Memories

10 You came back to find I was gone...


Notas iniciais
Demorei, né? Então, é que tive que estudar pro vestibular e tals, tive umas provas (e vou entrar em época de provas no colégio, então cap 11 provavelmente vai demorar um pouquinho também). Mas cá estou e, sobre este capítulo tenho essas coisas a comentar. 1º - Nenhuma música se adequou tão perfeitamente a um capítulo como essa. 2º - Eu amo esse cosplay da capa. 3º - Não me matem... por favor. Sei que vão me odiar, mas...

You came back to find I was gone (Você voltou para descobrir que eu tinha ido embora)
And that place is empty (E aquele lugar está vazio)
Like the hole that was left in me (Como o buraco deixado em mim)
Like we were nothing at all (Como se fôssemos absolutamente nada)
It's not what you mean to me (Não é o que você significava para mim)
I thought we were meant to be (Pensei que fôssemos destinados um para o outro)

Let Me Go — Avril Lavigne ft. Chad Kroeger (Vocalista do Nickelback)

Aomine estava deitado no chão da sala de sua casa com várias garrafas ao lado de seu corpo, algumas vazias, outras cheiras, umas até a metade, vários tipos de bebida, sem contar as inúmeras cervejas e bitucas de cigarro. Após mais uma cena apaixonada entre Kise e seu futuro marido (que fora obrigado a presenciar num restaurante que fora com o casal e mais alguns amigos), Aomine caminhara até um supermercado e comprara o máximo de bebidas que seria capaz de carregar e foi para sua casa, bebeu tanto que nem escutou as inúmeras ligações de seus amigos, não fazia nem mesmo uma hora que parara de beber.

A porta de sua casa abriu lentamente, jogando uma luz forte na sala, fazendo-o grunhir baixo. O homem que entrou viu a cena no chão e ofegou alarmado, já vira aquilo. E odiava. O que, diabos, aquele idiota estava fazendo? Kise passou as mãos pelo rosto e fechou a porta, olhou ao redor e caminhou até a cozinha, preparando o café forte para o maior, ele teria de ir à psicóloga ainda. Viu se havia água gelada na geladeira e encheu um copo, caminhou novamente até a sala e ajoelhou-se ao lado do homem.

– Aominecchi. — Chamou balançando levemente o ombro do homem. — Aominecchi, acorde...

– Me deixa, Satsuki. — Reclamou o maior, virando-se de costas para o loiro, que apenas continuou a balançá-lo.

– Acorde. — Aomine abriu lentamente os olhos, sentindo a garganta seca, seus olhos pesavam e sentia dores no corpo todo, mas ainda estava embreagado, olhou para Kise. — O que estava fazendo?

– Bebendo... — resmungou o maior pegando o copo da mão do loiro e bebendo tudo de um só gole. — Quem sabe assim não lembro um pouco de mim?

– É, está parecendo bastante você aí caído no chão da sua sala com essa cara de morto, parabéns, muito inteligente da sua parte. — Kise ironizou, referindo-se às inúmeras vezes que vira aquela cena. Aomine ficou irritado, mas este não sabia o quanto Kise odiava quando bebia daquela forma.

Love that once hung on the wall (O amor que uma vez esteve pendurado na parede)

Used to mean something (Costumava significar algo)

But now it means nothing (Agora não significa nada)

The echoes are gone in te hall (Os ecos sumiram no corredor)

But I still remember (Mas eu ainda lembro)

The pain of December (A dor de Dezembro)

– E quem é você para julgar alguma coisa? Não foi você quem perdeu a memória, não é? Você não sabe como é! Você não sabe como dói e como é difícil, você não entende nada, Kise! — Não entendia porque estava jogando sua fúria no loiro, mas o viu arregalar os olhos e ficar boquiaberto, parado enquanto em frente a porta da cozinha enquanto o encarava. Aomine ergueu-se com dificuldade. — Você não entende, não entende nada do que eu sinto! Não sabe o que é estar perdido, não sabe como é viver dia após dia tentando saber algo sobre si e achar apenas o nada na mente, não sabe o que é passar anos preso a lembranças vagas de um cheiro ou sensação. Não sabe o que é sofrer por-

