Memories
12 Im lost without you
Notas iniciais

I'm lost without you (Eu estou perdido sem você)
And there's nothing I can do (E não há nada que eu possa fazer)
You don't wanna keep going without (Você não quer continuar sem sem)
If I ain't holding on to you (Se eu estiver segurando você)
Then I'll be holding out forever (Então vou estar segurando para sempre)
I've got you now and (Eu te tenho agora e)
I'm not letting go of you (Eu não vou te deixar ir)
Never be together long enough (Nunca estivemos juntos o bastante)
Cause every moment I'm with you (Porque cada momento que estou com você)
Is like I'm holding on to heaven (É como se eu estivesse me segurando ao paraíso)
Holding on to Heaven — Nickelback
– Ai, droga... — Kise xingou quando esbarrou em um vaso de flores em seu quarto, deixando-o cair. Momoi o encarou e suspirou pela milésima vez, Kise estava distraído e atrapalhado não somente há horas, mas há dias. E havia algo estranho em seus olhos, algo distante.
– O que aconteceu, Ki-chan? Não acha que está escondendo por tempo demais? — O loiro encarou a médica, seus olhos estavam um pouco assustados. — Desse jeito não vai conseguir esconder nada durante o casamento... vamos lá, fala tudo. — O loiro virou o rosto para a janela e ficou observando a cidade, a suíte de seu flat tinha uma visão externa realmente bela.
– Momocchi... — O loiro sentou-se na cama, sua roupa ainda não estava completa. Olhou para a mulher e sorriu fraco. — O Aominecchi... nós... nós fizemos sexo há uns dias atrás... ele lembrou que me amava... mas não lembrou tudo...
– Você... Ki-chan... você fez? — Ela arregalou os olhos, incrédula. — Mas e o Kagamin?
– Foi um adeus, agora não tem mais volta. Vou me casar com o Kagamicchi e ficaremos juntos, não importa o que aconteça daqui para frente. — O loiro parecia realmente decidido.
Momoi levantou-se de súbito, sua expressão era de extrema fúria. Kise a encarou sem entender o motivo daquela irritação em sua expressão, mas logo a mulher andou até si e ergueu a mão, tudo que conseguiu fazer foi arregalar os olhos antes da mão da mulher espalmar em sua face, o som ecoou pelo quarto e a única coisa que sobrou foi a respiração rápida da rosada.
– Você é um idiota, Kise. Só está fazendo tudo errado, usar o Dai-chan dessa forma foi a maior merda que você já vez. Te apoiei esse tempo todo, estive ao seu lado e te deixei chorar no meu ombro, menti para o meu melhor amigo por você, mas agora isso acabou. Depois desse casamento, espero que arque com as consequências e, por favor, suma da vida do Dai-chan, ele já sofreu o suficiente e não é como se ele tivesse merecido. — Ela passou as mãos pelo rosto e suspirou. — Você viu as alianças, você viu que ele amava você, que ele ama você. Ele não perdeu a memória porque quis, ele não fez nada porque quis. Você só está fazendo tudo errado! — Ela gritou e o segurou pela gola. — Olha, Kise Ryouta, depois desse casamento, suma da vida do meu amigo, você não merece alguém como ele.
– Momocchi... — Kise sussurrou estupefato.
– Você decidiu deixá-lo. Então deixe de vez.
A mulher suspirou e passou as mãos pelo rosto, não queria falar mais nada, então apenas deixou o modelo ali, com seus pensamentos e tendo de se arrumar sozinho para seu casamento.
Kise respirou fundo muitas vezes. Ficou parado sem reação por vários minutos, mesmo já em frente ao local onde ocorreria o casamento, era um belo local com muita natureza em volta, porém em frente havia uma pista um tanto movimentada, os repórteres estavam tendo dificuldades para fotografar o loiro, mas após a entrada de Kise, seria autorizado que entrassem também, sua mãe rodeava seu braço, já que seu pai havia morrido algum tempo atrás e não poderia estar ali com ele também. Ainda estava com tantos pensamentos em mente, sabia que, quando abrissem aquela porta e ele visse Kagami, seria um homem casado e, mais do que isso, teria abandonado completamente o primeiro amor de sua vida para casar-se com o segundo.
