Memories

2 Are we having fun yet?


Notas iniciais
Geeeeeeeeente, eu amei os comentários, muito lindos!!!! Espero que gostem de ler a fic tanto quanto eu estou amando escrevê-la *-* Boa leitura!

It's not like you to say sorry
(Não é como se você pedisse desculpas)
I was waiting on a different story
(Eu estava esperando por uma história diferente)
This time I'm mistaken
(Dessa vez eu estou enganado)
For handing you a heart worth breaking
(Por te entregar um coração que valesse a pena quebrar)
And I've been wrong, I've been down
(E eu estive errado, eu estive deprimido)
Been to the bottom of every bottle
(Estive no fundo de cada garrafa)
These five words in my head
(Estas cinco palavras na minha cabeça)
Scream "are we having fun yet?"
(Gritam "nós ainda estamos nos divertindo?")

How You Remind Me — Nickelback

O homem parou e sentou no banco da praça, era uma praça que sempre ia, por algum motivo ela o trazia uma sensação boa, mas também nostálgica, sabia que algo acontecera ali algum dia, mas não lembrava o que era. Havia descoberto aquele lugar há duas semanas e então acabou virando um ritual ir ali e ficar até ter de procurar um lugar para comer e dormir.

Andou devagar pelo parque, indo até o gramado onde haviam duas árvores realmente grandes, sentou-se ao pé de uma e deixou a mochila de lado, abrindo a parte da frente para pegar um pacotinho onde havia uma caixinha com alianças, não entendia o que era aquilo, mas provavelmente ia entregar para alguém muito importante. Será que ia pedir alguém em noivado?

Suspirou olhando as duas alianças, não tinham nome nem data ainda, o que queria dizer que, provavelmente, não havia falado com a pessoa ainda. Vivia pensando quem e como seria a mulher por quem se apaixonara, muitas vezes formava a imagem de uma em mente, mas não sabia se era ela ou não, na verdade achava que a montava conforme seus gostos. Ela sempre tinha cabelos loiros e possuía uma franja estilosa, os olhos eram amarelos, brilhantes e intensos, o rosto era delicado e seu corpo era sensual, mas não avantajado, era tudo na medida perfeita, os seios não eram grandes, e ela tinha o sorriso mais lindo que já vira. Mesmo sendo apenas em sonhos.

Olhou para sua mochila, queria que houvesse algo a mais ali, sobre ela. Qualquer coisa. Mas não, tudo o que tinha era aquela aliança que estava em suas roupas, num bolso falso. Era tudo o que se lembrava, e também só achara aquela aliança depois de muito tempo nas ruas. Perguntou-se se algum dia encontraria alguém que conhecia, se lembraria das coisas, se lembraria quem era. Tinha plena consciência de que já fora alguém, mas não sabia quem nem seu nome.

– Ah... droga... quando? — resmungou.

~x~

– Aaaahhh, K-Kagami... aah... — Kise estava com os olhos fechados e as costas da mão na testa, enquanto a outra apertava o ombro do namorado, cravando suas unhas ali, deixando mais algumas marcas para se juntarem às outras que já havia feito. — M-mais! — pedia entre gemidos descontrolados, suas pernas estavam apertando a cintura do maior, que poiava as mãos na cama enquanto estocava o loiro, deliciando-se com a imagem que via.

– Aaah, Ryouta, você é tão lindo... — o ruivo gemia para o outro, sorrindo para este, que abriu os olhos e sorriu também, abraçando seu pescoço e unindo seus lábios num beijo carinhoso, que terminou com o loiro gemendo alto contra os lábios do maior, que agora o envolvia num abraço enquanto estocava-o. — Meu amor...

– Aaahh... — o loiro jogou a cabeça para trás, sentindo ser tocado no ponto certo. Ofegava alto, gemendo sem qualquer controle, sentia que estava chegando ao seu limite. — E-eu vo...

Mas a frase sumiu nos lábios do ruivo, ao mesmo tempo em que sentia seu prazer ser liberado, para segundos depois Kagami chegar ao ápice dentro de si, ofegando tanto quanto ele. O ruivo sorriu fraco e depositou um leve selo no pescoço suado do loiro, deitando-se ao seu lado, mas trazendo consigo o corpo magro do menor, abraçando-o com carinho.

– Estou esgotado. — riu o ruivo, passando o nariz pelos fios amarelos do cabelo de Kise, que riu manhoso em seus braços acenando devagar. — Não sei de onde tirou tanta animação hoje.