– CALA A PORRA DA SUA BOCA, AOMINE! — Berrou o loiro jogando o copo com força contra o chão, que se estilhaçou. — Você acha o quê, Aomine? — As lágrimas rolavam pelo rosto do loiro, dolorosas demais para que ficassem dentro de si. — Pensa que sabe como foram esses últimos quatro anos para mim? Pensa que foi o único a sofrer? Eu preferia ter perdido a memória a ter passado tudo que passei se quer saber! Você não sabe o quanto ainda sofro. Você não sabe o que é ir atrás de alguém e não achar nada, passar anos procurando pelo vento, olhando por uma janela tentando achar alguém, ficar dia após dia me perguntando que merda aconteceu para você sumir do nada sabendo o quanto eu precisava de você, eu quase morri porque não comia e quando comia acabava vomitando tudo. — O loiro limpou o rosto, completamente revoltado, seu peito doía demais. — Se não fosse Kagami eu não estaria vivo para vê-lo aqui novamente.

– Kagami, Kagami, Kagami! Será que só sabe falar dele?! — Exclamou Aomine irritado.

– Não posso fazer nada se ele tem muito a ver com isso. — O loiro estava ficando realmente chateado com toda aquela fúria de Aomine. Mesmo depois de tudo ele ainda pensava daquela forma?

– Ah, que se dane, eu não quero saber. — O maior rosnou cambaleando para seu quarto.

– Você não sabe merda nenhuma, não vai me entender nunca...

– Eu não sou ninguém para julgar algo sobre sua vida, realmente. — Falou Kise com um sorriso triste. — Mas não se esqueça disso, Aomine, a pessoa que mais lutou por você nessa vida fui eu, eu e a Momoi. Quando você entrou em desespero, nós fomos o seu porto seguro. — O loiro ergueu os olhos e o encarou. — Quando você estava caindo, eu segurei seus braços e te dei apoio, quando tudo pareceu ruir, eu estava lá, sempre estive. Quando sumiu eu senti minha vida perder o sentido e tudo voltou a ser como antes, apenas ensaios e mais nada, minha vida era uma droga sem você... quando você voltou eu senti uma felicidade que não sentia há anos. Mas se realmente pensa que não sou ninguém, que não sei nada, tudo bem, meu único desejo é que não acabe com o que nem começou ainda. Me desculpe por ser tão negligente quanto a você... mas saiba que, um dia, você me chamou de melhor amigo.

Kise suspirou e virou-se, ia embora, se aquela era a resposta que Aomine tinha para si. Por que mesmo sem recuperar a memória ele continuava sendo aquele perfeito idiota? Ia chegar à porta quando uma mão segurou seu pulso, olhou para trás e encontrou os olhos marejados do maior. Por que ele parecia sofrer tanto ultimamente?

– Me desculpe, eu não... — Então um soluço cortou sua frase e Kise apenas o abraçou.

– Tudo bem, apenas tire essa roupa e vá tomar um banho. — O loiro suspirou e se afastou do abraço. — Você tinha psicóloga hoje, mas deixa para lá, do jeito que você está é melhor apenas dormir.

– Obrigado...

– Não agradeça. — Kise ainda estava triste por suas palavras, mas estava ainda mais triste por não entender porque Aomine estava tão destruído. Será que havia lembrado de mais alguma coisa ou estava revoltado por sua mente estar vazia? Suspirou e voltou para a cozinha, mas antes que pudesse fazê-lo a mão de Aomine segurou seu pulso com firmeza.

– Me ajuda com uma coisa? — O loiro franziu a testa. — Só que vai te molhar...

– Como assim? — Kise entrou na cozinha e desligou a água que havia colocado para esquentar, Aomine estava parado a porta observando.

– É que eu acho que gostava de nadar e seu cheiro me acalma, é estranho, eu sei... — O maior riu um pouco, mas sem ver a expressão de espanto na face do menor. — Queria que entrasse na piscina comigo, só para eu... sei lá, ver se lembro de algo.

– Ahn... ok... — Kise não negaria nada a Aomine, jamais negou. Seguiu o maior um tanto intrigado, havia algo de diferente em seus olhos. — Aconteceu algo?

