Memories

13 I'm fallin


Notas iniciais
Gente, to super desanimada, então vou postar esse cap, mas não sei quando postarei o próximo. Me perdoem de verdade pela forma que respondi os reviews, mas não estou bem mesmo... Boa leitura..


Heaven's gates won't open up for me
With these broken wings I'm fallin'
And all I see is you
These city walls ain't got no love for me
And oh I scream for you
Come please I'm callin'
And all I need from you
Hurry I'm fallin'
I'm fallin'


Savin' Me — Nickelback

Midorima abriu os lábios minimamente.

– As notícias não são boas. — Começou baixo e profissionalmente, não devia misturar trabalho e sentimentos pessoais. — Fizemos todo o diagnóstico possível e rápido, Kise-san perdeu muito sangue e quebrou muitas partes de seu corpo, resolvemos essas partes o mais rápido que pudemos e só resta esperar a recuperação, entretanto... — Midorima pausou para respirar fundo, tentando controlar as emoções que começavam a dominar seu corpo, como falaria aquilo para a mãe e todos os amigos de Kise? Para seu amado? Como diria isso a seus amigos? — E-entre... entretanto... nós... nós fizemos de tudo... m-mas... — Antes mesmo que Midorima notasse, lágrimas escorriam por sua face, ele soluçou e colocou a mão sobre os lábios, seu choro evoluindo como ninguém jamais o vira chorar.

Até mesmo Akashi estava com os olhos arregalados. Os amigos do modelo ficaram paralisados encarando Midorima, a mãe do modelo desabou no chão com Momoi, que também não conseguiu controlar-se, Kagami e Aomine permaneceram como estavam, expressões vazias enquanto sentiam a vida saindo de seus corpos.

– K-Kise... ele... perdão... nós fizemos de tudo. — Chorava Midorima, agora caindo de joelhos a frente de todos. — Mas não... não vamos poder salvá-lo.

– Ele ainda está vivo? — Perguntou Akashi, surpreso.

– Si-sim...

– Midorima, eu falo, se quiser. — Pronunciou-se Takao, também estava abalado, mas não como Midorima, talvez conseguisse falar.

– N-não... eu quero contar. — Midorima respirou fundo algumas vezes. — Existe uma doença chamada Espinose Extracerebelar, ela é degenerativa, começa a atacar o cérebro e destruir o corpo humano, entretanto deixando a pessoa completamente consciente de tudo que acontece ao redor, até seu último suspiro de vida. O cerebelo de Kise foi afetado e ele está sofrendo as mesmas coisas desta doença, até hoje não se tem uma explicação de como isso ocorre, a medicina ainda está fazendo pesquisas... não... n-... Me desculpem, mas ele não tem muito mais que alguns dias de vida e... e não sabemos como será o processo, não há como saber, justamente por essa falta de respostas, tudo que podemos fazer é diminuir a dor dele, o cerebelo foi muito afetado. Eu... eu tentei, eu juro que... — Mas Midorima não seria capaz de pronunciar sequer mais uma palavra. Seu peito doía demais.

Por que Kise? Todos se perguntavam quase a mesma coisa. De todas as pessoas, por que aquele que mais os animava, que mais acreditava neles, a verdadeira luz de todos? Por que Kise?

Os doces já não pareciam tão saborosos para Murasakibara, então ele os jogou em um lixo ao seu lado e, num suspiro pesaroso e doloroso, deixou suas costas escorregarem pela parede, as pessoas se assustaram ainda mais ao ver as lágrimas rolarem por seu rosto. Midorima e então Murasakibara. Foi então que, aos poucos, todos foram notando o quanto aquele loiro sempre sorridente era realmente importante de alguma forma para todos ali.

Não demorou muito para que quase todos estivessem chorando. Mas alguém sorria.

Aomine sorria, não aquele sorriso travesso, ou o provocativo, nem doce.

Um sorriso que jamais haviam visto. Aquele sorriso doía mais do que qualquer lágrima ali, seus olhos opacos tornavam-no ainda mais intensamente obscuro, como se o policial estivesse se aprofundando cada vez mais em um abismo apenas seu, onde sempre haviam estacas para perfurarem mais e mais seu curação já destroçado.

Apenas uma única e solitária lágrima escorreu por sua face. E todos viram aquele sorriso de Kise em seu rosto. Aquilo era o que Kise sempre fazia. Ele sorria quando o mundo o destruía e fora justamente assim que ele fechara os olhos, sorrindo. Era o sorriso de Kise em Aomine que mais doía, mais até que os gritos entrecortados e agonizantes da mãe do modelo, os gritos de uma mãe que acabara de perder sua razão de viver. Estava perdendo seu filho.

