Memórias de Novembro
27 Esconderijo
ROMANCES MENSAIS
LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO
CAPÍTULO XXVI — ESCONDERIJO
— E então? Qual é o local onde o Schmidt está? – Pergunta Steve, enquanto descíamos para a sala de estar.
— Você realmente se lembrou de tudo? – Questiona Leonard, encarando Steve com preocupação. Ele assente, concordando. – E você tem certeza de que não quer ficar descansando enquanto nós cuidamos da situação. Sara está cuidando da segurança das crianças e mesmo estando anos afastada do FBI, Peggy ainda é muito habilidosa. Nós podemos cuidar de tudo sem que você se coloque em perigo e se esforce demais.
— Agradeço a preocupação, mas eu já descansei demais. O que eu quero agora é fazer esse maldito do Caveira Vermelha pagar caro por ter mexido com a minha família. – Garante Steve com um tom de voz tão firme que me surpreende.
Ele nunca pareceu tão sério e perigoso como naquele momento. Estava nítido o seu desejo de pôr as mãos em Schmidt. Nem mesmo parecia o homem doce e carinhoso que se declarava de forma tão apaixonante minutos atrás em nosso quarto. E nesse momento, sinto que consigo entender o que ele quis dizer sobre ter feito coisas ruins.
Steve é um agente de uma unidade especial da CIA. É claro que o trabalho dele seria muito mais perigoso e exigiria muito mais dele do que o meu, onde eu era apenas uma agente comum do FBI, que cuidava de casos comuns e de risco de vida mediano. E é nesse momento em que sinto um arrepio subir a minha espinha ao imaginar os tipos de situações em que ele já deve ter se envolvido.
— Não se esforce demais. – Oriento, tentando não pensar em coisas desnecessárias. Não era o momento de questionar o que Steve havia enfrentado para se tornar uma pessoa com uma aura tão perigosa como a que ele emanava ao falar de Schmidt. Ele me encara e dá um sorriso amável. – Não quero que você acabe se machucando de novo.
— Eu vou ficar bem. Não se preocupe. Eu prometo que tomarei cuidado dessa vez. – Afirma Steve, pegando minha mão e dá um beijo na aliança que usávamos desde que assumimos os papeis de casados.
— Freddie está na chamada de vídeo que estamos transmitindo pela televisão. Gostaria de falar com ele? – Questiona Leonard, encarando Steve com um sorriso significativo.
— Ah, é verdade! Freddie é quem está comando a operação mais uma vez. – Steve parece animado ao se lembrar desse detalhe.
Ele me puxa pela mão até a sala de estar e para de frente a televisão, onde era transmitida a imagem do jovem de cabelos e olhos cor de chocolate ao lado de uma garota de cabelos ondulados loiros, olhos azuis e lábios carnudos, que parecia ter mais ou menos a idade de Freddie. Não demoro a reconhecer como Samantha Puckett, uma das sobrinhas de Clint. Ao notar a nossa presença, o casal sorri animado.
— Steve! Quanto tempo! Com saudades de levar uma surra? — Brinca Sam, dando um sorriso irônico. Steve ri e balança a cabeça em negação.
— Sam Puckett! É bom te ver novamente, mas por favor, não vamos falar sobre isso. Tony pega no meu pé até hoje por causa do que aconteceu naquele aeroporto. De todas as pessoas do mundo, você tinha que me derrubar justo na frente de Tony Stark? – Pergunta Steve com humor, fazendo o casal gargalhar. Encaro Leonard esperando alguma explicação e ele apenas dar de ombros.
— Não mandei entrar na minha frente e tentar tirar a arma das minhas mãos a força. – Retruca a loira e isso me deixa ainda mais curiosa para saber o tipo de relacionamento deles.
— De qualquer forma, você está bem, Steve? Sara nos contou que você perdeu a memória. Está tudo bem agora? – Pergunta Freddie com preocupação.
— Sim. Eu já recuperei as minhas memórias e já estou pronta para a ação. – Afirma Steve, encarando-me por alguns instantes antes de voltar sua atenção para Freddie. – Mas confesso que estou surpreso por ver a Sam. Freddie eu já poderia imaginar algo assim, já que você nos ajudou em nossa última missão, mas não esperava ver Sam te ajudando. Não sabia que você também entendia de tecnologia.
— Ela não entende. É apenas intrometida demais. — Ouço uma segunda voz feminina ecoar e não demora muito até que uma outra mulher loira aparecesse na tela. Sorrio ao reconhecer Beth Dixon, irmã mais velha de Sam. Um homem oriental aparece na tela e se senta ao lado de Freddie, acenando brevemente ante de voltar a mexer em seu equipamento.
Eu havia conhecido Beth no casamento de Felicity e Oliver, e acabamos nos tornando grandes amigas. Ela é uma mulher divertida, inteligente, engraçada e fácil de conversar. Beth e o marido, Daryl Dixon, foram a minha companhia e a de Steve durante toda a festa de casamento, tornando o evento bastante divertido. A noite passou sem nem que eu notasse.
— Olha quem fala. Aposto que veio aqui apenas para fofocar e saber o que está acontecendo. – Retruca Sam e Beth dá de ombros, parecendo se divertir com a careta da irmã caçula.
— Está enganada. Eu vim trazer o meu cunhado que se perdeu na empresa, fofocar e saber o que está acontecendo. – Responde Beth, dando língua para Sam, que bufa, mas não demora a rir. — À propósito, olá, Peggy e Steve. É muito bom ver vocês, ainda que seja em uma situação tão desagradável como essa. Espero que vocês estejam bem.
— Oi, Beth. Estamos sim. Felizmente, Steve acabou de recuperar a memória. Agora estamos mais confiantes para lutar contra o assassino da HYDRA que tem nos tirado o sono. – Conto e ela suspira, parecendo aliviada. – E onde está o Daryl? Como vai o casamento?
— Ah, está tudo perfeito. Daryl está na ONG. Inclusive, não vejo a hora de vocês voltarem para levar os dois até lá. Tenho certeza de que irão se apaixonar pelo Instituto Estrela Polar. – Afirma Beth e eu assinto, sorrindo ao ver a sua animação ao falar da ONG que ela e o marido tem cuidado, enquanto administram ao lado de Sam a indústria alimentícia que pertenceu ao pai.
— Certo, meninas, depois eu prometo que deixo vocês colocarem o papo em dia. Mas agora precisamos cuidar de um assunto um pouco mais importante. – Comenta Leonard e eu finalmente me lembro do motivo de nossa chamada de vídeo.
— É verdade. Me desculpe. – Lamento e o agente ri, parecendo se divertir com a minha expressão.
— De qualquer forma, qual é a atual localização de Schmidt, Freddie? – Pergunta Steve com seriedade.
O rapaz citado desvia o olhar do colega com quem está trabalhando no notebook para encarar a câmera. Freddie então digita freneticamente em seu computador e suspira.
— Segundo meus cálculos, ele está morando atrás da loja de eletrônicos abandonada, que fica a cerca de dez minutos de carro de onde vocês estão morando atualmente. Glenn conferiu e descobriu mais imagens nos filmes da rua da cidade, onde mostram cenas dele entrando algumas vezes nesse lugar sem ter hora para sair e sempre parecendo muito desconfiado. Como se estivesse com medo que alguém o pegasse. – Conta Freddie, mostrando a foto de uma loja de fachada velha e degastada.
— Ele tem entrado pelos fundos da loja e todas as vezes em que ele foi visto entrando nessa loja, ele estava com sacolas de compras. Então achamos que ele sai apenas a noite para observar e comprar alimentos. – Conta o colega de Freddie.
— Excelente. Ele deve estar lá por agora. É o momento perfeito para pegarmos o Schmidt. – Sugere Steve, parecendo mais animado.
Depois disso, Freddie passou a dar as informações importantes e nos enviou para o local onde ele e Glenn, que descobri ser o marido da chefe de Leonard, que ficava na região mais pobre da cidade. Inúmeras pessoas que pareciam ser perigosas passaram a nos encarar quando estacionamos o carro em frente à loja.
— Bom, parece que nós chegamos. – Anuncia Leonard, descendo do carro. Steve e eu vamos logo atrás. – Eu acho melhor alguém ficar de vigia por aqui, enquanto os outros dois vasculham a loja. Eu não estou com um bom pressentimento desse lugar.
— Peggy, é melhor você ficar. – Sugere Steve e eu o encaro decepcionada.
— Por quê? Por que acha que sou eu quem tem que fica por aqui? Por acaso você acha que eu sou fraca ao ponto de acabar atrapalhando vocês? – Pergunto na defensiva. Steve ergue os braços em sinal de redenção e sorri envergonhado.
— É claro que não, Peggy! – Nega Steve, sorrindo com sinceridade. – O que eu estou pedindo é que você fique aqui e garanta que ninguém entre ou saia daqui sem que nos conte o que viu.
Encaro a construção de dois andares de fachada desgastada. A placa estava uma completa confusão. Ela possuía muitos rasgos e parecia mal-assombrada. Suspiro e acabo concordando com o plano de Steve. Observo-os entrar no prédio torcendo para que eles achassem alguma surja. No entanto, enquanto observava, sinto uma movimentação próxima de mim.
E sem aviso prévio, ao me virar, vejo um homem de cabelo curto, olhos negros e perigosos me encarando. Vejo-o pegar um vidro marrom de seu bolso e um pano branco e o molha com o líquido no vidro. Antes que eu pudesse me afastar, dois outros homens aparecem e me imobilizam. Tento me soltar a todo custo, mas aos poucos vou perdendo as forças. Eu me debato, desesperada. Por que eu não conseguia fazer meu corpo funcionar? O que Schmidt planejava fazer comigo? Para onde ele vai me levar? Inúmeras perguntas se formavam em minha mente, mas tudo o que eu consegui fazer antes de desmaiar foi pensar nas crianças e em Steve.
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