Memories

3 Never made promises that I've never kept


Notas iniciais
Heeeey, demorei né :/ Me perdoem por isso, meu colégio está tomando completamente meu tempo, está horrível. Achei que o terceiro ano seria bem mais fácil, mas parece que não '-' Mas a boa notícia é que estou a uns dois capítulos de terminar a fanfic, mas vou ir postando aos poucos que já tenho e tentar terminar o mais rápido que eu puder ^^ Obrigada pelos reviews e a força que estão me dando!!! Boa leitura XD

I've never been lost

(Eu nunca estive perdido)

I've never been found

(Eu nunca fui encontrado)

And it make no difference, if I'm around

(E não faz diferença, se eu estou ao redor)

There's never been words, there's never been actions

(Nunca houve palavras, nunca houve ações)

Never made promises that I've never kept

(Nunca fiz promessas que não cumpri)

Mistake — Nickelback

– Kagami-sama, se me permite dizer, você está com uma cara horrível. — Comentou Taeko, a secretária do estilista vendo-o parado olhando para um dos retratos que tinha sobre sua mesa. — Aconteceu algo?

– Ah... não exatamente... não sei. — O ruivo suspirou e passou as mãos pelo rosto. — Vamos falar hipoteticamente?

– Ahn, bem, se o senhor quiser. — Ela sentou na cadeira em frente ao ruivo e ficou observando o homem se acomodar e entrelaçar os dedos.

– Lembrando que é hipotético, completamente hipotético. — Falou como se aquilo fosse essencial, dando certeza à secretária de que não era nada hipotético. — Digamos que eu esteja com uma pessoa há quase três anos, mas sabendo que essa pessoa sempre amou outra pessoa, entretanto dei o máximo de mim todos esses anos para fazer essa pessoa feliz e nosso relacionamento seja realmente agradável, tudo ocorre muito bem, não há brigas nem motivos para um desgostar do outro. Mas eu quero casar e, quando falo sobre isso com a pessoa, a tal pessoa começa a pensar naquele que sempre amou. E digamos que essa pessoa nunca falou exatamente o que sentia por mim, mas eu sei que gosta de mim, sabe. — Kagami agora mudava as coisas de lugar completamente intrigado. — E, bem, a pessoa que essa pessoa gosta sumiu, simplesmente desapareceu num dia sem falar com ninguém, deixando até os documentos e celular para trás... o que pensaria no meu lugar?

– Bem, eu pensaria que a pessoa está insegura quanto ao relacionamento e aos sentimentos, pensaria que não gosta de mim, que não consegue esquecer o outro e, por isso, o relacionamento nunca irá para frente. Provavelmente terminaria e tentaria esquecer essa pessoa, ou seria masoquista e continuaria mesmo assim, só para ter a pessoa comigo... — A mulher apoiou os cotovelos na mesa e suspirou, ainda encarando os olhos vermelhos do chefe. — Pensaria que estou lutando em vão.

– E no lugar da outra pessoa?

– Provavelmente eu estaria me sentindo receoso, inseguro, com medo de dar um passo tão grande na minha vida sendo que sempre estive acostumado ao mesmo ponto nas coisas, porque você disse que é um relacionamento agradável, que não há brigas, então tudo é sempre a mesma coisa, não é? — Ela suspirou e pegou uma bala dentro do pote de balas que Kagami sempre deixava para convidados e para até mesmo ele, ela abriu e a colocou na boca olhando para o maior. — E, se ainda amasse o outro e não você, provavelmente eu estaria pensando se seria certo me jogar de vez em outra pessoa, tendo as coisas acabado da forma que acabaram, digo... não seria desrespeitar a memória daquele que sempre amei? Ele me perdoaria se eu o fizesse?

– Mas você não sabe se ele está morto... — Kagami suspirou.

– Tudo indica que sim, não é?

– Mas você não teria esperanças de que ele estivesse vivo? — Kagami também pegou uma bala, mas sem tirar os olhos de Taeko.

– Essa seria a maior esperança da minha vida todos os dias, mas não é por isso que eu deixaria de pensar com lógica. — ela deu de ombros e riu um pouco. — Mas claro que é tudo hipotético, não é?

– Ah... sim, hipotético... — Mas o ruivo já estava perdido em pensamentos novamente. — Obrigado, Taeko, qualquer coisa te chamo...

