Memories

7 I miss it now...


Notas iniciais
E então? Tudo bem? Peço desculpas se não gostaram do capítulo anterior ou até mesmo da fic, se estou enrolando, sei lá, não está agradando, podem me falar, ok? (: Eu aceito de boa e é só me falar que tento arrumar tudo. ^^

I miss it now (Eu sinto falta agora)
I can't believe it (Eu não posso acreditar)
So hard to stay (Tão difícil de ficar)
Too hard to leave it (Muito difícil de deixar isso)
If I could release those days (Se eu pudesse reviver aqueles dias)
I know the only thing that would never change (Eu sei a única coisa que nunca mudaria)

Photograph — Nickelback

Kise abriu a porta e a empurrou, a casa de Aomine não estava tão cheia de poeira, mas tinha uma boa quantidade. Abriu todas as janelas para que o ar entrasse e suspirou, começando a tirar os plásticos que tampavam as coisas, acabara indo para a casa do maior antes dele e Kagami, pois precisava tirar os resquícios de que um dia namoraram. E aproveitou que Aomine teria de passar no hospital antes de ir para sua casa, Kagami concordou e foi com o maior até o hospital.

Caminhou lentamente pela sala e suspirou, fazia tanto tempo que não entrava ali. Jogou todos os plásticos cheios de poeira nos fundos e encarou o local mais atentamente, achando muitos porta-retratos dele e Aomine juntos. Sorriu fraco e pegou alguns, havia um no qual estava beijando-o, outro em que estavam abraçados, muitos estavam com a bola de basquete, haviam tantas fotos dos dois juntos. Tantas lembranças.

Riu fraco ao ver uma que fora tirada num momento de surpresa, nem notou quando as lágrimas já escorriam por sua face. Apesar de ter feito uma escolha, ainda demoraria para conseguir concretizá-la, amava Aomine e estava apaixonado por Kagami. Mas seu Aomine se fora e, talvez, para sempre; e não podia mais rejeitar Kagami, já fora ruim o suficiente com aquele ruivo que dera tudo de si para ele.

Começou a tirar as fotos e muitas coisas que pertenciam aos dois, qualquer coisa que fizesse Aomine lembrar-se que tinham um relacionamento muito mais íntimo que a amizade. Pegou tudo e colocou em uma caixa de papelão que achara por ali e colocou no porta-malas de seu carro, suspirando para os objetos.

Voltou para a casa e começou a arrumar tudo, certo de que não teria coragem de jogar aquelas coisas fora, então as daria para Momoi esconder por um tempo.

~x~

– Essa era minha casa? — Aomine olhou para tudo com extrema curiosidade, pegando quadros e troféus nas mãos. Notando que realmente parecia ser um policial, visto que havia fardas e coisas do gênero em seu quarto.

Já haviam terminado de arrumar tudo e agora estavam sozinhos observando o resultado. Kagami tinha a camisa amarrada na testa para impedir o suor de escorrer por seu rosto e Aomine não pôde deixar de notar os arranhões e mordidas em seu corpo, que o mesmo parecia ter se esquecido. Sentiu-se intrigado com aquilo, por algum motivo notou que não queria ver aquilo mais vezes, poderia ver em quem fosse, menos em Kagami, mas a questão não era exatamente por ser em Kagami.

Era quem havia feito aquilo em Kagami.

Suspirou e abriu o armário, vendo várias roupas, mas o fechou novamente e sentou em sua cama, olhando então para Kise e Kagami que o encaravam, Kagami parecia receoso com algo e Kise sorria simpático, Aomine notou que ele sempre sorria, sempre. Um sorriso lindo e contagiante, por um momento pensou que queria ver aquele sorriso todas as manhãs, tardes e noites de sua vida.

– Eu queria lembrar... — O maior suspirou e colocou as mãos sobre o rosto, apoiando os cotovelos nas coxas, o loiro se aproximou e ficou de joelhos a sua frente.

– Aominecchi, não se esforce tanto, tudo tem seu tempo, não é? — O loiro sorriu novamente e Aomine se deixou admirar aquilo, era um sorriso lindo que o acalmava, tão acolhedor. — Não se preocupe, o que realmente importa agora é que você está bem, está em sua casa e não há nada que possa te ferir, então apenas relaxe e sinta o ambiente, ande, faça o que achar melhor. Pense que está recomeçando agora, passado é sempre passado, não vai mudar muita coisa.