Midorima levantou-se limpando seu rosto, o que fora inútil, novas lágrimas vieram logo em seguida. Caminhou em passos lentos e atrapalhados até onde Murasakibara estava e sentou-se ao seu lado, apoiando a cabeça em seu ombro, deixando-se chorar um pouco mais alto, estendeu sua mão para Akashi, que o abraçou antes de Murasakibara envolvê-los. Então Akashi deixou algumas poucas lágrimas escorrerem por sua face. Takao permanecia em estado de torpor encostado à parede, sentindo as lágrimas fazerem cócegas em sua pele. Momoi chorava com a mãe do modelo, ambas abraçando uma a outra com tanta força quanto conseguiam. Kuroko estava com a testa encostada contra a parede e grossas e silenciosas lágrimas rolando de seu rosto para o chão, sua mão apertava sua roupa em seu peito, tentando destruir a dor que ali havia. Kagami encarava o teto com lágrimas rolando por sua face, em seu dedo ainda estava a aliança com o nome de Kise.

Aomine levantou-se e caminhou até Kagami, estendeu a mão ao mesmo, todos encararam o ato um tanto apreensivos, mas o ruivo pegou sua mão para então o maior puxá-lo para um abraço forte e doloroso. Seus corações palpitavam rápidos naquela mesma dor, caindo naquele mesmo abismo, sentindo as mesmas perfurações, partilhavam aquela mesma dor. E então o choro de Aomine veio, veio quase tão forte quanto o da mãe de Kise, senão tão forte quanto.

E então o homem saiu do abraço de Kagami e caminhou para longe de seus amigos com a mão apertando fortemente sua boca, mas sem evitar que os ruídos de seu choro fossem escutados. Caminhou para aquela praça onde pedira Kise em namoro, aquela praça que visitava quando ainda não havia recobrado a memória. Caminhou e continuou caminhando, sem olhar para trás novamente, sentia-se tão sem vida, tão sem nada... era como se houvessem arrancado seu coração sem o mínimo de piedade, deixando apenas um buraco vazio sangrando, sangrando, sangrando e sangrando.

Aos poucos Midorima acalmou-se, mas com lágrimas intensas rolando por sua face. Seu superior aparecera e ele parou a frente do mesmo, limpando os olhos.

– Senhor, peço afastamento deste paciente e do trabalho por... por... — Sua voz estava entrecortada, como se houvesse um nó em sua garganta.

– Eu entendo, há envolvimento pessoal, fique um tempo em casa, visite o paciente. Takao, pode ficar responsável pelo senhor Kise? — Takao arregalou um pouco os olhos e ficou pálido, seu corpo começando a tremer. — Se puder, fique, por favor, mas, por hora... faça companhia ao Midorima-sensei.

– E-eu... — Takao até tentou negar, mas o de cabelos verdes apenas passou reto por seu chefe e puxou o escorpiano pelo pulso, levando-o para sua sala, onde Midorima poderia voltar a chorar em seu colo, sem ter de se importar com mais nada, tudo que precisava agora era de um pouco do amor daquele homem. Era tudo.

Murasakibara levantou-se em seguida, limpou os olhos e suspirou. — Minna... eu... eu não vou conseguir ver o Ki-chin agora, gomen, vou para casa. — Sua voz era sem vida, mais ainda do que de costume, os outros nem ao menos o encararam quando deu as costas e apenas seus passos e o choro era escutado.

– Eu voltarei amanhã para vê-lo. — Akashi pronunciou apenas aquilo, desviando o olhar para que não vissem sua face coberta por lágrimas. — Sinto muito, Kise-san... — sussurrou para a mãe do loiro antes de seguir os passos de Murasakibara.

Apenas restaram Kuroko, Momoi, Kagami, Himuro e a mãe de Kise.

– E-eu... eu perdi meu marido... e... — A mulher chorava nos braços da rosada. — E agora querem... querem levar meu menino... meu Ryouta... meu pequeno...

A mulher estava perdida em seu próprio mundo, em seu próprio desespero. Estava perdendo su precioso filho.

– MÃE! MÃE! — Duas garotas loiras vinham correndo, seus olhos dourados repletos de desespero e lágrimas. Uma era a filha mais velha da mulher e irmã mais velha de Ryouta, tinha 27 anos e outra a caçula de 16 anos, a qual Ryouta sempre fora muito protetor. — Mãe, o nii-chan, onde está meu nii-chan! — Gritou a mais nova das duas, desesperada com o ocorrido, havia saído do sítio e encontrado muito sangue no chão e então pediram para o chofer da família levá-las para o hospital. Tinha que ver seu irmão.