– Nem eu... — o loiro riu mais e ergueu a cabeça, olhando para o namorado. Já iam fazer três anos que namoravam. — Sabe que dia é terça que vem? — perguntou passando a ponta do dedo pelo peitoral musculoso do maior, acompanhando o movimento com os olhos.

– Sim, claro que sei. — o ruivo sorriu e beijou a testa do loiro, para então começar a acariciar suas costas e suspirar baixo. — Sabe... eu estava pensando, já fazem três anos que estamos juntos... — O ruivo sentou-se e colocou o loiro em seu colo, acariciando sua cintura com delicadeza enquanto olhava tímido em seus olhos. — Nós podíamos deixar nosso relacionamento mais forte nosso aniversário de namoro... — Kise arregalou os olhos e ficou parado. — Ah-ahn... E-eu... digo... algo como... — Kagami até tentava, mas as palavras não saíam de seus lábios.

– Está me pedindo em casamento? — O loiro saiu do colo do namorado devagar, tentando não parecer seco, e então colocou um roupão que estava jogado ao chão, porque Kagami entrara despindo-o no quarto e havia acabado de sair do banho quando o ruivo chegou. Olhou para o homem que levantou-se sorrindo, Kise sentiu o coração disparar quando sua cintura foi envolvida com carinho e o loiro encostou suas testas.

– Estou. — sussurrou o ruivo.

Ficaram em silêncio por minutos, Kagami ficando mais nervoso a cada segundo e Kise tendo vários pensamentos. Claro que gostava de Kagami, tinham um relacionamento estável e tranquilo, se davam bem na cama, podiam pagar suas contas sem nenhuma dificuldade e sabiam resolver suas discussões sem levá-las às brigas, completamente diferente de Aomine, com exceção da cama e contas, essas partes eram iguais. A única diferença que o impedia era o sentimento do loiro para com cada um deles.

Jamais pensara em algo tão sério como casar, nem mesmo com Aomine, mas não era uma ideia ruim contando que estava com o ruivo há tanto tempo e não tinha motivo para reclamar, era um relacionamento perfeito. E nada mudaria realmente, já estavam morando juntos e já usavam alianças de compromisso, só mudariam a aliança no fim das contas. Mas por que Kise se sentia tão receoso?

Era por que jamais conseguira esquecer Aomine? Mas... depois de quatro anos, era quase impossível que ele voltasse e, se voltasse, Kise o perdoaria por ter sumido? Por tê-lo destruído? Ele mereceria? Eram tantos pensamentos. Mas não estava totalmente seguro de si se devia ou não aceitar aquele pedido, casar era um passo muito grande na vida de alguém.

– Ok... eu já entendi. — O ruivo soltou sua cintura, tinha um sorriso afetado nos lábios, o loiro arregalou os olhos e tentou se aproximar, mas tudo o que o ruivo fez foi desviar e começar a pegar suas roupas do chão. — Só me deixa um pouco, Kise, preciso pensar.

– Kagamicchi, vamos conversar, por favor... — pediu o menor observando o ruivo limpar o tronco ainda sujo pelo orgasmo de Kise e colocar sua boxer novamente, para em seguida colocar uma calça moletom, olhou para o namorado e abriu os braços completamente irritado.

– Conversar, Kise?! Como você quer conversar depois de praticamente rejeitar meu pedido de casamento? — O ruivo riu seco e passou as mãos pelo cabelo. — Sabe, esses três anos minha maior meta nunca foi crescer no meu trabalho, não foi acumular dinheiro ou qualquer coisa do tipo, sempre foi tentar fazer você me notar, ver que eu existo. — O ruivo agora andava de um lado para o outro, fazendo gestos com as mãos, parecendo muito triste e irritado. — Mas todas as manhãs, todas, você olha por aquela janela como se estivesse sentindo dor.

– Kagamicchi, olha... se acalma para conversarmos, brigar não vai nos levar a nada. — Kise tentou se aproximar, mas o ruivo o empurrou.

– E quando conversar nos levou a algum lugar, Kise? Nós apenas nunca saímos do zero, essa é a verdade. — Kagami colocou uma das mãos no rosto e suspirou. — Sabe, achei que a essa altura eu ao menos escutaria você dizer que gosta de mim, no mínimo. Você não faz ideia do quanto é difícil estar segurando a mão de uma pessoa que não consegue soltar a sombra de outra pessoa que já não está mais consigo. Eu não sei nada sobre esse Aomine, sei que você o amou muito, mas caramba, Kise, ele sumiu.

