Memories - Romanogers Fanfic
11 Nós Precisamos Conversar
Então, depois de muita insistência e olhares de cachorrinho abandonado, James convenceu Natasha a ir para o central park, junto com o pai e Sara para aprenderem a andar de bicicleta. Steve levou a bicicleta dele e a de Natasha, apesar dela nunca ter usado.
J: A mamãe não tá usando capacete e luva, por que tenho que usar?
N: Por que se você cair e se machucar, vai chorar.
J: E você não?
Natasha apenas o olhou, esperando que ele concluísse a resposta sozinho e ele entendeu o olhar.
S: Okay, pronto?
Steve segurava a bicicleta de James no guidom e no banco.
S: Você vai começar a pedalar e eu vou estar te segurando aqui.
J: Tá, mas não solta.
S: Tudo bem. Vamos pedalar até onde sua mãe e Sara estão, ok?
J: Okay! Vamos nessa!
Steve riu e começou a empurrar a bicicleta de James, enquanto ele pedalava normalmente, Steve realmente não soltou a bike, eles chegaram onde Natasha estava e fizeram uma curva pra voltar onde estavam antes.
S: Você foi muito bem, James. Vamos mais uma vez, mas vamos mais pra trás, para ter mais espaço pra você pedalar.
James concordou e Steve se afastou mais com James, dessa vez Steve segurou ele até metade do caminho, depois soltou e James estava indo bem, mas notou que o pai ficou pra trás, ele foi olhar pra trás e se desequilibrou da bike e caiu.
N: Você estava tão perto. Não pode se distrair. Mantenha o foco. Vem.
J: Pai, me segura.
N: Você andou sozinho esse trecho todo. Você consegue.
J: Andei?
N: Sim! Vem.
James levantou e removeu a sujeira das folhas que grudaram nele e montou na bicicleta de novo, ele demorou a pegar o jeito, mas conseguiu pedalar.
J: Consegui!
N: Isso, agora vira pra lá e volta até seu pai.
James conseguiu fazer a curva e foi até Steve.
J: Pai, consegui, estou andando de bicicleta!
S: Eu estou vendo, campeão! Isso aí.
James não quis parar mais de andar, ficou rodando um bom tempo.
Steve foi para perto de Sara e Natasha.
S: Sua vez.
Natasha o olhou com a testa franzida.
N: Melhor deixar pra outro dia, olha como ele está feliz.
S: Você disse que ia aprender também.
Sara: Vai mamãe.
S: Tudo bem ter medo...
N: Eu não estou com medo... Vamos fazer isso logo.
S: Sara, fica aqui sentada e não fala com estranhos.
Sara concordou com a cabeça. Natasha pegou a bicicleta e levou pra pista, Steve estava segurando a bike pra ela do outro lado.
N: Eu sei subir sozinha.
Steve tirou as mãos da bicicleta e ergueu no ar em rendição. James percebeu que a mãe ia tentar também e pedalou até o banco onde Sara estava sentada para assistir. Natasha montou na bike e fitou Steve.
N: Eu não sei como fazer isso.
S: É só pôr os pés nos pedais e girar eles.
N: Ok, mas segura.
S: Você disse que sabia subir sozinha.
N: Subir, não andar. Segura logo.
Steve riu e segurou na bike. Natasha respirou fundo e olhou Steve nos olhos.
N: Não me solta.
S: Jamais.
N: Se me enganar, você é um homem morto.
S: Okay...
Steve ainda estava rindo, Natasha começou a pedalar, com a torcida dos filhos no fundo. Natasha não podia evitar de rir de tudo isso. Ela resolveu tirar os pés dos pedais, porque Steve estava carregando a bicicleta, mesmo.
S: Você tem que pedalar, Natasha.
N: Mas assim é mais divertido.
S: Não é assim que funciona.
N: Okayyyy.
Natasha tornou a pedalar e ela resolveu testar Steve, ela começou a pedalar mais rápido e fazer Steve correr junto com ela, quando ela notou que ele conseguia acompanhar, ela pedalou mais rápido.
S: Natasha! Eu vou te soltar.
N: Não, você prometeu.
S: Vai mais devagar então.
N: Eu só estou testando a bike...
S: Ou me testando?
Enquanto os dois conversavam, não notaram o caminho que estavam fazendo, acabaram indo de encontro a um poste, Natasha gritou ao se chocar contra o poste, os dois foram ao chão, junto com a bicicleta. Natasha acabou caindo por cima de Steve. Ela apoiou as mãos no peitoral dele, e Steve a abraçou para proteger ela durante a queda.
S: Você tá bem?
N: Como você me deixou cair?
S: Eu?
N: Você me distraiu e me fez cair.
S: Você que não parava de falar e de correr.