– F-filha... — A mulher puxou a filha mais nova e a abraçou. — S-seu irmão...

– Mãe, por favor, não nos enrole, onde está aquele idiota do Ryouta?! — Exclamou a mais velha de forma exigente. Sempre fora um tanto rígida com o irmão, mas sempre se preocupara verdadeiramente com ele. Aquele idiota simplesmente tinha que estar bem.

– Ele... ele vai...

– Ele vai morrer. — Foi Kagami quem respondeu, mais como um de seu pensamentos como resposta à irmã mais velha de seu amado.

As duas recém-chegadas ficaram paralisadas e então Kagami, cansado de tudo aquilo, perdido e destruído, deu as costas ao lugar e começou a caminhar. Precisava respirar, precisava pensar. Queria tanto morrer, tanto. Aliás, estava morrendo, morrendo com Kagami, tudo que restava de si.

~x~

Midorima estava sentado ao lado de Kise, pela primeira vez sem estar usando uniforme de médico, estava ali como amigo. Haviam lhe dado folga, pois seu desempenho no trabalho estava falho e isso poderia ser perigoso demais para um neurocirurgião. O homem suspirou e segurou a mão de Kise, o loiro tinha os batimentos lentos, calmos, se não ficasse bastante tempo segurando seu pulso, provavelmente não teria sentido.

Alisou a mão de Kise e suspirou triste.

– Eu sempre fui tão ruim com você, Kise. — Murmurou ajeitando o cabelo loiro do menor. — Já vi isso acontecer com tantas pessoas e lamentei perder muitas delas, mas nunca doeu como está doendo agora... s... — Sua garganta ficou presa e passou as mãos pelo rosto, não era hora de chorar. Não, Midorima, não chore. Não agora. — Se está... me escutando, Kise... — O maior se levantou e colocou os ouvidos sobre o coração do loiro. — Saiba que é um ótimo amigo e nós nunca vamos esquecê-lo, que te considero um homem muito forte e... me perdoe por todas as vezes que fui... que não fui bom para você nem os outros. Se... — Mas as lágrimas e os soluços vieram, vieram fortes. — Se eu pudesse voltar no tempo... teria sido um amigo melhor. — Chorava apertando o pano fino que cobria o loiro, sem conseguir tirar a testa do peito do menor.

E então sentiu uma mão tocar seus cabelos, delicada e lenta. Olhou para o lado esperando ver Takao, mas viu os olhos do loiro abertos e, de lá, saíam lágrimas. Grossas lágrimas, entretanto em seus lábios estava desenhado um sorriso.

– Kise! — Exclamou o maior. — C-cons...

– Mi... do... ri... — o loiro tossiu levemente, e então suspirou. Falar doía.

– Não fale, Kise, não agora. — O maior sorriu. — Vou chamar um médico, espere um pouco.
Logo Midorima correu e foi chamar o médico que agora estava responsável pelo loiro, que agora era Takao, que veio acompanhado de um assistente. Era verdade que Takao era um médico excelente, tão bom quanto Midorima, mas sempre preferiu ser assistente de Midorima ao invés de ser chamado de médico cirurgião como o maior, acreditava que eram uma dupla perfeita. Chamou-os e, por sorte, foi lhe autorizado ficar na sala enquanto faziam o diagnóstico de Kise, mas sua sorte durou pouco, muito pouco. Sim, Kise havia acordado, Kise ainda podia falar, Kise tinha algumas memórias...

Mas Kise estava em processo de morte lenta e dolorosa.

Sua fala estava quase que completamente restringida, sua visão estava levemente embaçada, seria aos poucos, perderia tudo aos poucos. Suas pernas não possuíam mais movimento e a cirurgia que haviam feito em seu cérebro, apesar de parecer ter sido eficaz, apenas fez com que Kise pudesse recobrar seus sentidos por algum espaço de tempo que ainda não sabiam definir.

Ficou ao cargo de Midorima contar toda a verdade para o loiro, quando a mãe e as irmãs do garoto chegaram, lhe foi pedido isso. Midorima teve de ir ao banheiro chorar tudo que tinha que chorar antes de fazer aquilo, mas se lhe fora pedido pela família do loiro, não negaria, imaginava o quanto devia ser difícil para a família, faria de tudo para ajudar Kise, por mais que já tenha abandonado-o como cirurgião.