– Não. — Kise notou a mentira em sua voz, sempre soube quando Aomine mentia, mas não ia pressioná-lo, tudo tinha seu tempo e uma hora ele sempre falava o que sentia. Seguiu o homem em silêncio, até chegarem à piscina nos fundos da casa do maior, começou a despir-se, não podia molhar suas roupas, a sua frente Aomine tirava as suas também, ficaram apenas de boxer e Aomine sorriu levemente.

Kise apenas correspondeu ao sorriso e tentou controlar as batidas do seu coração quando o maior pegou sua mão e o puxou devagar para a piscina, entraram pela escada que aos poucos ia molhando seus corpos, a cada passo afundavam mais na piscina, até ficarem em pé na parte mais rasa, com a água batendo pouco abaixo do peitoral de ambos. Aomine soltou a mão do loiro, mas continuou próximo, olhando em seus olhos.

– Você parece tão triste, Aominecchi... — Kise acariciou a face do maior, que fechou os olhos ao toque.

– Talvez esteja... — sussurrou num suspiro, colocando sua mão sobre a do loiro, acariciando-a levemente. Kise era tão delicado, tão perfeito, o amava tanto. A cada segundo sentia aquele amor consumi-lo cada vez mais, cada fibra de seu corpo, cada célula, não podia evitar. Os sentimentos simplesmente estavam voltando sem que pudesse controlar.

– Quer me falar algo? — Aomine balançou a cabeça e virou-se de costas para Kise, pegou as mãos do loiro e colocou sobre seus olhos, e ficaram assim por vários segundos. Kise encostou sua testa a cabeça do maior enquanto tampava seus olhos ali na água.

Aomine suspirou de olhos fechados sentindo as mãos delicadas do loiro sobre seus olhos, acariciou levemente a costas de uma mão do loiro e deixou seu corpo encostar-se ao do menor, queria mais contato, todo contato que pudesse ter com seu corpo quente e acolhedor. E então Kise o abraçou, colocando o rosto na curva de seu pescoço com um suspiro, alisou levemente o cabelo azul do maior.

– Você não tem noção do quanto fiquei desesperado quando sumiu... — Sussurrou o loiro sentindo a maciez do cabelo do maior entre seus dedos.

– Me desculpe...

– A culpa não é sua. — O loiro sorriu levemente e beijou o ombro do maior. — O que importa é que está aqui agora. — Aomine sentia vontade de chorar. Será que Kise sabia o quanto aquele carinho todo o matava? O quanto saber que ele iria casar o desmoronava? Talvez não fizesse ideia do quanto.

Aomine virou-se lentamente e olhou para o loiro, diretamente em seus olhos dourados. Eram os olhos mais lindos que Aomine já vira em sua vida, eram tão vivos e brilhantes, eles sorriam, brilhavam como ouro iluminado pelo sol ofuscante, únicos. Ergueu a mão e acariciou a face macia, suspirando com o contato e, antes mesmo que percebesse, estava se aproximando do menor, para então juntar seus lábios num toque delicado. Kise arregalou os olhos.


Oh, there isn't one thing left you could say (Oh, não há nada que você poderia dizer)
I'm sorry, is too late (Sinto muito, é tarde demais)
I'm breaking free from these memories (Eu estou me livrando destas lembranças)
Gotta let it go, just let it go (Tenho que deixá-las ir, deixe-as ir)
I've said goodbye, set it all on fire (Eu disse adeus, queimei tudo)
Gotta let it go, just let it go (Tenho que deixá-las ir, deixe-as ir)

Tinha que afastar Aomine agora.

Tinha que falar que eram apenas amigos.

Tinha que dar um fim de uma vez por todas.

Mas tudo o que fez foi suspirar e começar a fechar os olhos, entregando-se ao beijo do maior, que passou as mãos por sua cintura, grudando-os em um abraço apertado e carinhoso, Kise abraçou seu pescoço enquanto abria a boca para deixar o beijo evoluir. Estremeceram quando suas línguas se tocaram, era como uma sensação que conheciam há muito tempo, mas foram privados daquele prazer. E era realmente assim, mas apenas Kise sabia disso.

Moviam as cabeças lentamente durante aquele beijo intenso, mas lento e amoroso, sem perceber o maior andava com Kise até a escada, começando a subi-la devagar, as pernas do loiro envolviam sua cintura de forma inconsciente, mas mesmo que tivesse noção do que estavam fazendo, sabia que não pararia, não depois daqueles quatro anos pensando manhã após manhã em Aomine.