N: Era pra você estar me protegendo de quedas.
S: Você sequer se machucou.
N: Você não sabe disso.
S: Quem se machuca não fica discutindo desse jeito.
N: Bem, eu sou diferente.
S: Então você está machucada?
N: Não.
S: E por que tá reclamando?
N: Porque você não me segurou!
S: Eu estou te segurando até agora!
Natasha olhou para a posição dos corpo dele e se segurou para não rir.
S: Por que você tem que ser assim?
N: Assim como?
Natasha ergueu os ombros e sorriu, Steve estava com raiva da discussão e olhou sério pra ela. Natasha continuou sorrindo e moveu o corpo mais pra cima, fazendo questão de roçar completamente sobre o corpo de Steve. Ela ficou com o rosto na mesma altura que a dele, Steve sabia o que ela estava fazendo, tentando amolecer ele.
N: Assim?
Steve desviou o olhar, porque sabia que se olhasse ela nos olhos, ele não ia resistir por muito tempo. Natasha percebeu e soltou um riso abafado, ela encostou o rosto no pescoço de Steve e deu um beijo de leve no meio do pescoço de Steve. Ela olhou para o braço dele e pôde notar que ele estava arrepiado, mas ele ainda não estava olhando pra ela. Natasha resolveu então, espalhar mais beijos pelo pescoço de Steve até chegar no queixo, onde ela parou para morder e fazer ele olhar nos olhos dela. E ela conseguiu a atenção que queria, Steve ainda a olhava com seriedade, mas abaixou o rosto o suficiente para alcançar os lábios dela e iniciar um beijo.
A forma como se beijavam misturava a raiva que Steve estava, o desejo que ambos estavam, mais a provocação que Natasha gosta de fazer. Mas eles tiveram que interromper, quando um guarda do parque começou a tossir perto deles. Natasha soltou da boca de Steve e olhou pra cima, para fitar o guarda.
– Me desculpem, mas esse é um local com muitas crianças.
N: E?
Steve empurrou Natasha com jeitinho para poder se levantar e encarar o guarda.
S: Me desculpe, não vai acontecer de novo.
N: Nós só estávamos beijando. O que tem de errado nisso?
– Estavam deitados no chão, beijando e prestes a...
S: Me desculpe, ela tinha caído em cima de mim, não foi intencional, nós não íamos fazer nada.
Steve levantou a bicicleta e empurrou Natasha para ela caminhar e não discutir com o guarda. O guarda estava certo, ele podia até ter prendido os dois por atentado ao pudor, eles não notaram a forma como estavam se beijando e acariciando no chão, mas qualquer um de fora, ficaria chocado.
N: Eu quero tentar de novo.
Steve a olhou confuso e chocado, ele achou que ela estava se referindo aos amassos.
N: A bicicleta...
S: Ah...
N: Seu pervertido.
Steve riu, um pouco corado. Natasha montou na bicicleta e Steve a segurou, ela pedalou até metade do percurso com a ajuda de Steve.
N: Solta.
S: Certeza?
N: Solta logo!
Steve soltou e Natasha continuou pedalando, ela foi na direção em que os filhos estavam. Sara subiu no banco e começou a pular ao ver a mãe andando sozinha, James pedalou até ela e depois a seguiu por outro caminho.
Sara: Mamãe me leva.
Steve veio correndo logo atrás.
S: Você vem comigo, Sara.
Steve pegou a bicicleta dele, que já tinha uma cadeirinha na frente para carregar crianças. Ele colocou o capacete nela e a pôs sentada na cadeirinha. Steve pedalou rápido até alcançar James e Natasha. Eles passaram um bom tempo pedalando e foram pra casa. Passou o ano novo e mais 1 semana, com Natasha convivendo bem com Steve e as crianças, até o momento que Natasha foi enviada numa missão de 5 dias em Londres.
No final da missão, Hill e Natasha fizeram o ritual de sempre, foram para o bar beber para aliviar as tensões da missão. As duas estavam rindo, relembrando missões e situações passadas. Natasha encostou as costas na cadeira e suspirou.
H: O que?
N: Nada.
H: Natasha... Te conheço.
N: É muito ruim que nesse últimos dias, eu tenha me sentido livre?
H: Livre? Você se sente presa quando está com Steve e as crianças?
Natasha fez positivo com a cabeça.
N: Eu não tinha notado até me afastar. Esses dias aqui em missão, dormindo sozinha, me fez sentir eu mesma.
H: É normal, porque é a vida que você se lembra de ter.
N: Steve realmente é uma boa pessoa, um ótimo pai...
H: Mas?
N: Mas... é só isso. Sinto como se tivesse que agradá-lo o tempo todo, assim como as crianças. Eu não sinto nada.
H: Nada?
N: Além da minha vagina molhada, não, nada.
Hill e Natasha começaram a rir.
N: Não é tão ruim, mas ter que avisar onde estou, que horas vou chegar, me explicar porque cheguei tarde, não poder falar o que quero quando quero, me controlar o tempo todo para não magoar ele ou as crianças é enlouquecedor. Eu não sei se consigo manter esse teatro por muito tempo.
H: Você não tem que manter. Steve é muito compreensivo, já deve ter notado isso. Por que não conversa com ele?
N: Sim, ele é compreensivo e é o que me faz me sentir mal.
H: Por que você não arruma um apartamento pra você?
N: O médico disse para ficar perto.
H: Volte a trabalhar com os Vingadores, passe um tempo com ele e as crianças, mas não se force a viver com ninguém. Não fará bem pra você, muito menos pra eles.
N: Eu não sei... Talvez. Eu acho que devo tentar um pouco mais.
Natasha tentou sim, quando ela voltou da missão foi recebida pelos filhos com a maior alegria, eles estavam com muita saudades, assim como Steve. Conforme os dias iam passando, a paciência dela também foi se esgotando, ela passou a se irritar com as mínimas coisas dentro de casa e tudo era motivo para ela sair e ficar a noite fora. E estava tudo bem para Steve enquanto a briga era direcionada somente a ele, mas ela passou a ficar impaciente com as crianças também.
Steve precisava ter uma conversa séria com a Natasha, ele deixou as crianças na casa do Sam e foi pra casa, assim que ele entrou no apartamento, Natasha estava pronta pra sair.
S: Está saindo?
N: O que você acha?
S: Nós precisamos conversar.
N: Eu disse que estou saindo.
S: Nós vamos conversar agora.

N: Eu não quero brigar.
S: Nem eu, por isso precisamos conversar.
Natasha suspirou e coçou a cabeça. Ela foi até o sofá e se sentou, olhando Steve sem paciência.
S: Eu quero entender o que está acontecendo. Você mudou.
Natasha revirou os olhos.
S: Viu? Nós mal conversamos e você já fica impaciente.
N: Porque você não me dá uma folga. O tempo todo vocês querem alguma coisa de mim e quando não me disponho a fazer, ficam com esse olhar como se eu estivesse cometendo uma atrocidade.
S: Isso não é verdade.
N: É sim.
S: Isso é como você se sente, mas não é verdade, você mal tem passado um tempo conosco.
N: Eu tenho evitado para não brigarmos.
S: Nós acabamos brigando da mesma forma. E as crianças ficam assistindo tudo isso, está fazendo mal pra eles.
N: Eu estou fazendo mal pra eles?
S: Eu não disse isso, disse que as nossas brigas estão fazendo mal a eles.
N: O que você quer que eu faça? Eu estou tentando, mas não parece ser o suficiente.
Steve se sentou na poltrona de frente pra Natasha, suspirando e passando a mão no queixo, sem saber exatamente o que dizer.
N: Eu não sou a pessoa que você se casou, eu não sou a mãe deles. Eu sinto muito, mas eu não posso fingir algo que não sou para agradar vocês, isso é o que faço por trabalho, e é como se eu chegasse em casa e ainda estivesse trabalhando.
S: É assim que se sente?
Natasha respirou fundo e fez positivo com a cabeça.
S: Eu não sabia, eu achei que quando disse que ia tentar, que estávamos bem, você parecia contente.
N: Eu sou uma espiã.
S: Eu sei, eu acho que notei, mas não quis que isso acabasse de novo. A última coisa que quero é que se sinta forçada. Eu vou voltar a dormir na sala, se precisa de espaço.
N: Steve, isso não vai adiantar. Isso não vai funcionar.
S: Você quer se mudar daqui?
Natasha ficou em silêncio, pensativa. Ela suspirou.
N: Eu acho que é o melhor. Para as crianças e pra você. Vocês estavam bem sem mim aqui.
S: Não, não estávamos, Natasha.
N: Você quer continuar brigando todo dia?
S: Não.
N: É melhor desse jeito.
S: As crianças vão sentir sua falta.
N: Eles podem me ver, isso não é um problema. Talvez um tempo nos ajude a melhorar um com o outro. Eu preciso ir, eu vou ficar com Hill hoje e amanhã busco minhas coisas.
Natasha levantou e caminhou para a porta, Steve segurou nos dedos dela por reflexo. Natasha parou e o olhou. Steve não olhou ela nos olhos, o pensamento dele gritava para ela não os deixar, mas no fundo, ele sabia que a presença dela na casa estava magoando demais os filhos. Natasha suspirou e soltou a mão de Steve, ela encostou a mão no rosto dele e beijou a bochecha dele.
N: Adeus, Rogers.
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