Ao falar para Kise, o loiro apenas sorriu e assentiu, ficou com sua família, conversaram o que tinham para conversar durante dois dias, às vezes Midorima podia vê-lo rir, gostava daquilo, não havia saído mais do hospital, dormia no quarto do loiro com sua mãe ou até mesmo com a irmã mais velha quando ficava no lugar da mãe, Kise havia pedido para não comunicar ninguém ainda de seu retorno, queria criar coragem para poder encarar a todos e dizer adeus. Midorima encontrava Takao muitas vezes no hospital, mas não se comunicavam, era outra coisa que lhe partia: Takao. Desde que chorara em seu colo no escritório não haviam voltado a se falar, mas Midorima também não queria resolver seus assuntos amorosos agora, sua atenção seria apenas de Kise.

Mas, naquele terceiro dia, Kise pediu para ver Aomine e Kagami, queria falar com eles primeiro e com ambos ao mesmo tempo. Estava pronto para lidar com eles e sentia que, se não fizesse isso logo, não conseguiria fazer nunca mais.

– Vou chamá-los, nii-san. — Chorava a irmã mais nova do loiro. — Mas, nii-san, eu vou cumprir a promessa que te fiz, vou ser uma modelo famosa como você, eu juro que vou, nii-san. — Ela abraçou o irmão, que sorria ainda assim, cansado demais para conseguir pronunciar mais qualquer palavra. — Eu já volto, nii-san! — Ela exclamou e correu para fora do quarto.

Escutaram um gemido dolorido e, ao olharem novamente para Kise, puderam ver grossas lágrimas escorrendo de seus olhos, sua mão foi para seus olhos, os outros tentaram segurar sua própria vontade de chorar, sabiam o quanto Kise era apegado à irmã mais nova e o quanto devia estar lhe matando deixá-la agora. Mordeu o lábio inferior.

– O... O-ka-sama... — falou com dificuldade, sua garganta rasgando-se. — E-eu... não... vejo nada. N-não... não a vi... não posso ver... ninguém. Escu-ro... Shinta... rou, não te v-vejo...
Midorima deu as costas para a cama e colocou as mãos sobre os lábios, de seus olhos saíam lágrimas intensas. Ah, Kise! Assim tão rápido teremos de perdê-lo, pensava sentindo seu peito apertar, não havia nem ao menos quatro dias que havia recobrado os sentidos e seu corpo já começava a abandonar funções importantes. A sala ficou silenciosa de palavras e ações, mas abundante em lágrimas.

– Filho... — A mulher andou até o loiro. — Ah, meu menino. — Ela chorou e abraçou o homem, deixando que este chorasse em seu colo como uma criancinha que não conseguira um doce. Mas, antes mesmo que pudessem falar qualquer coisa, o loiro adormeceu, aquilo andava acontecendo muito quando se tratava de pressão psicológica ou quando seu sangue corria rápido demais, ele "desligava" por algumas horas. Os médicos até tentaram fazer algo em relação a esses desmaios, mas os resultados não haviam sido positivos nem negativos.
Ficaram em silêncio e Midorima suspirou, estava sendo fraco demais, como médico já podia esperar aquilo, mas como amigo, era doloroso demais saber e ter de aguentar tudo que estava vendo. Ter de levar Kise para usar o banheiro e vê-lo chorar envergonhado de seu estado, ter de lavá-lo e escutar o loiro cantarolar alguma música baixinho, para que sua voz não sumisse de vez, vê-lo sorrir ou rir para que Midorima não começasse a chorar, sua determinação em forçar seus músculos dos braços a trabalharem, visto que começavam a ficar rígidos demais.

Haviam se tornado realmente próximos naquele meio tempo, Midorima não queria mais mostrar aquela face séria o tempo todo para o loiro, queria mostrar o que sentia.

O homem de cabelos verdes limpou suas lágrimas e respirou fundo três vezes, para então virar-se para a família do loiro, a mãe e a irmã lhe sorriram.

– Não se torture tanto, meu jovem, meu filho não quer isso. — Falou a mulher limpando as lágrimas. — Se é para acontecer assim, irá acontecer, aproveite o tempo que ainda temos com meu menino... Ele é bem forte, acredite... ele não teme a morte.