Sabia que era errado, que Kagami não merecia ser traído dessa forma, mas não conseguia resistir, não com Aomine sendo tão carinhoso, não com ele o encarando daquela forma, sentia tanta falta daquele olhar apaixonado naqueles olhos azuis. Suspirou quando os lábios do maior se afastaram dos seus, mas não abriu os olhos, apenas apertou mais o abraço.

– Kise... — a voz de Aomine era rouca e baixa, agora já estava entrando na casa com o loiro. — Eu sempre amei você... — O loiro arregalou os olhos para aquela afirmação e ficou sem saber o que fazer, Aomine já lhe falara aquilo muitos anos antes. — Sempre te amei em silêncio... eu sei que vai casar agora, mas me deixe ter você apenas hoje, agora... e depois disso eu desisto, eu juro. — Podia-se ver claramente a dor nos olhos azuis, uma dor intensa e eterna. Kise a conhecia, conhecia muito bem, estava completamente perdido, mas sentia o mesmo que Aomine, queria amá-lo uma última vez antes de deixá-lo ir para sempre, queria sentir aquele amor intenso que tinham, queria abraçá-lo e sentir a paz que ele lhe transmitia. Mesmo sabendo o quão errado era fazer algo como aquilo.

– A-Aom...

– Não fale nada, só deixe acontecer, ok? — Kise suspirou sabendo que era um enorme erro, que estava traindo Kagami descaradamente, mas também precisava daquilo, agora era um verdadeiro adeus a Aomine, aquela seria a última vez e o amaria, mesmo sabendo o tamanho do erro que era, precisava daquilo tanto quando o homem de cabelos azuis. Então apenas fechou os olhos e colocou o rosto na curva do pescoço de Aomine. — Podemos pensar nisso como um homem que vai se aproveitar da amizade para se sentir um pouco amado, se for melhor para você... me desculpe.

– Daiki... — suspirou, mas não conseguiu falar nada, então apenas fechou os olhos enquanto Aomine o carregava para sua cama, se o maior soubesse quantas vezes haviam feito amor ali, quantas inumeras vezes haviam trocados juras de amor eterno, quantas vezes não gritaram o nome um do outro no auge do prazer, quantas vezes havia prendido o loiro ali num abraço quente numa manhã de neve após terem feito amor. Aomine não se lembrava de tudo, se lembrasse não estaria agindo daquela forma, tinha certeza e talvez fosse aquilo que mais doesse em seu peito.

Entraram no quarto do maior e este fechou a porta, soltando o loiro, ainda estava um pouco bêbado, mas estava consciente de seus atos, apesar de estar agindo daquela forma era quase completamente culpa da bebida e de seus sentimentos afogados e intensos. Olhou novamente para Kise, sua expressão era de quem estava um tanto triste e confuso, não queria vê-lo daquela forma, mas não podia mais controlar seus desejos, queria amá-lo, queria tê-lo.

Acariciou a face rubra do menor, que o encarou com aqueles olhos dourados brilhando.
Não precisavam de palavras, aliás, era melhor não as pronunciarem, os atos falariam tudo e se entenderiam daquela forma, como sempre haviam se entendido.

E então selou seus lábios num beijo calmo enquanto alisava seus ombros, descendo as mãos por seus braços até entrelaçar os dedos nos de Kise, que apertou suas mãos com carinho, não conseguia entender o motivo para ele estar deixando tudo aquilo acontecer tão facilmente, para estar sendo tão carinhoso, tão amoroso, mas não pensaria nisso agora, apenas amaria seu amigo. Amaria e o deixaria ir, pois as coisas deviam ser assim. Kise já havia decidido seu destino. E ficaria feliz com a felicidade de Kise, era assim que a vida deveria seguir.

As mãos do maior pousaram sobre a cintura do loiro e acariciaram o local com suavidade enquanto suas línguas dançavam em suas bocas, apertou levemente a cintura fina, grudando mais seus corpos fazendo com que Kise arfasse levemente em meio ao beijo, a pele do loiro era tão macia contra a sua, tudo em Kise o atraía demais, ele estava quente, mesmo molhado podia sentir o calor que emanava de seu corpo. Deslizou as mãos pelas costas do loiro, apertando-o ainda mais contra si, mas com carinho.

Olharam-se novamente e Aomine colocou as mãos na barra da boxer do loiro, que corou com extrema força, mas repetiu o ato no maior e começaram a descer a boxer um do outro, terminando o ato cada um tirando a própria com os pés quando elas caíram. Voltaram ao abraço apertado, estremecendo com o contato de seus membros semi-eretos, Kise apertou as costas de Aomine durante o beijo, movendo-se junto a ele durante o ato.

Lentamente o maior conduziu Kise até a cama e caíram juntos na mesma, com Aomine por cima, que começou a descer os beijos pelo pescoço de Kise, mas parou para admirar seu corpo nu em sua cama, sorriu fraco observando-o completamente corado e encolhido, levou a mão até a pele macia de sua barriga e a alisou, subindo até seu peitoral, passando os dedos pelo mamilo intumescido, fazendo com que o menor arfasse.

– Tão perfeito... — sussurrou o maior observando cada curva, cada pedaço daquele corpo, tentando decorar tudo. Beijou o peitoral do loiro começando a descer até seu mamilo, tomando-o nos lábios, Kise ofegou alto e arqueou as costas sentindo a língua do maior atiçar a carne sensível, apertou a nuca de Aomine enquanto ofegava.

Deslizou as mãos pelas costas largas enquanto começava a gemer baixo pelas provocações em seus mamilos. Todos aqueles anos o haviam feito quase esquecer o quanto estar com Aomine poderia ser maravilhoso, o quanto o fazia se sentir completo, se sentir ele mesmo. Imaginava que podia morrer naquele mesmo momento que morreria feliz.

– A-ahh! — Kise não conseguiu evitar o gemido um pouco mais alto quando sentiu a mão do maior em seu membro, fechou os olhos com força e corou para em seguida colocar a mão sobre os lábios tentando evitar os gemidos.

– Não, me deixa te escutar... — o maior retirou sua mão de seus lábios e sorriu movendo a mão devagar, Kise não conseguia deixar de se sentir envergonhado pela forma como Aomine encarava sua face com tanto amor enquanto não conseguia controlar seus gemidos seguintes. Apertou os ombros do maior e o encarou, erguendo um pouco o rosto.

– M-me beije... — pediu rouco, Aomine arregalou os olhos, mas logo o fez, selando seus lábios em um beijo carinhoso e apaixonado enquanto continuava a mover a mão. O loiro abraçou seu pescoço enquanto gemia durante o beijo, tendo os sons abafados pelo próprio Aomine, que cada vez instigava mais seu corpo forte sobre o do loiro. Sentia tanta falta daqueles beijos, daqueles toques, daquele jeito de Aomine em levá-lo em suas ações. — Aaahh, Aominecchi! — Gemeu o loiro arranhando as costas do maior quando este apertou sua glande.

– Kise, eu te quero tanto. — Sussurrou o de cabelos azuis começando a descer os beijos pelo bem modelado corpo do loiro, deliciando-se com seu sabor único e delicioso, sua pele era macia e cada toque era inesquecível. Sorriu de canto olhando para o menor enquanto lambia sua virilha, vendo-o ficar ainda mais vermelho e começar a ofegar ainda mais constantemente, continuou a lamber toda aquela área e desceu arqueando mais as pernas do loiro até deslizar a língua por sua entraga, sentindo-o arquear o corpo assustado.

Sorriu vendo o loiro apertar os lençóis da cama e continuou a provocar sua entrada, pressionando a língua contra o local, subiu a mão lentamente pelo corpo do menor até seus dedos chegarem aos lábios macios, pressionou um pouco contra até Kise abrir os lábios e começar a lamber seus dedos, arrepiou-se por completo sentindo-o fazê-lo e olhou enquanto abocanhava seu membro e o via jogar a cabeça para trás gemendo ainda mais alto. Moveu a cabeça e levou os dedos até a entrada do menor, começando a penetrar um dedo, Kise moveu-se com certo desconforto, mas deixou que o maior o preparasse.

Em pouco tempo o loiro já voltava a gemer com prazer, puxando os lençóis da cama do maior e movendo o corpo para afastar-se de Aomine, mas o maior não o largava por nada. Aomine engoliu todo seu membro fazendo intensas sucções, Kise colocou uma mão sobre o rosto e gemeu alto.

– I-iie, Aominecchi! — Gemeu tentando afastar a cabeça do maior. — A-assim eu... aahh!

– Ainda não, Kise... — O maior parou o que fazia, recebendo um gemido de reprovação do menor, mas tudo que fez foi sorrir e voltar a deitar-se sobre o mesmo, que estremeceu e olhou para o lado, tentando não demonstrar o quão corado estava, mas tudo o que Aomine fez foi cheirar seu pescoço e depositar um leve beijo ali antes de encostar sua testa à cabeça do loiro, deixando seus lábios rentes à orelha avermelhada do menor. Kise se arrepiava com sua respiração descompassada. — Ryouta... — O loiro arregalou os olhos e depois apertou as costas de Aomine com força, cravando suas unhas no local enquanto soltava um gemido alto ao sentir o maior impulsionar-se para dentro de si. — Eu te amo... — Kise fechou os olhos com força tentando não chorar ao escutar a mesma frase ser repetida várias vezes em sua orelha naquela voz sussurrada enquanto o maior o penetrava com cuidado.

Esperaram um pouco, mas logo Aomine já se movia dentro de si, sentia o olhar do maior em seu rosto, mas não tinha coragem de encará-lo depois daquelas palavras, sabia que acabaria falando o que não devia, seus braços estavam jogados para os lados, fechou os olhos e deixou sua voz fluir pelo quarto, Aomine o completava. Sentia-se tão feliz. Mas partido. Tinha que esquecê-lo, não podia amá-lo assim. Entretanto já era tarde, a nostalgia a qual seu corpo se entregara era absurda. E as sensações... únicas.

– Kise... O que é isso? — De repente Aomine parou os movimentos e Kise abriu os olhos, olhando para onde ele olhava, era a tatuagem. — E-eu... tenho uma assim... — Aomine tocou o próprio ombro, roçando os dedos pela tatuagem.

– Eu sei... — Kise sorriu fraco e acariciou o rosto do maior, aproximando os lábios dos dele. — Nós fizemos para eternizar nossa amizade. — Era mentira, mas não podia dizer, não diria nada até que ele lembrasse, não podia. — Nós nos conhecemos pelo basquete, continuamos amigos por ele... e então decidimos fazer essa tatuagem para representar... — O loiro sorriu e tomou os lábios de Aomine, abraçando seu pescoço com carinho, não queria deixá-lo ir, não queria ir, mas as coisas haviam mudado. — Mas eu sempre soube o que sentia... sei que parece errado e fútil, mas me senti tão mal quando sumiu e achei que tinha sido culpa minha, quando voltou decidi que faria de tudo para te deixar feliz e... e isso agora... — Não conseguiu terminar, acabaria chorando.

Aomine não falou mais nada sobre, apenas encostou sua testa à de Kise e voltou a estocá-lo, observando quão lindo aquele loiro podia ser, o quão lindo ele simplesmente era, esquecendo-se de suas palavras, não queria pensar que estavam ali, juntos, apenas por dó ou arrependimento do loiro. Acariciou levemente a face corada, queria tanto lembrar mais sobre ele, lembrar tudo, mas talvez não fosse o melhor. Sabia que agora devia recomeçar e lembrar o quanto o amava já era o suficiente para sofrer pelo resto da vida por um amor platônico.

As estocadas não eram fortes nem profundas como geralmente Aomine fazia, eram compassadas e intensas, eram quase carinhosas e amorosas e aquilo apenas matava Kise ainda mais, cada mísero pedaço de seu coração era destroçado em mais mil pedaços e não podia fazer nada além de agarrar-se ao homem a sua frente e deixar sua voz se elevar cada vez mais. Seu peito doía como jamais doera em toda sua vida. Sabia que estava destruindo a si mesmo, mas quando não agira daquela forma?

Sempre fora o masoquista, não é? Sempre fora aquele que chorava em desespero por trás de um sorriso. Qual era a diferença de ser tão decadente agora quanto era antes? Olhou para o maior sorrindo, um sorriso curto e doloroso, e Aomine notou. Notou porque seus olhos não sorriam e os olhos de Kise sempre sorriam.

– Daiki... — Sussurrou o loiro abraçando a cintura do maior, gemendo alto ao ser tocado num local muito sensível, ofegou alto demais e cravou as unhas nos ombros largos, encostou sua testa à do maior e deixou seus gemidos aumentarem conforme Aomine tornava aquilo ainda mais intenso, jogou a cabeça para trás gemendo o nome daquele que sempre amou.

Eu te amo... — Kise olhou nos olhos de Aomine enquanto seus corpos se moviam juntos sobre a cama, enquanto suas vozes gemiam cúmplices daquele adultério, enquanto seus corpos estremeciam e se arrepiavam completamente excitados, enquanto seus sentimentos se encontravam ainda mais fortes do que quatro anos antes. Os olhos não sorriam. Os olhos choravam lágrimas invisíveis de compreensão e amor intenso, lágrimas de despedida. — Eu amo você.

Kise fechou os olhos. Aquela voz. Aqueles lábios. Aquela pele. Aqueles olhos. Aquele corpo. Aquela personalidade. Aquele sorriso. Aquele olhar. Aquele homem. Aquele maldito amor.

E então verdadeiras lágrimas vieram. Vieram juntamente ao limite do prazer de ambos. Gemeram alto o nome oposto quando o orgasmo finalmente os dominou, mas Kise sentiu a água quente escorrer por seus olhos, a dor em seu peito apenas crescia, crescia de uma maneira que jamais achara possível.

Sentiam o corpo oposto tremer ainda quente pelo ato, os espasmos ainda presentes. Aomine apoiou-se nos cotovelos e olhou para Kise, sentiu seu peito afundar ao ver que não havia sorriso em seus lábios, aquele sorriso que tanto amava não estava lá, muito pelo contrário, seus lábios estavam murchos, transformando a tristeza mais visível, lágrimas em seus olhos faziam o brilho ser frio. A dor estava presente em seus olhos, jamais o vira tão triste, sentiu-se culpado e ainda pior do que já estava. Não queria fazê-lo sofrer mais.


I let it go (and now I know) (Eu as deixo ir [e agora eu sei])
A brand new life (is down this road) (Uma nova vida [está neste caminho])
And when it's right (you always know) (E quando é certo [você sempre sabe])
So this time (I won't let go) (Então, dessa vez [não vou largar])

– Daiki... me esqueça. — Pediu o loiro e Aomine suspirou, colando suas testas, fechou os olhos.

– Está me pedindo para te esquecer quando eu nem ao menos me lembrei ainda. — Kise suspirou e empurrou devagar o peito de Aomine, fazendo-o sair de cima de seu corpo e de dentro de si, gemeu um pouco e levantou-se, puxando uma toalha qualquer para limpar seu corpo. Passou uma mão pelo rosto e limpou suas lágrimas para então encarar o maior ainda sentado na cama. Arrependeu-se, Aomine tinha a expressão mais triste que já vira na vida.

– Não se lembre, então. — Kise caminhou até sua boxer e a vestiu. — Você só vai se machucar e me machucar, Aominecchi... e... e eu vou casar com o Kagamicchi. — O loiro sugou coragem de onde não sabia e olhou diretamente nos olhos azuis de Aomine. — Eu o amo. — Notou o resto de brilho que havia naqueles orbes sumirem, notou como ficaram opacos, notou os músculos de seu rosto relaxarem mostrando uma expressão arrasada, como seus olhos diminuíram de tamanho, sua respiração ficar lenta e dolorosa. Foi horrível.

Aomine, de repente, sorriu fraco, como se pensasse que as coisas jamais seriam como em seus sonhos, como se pensasse que fora tolo em pensar que Kise o amaria simplesmente por sexo, por amá-lo como jamais amara alguém na vida, deitando-se em sua cama para então se cobrir e virar de costas para o loiro, que suspirou. É melhor assim, pensou.

– A-acho que não vou ao seu casamento, me desculpe. — Murmurou o maior. — Mas espero que seja feliz com ele, Kise... você merece. E Kagami-san é uma ótima pessoa...

– Obrigado... E-eu... sempre soube, Aominecchi, dos seus sentimentos. — Aomine arregalou os olhos e o encarou. — Quando sumiu, me senti culpado e muito mal, quando voltou sem memória, mas lembrando-se de alguém que se parecia comigo... eu achei que... senti que queria te dar algo que sempre neguei... sei que parece egoísta e que estou sendo ridículo, que só estou pensando nos meus sentimentos... mas não quero que suma novamente com a sensação... com esse tipo de sentimento... vazio. Só te peço que siga a sua vida.

