Notas iniciais
Eu ganhei uma recomendação da RB que eu sequer esperava, achei que já tinha ganhado todas possíveis e ela me deixou imensamente feliz. Muito obrigada. Ai como eu sou tonta, esqueci de avisar que criei uma fanfic que mostra a história de Steve e Natasha antes desse acidente, se chama Before Memories, entra no meu perfil que vocês acham o link.♥

Quando Natasha acordou, ela já estava na maca de um hospital. Ela gemeu ainda de dor, antes de abrir os olhos. Steve que estava cochilando no sofá, despertou na hora e se aproximou da maca.

Natasha piscou os olhos lentamente, até conseguir desembaçar a vista por completo. Sua primeira visão foi a cara de preocupado de Steve, Natasha ainda sentia dor e não conseguia esconder a dor no rosto.

S: Como está se sentindo?

N: Com dor.

S: Eu vou chamar a enfermeira.

N: Não...

Disse Natasha com a voz fraca ainda. Steve não se moveu, encostou a mão na testa dela e demonstrava sua preocupação.

S: Wanda me disse que está grávida, Natasha.

Natasha não tinha forças para fazer expressão de espanto, mas tinha expressão de tristeza no olhar.

S: Por que não me disse?

N: Não era pra você saber.

S: Por que não? É meu?

Natasha ficou um pouco frustrada de Steve perguntar se era dele ou não. Ela sabe que é, mas deixa esse idiota então achar que não é, já que ele acha que não é para estar perguntando. Natasha desviou o olhar.

S: Não importa agora, você precisa ficar bem. Eu estou feliz de qualquer jeito que esteja grávida.

N: Eu não lhe disse porque eu não vou manter a gravidez.

Steve agora mudou a expressão para chocado e desapontado e logo ficou com raiva, ele franziu a testa.

S: O que?

N: Eu não quero.

S: Como assim? Como pode dizer isso? Por isso estava me perguntando se eu ia te odiar?

Natasha olhou para Steve e tornou a desviar o olhar.

S: Sim, Natasha. Eu te odiaria se você fizesse isso.

N: Eu irei fazer.

S: Não, não vai.

N: Vou, não é você quem decide. Você pode nem ser o pai.

Bom, agora Steve está magoado, foi uma machadada no coração, ele nem conseguiu mais olhar pra Natasha, se afastou e sentou no sofá, Steve esfregou o rosto e suspirou.

Natasha o observou e seu coração doeu pela forma como Steve reagiu, ele odeia ela agora. Ela achou que seria mais fácil lidar com o ódio dele do que com o amor dele, mas não... Ter o ódio dele é devastador, ela sentiu o coração ficar apertadinho.

Quanto mais os minutos passavam, o silêncio de Steve a incomodava mais. Depois de meia hora, Steve se pronunciou sem olhar para Natasha.

S: Eu não me importo se esses bebês sejam meus ou do Matt ou de qualquer outro homem. São vidas, Natasha. Você não vai tirar.

Natasha revirou os olhos e tentou se mover na cama, mas o corpo dela todo estava fraco e dolorido.

N: Senão é seu, não tem o direito. Por que está falando no plural?

S: Natasha...

Steve fez negativo com a cabeça e olhou pra ela.

S: Tudo que se passa na minha cabeça agora é Sara e James. Será que você tem alguma noção do quanto amo eles?

N: Eu sei.

S: Não, não sabe. Natasha, quando você se acidentou e o médico disse que você talvez nunca mais acordasse, o meu mundo caiu. Eu achei que eu não ia mais viver, mas eu não podia desistir, eu tinha dois lindos filhos que me ajudaram a superar e seguir em frente. Eu não sei o que seria da minha vida sem os meus filhos, você pode tomar tudo de mim, mas não meus filhos.

N: Steve, eu...

S: Mesmo que sejam desse outro cara, não pode fazer isso com ele. Ele sabe? Aposto que não. Se você não quiser, só mantenha, eu ficarei com eles, você pode fazer o que quiser da sua vida.

Natasha suspirou e não notou que estava chorando, até sentir uma lágrima escorrer pela face dela. Ela achou que a dor que estava sentindo era da pancada que sofreu, mas era no peito, era a dor de ver Steve dizendo que não se importa com ela. Ao menos foi o que ela interpretou da frase dele.

O aparelho começou a apitar, a enfermeira entrou no quarto e Steve ficou de pé.

— A pressão dela está caindo.

S: O que está acontecendo?

— Senhor, espere lá fora.

S: Não...

O médico entrou, junto com mais enfermeiros e Natasha já não estava mais consciente, apesar dos olhos abertos. Os enfermeiros empurraram Steve para fora do quarto.

Steve está com raiva da Natasha por muitos motivos e ele tem razão em ter essa raiva, mas ao mesmo tempo a preocupação com o bem estar dela e dos bebês o consome. Tudo que ele está pensando é se ele desencadeou essa crise nela. Sim, foi. Qualquer estresse prejudica a saúde de Natasha e dos bebês e o melhor que Steve faz é não julgar ela agora. Os médicos anestesiaram Natasha, ela não vai acordar nas próximas 24 horas.

E o motivo de nenhum outro vingadores estar junto é que Natasha acordou três dias depois do incidente com Thor, todos tiveram que ir para a missão, Steve não foi porque precisava ficar junto de Natasha.

Na tarde do dia seguinte, Natasha ainda estava sob efeito da anestesia.

Sara: Por que ela não acorda?

J: Ela está dormindo ou está morta?

Sara: Ela tá morta?

Sara entrou em desespero.

S: Não, ela está dormindo apenas.

J: Por que ela tem que ficar aqui?

S: Porque ela não está bem.

J: E você?

S: Eu tenho que ficar pra tomar conta dela, James. Eu sinto falta de vocês todos os dias. Mas eu não posso deixar a mamãe aqui sozinha.

J: Tá legal.

Alguém estava batendo na porta, abriu devagar e olhou para ver se era o quarto correto. Steve ficou espantado de Elisa estar no hospital, ele avisou a ela onde ele estaria e o motivo, mas ele achou que ela seria sensata o suficiente para não aparecer lá.

James fechou a cara e cruzou os braços.

E: Oi? Como ela está?

Steve olhou para Elisa e nem permitiu que ela entrasse no quarto, Steve saiu do quarto e fechou a porta, Elisa ficou chateada.

S: O que está fazendo aqui?

E: Nossa... Eu vim te ver e saber como ela está... Mas tô vendo que foi uma péssima ideia! Você nunca feliz em me ver!

Elisa se virou e caminhou para ir embora, mas Steve agarrou o braço dela.

S: Elisa... Me desculpe, tá legal? É que as coisas estão complicadas.

E: Parecem sempre estar.

S: Infelizmente é a realidade. Não é nada com você, mas eu... A Natasha no hospital, eu tenho ficado longe dos meus filhos e a situação da Natasha é muito delicada, ela não pode se estressar e a sua presença aqui...

E: Eu sou um estresse? Achei que a situação entre vocês estava resolvida!

S: Está, Elisa. Ao menos estava, mas tudo mudou agora.

E: Por causa de um acidente?

S: Não é só isso. Nós precisamos conversar. Vem comigo, as crianças não podem ouvir.

Steve levou Elisa para outro corredor, afastado do quarto de Natasha.

...

James estava espiando Steve e Elisa pelo buraco da fechadura, mas quando Steve se afastou ele não pôde mais ouvir a conversa. Sara estava atrás dele, curiosa.

Sara: Jamie, será que Elisa trouxe cupcake?

J: Não e você não vai aceitar mais se ela trouxer.

Sara: Vou sim.

J: Não vai.

Sara: Você não manda em mim.

J: Você não quer que a mamãe e o papai fiquem juntos?

Sara fez positivo com a cabeça.

Sara: Mas eu gosto da Elisa.

J: Você não pode gostar dela! Ou você gosta da mamãe, ou gosta dela! De quem você gosta mais?

Sara ficou emburrada.

J: Pra mamãe voltar a ficar com o papai, ele não pode namorar a Elisa e nós temos que ajudar a mamãe.

Sara: Como?

J: Não aceitando presentes da Elisa! E nem sendo boazinha com ela!

Os dois pararam de conspirar quando ouviram Natasha se mexer na cama. Os dois se aproximaram da cama.

J: Oi mãe.

Natasha abriu os olhos e suspirou. Ela sorriu de leve ao ver os filhos, mas ainda estava sob efeito anestésico.

Sara: Mamãe, vamos pra casa, ver o Gatinho?

N: Eu queria poder ir, Sara. Como vocês estão?

J: Bem. Sentimos sua falta.

N: Eu também. Vocês vieram com quem?

J: Com o papai.

N: Onde ele está?

Sara: Ele tá lá fora com a...

James tapou a boca de Sara.

J: Com a Laura.

Natasha sabia que era mentira pela forma como James reagiu, só podia ser Elisa. O relacionamento deles deve estar super sério, já que ela o acompanha em tudo que é lugar, Natasha pensou se ela era o motivo de Steve estar tão frio com ela.

Sara: Mamãe eu vou dançar na escola.

N: Vai?

Sara: Sim, semana que vem, você vai?

N: Farei de tudo para estar lá.

J: Eu também terei jogo no final de semana, mas você não vai poder me levar, né?

N: Eu não sei, James, a mamãe está se sentindo muito cansada. Eu aposto que seu pai não perderá por nada.

J: Ele nem tem ido pra casa.

N: Como não?

Sara: Ele disse que tem que tomar conta de você, então eu não tô nem chorando.

J: Mentira, ela chorou ontem.

Sara: Mas foi só um pouquinho.

Natasha riu e fechou os olhos.

N: Não tem problema chorar de saudade.

Sara: Você chora?

N: Não. Mas eu queria chorar tão fácil quanto todo mundo.

J: Por que?

N: Porque depois que você chora, você se sente mais aliviado. A dor diminui cada vez que você chora.

J: Então você fica sentindo dor?

Natasha ficou uns segundos pensando na resposta. Sim, ela fica sentindo dor, ela guarda tudo dentro dela e nunca põe pra fora, mas ela não pode dizer isso para os filhos.

N: Não, eu melhoro de outro jeito.

J: Como?

N: Lutando.

Sara: Eu quero lutar também.

N: Quando você crescer...

...

E: Ela está grávida? De você?

S: Eu não sei.

E: Gêmeos... E você não sabe se é o pai? É, pelo que dizem dela, muitos podem ser o pai.

Elisa esbravejou, sentindo raiva e ciúme, mas Steve não gostou nem um pouco dessa frase.

S: Eu acho que você deve ir embora.

E: Se o filho não é seu, por que ainda está aqui?

S: Ela é a mãe dos meus filhos.

E: Steve, acorda, você pode vim visitar ela, mas ficar aqui direto?

S: Elisa, é o que sinto que devo fazer.

E: Bem, eu sinto sua falta, eu não importo? Não mereço sua atenção?

S: Claro que importa, mas entenda que a situação é delicada.

E: Eu não vejo isso como algo urgente que necessite sua presença 24 horas. Está bem claro que seus sentimentos por ela continuam o mesmo.

S: Eu garanto que não.

Elisa parou e olhou para Steve, ele era uma pessoa honesta, identificar mentira era fácil. Ela notou sinceridade nas palavras.

S: Eu sinto algo por ela, talvez eu sempre vá sentir, mas as coisas mudaram de um tempo pra cá, eu já não me sinto dependente dela, por isso te chamei pra sair. Não ia me envolver com você, senão soubesse que posso deixar de amar ela. Mas nunca menti sobre ainda ter sentimentos por ela.

E: Eu sei. Vocês tem uma família juntos e uma história de anos. Mas eu acho que nunca vou superar isso.

S: Você não tem que superar nada. Eu que tenho que superar, e você está livre para seguir sua vida sem mim, se quiser. Você não precisa ficar presa a um homem com uma história complicada como a minha.

E: Você fala como se fosse fácil te largar assim? Eu gosto de você, Steve e eu sinto que estou apaixonada e acho que estava desde de que te vi na lanchonete pela primeira vez.

S: Eu só não quero que fique esperando a mesma retribuição agora ou depois, eu não sei como vou me sentir daqui um tempo. Você me chamou de namorado. Elisa, nós não somos. Eu não posso agora, sem ter certeza do que sinto. Eu não quero te iludir, você é uma boa moça.

E: Corta essa, Steve. Eu preciso de um tempo pra pensar.

Elisa deixou Steve e foi embora, Steve ficou parado olhando Elisa partir, mas estava aliviado de ter esclarecido o que ele sente no momento, ela tem todo direito de não querer mais olhar na cara dele se quiser, mas se ela quiser continuar com ele, também estará ciente da verdade.

Steve voltou no quarto e não esperava ver Natasha acordada. Ele estava sim com muita raiva dela, mas olhar ela debilitada, amolece o coração dele. Natasha também está ressentida, eles se olharam brevemente e depois desviaram os olhares.

S: Meninos, eu disse para não cansar a mãe de vocês.

N: Eles não estão.

Teve mais batidas na porta, dessa vez era Laura.

L: Olá. Vim buscar as crianças. Como você se sente, Natasha?

N: Entediada.

L: Imagino que sim.

Sara: Papai, deixa a gente ficar.

J: Por favor.

S: Hospital não é lugar pra vocês.

L: Olha tem um bolo de chocolate delicioso que fiz e está esperando vocês em casa.

N: Mesmo?

L: Eu trouxe pra vocês.

Laura entregou um pote para Steve.

Sara e James beijaram Natasha, depois Steve e foram embora com a Laura. Steve colocou o pote na mesa ao lado da maca de Natasha.

N: Você não disse a eles.

S: Hã?

N: Eles não perguntaram sobre os bebês.

S: Não, achei melhor esperar. Não sabemos o que vai acontecer.

N: Steve... Eu sinto muito por tudo que passou quando eu me acidentei.

S: Eu não te culpo por isso, Natasha.

N: Eu sei. Eu só queria dizer que sinto muito que eu tenha perdido a memória da nossa vida. Eu tentei, mas... Ainda parece tudo muito surreal, eu penso se não é alguma pegadinha. Não que seja ruim, mas eu me sinto perdida todos os dias. Pessoas que me cumprimentam e eu não sei quem são. Outras que até parecem ter intimidade comigo e eu não... Não sei quem são, não consigo atingir a expectativa deles de amizade, mas eu não ligo pra nada disso. O que mais me preocupava era atingir a sua expectativa de amor, das crianças. Eu não paro de pensar nisso em nenhum segundo. Tudo que eu faço parece contribuir sempre para o seu sofrimento, para dar falsas esperanças para as crianças. Eu me sinto como se.... Se fosse errado estar na vida de vocês, é como se não pertencesse e nem me encaixasse.

Steve ouviu tudo que Natasha disse, no final refletiu e entendeu tudo que ela estava dizendo.

S: Natasha, as crianças... Eles estão felizes só de ter você acordada de novo, se fosse para eles somente te verem um pouco, duas ou três vezes por semana como na época do coma, eles ficavam felizes. Você é a mãe deles, eles te amam, eles não tem expectativas a serem atingidas. São crianças simples, eles são a melhor coisa desse mundo que já nos aconteceu.

N: Mas e quanto à você?

S: Eu? Natasha, eu nunca exigi nada de você, você disse que queria tentar, você não conseguiu, preferiu seguir sua vida longe da minha, eu sentia sua falta, mas eu sou um adulto, eu consigo lidar com isso.

N: Sentia? Não sente mais?

S: Eu não sei.

Natasha sentiu novamente uma dor atravessar o peito e comprimir o coração dela. Tudo que ela fez, se afastar, ser mais fria, sair com outros, foi para que Steve pudesse viver a vida dele de uma maneira melhor, sem ter que enfrentar a mulher que ele ama e perdeu a memória todos os dias, isso soa muito mais agonizante e ela não podia correr o risco de ficar tentando, tentando, sem conseguir sentir nada, pro no final largar ele e as crianças de novo, causando a mesma perda que eles já tiveram uma vez, mas como ela poderia explicar isso a ele? Isso não importa agora, porque ela conseguiu o que queria. Sobre sentimentos por ela, Steve já coloca no passado, como se hoje já não sentisse mais e não era para isso estar causando tanta dor nela a ponto dela querer chorar.

Mas não, vontade de chorar, Natasha sente de vez em quando, difícil é a ação de chorar em si. Talvez por não conseguir chorar e estar sempre segurando emoções e sentimentos que seja muito mais dolorido enfrentar isso agora.

A pressão de Natasha automaticamente subiu depois desses pensamentos e emoções, em minutos a colocaram sob efeito anestésico de volta. Steve novamente se sentiu culpado, ainda mais que não foi em 24 horas que ela acordou, nem em 48hs, nem em uma semana...

Notas finais
Quem quer o próximo, agora levanta o pé.