Memories
1 Where are you?
Notas iniciais

I was wrong to think that I could ever love in you,
(Eu estava errado em pensar que eu poderia sempre amar você,)
I was wrong to think that you might want to love me, too
(Eu estava errado em pensar que você deveria me amar também,)
Here I am, here I am,
(Aqui eu estou, aqui eu estou,)
So where the hell are you?
(Então onde diabos está você?)
So where are you when I need someone, too?
(Então onde está você quando eu também preciso de alguém?)
Where — Nickelback
A chuva caía fina agora, depois de uma tempestade horrível, que deixara o clima já frio daquelas ruas de cores vazias, ainda pior. As pessoas andavam com capas e guarda-chuvas, andando rápido para chegar ao seu lar ou o lugar onde podiam sentar e aquecer o corpo, as cores quentes de suas roupas se tornavam frias e tudo se resumia em tristeza.
Pelo menos aos olhos do jovem sentado entre papelões e panos velhos em frente a uma loja fechada. Estava encolhido observando as pessoas como em todas as suas noites, tentando aquecer o corpo com os braços, encolhendo-se ainda mais no meio daqueles cobertores velhos que ele nem ao menos lembrava-se de onde haviam aparecido.
Era um garoto jovem de cabelos e olhos azuis, a barba estava por fazer em seu rosto, estava sujo e solitário, sentia fome e não sabia quem era, não sabia nada sobre si. A única coisa que sabia era que tinha uma tatuagem no ombro, era uma bola de basquete azul e amarela, envolta num símbolo do infinito, mas havia uma letra "K" embaixo, perguntava-se o que seria aquele "K".
Perguntava-se muitas coisas sobre aquela tatuagem. Será que amava tanto assim o basquete? Quem seria "K"? Por que azul e amarelo? Por que o símbolo do infinito? Seria um jogador profissional? Quantos anos tinha? Qual era seu nome? Há quanto tempo estava nas ruas?
Suspirou e abriu uma mochila velha que andava sempre consigo, tirando de lá um pedaço de pão velho. Olhou-o com pesar, estava acabando, mas tinha de comer, estava fazendo muito frio. Pegou um pequeno pedaço e o mordeu, seco, duro, sem sabor, mas agradecia por ter algo para se alimentar.
Depois de comer decidiu procurar um lugar melhor onde pudesse dormir, esperando que no dia seguinte o sol fizesse uma visita ao Japão, pois não aguentava mais aquelas chuvas e frio, sentia que morreria em breve.
~x~
O loiro abriu os olhos e estremeceu, estava realmente frio naquele dia. Caminhou até a janela, acabara deixando-a aberta antes de dormir, e suspirou. Olhou para o céu, estava negro e ainda era sete da manhã, estava muito mais frio do que imaginara, rangeu os dentes e fechou a janela, encostando sua testa na mesma depois.
– Onde você está? — sussurrou olhando para a grande cidade a sua frente, podia ver praticamente toda Tokyo de seu apartamento, mas não podia vê-lo. Fechou os olhos e mordeu o lábio, não era hora de chorar.
Sentiu braços fortes o abraçando por trás e sorriu, olhando para trás e encontrando os olhos vermelhos de seu namorado, este logo selou seus lábios, apertando-o com carinho.
– Bom-dia, meu anjo... — falou o ruivo com a voz ainda rouca por ter acabado de acordar.
– Boa tarde, você quis dizer, Kagami Taiga, já são nove... — o loiro riu baixo virando-se ainda naqueles braços fortes e quentes, cutucando a barriga malhada do maior, deixando-se ser encostado à janela.
– Ah, que seja. — o ruivo riu e beijou a testa do loiro. — Dormiu bem?
– Sim, só acordei com frio... — suspirou abraçando o pescoço do ruivo, que olhou para fora enquanto o abraçava.
– Você continua deixando a janela aberta esperando que ele volte... — Kagami suspirou e o loiro o apertou um pouco, repetindo seu suspiro. — Mas esqueceu que não está mais naquela casa e que agora eu estou com você.
– Meu coração... — ia começar, mas o ruivo apenas desfez o abraço e sorriu torto, indo atrás de uma camisa. — Kagami... por fav...
– Está tudo bem, meu anjo. — O ruivo sorriu colocando uma camisa preta e em seguida um casaco. — Vou comprar uns pães para tomarmos café da manhã... — O loiro apenas assentiu e sentou-se em sua cama de pernas cruzadas, ainda olhando para fora, logo o maior saiu batendo um pouco a porta.