– Então tudo isso agora foi porque não quer se sentir tão culpado? — A risada de Aomine foi seca.

– Sou uma porcaria de pessoa, não é?

O loiro saiu do quarto e caminhou aos tropeços até a piscina, apertando a mão contra a boca para não deixar seu choro ficar tão alto. Vestiu-se tão rápido quanto podia e correu da casa do maior, completamente arrependido do que fizera e falara, mas sabia que se quisesse que Aomine não voltasse, teria de machucá-lo.

– Merda, merda.

E então seu choro evoluiu dentro daquele carro caro, sendo abafado pela música alta que colocara para que nem mesmo ele escutasse os gritos intensos de seu choro, para que nem mesmo ele sentisse as batidas absurdamente dolorosas de seu coração quando a vibração da caixa de som fizesse seu corpo tremer. E então deixou seu choro ganhar volumes absurdos, gritava revoltado e triste, apertando a camisa, queria arrancar seu coração e despedaçá-lo de vez, para não sentir mais aquela dor. As lágrimas rolavam livres por sua face, quase com pressa, seus olhos ardiam e seu corpo tremia.

A dor era insúportável.


I've broken free from those memories (Eu me livrei daquelas lembranças)
I've let it go, I've let it go (Eu as deixei ir, eu as deixei ir)
And two goodbyes led to this new light (E duas despedidas trouxeram esta nova luz)
Don't let me go, don't let me go (Não me deixe ir, não me deixe ir)
Won't let you go (Não vou deixar você ir)
Don't let me go (Não me deixe ir)

Kise olhou-se no espelho. Nenhuma marca. Nenhuma maldita marca. Suspirou e fechou os olhos lembrando-se dos toques de Aomine, sentia tanta falta daquele homem, tanta falta. Lembrou-se de todas as manhãs que ficou olhando pela janela e suspirou, como o destino podia ser tão frio?

Riu de sua própria desgraça e deitou-se na banheira já cheia. Suspirou. Não se limitaria a pensamentos sobre como estava se sentindo triste, sobre como tudo aquilo era horrível. Para quê? Não o levaria a lugar algum a não ser a resposta que já tinha.

Não agiria como se fosso o fim do mundo. Talvez aquela fosse apenas uma porta que se abrira para ele, um começo de vida. Quem sabe?

Havia, finalmente, dito um adeus definitivo. Um segundo adeus.

– Anjo, cheguei! Me desculpa a demora e não ter podido levar o Aomine-san à psicóloga. — Kagami entrou sorrindo levemente no banheiro, porém seu sorriso sumiu ao ver a face avermelhada de seu noivo, como se houvesse chorado. — Está tudo bem?

– Vem cá... — Kise estendeu a mão, sorrindo leve, Kagami se aproximou e abaixou-se ao lado da banheira. — Só estava pensando em coisas bobas e me emocionei. — Riu fraco e Kagami sorriu, beijando sua testa. — Taiga... — Sussurrou o loiro fechando os olhos, num pedido mudo para que o ruivo o beijasse.

E assim Kagami o fez. E Kise soube, a partir daquele momento, seriam aqueles os únicos lábios que beijaria pelo resto de sua vida, seria àquele homem a quem entregaria os pedaços que ainda restavam de seu coração para que ele cuidasse, seria a ele a quem demonstraria todos os seus sentimentos, a ele que amaria. O homem que o beijava com tanto amor e carinho seria o homem a quem dedicaria tudo de si intensamente.

E sentiu-se feliz por ser uma pessoa como ele. Kagami era seu destino. E agora... havia dito adeus às memórias e Kagami era sua nova luz. Estava decidido. Era Kagami Taiga.


There's only one thing left here to say
(Só há uma coisa a dizer aqui)
Love's never too late
(O amor nunca vem tarde demais).

Notas finais
É... lembrando que essa fanfic foi feita com a maioria das opiniões dos primeiros capítulos nos reviews, então... ainda tem umas coisas para rolar. Não me matem ainda, deixa para no fim de Memories II (que aliás, já está na metade). Fala sério... a música se adequou perfeitamente ao cap. Espero que tenham gostado!