Apertou o braço de sua mãe e fechou os olhos tentando evitar lágrimas, a mulher sorriu e sussurrou um "calma, filho" e ele acenou, quando abriu novamente os olhos, as portas improvisadas com flores estavam se abrindo e vários fotógrafos começaram a tirar fotos, como se não bastassem os que já estavam do lado de fora, agora era para valer, agora o mundo saberia quem era a pessoa de sua vida. Mas não foram as câmeras que o fizeram sorrir. Foi aquele ruivo parado totalmente nervoso lá no final de seu trajeto, olhando-o como se fosse realmente um anjo, os olhos vermelhos brilhando como nunca antes.
– Mãe... — Sussurrou quando deram o primeiro passo. — Obrigado por tudo que a senhora já fez por mim... — Olhou para a mulher, que abriu um pouco os lábios para falar algo, mas não conseguiu. — Eu te amo muito, mãe... obrigado por me apoiar.
– Filho...
– Oka-sama, não chore agora. — Ele riu baixo e voltou a olhar para frente.
Famosos.
Amigos.
Colegas de trabalho.
Falsos.
Pessoas que não conhecia.
Amigos de Kagami.
Fotógrafos.
Repórteres.
Kagami.
Seus olhos pararam na última pessoa. Aquele homem ruivo que sorria tentando controlar lágrimas, hora ou outra mordia o lábio inferior e respirava profundamente, sem conseguir tirar os olhos de seu noivo, muitas vezes apertava uma mão na outra, tremendo de ansiedade.
Por que demorava tanto para o loiro simplesmente chegar?!
A cada passo que Kise dava, simplesmente se perguntava como pôde viver sem aquele loiro, sem aquele sorriso, sem aquela expressão, sem aqueles lábios. Kise era o sol que iluminava e aquecia toda sua vida, não podia viver sem ele, era como respirar. Amava-o, com certeza, amava-o e o amaria para sempre, eternamente, cada fibra de seu corpo, cada célula, cada pedacinho de seu corpo, de sua alma o amava.
Mordeu o lábio mais uma vez e sorriu quando viu a mãe de Ryouta parar com o mesmo a sua frente e beijar a testa do loiro, que a abraçou forte e sussurraram entre si algumas palavras. E então a mulher olhou para Kagami, seus olhos já estavam cheios de lágrimas, ela riu e o ruivo a acompanhou.
– Ai, Kagamicchi, cuide bem do meu menino, ok? — Ela choramingou puxando o ruivo para um abraço. — Sei que pode cuidar dele, eu gosto muito de você, menino. — Ela sorriu e beijou a testa do ruivo também, para então sorrir. — Agora vão logo, se cas-
– EI! RYOUTA!
Todos olharam para a entrada do sítio, onde um homem de cabelos azuis ofegava, sua camisa preta estava dobrada nos ombros, usava jeans e sapatos de jogar basquete, seus olhos azuis encaravam o noivo loiro intensamente, como se não acreditasse no que estava vendo. Kagami arregalou os olhos para a imagem de Aomine, de certa forma, não parecia o Aomine de sempre, pelo menos não o que conhecera.
Kise estava pálido, talvez um pouquinho mais que Momoi.
– A-Aominecchi...
– Como pôde?! — Aomine soava frio, todos no lugar estavam com os olhos arregalados e assustados, os fotógrafos já pegando a cena com suas câmeras e os repórteres escrevendo tudo que podiam da cena em seus caderninhos. — E-eu... eu achei que seria eterno, droga! Eu passei todos esses anos na rua tentando lembrar de você enquanto você estava aqui construindo um relacionamento com outro cara! Se casando! — Aomine gritava furioso, despejando tudo que saía de seu coração.
Kise quase perdeu as forças nas pernas. Aomine se aproximou rápido demais e o puxou pelo braço, ninguém conseguiu se mover para fazer algo e então o maior encarou Kagami diretamente nos olhos, ambos pareciam prestes a matar um ao outro.
