Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui estou eu com mais um capítulo novinho para vocês. O que estão achando da história? Espero que estejam gostando. Eu quero agradecer demais a AndreaNeves pelo comentário adorável capítulo passado. Você é sempre uma grande inspiração para mim. Obrigada mesmo! Espero que goste do que está por vir. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO XI – MEMÓRIAS DE NOVEMBRO

CAPÍTULO IV – BEAUFORT

— Papai, eu terminei. – Avisa Alex, terminando de vestir o short que usava.

Ainda era estranho ser chamado de “papai”, mas não era um estranho ruim. Todas as vezes que Alex me encarava com aqueles grandes olhos azuis brilhantes, animado pela ideia de ter um pai, eu sentia meu coração se aquecer. Alex parecia realmente acreditar que eu havia assumido o papel paterno em sua vida. Era incrível como uma simples palavra dita com tanta doçura e inocência poderia me deixar tão feliz.

— Tudo bem. Vamos lavar as mãos e voltar para a sua irmã, antes que ela resolver invadir esse banheiro para garantir que você está bem. – Brinco, guiando Alex até a pia, que ri e lava as mãos com curiosidade sobre a torneira que funcionava por sensor.

Assim que terminamos de lavar as mãos, seguimos para a saída do banheiro. No entanto, antes que eu alcançasse a porta, Alex puxa a minha mão e me encara com seriedade. Ao ver que a nossa presença atrapalhava a entrada e saída, puxo Alex para o lado e me abaixo para ficar em sua altura, assim como Kayla havia feito anteriormente.

— O que foi, amigão? – Pergunto com preocupação, enquanto coloco as mãos sobre os seus ombros.

— Se você não é o meu papai, você não vai poder jogar baseball comigo? – Pergunta a criança com curiosidade e um resquício de tristeza em seus olhos.

— É claro que eu vou jogar com você, Alex. Mesmo quando eu não for mais o seu papai, eu ainda vou brincar e jogar baseball com você. – Respondo e ele me encara em desconfiança.

— Você promete? – Ele pergunta, erguendo o dedo mindinho. Rio e assinto, cruzando o meu dedo no dele.

— Eu prometo. – Respondo e Alex abre um grande sorriso. Acaricio os cabelos macios do garoto e me levanto, estendendo minha mão a ele. – Agora vamos. Sua irmã está esperando por nós.

Alex assente animado e segura minha mão com firmeza. Minha resposta havia trago de volta toda a sua animação natural. Acabo rindo mais um pouco comigo mesmo, pensando em como apenas a possibilidade de jogarmos baseball juntos parecia ser um grande acontecimento para a criança. E assim, deixamos o banheiro masculino e nos aproximamos de Kayla, que encarava Liz e Peggy à distância.

— Kayla! – Alex chama e ela o encara com atenção, como se estivesse verificando que ele estava bem. – Papai prometeu que vai jogar baseball comigo mesmo quando não for mais nosso papai.

— É mesmo? – Kayla me encara por alguns instantes, estudando minha expressão. Provavelmente queria ter a certeza de que eu falava a verdade. Permaneço firme e devolvo o olhar com intensidade. Ela então suspira e dá um pequeno sorriso. – Bom, espero que não se esqueça de que promessa é dívida. Espero realmente cumpra com o que falou.

— Eu vou cumprir. – Garanto e ela assente, parecendo mais convencida de que eu falava a verdade. – Agora nós precisamos voltar. Acho que está quase na hora de embarcarmos.

Kayla assente e Alex me puxa em direção a Peggy, Tony e Hillary, que conversavam calmamente, enquanto Liz parecia lutar contra o sono com a cabeça apoiada no ombro de Peggy e um dedo na boca. Ao notarem nossa presença, meus amigos sorriem e pelo canto do olho posso ver a surpresa de Kayla ao ver que depois dela relutar tanto em entregar Liz a sua futura mãe de mentirinha, a irmã caçula parecia tão à vontade em seu colo.

— Kayla, a Liz está dormindo! – Alex também parecia surpreso com o fato de a bebê estar tão tranquila com Peggy.

— Não foi fácil. Ela chorou muito quando vocês se afastaram. – Confessa Peggy, quase em um sussurro.

— Mas foi só ela ouvir a Peggy cantarola que ela se acalmou. E sendo sincero, ela tem uma voz incrível. – Conta Tony, sorrindo para a mulher, que parece envergonhada pelo elogio. Ele então se vira para Kayla. – Pode ficar despreocupada, que Peggy leva muito jeito com crianças. Liz parece ter gostado muito do colo dela.