– Eu sei que ele sumiu, eu lembro bem disso.

– Você lembra também do dia que nos conhecemos? Lembra da primeira vez que nos beijamos? Lembra da primeira vez que fiz amor com você? Lembra de quando fomos ao cinema assistir aquele filme que você tanto queria ver e no fim acabou rodeado de fãs? Lembra de quando eu te pedi em namoro? Lembra de quando nos mudamos? Lembra de quando eu me declarei para você? — O loiro suspirou e sentou-se na cama, colocando as mãos sobre as coxas e abaixando a cabeça. — Acho que você não lembra nem de metade dessas coisas, mas sobre o Aomine você saberia dizer até qual o tipo de café favorito dele.

– É frapputtino. — O sussurro escapou pelos lábios do loiro, que agora tinha os olhos cheios de lágrimas. Ele olhou nos olhos do ruivo e suspirou, este estava com a maior expressão de espanto que já havia visto. — O café favorito dele é frapputtino e o seu é café russo, com creme de baunilha. — O loiro se levantou e suspirou, andando pelo quarto em passos lentos. — Kagami... eu amo o Aomine, eu nunca te neguei isso, mas isso nunca quis dizer que eu não sentisse nada por você.

– Kise, olha o que está dizendo, porra! — O ruivo gritou, assustando o ruivo, ele jamais havia gritado consigo. — Bosta, eu acabei de te pedir em casamento e você vem me dizer que ama outro mas sente por mim?! — O homem derrubou uma jarra com flores, que havia dado dois dias antes ao loiro, molhando o chão e quebrando-o. — Você sabe o quanto essas coisas me machucam? — Kise estava encolhido observando as lágrimas escorrerem pelo rosto do ruivo, nunca o vira chorar também, estava realmente assustado e se achando o maior idiota do mundo.

– Ka...

– Não fale mais nada, por favor, já basta. — O ruivo abriu o closet e adentrou-o, Kise parou na porta e ficou observando o maior começar a tirar a calça moletom enquanto pegava uma jeans. — Acho que devia pensar que eu também tenho sentimentos, Kise e eu amo você, mas você nunca se esforçou um pouco sequer para sentir o mesmo, nem ao menos para se apaixonar. Eu sempre tive muita paciência com você, Kise. — O ruivo terminou de colocar o cinto na calça e puxou uma camisa, olhando diretamente nos olhos do loiro. — Mas não sei até quando eu vou conseguir ser tão compreensivo, sabe. Às vezes, parece até que está me usando apenas para não se sentir só.

– Não fale assim, as coisas são bem diferentes! Kagami, você sempre soube dos meus sentimentos, sabe que gosto de você, mas não estou pronto para um passo tão grande assim, não posso simplesmente responder agora, me dê um tempo para pensar ao menos. — Kise se aproximou do ruivo, que colocava um casaco e limpava os olhos. — Você também sabe que não pode exigir que os outros sintam o mesmo por voc-

– Não posso exigir, realmente. — Kagami riu entre suas lágrimas. — Mas são três anos, Kise, três anos da minha vida que passei correndo atrás de um homem que passou três anos olhando pela janela esperando ver um homem que o abandonou. Sabe qual foi a última vez que me chamou pelo meu primeiro nome? Foi há um ano e seis meses. – O ruivo sorriu limpando os olhos. — Sabe qual foi a última vez que saímos para nos divertir juntos? Foi há três meses e alguns dias... que tipo de relacionamento você quer que eu suporte? Às vezes parece que sexo é a única coisa que nos mantém juntos, porcaria!

– Kagami, me escuta, vamos conversar.

– Estou conversando, estou te mostrando o que venho sentindo, Kise, mas parece que é você que não quer entender. Me desculpe, mas preciso pensar um pouco... — O ruivo passou por ele e caminhou até o quarto, parando para pegar o casaco que tirara antes de fazer amor com Kise para tirar sua carteira de lá. — Só pense um pouco no que te falei, ok? Pense em nós e não nele, por alguns minutos sequer, deixa nosso relacionamento em primeiro lugar. — O ruivo abriu a porta e antes de sair olhou uma última vez para Kise. — Vou dormir fora, não precisa me esperar para o café da manhã.

Kise deixou suas costas deslizarem pela parede até sentar. Fechou os olhos e colocou a testa sobre os joelhos, deixando que todos os sentimentos o atingissem.

Notas finais
E é isso >.