– Não toque em mais um fio de cabelo dele. — Aomine falou de forma fria e ríspida. — Posso não ser um riquinho como você, posso ter ficado malditos quatro anos desaparecido, mas esse cara é meu e não vou deixá-lo escapar de novo. E sim, eu lembrei de tudo. — Os olhos do homem foram para Momoi, a madrinha do casamento e então seus olhos finalmente se encheram de lágrimas. — Eu realmente não esperava isso de você, Momoi.
– D-Dai-chan... voc-
– Não importa! — Exclamou e começou a puxar o loiro, que agora só conseguia chorar com uma mão sobre os lábios, Kagami ainda estava paralisado, sem saber o que fazer. Nem ao menos começaram o casamento e aquele cara apareceu lembrando de tudo? E simplesmente levando o amor de sua vida? Quando ambos já estavam lá fora foi que notou que haviam lágrimas escorrendo por seu rosto e caindo em sua roupa muito bem alinhada.
E foi neste momento que decidiu correr.
Correu quase sendo cego pelos flashes, mas não ligou. Quando saiu viu Kise ainda sendo puxado por Aomine para o outro lado da rua, pararam lá e começaram a conversar, Aomine parecia furioso e Kise confuso, sem conseguir conter lágrimas que nem mesmo Aomine conseguia. Suspirou sem conseguir tirar os olhos de seu noivo, era hora de realmente lutar por Kise e não o deixaria ir. Não mesmo.
– KISE! — Gritou e começou a caminhar até onde os dois estavam, viu-os encará-lo, mas antes de conseguir dar qualquer passo escutou uma buzina alta e, ao olhar para o lado, viu uma van indo em alta velocidade à sua direção, tentando frear. Então fechou os olhos e esperou o impacto que poderia tirar sua vida, não conseguia mover as pernas.
Mas o que sentiu foi um corpo chocar-se ao seu e então uma dor intensa nas costas, mas, ao olhar novamente para frente viu o corpo de Kise ser jogado metros a frente. Arregalou os olhos assustado.
– KISE! — Berrou tentando se levantar, mas havia batido as costas com muita força no chão, lágrimas vieram em mais abundancia ainda quando a realidade e o desespero do momento começou a atingi-lo. Com esforço conseguiu se levantar e correu até o loiro, ficando quase louco quando o cabelo loiro começou a tonalizar-se de vermelho pelo sangue.
– RYOUTA! — Berrava Aomine correndo também. Agacharam-se ao lado do loiro, notaram que ainda estava acordado. — Kise, Kise, consegue me entender, não desmaie. ALGUÉM CHAME UMA AMBULÂNCIA! — Berrou para as pessoas que olhavam, notando a mãe de Kise correndo até eles. Logo viram Midorima e Takao correndo em direção a eles.
– Saiam de perto, me deixem ver isso. — Falou Midorima controlado, mas parecia um pouco pálido. Ajoelhou-se ao lado do loiro.
Kise, por algum motivo, sorria fraco, olhando para Kagami e Aomine.
– E-ei... — Balbuciou tossindo sangue em seguida, Kagami e Aomine se aproximaram. — S-se eu... mo... — Mas o loiro não conseguia pronunciar direito, todo seu corpo doía e tudo latejava, tudo estava embaçado demais, tudo estranho demais. Mas tinha que falar. — E-eu... amo... voc-cês..
Aomine e Kagami arregalaram os olhos e então Murasakibara os puxou, Kise começava a ter uma convulsão violenta. Todos ficaram alarmados vendo Takao segurar a cabeça do loiro e Midorima tentar controlar a situação, as pessoas se afastaram quando Murasakibara berrou para que o fizessem e alguns seguranças fizeram uma barreira. A mãe do modelo, ao ver o filho sangrar tão abundantemente, parecendo ter quebrado partes do corpo e tendo uma convulsão tão violenta nas mãos de seus amigos acabou desmaiando.