— É mesmo... impressionante. – Responde Kayla, ainda não acreditando na reação da irmã mais nova.

— Bom, agora que vocês voltaram, eu preciso dar os avisos finais antes de vocês partirem para Beaufort. – Hillary chama nossa atenção, encarando seu relógio de pulso. Ela suspira e nos observa com carinho. – Eu sei que não é fácil se mudar para um lugar novo, ainda mais para uma cidade tão pequena quanto Beaufort, mas eu sei que vocês ficarão bem. A partir de agora, vocês assumirão seus papeis, então é importante que passem a se chamar pelos seus novos nomes. Recomendo que façam isso inclusive quando estiverem sozinhos para não correrem o risco de em algum momento acabarem se confundindo. Então poderia nos relembrar todos os nomes, Alex?

— Tommy. Meu nome é Tommy O’Brien. – Alex corrige Hillary que arregala os olhos surpresa e nós acabamos rindo.

— Você tem razão. Me desculpa, Tommy. – Lamenta Hillary, dando um sorriso divertido. – Então, poderia dizer o nome de todos para nós não esquecermos... Tommy?

— Sim! – Concorda o garoto, animado. Ele parecia o que estava levando essa história de novos nomes e família com mais calma e diversão. Provavelmente, para ele, era como se estivéssemos brincando de casinha, o que não era tão diferente assim da realidade. – Kayla se chama Hailey e a Liz é a Emma. Mamãe é a Ashley e papai é o Connor.

— Muito bem, Tommy. Excelente trabalho! – Tony sorri e bagunça os cabelos do garoto que parece ficar ainda mais satisfeito com os elogios do agente da CIA. Tony então se afasta e nos encaram com seriedade. – Quando chegarem ao aeroporto internacional de Savannah, Jarvis e May estarão esperando com um papel escrito família O’Brien. Sejam calorosos nos cumprimentos e os chamem por tio Jarvis e tia May. Apesar de vocês ainda terem que enfrentar uma viagem de duas horas e meia até Beaufort, eles possuem muitos conhecidos em Savannah e é importante que vocês assumam seus papeis desde o momento em que atravessarem aquele portão de embarque.

— Tudo bem. – Concordo, vendo-o apontar para o portão de embarque próximo a nós. Ele então se vira para Kayla e parece preocupado.

— Hailey... – Tony começa a falar com a garota que o encara com atenção e desconfiança. – Eu sei que você tem motivos para se sentir insegura. Você possui um passado complicado e agora está sob a mira do líder de uma organização criminosa de grande porte e de um assassino cruel, mas precisa confiar em Steve e Peggy. Eles serão seus pais a partir de agora por tempo indeterminado. Sua atuação pode ser a chave para entregar ou proteger suas identidades. Sabemos que é bastante independente e que já passou por coisas que nenhum de nós jamais entenderia ou imaginaria, mas vai precisar da satisfação do que faz e com quem sai para eles. Também precisa permitir que eles cuidem de você e de seus irmãos. Aproveite a oportunidade para ser uma adolescente comum. Viva e se divirta, mas sempre com moderação e de forma que não deixe seus pais preocupados. Estamos de acordo?

— Sim. – Concorda Kayla, suspirando. Ela parecia ainda estar insegura com a situação, mas havia dado o braço a torcer. – Eu... eu farei o que for preciso para proteger os meus irmãos.

— Nós estamos juntos nessa loucura, Hailey. – Afirma Peggy, aproximando-se de mim. Ajeitando Liz em seu colo, ela pega em minha mão e me encara com intensidade. O contato de nossas mãos faz meu coração saltar agitado em meu peito e uma eletricidade indescritível percorrer minhas veias. Os olhos cor de chocolate quente me hipnotizam e voltam a trazer toda aquela sensação de tirar o fôlego que senti quando meus olhos a viram pela primeira vez. E então ela corta aquela conexão para encarar Kayla. – Nós somos a sua família. Talvez a gente ainda erre um pouco, já que é a nossa primeira vez sendo pais, mas eu prometo que farei o meu melhor para ser uma boa mãe para você e seus irmãos. E eu juro que farei o que for preciso para garantir que vocês fiquem seguros, felizes e saudáveis.

— Eu... – Kayla engole em seco, parecendo emocionada com as palavras de Peggy. Ela respira fundo e assente. – Obrigada. Eu... eu prometo tentar não interferir nas decisões de vocês. Não sei como vou agir, mas eu também darei o meu melhor para ser uma boa filha.

— Você com certeza já é, Hailey. Só precisa confiar mais em nós e se lembrar que estamos do seu lado. – Respondo e ela concorda, suspirando.

— Atenção passageiros do voo 3569 com destino a Savannah, por favor, dirijam-se ao portão de embarque número dez. Última chamada para os passageiros do voo 3569 com destino a Savannah. Por favor, dirijam-se ao portão de embarque número dez.

A voz no autofalante do aeroporto nos lembra que estava na hora de irmos. Peggy me encara mais uma vez e seus olhos pareciam exibir toda a confiança que eu precisava. Sorrio e assinto, mostrando que eu estava pronto. À contragosto, solto a mão da mulher e a de Alex para me despedir de Tony, que me encarava com um sorriso discreto, mas os olhos exibiam uma certa preocupação e melancolia.

— Obrigado pela ajuda. – Agradeço, abraçando-o apertado. Ele dá uma breve risada anasalada e corresponde ao abraço com intensidade, antes de se afastar e me encarar com intensidade.

— Acho que chegou a hora de você colocar alguns calos nessas mãos de donzela que você tem. Pela primeira vez na vida vai trabalhar de verdade. – Ele provoca e eu bufo, fazendo-o ri um pouco mais. No entanto, não demora muito para que ele assumisse uma postura mais séria. – Boa sorte. Eu não estarei lá para te ajudar como sempre tenho feito nos últimos vinte anos, mas confio em você e Jarvis é um amigo de confiança. Se precisar de alguma coisa, conte com ele. Prometo que farei o que for necessário para garantir que Johann Schmidt seja preso e vocês possam voltar para casa em segurança.

— Obrigado, Tony. – Respondo, realmente me sentindo um pouco mais confiante com a situação. Talvez ele estivesse certo. Eu podia ter perdido as minhas memórias, mas os meus sentimentos continuavam intactos e ter o apoio de Tony parecia realmente ser algo importante para mim.

Ele nega agradecimento e vai se despedir de Alex. Enquanto isso, eu me aproximo de Hillary, que estava abraçada a Peggy, despedindo-se com um sorriso de preocupação semelhante ao de Tony. Ela também não parecia feliz por ter que se separar de nós.

— Sabe, Hillary, eu não ia muito com a sua cara. – Confessa Peggy, surpreendendo-me. Hillary apenas ri, divertida.

— Eu percebi isso nas vezes em que você desligava o telefone na minha cara ou demorava cerca de dez minutos para transferir as minhas ligações para Steve quando eu não conseguia falar no celular dele e ligava para o da empresa ou quando você me recebia com falsos sorrisos na The Avangers. – Responde Hillary e Peggy parece ficar um pouco sem graça por suas ações. Surpreendo-me ao descobrir que as duas não se davam bem. Peggy parece ser bem amigável e Hillary se mostrou ser uma mulher muito doce e divertida. Eu me questionava o motivo de sua implicância com a agente da CIA. – Mas tudo bem. Eu te entendo. E sendo sincera, era divertido ver como isso afetava em seu comportamento com Steve e como você era ciu...

— De qualquer forma, eu estou feliz e muito grata por você estar aqui. – Peggy interrompe Hillary, mudando de assunto. A modelo ri e volta a abraçar Peggy com cuidado para não acordar Liz.

— Boa sorte. Aos dois. – Deseja Hillary, abraçando-me em seguida. Ela então se afasta e pega de dentro do bolso de sua calça um colar com um pequeno pingente de coração. Ela se aproxima de Kayla e o coloca no pescoço da garota, que parecia surpresa com o presente. – E isso, Hailey, é para que você nunca se sinta sozinha. Além de ser um lindo colar, ele também é um rastreador que emite um sinal de alerta. Use-o sempre. Está vendo esse botão?

— Sim. – Responde Kayla, encarando o pingente de coração.

— Caso esteja em perigo, aperte-o três vezes. Um sinal será emitido para os agentes da unidade de comando especial da CIA e nós iremos aparecer para ajudar. – Explica Hillary, sorrindo. Ela então puxa a garota para um abraço apertado, surpreendendo-a. – Boa sorte, Hailey.

— Obrigada. – Kayla agradece, envergonhada pelo carinho que recebe.

Hillary se despede de Alex com um forte abraço também. Depois de nos despedir de Tony e Hillary, nós seguimos para o portão dez e realizamos todo o processo de embarque. Para garantir que as crianças não passassem mal, já que era a primeira vez que eles iriam viajar de avião, demos remédio para enjoo para eles e não demorou muito para que Alex também acabasse dormindo.

Para a minha surpresa, Kayla permitiu que Liz fosse a viagem inteira no colo de Peggy e que Alex fosse ao meu lado, segurando a minha mão. Ao contrário dos irmãos, ela não dormiu, mas permaneceu quieta, observando a paisagem pela janela do avião, completamente perdida em pensamentos. Eu não fazia ideia do que se passava em sua mente, mas pelo brilho triste em seus olhos durante toda a viagem me fazia questionar o que essa garota já não havia passado na vida.

Ela só possui quinze anos. É uma criança ainda. No entanto, as cicatrizes discretas em seus braços, mãos e pescoço me davam uma dica de que sua vida nas ruas não havia sido fácil. Na verdade, o fato dela ter conseguido escapar de um assassino profissional de uma organização criminosa tão poderosa quanto a HYDRA já é prova o suficiente de que ela tem passado por situações semelhantes com seus irmãos há algum tempo.

E foi assim, com a cabeça perdida em pensamentos, que eu acabei caindo no sono. Depois de um pouco mais de três horas de viagem de avião com uma escala no aeroporto internacional de Atlanta, local de onde informaríamos a todos de Beaufort de que tínhamos vindo, fui acordado por um Alex eufórico, anunciando que finalmente havíamos pousado em Savannah. Descemos do avião, ansiosos para conhecer o casal que iria ser o nosso apoio em Beaufort.

Novamente, fui surpreendido por Kayla, que em momento algum tentou tirar Liz dos braços de Peggy e tinha permitido até mesmo que eu segurasse a garotinha, ainda que seus olhos continuassem firmes sobre mim, em uma ameaça silenciosa de que se eu machucasse Liz, ela me mataria. No entanto, o fato da bebê ter se adaptado tão bem aos meus braços parece ter sido o bastante para que ela ficasse mais calma.

— Será que eles já chegaram? – Questiona Peggy, olhando em volta, procurando pelo casal que iria nos buscar no aeroporto, enquanto empurrava um dos carrinhos com as nossas malas ao lado de Kayla, que tinha o outro carrinho.

— Eles estão ali. – Kayla aponta para um homem alto, um pouco careca com alguns fios nas laterais da cabeça e olhos verdes, acompanhado de uma mulher de cabelos grisalhos e olhos azuis intensos que segurava uma placa com o nome “Família O’Brien”.

— Bem, parece que chegou a hora. – Comento, ajeitando Liz, que mordia as próprias mãos, provavelmente coçando a gengiva, enquanto balbuciava coisas incompreensíveis para mim. – Vocês estão prontos?

— Sim! – Grita Alex, animado, enquanto segurava a minha mão. Kayla apenas assente, parecendo nervosa.

— Vamos lá. – Responde Peggy, dando um pequeno sorriso.

Nós nos dirigimos ao casal que assim que notam nossa presença, sorriem com doçura. May é a primeira a se aproximar com os braços abertos. Jarvis parecia mais contido, mas ainda parecia feliz em nos ver.

— Oh, vocês chegaram. Venham aqui e me deem um forte abraço. – Fala May e Alex é quem corre primeiro até a mulher, abraçando-a com força. – Pequeno Tommy, você é muito maior do que eu imaginava. Sua velha tia May aqui estava esperando por um bebê.

— Eu já sou um garoto grande, tia May. – Responde Alex, fazendo May ri e deixar um beijo estralado em sua bochecha.

— Sim. Você é. – Concorda a mulher, encarando-o com carinho. Ela então se vira para nós e abraça Peggy. – Ashley, querida. Quanto tempo!

— Oi, tia May. Obrigada por terem vindo nos buscar. – Agradece Peggy, entrando no papel. Ao se afastar de May, ela abraça o homem alto que nos encarava mais quieto. – Oi, tio Jarvis.

— Como vai, Ash? O tempo parece não ter passado para você. – Comenta Jarvis, encarando Peggy como se eles realmente não se vissem há anos.

— Que bondade a sua, tio Jarvis. – Ela responde, sorrindo. Peggy então se afasta e se coloca ao meu lado. – Na última vez que nos vimos, eu tinha apenas a Hailey e o Tommy. Quero apresentar de forma apropriada a nossa pequena Emma.

— Ah, mas ela é adorável. – Comenta May, encantada com a beleza de Liz. Ela se vira para Kayla e a puxa para um abraço. – Hailey também se tornou uma linda mulher. Como você cresceu!

— Oi, tia May. – Cumprimenta Kayla, timidamente.

— E quando eu vou poder abraçar o meu sobrinho-neto? – Questiona Jarvis e eu entrego Liz para Kayla, antes de abraçar o homem. – Seja bem-vindo, Connor. Fico feliz em ter vocês aqui.

