Algum problema, Leonard? – Pergunto e ele parece feliz e me ver melhor, mas logo sua expressão fica mais séria.

— Steve! Pelo visto você está melhor. Isso é bom! Você não deveria estar descansando? – Pergunta, estranhando que eu estivesse consciente. Ele parecia não ter notado que Peggy e eu estávamos quase em um momento mais íntimo antes da interrupção dele.

— Eu estou bem. – Afirmo com sinceridade. – Mas me diga, há alguma notícia sobre a localização de Johann Schmidt?

— Sim. Quer dizer, achamos que sim. – Explica Leonard, mas noto a incerteza em sua voz. – Freddie fez uma projeção da possível região onde o Caveira Vermelha possa estar. Eu estou indo para lá agora.

— Eu vou com você. – Afirmo e Peggy não parece feliz com a resposta.

— Você não vai a lugar algum. Precisa ficar de repouso. Você ainda está fraco pela volta da memória e não sabemos o que esse maníaco é capaz de fazer. – Retruca Peggy com seriedade.

— Não pode esperar que eu fique em casa de braços cruzados enquanto minha família se arrisca. Eu estou bem e recuperei minha memória, então posso muito bem ser capaz de ir com vocês. – Respondo e ela suspira. – Aliás, onde estão as crianças? A casa está calma demais.

— Na escola. Sara foi como espiã para garantir a segurança das crianças. – Explica Leonard e eu assinto, concordando.

— Segundo ela, é o local para seguro para elas ficarem. – Conta Peggy, parecendo frustrada.

— Ela tem razão. É um lugar aberto no qual eles não devem querer arriscar de ser preso. – Respondo e ela assente, afirmando que ela entendia.

— Mas de qualquer forma, é melhor nós irmos. Eu não vejo a hora de colocar minhas mãos naquele maldito mais uma vez e acabar com o sorriso presunçoso daquele babaca. – Relembro, levantando-me da cama, e eles assentem em concordância. – Está na hora de fazer esse maldito voltar para o lugar dele que é atrás das grades.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara