Antes de Will Traynor meio que tropeçar na minha vida e me lembrar de como é bom viver quando se pode fazer tudo que quer, eu era uma moça que estava satisfeita na sua zona de conforto, e eu parecia não me cansar da monotonia que me cercava.

Trabalhei durantes anos no mesmo emprego e eu me sentia bem, como se isso fosse o verdadeiro proposito da minha vida, e quando fiquei desempregada me senti tão perdida quanto um peixe na areia da praia se debatendo e sem saber o que fazer fora da água.

Eu era o meu trabalho no café e o café era o centro de mim. Eu estava satisfeita com aquele serviço, feliz em rever as mesmas pessoas todos os dias e falar com os mesmos clientes, era como um imenso parque de diversões onde nunca se cansa de brincar. E em meus momentos livres, eu ficava sentada no chão da sala assistindo TV usando meias listradas e tomando chá.

Não tinha problemas para mim, o salario era o bastante, o namorado não era um príncipe encantado, a relação com meus pais estava boa, e os amigos distantes. E hoje não entendo como que eu me sentia bem no meio de tudo isso, eu devia estar morta e Will me trouxe a vida.

Logo ele, não é? Que todos os dias também fazia a mesma coisa e não fugia de sua rotina, logo ele para me dar uma lição de moral e me ensinar como ser criança e voltar a sorrir.

Ele que não saia de casa a não ser para as consultas no hospital, que não falava com ninguém a não ser com seus pais e o seu enfermeiro, que ignorava qualquer tentava de aproximação de seus antigos amigos, logo esse mau humorado e infeliz que me disse para abandonar o medo e me arriscar.

É muito irônico, certo? E não faz sentido. Ele que se matou me mandou viver, ele que não andava me queria correndo, ele que tinha uma opinião sobre tudo me disse para eu ter a mente aberta. Logo ele, logo Will.

E acho que por isso, e muito mais coisas, eu me apaixonei por ele e o amei como nunca amei ninguém antes. Porque também não tinha como o amar da mesma forma que amei Patrick, ele não era comum, nem normal, nem chato e enfadonho, e pensar no porquê de ama-lo me dá um nó na garganta e uma vontade de chorar.

Eu ainda o quero de volta, mas eu percebi que isso é pior do que correr atrás do vento, é uma ilusão e vai me machucar mais ainda. Eu o amei e isso basta por hora.

Agora eu vivo novas experiências todos os dias, não me convenço com meias verdades, gosto do exótico e diferente, e não me acostumo com uma rotina especifica. Apesar de ter minhas obrigações eu sempre dou um jeito de me despreocupar e manter a calma.

Logo ele que desistiu da vida me deu animo e vontade de ir até o fim.