– Sabe, Midorimacchi, meu irmão nos falava muito bem do senhor, dizia que era sério, mas no fundo tinha um coração gigante e é uma das pessoas que ele mais admirava. — A irmã do loiro começou, era uma linda mulher, mas estava destruída, era tão parecida com Kise, seus olhos, o cabelo... — Meu irmão considera sua amizade muito, por favor, honre isto e seja forte por ele, Kise podia ser um tanto irritante e chato quando queria... — Ela riu limpando lágrimas que chegavam fortes, sua voz agora saía rouca e chorosa. — Mas... mas meu irmãozinho... ele... ele só queria... queria que todos vocês sorrissem... ele só queria... que amassem basquete... co-mo... como ele amava e... que se divertissem com ele c-como ele se divertia com vocês... — A mulher correu até Midorima e o abraçou com força. — Porque ele... os melhores momentos da vida dele foram ao lado de vocês... ele mesmo disse isso, disse que vocês trouxeram sorrisos que ele t-tinha esquecido. Honre isso, Midorimacchi! — O homem não aguentou, seus joelhos fraquejaram e, antes pudesse notar, estava ajoelhado com a mulher, seu rosto enterrado no pescoço delicado enquanto chorava alto.

– R-Ryou-ta... — chorou apertando a mulher contra seu corpo. "Midorimacchiii! Que tal jogarmos juntos também? Que tal sair comigo e o Aominecchi?! Você está sempre sozinho, Midorimacchi, ou com o Akashicchi, chama o Akashicchi! Aaaaah, Midorimacchiiiii, não me ignore!", sempre tão insistente, sempre tão chato, sempre usando aquele "cchiiiiiii", mas como seria ficar sem Kise? Sem sua voz elevada demais, sem suas crises de "fãs me perseguindo"?

Era quase uma tortura.

– KISE! — Escutaram uma voz grossa e ofegante, ao olharem para a porta viram um Kagami ofegante com a mão sobre o peito, suava. Midorima ficou impressionado com sua aparência, estava realmente mal, sua barba havia crescido um pouco, seus olhos estavam cansados e totalmente vermelhos, abaixo grossas olheiras se faziam presentes, sua pele sempre bem tratada estava ressecada, seus lábios ainda mais. Parecia estar bebendo também.

– Ka-Kagami-san... — Murmurou Midorima olhando o maior, levantou-se ajudando a irmã mais velha do paciente a levantar-se também, esta saiu da sala correndo com lágrimas nos olhos, sua mãe logo a seguiu, foi até o ruivo. — O Kise-san está dormindo por enquanto... m-mas... Kagami-san... ele... ele está cego.

– O quê? — Mas foi outra voz que perguntou. Logo atrás de Kagami apareceu Aomine num estado ainda pior do que o de Kagami, era como se tivesse voltado para as ruas.

– Bem, como eu... havia falado, aos poucos o cérebro dele vai parando... — Midorima suspirou e voltou a sentar ao lado de Kise, alisando seu cabelo. — Façam ao menos a barba no banheiro para que ele possa tocar o rosto de vocês para reconhecer as expressões, geralmente as pessoas fazem isso quando perdem a visão... — Suspirou e limpou as lágrimas que haviam ficado em seu rosto.

– C-omo... ele está...? — A voz de Kagami se fez presente, entrecortada e receosa.

– Ele... — Mas Midorima foi cortado pela entrada de Takao, suspirou e desviou os olhos do moreno, continuando a acariciar o cabelo de Kise, que continuava macio e brilhante, afinal ele havia praticamente exigido que Midorima cuidasse bem de seus cabelos durante o banho, dizendo que queria estar lindo no caixão, quando disse aquilo Midorima quase o socou. — Takao pode explicar melhor que eu...

– Sobre? — O moreno tentou ignorar o quanto ver Midorima todos os dias dedicando-se daquela fora ao loiro doía, sabia que era ridículo, afinal ele estava morrendo, mas... Midorima nunca sorrira para si como sorria para Kise, nunca alisara seu cabelo como alisava o de Kise, nunca o cuidara como cuidava de Kise. Nunca.

– O estado de Kise. — Falou Aomine, postando-se ao lado de Kagami, a rivalidade entre ambos havia acabado, de certa forma, não havia mais motivo para brigarem, não... não havia mais necessidade nem motivação. Sentiam-se conectados agora, por aquela perda e, entre si, sabiam que não deviam sentir raiva um do outro, não tinham culpa por terem se apaixonado tão profundamente por aquele loiro.