O nome do loiro era Kise Ryouta, um dos modelos mais famosos e caros do Japão, estava começando a expandir seus negócios para o exterior e, provavelmente, se mudaria para a América com seu namorado, Kagami Taiga, que era o mais novo estilista da Ásia e Europa. Mas antes de namorar o ruivo, Kise tinha um outro namorado, que não era famoso, era apenas um policial japonês chamado Aomine Daiki, mas Kise o amava como jamais amaria outro.
Entretanto o outro apenas sumira, num dia qualquer, sem falar com ninguém, sem pegar sequer sua carteira. Nem mesmo sua família sabia. Já haviam quase quatro anos e nada, nenhuma notícia, nem mesmo seu corpo fora encontrado, não havia sinais de que fora sequestrado, nem mesmo seu carro estava fora da garagem, um dia qualquer o homem apenas sumira do mapa.
Kise ficou em depressão por sete meses, até conhecer o ruivo, que o animara, o acompanhara, e acabaram se envolvendo um ano depois do sumiço de Aomine e então começaram um relacionamento, Kise gostava do ruivo, gostava muito, mas a forma como Aomine sumira, nem ao menos sabia se ele estava morto. Mesmo depois de todo aquele tempo seus pensamentos sempre acabaram naquele policial que o abandonara.
Havia uma tatuagem na parte interior de seu braço, uma bola de basquete envolta do símbolo do infinito, era azul e amarelo e embaixo havia um "A", não conseguira tirar a tatuagem e até hoje aquilo era motivo de brigas entre ele e Kagami, mas jamais o dissera que o amava e o ruivo estava consciente disso. Jamais esqueceria Aomine.
Suspirou e caminhou para o banheiro, precisava de um banho quente e uma roupa confortável. E assim o fez, tomou um banho não muito longo, mas o suficiente para seu namorado fazer o café da manhã para ambos e então se vestiu, caminhando para a cozinha a passos lentos, enquanto observava seu celular, vendo os convites que recebia para festas e eventos, havia um de Momoi Satsuki, a melhor amiga de infância de Aomine, aceitou no mesmo instante.
Kise chegou à cozinha e sorriu, Kagami tinha a melhor comida do mundo. Observou o ruivo de costas para si, preparando alguma coisa sobre o balcão e suspirou, caminhando até ele e o abraçando por trás, encostando sua testa nas costas do mesmo, deixando a ponta de seus dedos acariciarem a barriga malhada por dentro da camisa, começando a distribuir beijos pelas costas e nuca do ruivo, vendo-o arrepiar-se.
– Kagamicchi... — sussurrou puxando sua mão para que soltasse a faca e ficando entre ele e o balcão, apoiou-se em seus ombros e selou os lábios finos. A verdade era que Kagami o lembrava muito Aomine, em muitos aspectos, mas tentava ao máximo não confundi-los nas horas erradas. Não era certo com o ruivo o que fazia, mas era justamente aquele homem que o mantinha vivo ainda.
O beijo foi lento e carinhoso, cheio de pedidos de desculpas e compreensão, as mãos fortes do maior apertavam sua cintura com carinho enquanto Kise se apoiava em seus ombros ainda, mas não notaram quando o beijo foi evoluindo, ficando mais necessitado e rápido a medida que seus pés os levavam até a mesa.
– Ryouta... — o ruivo murmurou rouco começando a beijar seu pescoço após tê-lo sentado sobre a mesa, este ofegou baixo, começando a tirar a camisa do namorado. — Me desculpe... — Kise sorriu e segurou o rosto do ruivo após retirar sua camisa e voltou a beijá-lo, abraçando sua cintura com as pernas. Era sempre assim, Kagami fazia algo e se arrependia depois, sempre sendo cuidadoso com o loiro.
Sentiu as mãos quentes do maior começando a deslizar por dentro de sua roupa e se arrepiou, sorrindo fraco em meio ao beijo envolvente, apertou as costas largas, aprovando os toques em sua pele sensível, ficando arrepiado, Kagami sempre sabia como tocá-lo, mas jamais fora tão bom quanto Aomine, talvez porque Kise realmente amava aquele policial, e quando se ama tudo é diferente.
Sua camisa se foi rapidamente e ambos se arrepiaram com o contato de seus troncos semi nus, o loiro sorria carinhoso ao olhar nos olhos vermelhos do maior, este o encarava com intensidade, logo seus lábios se tocaram novamente e suas línguas travaram uma intensa batalha, as pequenas unhas do loiro já faziam pequenos e leves arranhões na pele branca do ruivo, que começava a ofegar mais.