– Sim, Kagami-sama. — ela sorriu e saiu da sala, lançando um último olhar ao estilista, que agora encarava o teto.

Naquela mesma manhã Kagami havia voltado depois de passar a noite em um bar 24h que achara pelas ruas de Tokyo, Kise estava dormindo ainda na cama dos dois com aquele roupão que colocara depois de terem feito amor, no rosto podia ver a marca das lágrimas secas em sua face ainda vermelha, ficou vários minutos observando-o até ir tomar banho e trocar de roupa, quando saiu do closet o loiro já estava acordado, mas acabou saindo sem nem sequer falar "bom-dia" para ele.

Agora estava ali, sem saber o que fazer. Então levantou-se e decidiu fazer uma pausa de 30 minutos, pois não conseguiria fazer nada do jeito que estava. Pegou as chaves do carro e a carteira e andou devagar até o estacionamento, falando apenas "volto em alguns minutos" para Taeko, que assentiu como resposta.

Andava um tanto devagar pelas ruas, pensando no que faria, estava pensando em mandar um buquê de flores para Kise com um cartão de pedido de desculpas, sabia que não era bem culpado na situação, mas achava que tinha sido realmente arrogante com o namorado, afinal ele não tinha culpa em amar outro. E Kagami sempre soubera da verdade, Kise jamais o enganara.

Mas o problema é que muitas vezes queria ser enganado.

Foi então que algo cortou seus pensamentos, um baque surdo a frente de seu carro. Arregalou os olhos ao notar que havia atropelado alguém, encostou seu carro e saiu dele, correndo para a pessoa com uma mochila velha nas costas, notando que era um mendigo, mas que aparentava ter a sua idade, seus cabelos azuis estavam mal cortados, como se tivessem sido cortados com faca ou tesoura de cortar papel, suas roupas eram desgastadas, sujas e rasgadas.

– Meu Deus, você está bem? — Kagami perguntou agachando-se ao lado do homem, algumas pessoas olhavam, outras paravam ao seu lado para ver o que acontecia. Kagami encostou no braço do homem e o balançou, notando que havia um pouco de sangue escorrendo de sua cabeça. Arregalou os olhos mais uma vez e virou a cabeça do homem, notando que não fora um corte muito profundo, mas talvez a pancada tenha sido fatal. — Vou levá-lo ao hospital. — Exclamou, pegando o homem no colo para em seguida levá-lo ao seu carro.

Uma mulher, vendo que teria dificuldades, abriu a porta do passageiro para que deitasse o mendigo na parte de trás, ele a agradeceu e correu com o carro, olhando o homem sangrando em seu banco completamente preocupado. Não era possível que acabaria matando um homem justo naquele dia, não podia ser tão azarado assim?

Seu celular começou a tocar e ele o atendeu, deixando no viva-voz.

Kagami-sama, já passaram de trinta minutos e você tem trabalho!– exclamou sua secretária.

– Eu acabei de atropelar um homem, não vai dar, estou levando-o ao hospital. — Escutou a exclamação surpresa de sua secretária.

Como assim? Matou um homem?

– Não sei! — Gritou desligando o celular. — Espero que não. — Parou o carro no estacionamento do hospital de qualquer jeito e tirou o homem desconhecido de dentro do carro, andando rápido até a porta de vidro, que foi aberta por um garoto que estava saindo e a abriu mais para que Kagami passasse com o homem em seus braços. — Enfermeira, houve um acidente de carro e eu o atropelei! Por favor, ajudem, a cabeça dele está sangrando. — Falou para a primeira pessoa vestindo branco que viu, logo alguns homens começaram a se mover, correndo para pegar uma maca e o sinal de "EMERGÊNCIA" apareceu no painel das portas.

Kagami os ajudou a colocar o desconhecido numa maca e os médicos o encararam quando viram que era um mendigo, ele apenas acenou mostrando que arcaria com o tudo. Suspirou observando os homens levarem o desconhecido às pressas, e então um policial veio fazer a ficha policial com ele e acabou explicando tudo o que houve, dizendo que tinha certeza de que o sinal estava verde para ele.