– Hum... — Takao suspirou. — Não temos uma estimativa de vida para ele ainda, o funcionamento de seu cérebro varia entre altas e baixas, não deixando margem para qualquer análise completa. — O moreno soava completamente profissional, Midorima estava tentando ignorar aquilo, porque soava frio demais. Aquele não era Takao, ele era delicado com suas palavras, ele falava como as pessoas queriam escutar, de uma forma que suportassem a verdade, mas agora ele estava sendo duro, falando como se não fosse nada. — Ele perdeu o movimento das pernas, e seus braços estão rígidos, nos dando a clara conclusão de que, em breve, pararão também; está tendo dificuldades para usar o banheiro, muitas vezes se esquece de algo e algumas lembranças foram apagadas de sua mente, sua voz está muito falha, então logo ficará mudo, apesar de sua audição estar boa, hoje ele perdeu a visão... — Takao suspirou e se aproximou da cama, estava ali para injetar mais um dos remédios em Kise, queria fazer aquilo e sair o mais rápido que pudesse. — Entretanto, apesar de não nos dar margem de tempo para o fim da vida do Kise-san... pela evolução rápida dos acontecimentos está claro que tem muito pouco tempo... — Takao ergueu os olhos após injetar o remédio na veia do loiro, seus olhos estavam opacos e, para Midorima, um tanto frios, exatamente como ele costumava ser, sem sentimentos, ou com sentimentos destroçados e contidos. Mas, conhecendo seu jeito escorpiano de ser, sabia que Takao estava não só destruído por dentro, mas como os sentimentos começavam a abandonar dolorosa e friamente seu peito. Sentiu-se desesperado, mas não sabia o que fazer. — ... Eu não daria muito mais que um mês.

– TAKAO! — Midorima berrou irritado enquanto erguia-se, ele também sabia daquilo, soube diagnosticar o tempo conforme ele, mas não era algo que devia ser dito assim, daquela forma, mesmo que profissionalmente. Não devia. Contornou a cama do loiro e segurou o moreno pela gola do jaleco branco. — Seu maldito, pare com isso! — Sua voz estava carregada de ódio.

– S... Shin-ta... — A voz de Kise saiu chorosa e dolorosa. Ele estava acordando novamente.

– Ryouta! — Exclamou o de cabelos verdes, soltando o moreno no mesmo instante para então se aproximar do loiro, Takao abaixou o rosto, sem conseguir encarar a face de Kagami e a de Aomine, sabia que tipo de dor veria naqueles olhos, apenas saiu em silêncio.

– Shint... Shinta... — A voz de Kise saía rouca e baixa, seus olhos agora estavam abertos, mas sem foco algum, sua expressão era assustada. — Shintarou... — As mãos de Kise procuravam a esmo pelo ar, até Midorima pegar ambas e segurá-las entre as suas. — E-eu... estou com... medo. — Kise começava a chorar, então o maior apertou mais suas mãos. — Me abrace... — Midorima logo o fez, Kagami e Aomine estavam um tanto surpresos.

– Não tenha medo, Kise... — O maior suspirou. — Eu estou aqui, ok? Não tenha medo.

– O-ka...

– Ela não está aqui, ela e sua irmã saíram, foram resolver algo, por favor, tente se acalmar. — Midorima encarava preocupado a tela de batimentos cardíacos do loiro, estavam aumentando. — Kagami-san e Aomine-san estão aqui...

– Taiga... Dai-ki? — A voz do loiro ficou ainda mais chorosa. — Onde?

– Aqui, meu anjo... — Kagami se aproximou chorando, Midorima logo se afastou e Kagami pegou uma das mãos do menor, beijando-a com carinho. — Ah, Ryouta, me perdoe... eu... eu fiz isso com você, me desculpe... — Kagami chorava copiosamente, mas o loiro agora tinha um leve sorriso nos lábios. — Eu...

– Ba-Ka-ga-mi! — O loiro riu levemente, tossindo um pouco em seguida. — Não se culpe... i-isso ter-ria aconteci... acontecido mais cedo ou m-mais tard-de, não decidimos o des-tino.

– Ryouta... — A voz de Aomine feriu o coração do loiro, todos viram seus batimentos aumentarem loucamente e então o menor riu um pouco.

– Dro-droga de... aparelho. — Aomine não conseguiu evitar o leve sorriso. — Revelando os sentimentos... dos outros.

– Pois é... — Aomine se aproximou e pegou a outra mão do loiro, ficando no lado oposto ao que Kagami estava, Midorima sentara no sofá e estava apenas observando-os. — M... me desculpe ter sumido por tanto tempo...