— Obrigado por nos receber, tio Jarvis. – Agradeço e ele me afasta, encarando-o a todos com um sorriso gentil em seu rosto.

— Bom, deixa eu ajudar vocês com essas malas. Nós ainda temos uma longa viagem pela frente, então é melhor partimos o quanto antes. Imagino que estejam cansados da longa viagem de avião que fizeram. – Comenta Jarvis, pegando o carrinho de Kayla.

— Obrigado. – Agradeço, pegando o carrinho de Peggy.

Seguimos até ao SUV do casal, que tinham até mesmo preparado uma cadeirinha para Liz, afirmando que sabiam que não havíamos trago. Depois de colocar todas as malas no porta malas do carro e estarmos devidamente acomodados no carro, iniciamos nossa viagem em direção a Beaufort. Talvez por ainda estarem sob efeito do medicamento para enjoo, Alex e Liz pegaram no sono em menos de vinte minutos de viagem. Kayla permaneceu quieta, mexendo no colar que ganhou de Hillary, enquanto observava a paisagem.

— Natasha nos explicou sobre a situação de vocês. Imagino que esteja sendo complicado para você lidar com toda essa confusão e a perda de memória, Steve. – Comenta May, assumindo uma postura mais séria, diferente da imagem de tia amorosa que mostrou no aeroporto.

— Aos poucos estou me acostumando com a ideia. – Respondo, suspirando.

— Bom, Beaufort é uma cidade pequena, então todos já estão sabendo sobre a mudança de vocês e estão aguardando ansiosos pela chegada de vocês. Nós já arrumamos a casa de vocês e cuidamos da matrícula das crianças na escola. Felizmente, Kayla irá estudar com nosso sobrinho, Peter, então não ficará sozinha e poderá ter a ajuda dele para recuperar todo o conteúdo que já foi passado. – Explica Jarvis com a atenção focada na estrada. – Kayla, eu soube que você e seus irmãos eram moradores de rua. Vocês possuem algum tipo de alfabetização?

— Nunca fomos a escola, mas tanto Alex quanto eu sabemos ler e escrever. A pessoa que cuidava de nós nas ruas era um ex-professor universitário, então ele nos ensinou algumas coisas. Mas ainda assim, talvez a gente sinta um pouco de dificuldade para entender o conteúdo da escola. – Responde Kayla e posso sentir um pouco de melancolia em sua voz. – Mas eu prometo que farei o melhor para acompanhar a turma.

— Não se preocupe tanto com isso, querida. Peter é muito inteligente e vai te ajudar a pegar tudo o que precisa saber. Quanto a Alex, eu posso ver se consigo alguém para dar aula de reforço a ele. – Fala May, pensativa.

— Eu posso cuidar isso. Já que eu serei dona de casa, no meu tempo livre, posso ensinar Alex. – Responde Peggy, encarando o menino ao seu lado com um pequeno sorriso nos lábios.

— Tudo bem. Mas se sentir dificuldades, é só me avisar que eu posso procurar por alguém que ajude a dar esse apoio a ele. – Avisa May e Peggy assente, concordando.

— Quanto a você, Steve, irá trabalhar na minha empresa. Como não sabemos muito sobre seus conhecimentos atuais, você vai começar trabalhando em uma obra que está em andamento. – Explica Jarvis, encarando-me pelo retrovisor do carro. – No início deve ser um pouco pesado para você, que provavelmente nunca trabalhou com algo assim, mas você logo pega o ritmo. Eu preferi te colocar nessa função, porque é a forma de te deixar mais afastado dos holofotes. Quando menos atenção vocês receberem, mais difícil será para a HYDRA encontrar vocês.

— Está tudo bem. Eu não me importo. – Afirmo com sinceridade.

No restante das duas horas de viagem, Jarvis e May explicaram sobre como funciona a cidade, os principais comércios da região e as pessoas com quem poderíamos contar. Eles contaram também sobre sua vida na CIA, como se tornaram esse apoio no programa de proteção a testemunha e como conheceram Tony e Natasha.

Assim, antes que percebêssemos, nós chegamos a Beaufort. O lugar era muito mais bonito que eu imaginava. Carregava todo o ar de cidade pequena, mas a arquitetura era muito bonita e ainda dava para ver o mar azul e a bela paisagem litorânea era de tirar o fôlego. Peggy e eu trocamos sorrisos, animados.

— Bom, pessoal. Sejam bem-vindos a Beaufort e a sua nova casa. – Felicita May, assim que Jarvis estaciona o carro em uma adorável casa de dois andares com a fachada cor de creme e um belo jardim na frente. Sorrio e suspiro. A nossa aventura estava apenas começando.

Notas finais
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