O policial escutou tudo e disse que, provavelmente, Kagami teria de esperar uma noite na delegacia, pelo menos até conversarem com o desconhecido, se ele estivesse vivo. O ruivo apenas suspirou e assentiu, sentando em um dos bancos para esperar, depois pegou seu celular e chamou o número de Kise.

Alô?– A voz do loiro era rouca e preguiçosa, Kagami teria sorrido em outra ocasião.

– Vou passar a noite fora de novo. — Falou olhando para a televisão muda que havia ali.

Como assim? Kagamicchi... eu sei que não foi nada agradável o que aconteceu entre nós, mas, por favor, venha para casa, precisamos conversar direito...

– Eu até iria, mas atropelei um mendigo e vou ter que passar a noite na cadeia para resolver o BO. — Ele passou uma mão pelo rosto. — Eu o trouxe ao hospital e agora estou esperando, já falei com um policial.

O quê? Meu Deus, está machucado?

– Não, estou bem... mas o cara cortou a cabeça na pancada...

Eu vou até aí, é qual hospital?

– O hospital mais próximo ao shopping central. — Ele suspirou e então se despidiram. Kagami apenas encostou a cabeça no apoio da cedeira e fechou os olhos. Agora nada podia piorar, simplesmente não tinha como!

Ficou ali esperando pelo que pareceram ser horas e horas a fio, mas foram apenas alguns minutos para o loiro aparecer ali já vestido com uma roupa comum, Kagami não falou nada, apenas continuou ali parado, olhando para o namorado, que suspirou e sentou ao seu lado, apoiando a cabeça em seu peito.

– Fiquei preocupado... — comentou o loiro.

– Mas te falei que não me machuquei. — O ruivo queria abraça-lo, queria apertá-lo e nunca mais soltar, mas não podia, não agora.

– Eu sei... — o menor suspirou e acariciou o rosto do maior, olhando em seus olhos. — Não quero ficar assim com você, poxa... eu só... só queria pensar um pouco, é um pedido tão repentino...

– Eu sei, me desculpa, acabei perdendo a cabeça. — O ruivo depositou um selo na testa do loiro, este o abraçou forte e suspiraram juntos ao meio ao abraço. — Pode pensar, meu anjo...

– Mas foi bom saber o que pensa, sabe... eu não quero te perder. — Kise sorriu e selou os lábios do maior, era um beijo lento, com pedidos de desculpas como sempre davam após uma discussão, eram beijos muito gostosos. Mas estavam em um hospital, então logo o ruivo se afastou um pouco. — E o homem?

– Está sendo atendido, vou esperar para ver como ele está... — Kise sorriu, o namorado sempre fora daquelas de se importar com todos. — Compra algo para eu comer? Estou faminto e café, não dormi a noite toda...

– Ah, sim, só um momento. — Kise sorriu e se levantou, começando a correr para fora do hospital. Comprou um lanche para o ruivo e para si, já que não havia comido, montou um lanche para os dois no Subway e comprou sucos. Estava um tanto nervoso, apesar de terem pedido desculpas um ao outro, ainda sentia um clima estranho entre ambos.

Suspirou e atravessou a rua, entrando no hospital em seguida. Caminhou lento, pensando seriamente em algo para acertar as coisas com Kagami, já que simplesmente dizer que aceitava casar num momento desses não ia adiantar nada. Então decidiu apenas ficar ao seu lado e ajudá-lo.

– Aqui, coração... — falou sentando ao seu lado e entregando uma sacola com o lanche e o suco. — Comprei aquele que gosta.

– Obrigado... — murmurou o ruivo pegando o lanche e devorando-o praticamente, Kise riu, apesar de Kagami ser um estilista e um homem de classe alta, muitas vezes agia como um homem comum e era aquilo que mais gostava nele. Abriu seu lanche também e começou a comê-lo enquanto olhava o namorado quase engasgar muitas vezes.

– Vai com calma, Kagamicchi... — O loiro tocou o ombro do namorado, que fez uma careta. — Não adianta fazer cara feia, você está devorando a comida, assim vai engasgar.

– Eu 'tô com fome. — reclamou o ruivo, mas antes que pudessem continuar, uma mulher se aproximou de ambos.

– Kagami-sama? — Ele olhou para cima e a enfermeira sorriu. — Perdão, é que terminamos, o homem que trouxe está bem, só precisa descansar, a batida foi um pouco forte, mas ele parece que irá se recuperar rápido. Gostaria de ir vê-lo?