– Não... foi porque quis... não é? — O loiro sorriu e desfez o enlaçar de suas mãos, erguendo com certa dificuldade a sua pelo braço musculoso de Aomine, até chegar ao seu rosto, acariciou a face do homem, sentindo as lágrimas. — A-Aomi... necchi chorando... — Kise suspirou e passou a ponta dos dedos sobre os lábios entreabertos do maior, sentindo leves beijos neles. — Não chore... eu vou ficar bem... A-Aominecchi, eu t-te esperei... todos os dias. — Aomine soluçou, colocando sua mão sobre a de Kise, Kagami não sentia inveja, nem raiva, sentia dor. Seu Kise sofrera tanto. — Fiquei tão feliz... quando Kagamicchi o achou... — O loiro suspirou. — Peço perdão... a vocês...

– Ahn? — Kagami e Aomine ficaram incrédulos, o que Kise estava dizendo?!

– E-eu... — Viram grossas lágrimas brotarem nos olhos dourados e opacos e deslizarem por aquele rosto que tanto amavam. — Não sei escolher entre um e outro... — Kise soluçou com força, as lágrimas ganhando mais força. — E-eu os amo... muito. Gomen...

Kagami e Aomine se entreolharam. Não havia rivalidade. Se entendiam entre si, entre os três, sabiam que, no fundo, não podiam disputar pelo coração do loiro, afinal era metade azul e metade vermelho. Suspiraram e sorriram fraco um ao outro, talvez dali surgisse alguma amizade, no fim das contas...

– Não precisa, Ryouta. — Falou Aomine, alisando o cabelo do loiro com a mão livre.

– Nós te amamos também, é o que importa. — Terminou o ruivo, até mesmo Midorima arregalou os olhos.

– M-mas...

– Kise Ryouta, não importa mais nada, ok? — Aomine sorriu, mesmo sabendo que o outro não saberia disso, então aproximou seu rosto do rosto do loiro e beijou-lhe a bochecha, o ato foi repetido por Kagami. — Eu e Kagami estamos... de acordo, acho.

– Sim, algo assim... — O ruivo suspirou e deitou a cabeça ao lado da de Kise, tendo ato copiado por Aomine. — Nós amamos você e vamos ficar com você até o fim...

Kise não conseguiu falar mais nada. Chorou e Midorima sorriu observando a cena, entretanto ficou preocupado com os batimentos cardíacos do loiro, aumentavam mais a cada segundo.

– Não querendo cortar muito o clima, mas Kise, se acalma ou seu coração vai explodir. — Midorima se levantou e suspirou. — Sabe que não pode.

– G-gomen... — Pediu com um sorrisinho de desculpas. — Shintarou... v-vá atrás... do Ta-Takao-san.

– Não, Kise, não agora. — O loiro transformou sua expressão numa completa tristeza.

– Por favor. E-ele está... sofrendo. — Kise limpou as lágrimas que desciam por seu rosto. — A-acho que... todos nós já so-fremos demais, não?

– Eu vou falar com ele, mas não agora, tudo bem? Não vou conseguir agora. — Kise apenas assentiu. — Vou ficar lá fora, quando terminarem me avisem, você precisa de um banho.

– Hai... — O loiro sussurrou com um pequeno sorriso. — Seu tsunde-dere bundão. — Midorima apenas riu baixo e saiu. — Prometam... para mim... que vão segui-guir a vida de vocês norm-malmente?

– Prometo... — Murmuraram os outros dois, sentados em cadeiras ao lado do loiro, enquanto sentiam o cheiro de seu cabelo.

– N-não chore, Taiga... — sussurrou o loiro. — E-eu te amo... — Kagami fechou os olhos com força, não podia ser fraco agora. Não podia. — Eu amo você, Daiki, vocês dois... que egoísta...
– Não, não é. — Suspirou Aomine. — Kise... eu... eu não pude perguntar... — Aomine olhou com um pouco de dúvida para Kagami, mas seu coração gritava para que fizesse isso logo. — Mas... que-quer casar comigo? — Kagami não reagiu de forma assustada ou algo do tipo, apenas deu um sorrisinho, mas o coração de Kise disparou em instantes, deixando ambos muito assustados. — Se acalme, por favor!

– Go-gomen... e-eu... — Kise não sabia o que responder, estava paralisado.

– Case-se com nós dois. — Kagami olhou para Aomine, que assentiu com sua ideia. — Pode parecer um absurdo, mas você nos ama e nós amamos você.

– E... e a única coisa que me liga ao Kagami-san é o amor que sentimos por você... — Aomine sorriu e olhou para Kise. — Só aceite e ficaremos juntos para sempre, Kise, e nos encontraremos depois, do outro lado.

– M-mas... K-Kami-sama... — Kise engoliu um soluço e respirou fundo, tentando se acalmar, depois riu baixo. — Vo-vocês são loucos...