Kagami conseguiu segurá-la, grunhiu de dor, mas não a soltou. Aomine ainda estava paralisado, ficando pálido enquanto observava o loiro nas mãos de seus amigos. Olhou para Kagami que deitava a mãe de Kise no chão para que Momoi cuidasse dela, assim que o ruivo virou-se, desferiu um soco forte em seu rosto, fazendo-o cair.
– A CULPA É SUA, SEU FILHO DA PUTA! — Berrou desesperado, chorava copiosamente, o choro saindo alto de sua garganta.
– MINHA?! CULPA MINHA A PUTA QUE TE PARIU, SE VOCÊ NÃO ESTIVESSE AQUI ELE NÃO ESTARIA ASSIM AGORA, EU JURO QUE TE MATO SE ELE... — Mas a frase não saiu completamente por seus lábios, antes que pudesse Aomine desferiu um soco na boca de seu estômago e começaram a brigar como cães. Murasakibara tentou separá-los e acabou levando alguns socos e chutes, mas conseguiu com algum esforço.
– EI, PAREM DE BRIGAR, NÃO É HORA PARA ISSO, OLHEM PARA O KISE, ELE IRIA QUERER ISSO? — Berrou o maior, fazendo com que os dois, ofegantes, parassem de brigar, mas com machucados visíveis agora. Suas roupas desalinhadas e até rasgadas.
Escutaram a sirene de uma ambulância e todos deram espaço, logo ela parou ao lado de onde estava Kise e médicos pularam para fora, traziam uma maca, a convulsão de Kise havia sido controlada, porém podia voltar. Viram, petrificados, Kise ser colocado com extremo cuidado sobre a maca, testavam seu pulso o tempo todo, estavam todos aflitos com todo aquele acontecimento, até mesmo os fotógrafos que tiravam fotos e gravavam tudo.
Na hora de acompanharem Kise, Aomine e Kagami se forneceram sem pensar duas vezes.
– Não! — Gritou Midorima, assustando a todos. — Eu sou o médico responsável por Kise e Takao é meu assistente, eu preciso estar lá para fazer as operações, então já vou começar na ambulância, vocês vão de carro esperar o resultado da análise geral, agora se me dão licença, vamos logo, Takao. — Ninguém conseguiu contra-argumentar.
Viram Midorima entrar e passar álcool em gel nas mãos e colocar luvas, enquanto Takao fazia o mesmo e fechavam as portas. A ambulância seguiu caminho para o hospital, a sirene alta. A rua ficou em silêncio, a não ser pela polícia e os carros buzinando, o motorista da van estava sentado ao chão pálido e chorando compulsivamente, sem acreditar no que havia acontecido.
– Kagami! — Escutaram a voz de Momoi. — Me ajuda a levar a Kise-san para o hospital também, já que está com seu carro aí. — Ela parecia desesperada e com várias lágrimas rasgando sua face. Aomine até pensou em pedir carona para alguém, mas não tinha como pedir algo naquela situação toda. Então deu as costas a todos e correu para a rua principal, teria de pegar um táxi.
Sua mente estava nublada, tudo acontecera tão rápido,tão de repente que ainda parecia surreal demais, parecia uma brincadeira de mau gosto de sua mente. Mas não, era tudo real. E se não tivesse tentado atrapalhar o casamento, Kise estaria bem? Sim, provavelmente, estaria se casando agora, com alguém que gosta, com alguém que realmente fez planos de uma vida.
Se tivesse esperado um pouco, se não tivesse arrastado-o para fora.
Mas se Kagami tivesse ao menos olhado para os lados antes de atravessar. Aquele maldito.
Parou ao lado de um táxi.
– Motorista, se chegar em menos de dez minutos ao Hospital Central eu pago o dobro da viagem. — Falou sério, mas com as lágrimas escorrendo por sua face, o homem assentiu, não parecia assustado. Aomine entrou e passou as mãos pelo rosto, mas isso não evitou que as lágrimas continuassem, sentia-se sem chão, sem mundo, sem absolutamente nada.