– Oh, sim. Kise, vem comigo. — O ruivo e o loiro guardaram a comida em suas sacolas e seguiram a enfermeira.

– Revistamos suas roupas e sua mochila, não havia nada que falasse sobre quem é, pelo que disse era um mendigo, não? Mas encontramos um par de alianças em um bolso de sua mochila, não sabemos se foi roubada ou o quê, mas não eram tão caras, talvez ele as tenha guardado, apenas. — Ela comentava sobre o homem. — Ele não tinha nenhum vestígio de álcool, nem fumo, apenas parece se alimentar muito mal.

– É, quando se mora na rua não se tem muitas opções, não é? — Comentou Kise num suspiro, sentia pelo homem. Talvez pudessem ajudá-lo um pouco, não é?

– Realmente... o senhor foi muito bom, Kagami-sama, em trazer um desconhecido que poderia ser perigoso ao hospital, muitos teriam seguido caminho. — E enfermeira sorriu, mas sorriu de uma forma que o loiro não achou nada legal.

– Apesar de parecer um monstro, meu namorado é um bom homem. — Comentou o loiro, abraçando a cintura de Kagami, que arregalou levemente os olhos e depois controlou a vontade de rir pelo ciúme do loiro, a enfermeira corou um pouco e riu.

– Entendo. Bem, esse é o quarto. — Ela parou e abriu a porta, os dois seguiram em frente, ainda haviam alguns médicos e enfermeiras lá dentro, pareciam limpar os poucos ferimentos do homem. Kagami se aproximou, agora podia ver melhor seu rosto, parecia ser um homem bonito por baixo daqueles ferimentos, sujeira e barba sem fazer, tiveram de raspar um dos lados de sua cabeça, fazendo com que ele lembrasse um pouco alguém, mas Kagami não conseguia recordar exatamente quem.

– Ele parece bem, não é? — Kagami olhou para o namorado, mas franziu a testa ao ver que este estava com os olhos arregalados e cheios de lágrimas, enquanto uma de suas mãos estava tampando seus lábios. — Kise? — Kagami se aproximou. — O que houve? Ele não está tão machucado assim. Está se sentindo bem? — Mas tudo o que o loiro fez foi olhar do homem na cama para seu namorado e de seu namorado para o homem, aparentemente, desconhecido. As lágrimas já rolavam sem que ele pudesse controlá-las.

– Ngh... — Todos olharam para o homem na cama, que começava a se mexer. — K... agh... — Kagami olhou para Kise, que correu até o lado da cama, ainda tentando controlar as lágrimas, o ruivo não conseguia entender o que estava acontecendo ali. — Esse cheiro... — E então o homem abriu os olhos e a primeira coisa que viu foram aqueles olhos amarelos. Eram os olhos de sua amada, os mesmos que sempre imaginara, mas ao olhar melhor notou que era um homem, não podia ser ele. Suspirou e olhou ao redor. — Onde estou?

– Você foi atropelado... consegue se lembrar de algo? — Perguntou o médico, mas tudo o que o desconhecido fez foi olhar novamente para o homem que chorava ao seu lado, ele tinha um cheiro que ele conhecia de algum lugar, mas quem era ele?

– Aominecchi... — O loiro murmurou enquanto chorava, levou a mão até a mão do homem na cama, mas este afastou a mão.

– Me desculpe, acho que está me confundindo. — O loiro arregalou os olhos.

– Como assim?

– Eu não sei quem você é, não sei nem quem eu sou. Me desculpe. — O homem colocou a mão na cabeça, doía muito.

– Como não sabe? Você é Aomine Daiki e eu Kise Ryouta, como pode ter esquecido de mim?! — Kise estava incrédulo enquanto chorava, queria entender o que realmente acontecera ali, por que Aomine estava daquele jeito.

– Eu estou nas ruas há anos, moço... me desculpa, eu não sei de nada. — Aomine olhou então para o outro homem no quarto, um ruivo alto e forte, este estava pálido e boquiaberto, como se estivesse vendo um monstro.

Internamente, Kagami desejava estar com o carro em uma velocidade maior, muito maior.

Notas finais
Eeeeee?????????????????????????????? *O*