– Por você. — Os três riram quando o moreno e o ruivo falaram juntos.

– Hai... — Kise sussurrou e levou uma mão para cada face ao seu lado. — Eu aceito... — suspirou sentindo cada um pegar a sua mão, queria tanto poder vê-los uma última vez, mas tudo que via era a escuridão, era tão horrível. Como estariam seus olhos? Amava quando os olhos de Kagami brilhavam, quando os de Aomine ficavam intensos. — O... que é isso?

– Aliança. — Falou Kagami com um pequeno sorriso. — A minha e a do Aomine-san. — Suspirou e olhou para Kise, deixando seus lábios próximos aos do loiro, este sentiu a proximidade e seu coração palpitou mais rápido, Aomine desviou o olhar, apesar de tudo, aquela não era bem uma cena legal de se ver. — Vou te amar até depois que a morte nos separar, meu anjo... — E então o ruivo selou os lábios de Kise, um beijo lento e apaixonado, sentiu o loiro segurar seu rosto durante o beijo e alisou seu cabelo, sorrindo fraco em meio ao ato. — Te amo, Ryouta, te amo... — sussurrou apenas para aqueles lábios, Kise sorriu. — Gomen, Aomine-san...

– Ah, tudo bem... — A voz de Aomine estava suave, sorria levemente, Kagami assentiu e se afastou um pouco, da mesma forma que o maior havia feito e suspirou. Aomine olhou para Kise, que virou o rosto para si, um pequeno sorriso desenhava-se em seus lábios. — Sabe, Ryouta... eu passei tanto tempo te amando em silêncio, eu me consumia em dor todos os dias e sonhava como seria tê-lo para mim... — Aomine acariciava o rosto do menor. — Acho que nunca te falei, mas eu tinha todas as suas revistas escondidas num fundo falso do piso de madeira do meu quarto. — Kise riu e corou, balançando levemente a cabeça. — Quando começamos a namorar realmente eu sentia que... não sei, eu me sentia eu mesmo. Eu quero te agradecer pelo nosso tempo juntos, e... e Ryouta, eu te amo, te amo muito. — Aomine grudou sua testa à testa do menor, suas lágrimas rolaram para a face delicada. — Eu fiquei esse tempo todo tentando lembrar de você, mas agora eu nunca mais vou esquecer... a não ser que bata a cabeça de novo. — Riram juntos. — Foram os melhores anos da minha vida. Obrigado, meu amor... — Kise não conseguiu evitar o choro, sentia-se tão vivo como nunca antes, quando seus lábios tocaram os de Aomine sentiu como se todo o peso de sua existência dolorosa fosse embora.

Ah, o amava tanto!

Amava Kagami também, mas era Aomine quem tinha a capacidade de libertá-lo de toda a dor que já passara na vida. Aomine foi, é, e sempre seria seu primeiro e mais profundo amor. Beijou-o com o máximo de amor que tinha, abraçando seu pescoço e demonstrando tudo que podia naquele momento. Seus lábios se separaram com um sorriso nos lábios de cada um.

– Eu te amo, Daiki... — sussurrou tão baixo que ele jurou que Aomine não havia escutado, mas o maior escutou. — Taiga... — O ruivo levantou-se e caminhou até a cama, sentando-se no outro banco ao lado de Kise. — E-eu... estou feliz...

Os três sorriam, era como se um peso enorme saísse de suas costas. Ainda estavam tristes com a situação, óbvio, mas... mas sentiam-se livres agora. Iam continuar a conversa normalmente, mas antes que pudessem, Midorima entrou sorrindo fraco.

– Desculpem, mas acabou o horário de visitas.

– Ah, tudo bem... — Kagami beijou a testa do loiro e Aomine fez o mesmo.

– Nós voltaremos amanhã. — Avisou o maior e Kise acenou. — Aonde vai agora, Midorima-san?

– Ah, eu continuo aqui, tenho que dar banho no Kise. — Kagami e Aomine pararam no mesmo instante e encararam o de cabelos verdes. Kise ficou incomodado com o silêncio. — Foi um pedido da mãe dele, não me olhem assim. — Defendeu-se Midorima e Kise riu.

– Bobos... — sussurrou o loiro.

Notas finais
Sim, foi a maior merda que já escrevi na vida. Sei que ficou idiota, clichê e meloso demais, peço perdão... mas não consegui coisa melhor que isso. Sinto muito, mas perdi toda a confiança que eu tinha em mim e em minha escrita...