Cada segundo parecia esmagar ainda mais seu coração, deixando-o em pedacinhos tão finos, quase pó. Enquanto Kagami corria desesperado pelas ruas, chorando entre soluços assim como Momoi, ela até tentou controlar o ruivo, mas falhou miseravelmente, começando a chorar também. Olhava para fora tentando organizar os milhões de pensamentos em sua mente, mas parecia algo impossível. Perguntava-se como a situação chegou até aquilo, como deixou que tudo acontecesse. Devia ter contado a Aomine, devia ter obrigado Kise a esclarecer tudo desde o começo. Devia ter sido a melhor amiga de Aomine como sempre fora.
Sentia-se um lixo e uma traíra.
– Momoi, corre e chama alguém para colocar ela numa maca. — Falou Kagami rápido para a mulher de cabelos cor de rosa, que logo desceu do carro notando que já haviam chego. Ela correu e falou com a mulher da recepção, não esquecendo de se perguntar se algum jovem loiro chamado Kise Ryouta já havia chego, sendo informada de que o mesmo já se encontrava em uma sala sendo prontamente atendido.
Não demorou muito e a senhora Kise foi levada pelos médicos enquanto Kagami e Momoi andavam um tanto apressados após assinarem fichas de visitas e serem autorizados a esperar por notícias de Kise. Ao chegarem lá viram a figura de Aomine sentada em uma das cadeiras, seus cotovelos apoiavam-se nas coxas enquanto olhava para as gotas que caíam ao chão após saírem de seus olhos.
– Dai-chan... — Momoi se aproximou, mas Aomine apenas virou o rosto para o lado contrário ao que ambos se encontravam, não queria olhá-los, sentia-se traído demais, sentia dor demais. Estava realmente desesperado, sem chão, sem vida.
Momoi não tentou se aproximar mais, apenas suspirou e sentou ao lado do amigo, se é que podia chamá-lo assim ainda, e esperou. Kagami apenas repetiu o ato, sentando ao lado da garota e encostando sua cabeça à parede branca, perguntando-se o que o destino os reservaria. Mais algum tempo e Akashi apareceu acompanhado de Kuroko, ambos seguidos de Murasakibara e Himuro, que viera dar apoio ao seu amigo de infância. Todos se cumprimentaram, exceto Aomine, mesmo tendo recobrado sua memória sobre todos, sabendo tudo o que sabia anteriormente sobre cada um, cada mínima coisa.
Entretanto não tinha sequer vontade de erguer o rosto para vê-los.
Suspirou pesado e levantou-se, caminhando a passos lentos até o bebedouro, sua garganta estava seca, seus olhos ardiam. Sentia um peso em seu peito que jamais sentira antes. Voltou em passos lentos para sua cadeira e sentou-se, suspirando triste, logo a mãe de Kise chegou correndo com lágrimas nos olhos, a informaram de que ainda não haviam notícias.
– Ah, Aomine! — Ela exclamou jogando-se nos braços do maior, que não conseguiu abraçá-la, estava se sentindo culpado demais, por mais que também culpasse Kagami. Não conseguiria olhar em seu rosto. — Sentimos tanta saudade, ah, meu menino, eu quis tanto te ver...
– Sinto muito, Kise-oka-sama... — Foi seu limite. Abraçou a mulher com força e chorou como uma criança precisando de colo, todos os outros amigos olharam para o lado ou para baixo, todos sabiam o tamanho da ligação que aquele homem tinha com a família Kise, sabiam o quanto aquela mulher gostava dele. — A-a... cu-culpa foi m-minha! — Aomine apertava o vestido da mulher, tentando transpassar seus sentimentos enquanto a apertava.
– A-acalme-se, menino... — Ela sorriu tentando tranquilizá-lo, mas não adiantou em nada.
Horas depois escutaram passos. Todos olharam na direção do som, Midorima vinha acompanhado de Takao, entretanto não podiam ver seus olhos por conta do cabelo e do reflexo da luz em seus óculos, seus lábios eram uma linha reta inexpressiva. O homem de cabelos verdes parou com seu assistente logo ao seu lado, segurando uma prancheta em mãos, a mãe do modelo logo soltou Aomine e ergueu-se, colocando as mãos sobre o peito, Momoi a abraçou com força, todos estavam tensos.
Midorima abriu os lábios minimamente.
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