O loiro desceu a mão devagar, tocando a intimidade do namorado sobre o pano que o cobria, escutando-o grunhir baixo enquanto movia sua mão, começou a distribuir beijos pelo pescoço do ruivo, enquanto este abria sua calça, era sempre assim, Kagami não podia ser nem um pouco provocado que já começava a ficar louco pelo corpo do menor.
Hey, who's commin' with me to kick a hole in the sky?
I love the whiskey, let's drink that shit till it's dry
Kagami e Kise pararam de se beijar ao mesmo tempo e olharam para o celular do ruivo vibrando e piscando enquanto a música apenas aumentava.
So grab a Jim Beam, J.D., whatever you need
have a shot from the botlle
doesn't matter to me
– Você tem que atender, Kagamicchi. — Kise soltou o namorado e apoiou as mãos na mesa, deixando-o livre para sair.
– Ah, deixa tocar. — O maior deu de ombros, começando a beijar a clavícula do loiro, que sorriu e alisou o cabelo sedoso.
– Mas pode ser importante. — Empurrou um pouco os ombros do ruivo e sorriu. — Vai e atende, se for uma coisa qualquer, vamos para o quarto e continuamos. — Kagami suspirou e olhou para o celular.
'Nother round
fill 'er up
hammer down
grab a cup
bottoms up!
Pegou o celular e viu o nome de sua secretária, sabia que teria de sair, mas ao ver o número dela achou melhor atender, afinal trabalho não era uma coisa qualquer. Apertou o desenho do telefone verde na tela e o levou até o vermelho ao mesmo tempo em que o vocalista gritava "YEAH" na música, levou o objeto à orelha sentindo o loiro parar atrás de si e começar a distribuir beijos pelas suas costas.
– Alô? — suspirou.
– Kagami-sama, precisamos que venha agora! — exclamou a mulher desesperada, ao seu redor muitas pessoas gritavam e ele podia escutar o movimento.
– Mas são noveda manhã ainda, Taeko! — exclamou o ruivo encostando a testa na parede quando sentiu o loiro sair de perto, também já tinha perdido o clima para qualquer coisa.
– Tudo que tenho que fazer é depois das onze hoje.
– Mas, Kagami-sama... houve um problema com o vestido da Yui-sama, aquela cantora, sabe? Precisamos que o senhor venha aqui ou não ficará pronto e, se ficar, estará cheio de erros. — O ruivo arregalou os olhos e correu para o quarto, aquele era um vestido que simplesmente não podia ficar errado, aquela cantora era muito famosa no Japão, tudo precisava ser perfeito.
– Não toquem em mais uma linha sequer desse vestido, já estou a caminho! — Exclamou começando a colocar um terno, olhando para o loiro parado a sua porta como se pedisse desculpas, o loiro apenas sorria de braços cruzados encostado ao batente da porta, a cabeça pousando delicada. Kagami quis suspirar, ele era lindo, muito lindo. — Me mande uma foto do que está errado, Taeko, assim posso ir dando uma olhada e fazendo as correções.
– Sim, Kagami-sama, vou desligar então, até mais. — Ela desligou e Kagami quase rosnou irritado, colocando a roupa completamente desajeitado. Kise riu levemente e se aproximou, afastando as mãos do ruivo e começando a arrumar ele mesmo sua roupa, enquanto o ruivo olhava as fotos do erro no vestido, notando que havia sido bem maior do que esperava.
– Droga, eles erraram o vestido da Yui, acredita nisso? — Ele falava alarmado.
– Qual Yui? — Perguntou o loiro ajeitando a gravata do maior.
– Aquela cantora bonitinha que canta coisas fofas. — Kise riu e depositou um selo nos lábios do ruivo. — Mais tarde vamos continuar, né?
– Estarei te esperando naquela cama, Kagami Taiga, não se atrase. — o loiro piscou e jogou-se na cama, o ruivo uniu as sobrancelhas fazendo a maior expressão de cachorro abandonado que Kise já vira, fazendo-o rir. — Vai logo, pense na Yui.
– Saco... — o ruivo suspirou e correu para fora, deixando um loiro pensativo em sua cama.
– Aomine Daiki... — o nome saiu num sussurro antes que ele fechasse os olhos. — Onde você está?
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