– Mas eu preciso saber das coisas, Kise, preciso lembra-

– Você não precisa, Aominecchi. — Kise sentou ao seu lado e segurou suas mãos, sorrindo não só com os lábios, mas com os olhos, Aomine se viu perdido naquilo. — Que tal nos conhecer de novo? Conhecer todos os seus amigos, conhecer seus colegas de trabalho, os colegas de jogos, a moça da padaria que sempre foi tão atenciosa com você, ir à livraria que tem os livros mais incomuns que você tanto gosta. — Kagami tentou controlar o ciúme, mas foi bem difícil, Kise conhecia Aomine como a palma de sua mão, o quanto ele sabia de Kagami? — Tomar um fraputtino bem feito na cafeteria em frente ao QG da Polícia, onde também tem o melhor bolinho de morango que você já comeu na vida. — O loiro riu. — Não precisa lembrar do passado, só precisa escrever um novo futuro, entende?

– Tudo o que falou agora é do meu passado.

– São coisas banais, coisas pequenas. — O loiro deu de ombros. — Se quer tanto lembrar, comece por aí, comece a conhecer você antes de tentar conhecer os outros. Primeiro você, ok?

– Ok, vou tentar lembrar... — O loiro o censurou com um olhar. — Vou tentar me conhecer. — Corrigiu e ambos sorriram.

– Falando em se conhecer... — O loiro suspirou e fechou os olhos. — No subssolo da sua casa, você tem um estande de tiro, onde você costumava praticar seus tiros, olha, lá está cheio de armas e coisas que realmente machucam, nós trancamos como você sempre trancou, com senhas e chaves e tudo o mais. — Kise tirou um molho de chaves do bolso e entregou ao maior.

– Aqui estão, e as senhas eu tenho anotadas no meu carro e já pego... Só te peço para tomar cuidado com aquilo tudo, tá bom?

– Armas? — Os olhos do maior pareceram brilhar, ele sorriu. — Quero ver isso!

– Ok, vou buscar as senhas... — Kise se levantou e saiu a frente dos dois, que o seguiram, mas Aomine, por instinto, seguiu por um corredor e puxou o tapete do lugar, encontrando um alçapão, pegou uma das chaves e abriu, nem sabia como, mas sabia qual era chave.

E assim foi fazendo, haviam três portas e uma delas eram senhas, Aomine colocou todas, sabia que aqueles números tinham algum significado, apenas não sabia quais eram, e então desceu a escada que dava uma volta. Olhou e ficou surpreso, era um estande bem pequeno, apenas com três lugares e parecia ocupar todo o terreno inferior de sua casa. Perguntou-se se havia algo para que os terremotos não atingissem sua casa a ponto de cair sobre o estande e ficou satisfeito ao notar que a estrutura era preparada para isso.

Olhou para os armamentos, era muito preparado, tinha variados tipos de arma, se perguntou se realmente tinha autorização para ter aquilo, mas por ser Capitão, provavelmente tinha, não é mesmo? Pegou uma arma e testou seu peso, notando que era agradável e se adequava bem a sua mão.

– Ah, como entrou? Estava aberto? — Kise parecia alarmado, então o maior apenas sorriu e negou com a cabeça.

– Eu sabia tudo. — Deu de ombros, estava realmente feliz por aquilo, Kise riu e apertou um dos braços de Kagami, ficando feliz ao saber que Aomine havia lembrado de algo pelo menos. — Gosto de armas. — Murmurou o policial começando a caminhar até um dos pontos de mira do estande. Franziu a testa ao notar que no boneco de mira havia a foto de alguém, era um homem de cabelos negros e arrepiados, tinha olhos azuis e expressão séria. — Quem é ele?

– Quem? — Kise se aproximou para ver e arregalou os olhos, ficando um pouco corado. Aquele havia sido um homem com quem ficara por um tempo até notar que estava apaixonado por Aomine. — A-ahn... esse... é Kasamatsu Yukio, vocês não se davam muito bem, não sei por quê exatamente, mas tinham uma rixa no basquete que parecia ser eterna.

– Nossa... bem, então tudo bem ele ser meu alvo. — Aomine deu de ombros e apontou a arma, Kise saiu de perto e ficou ao lado de Kagami, tampando os ouvidos como o maior fazia. Aomine parecia saber exatamente o que fazer com a arma, como segurá-la, como apontá-la e então escutaram o disparo. — Há! — O grito de vitória do maior ecoou pelo local; quando o casal viu, Kasamatsu Yukio tinha um furo no meio da testa.

– É, você é bom, Aomine-san. — Comentou Kagami, pensando que seria realmente ruim se Aomine decidisse atirar em si. O maior sorriu.

– Me sinto vivo. — O de cabelos azuis riu levemente. — Obrigado pelo que estão fazendo, espero poder retribuir um dia, Kagami-san. — Aomine se aproximou do ruivo e ergueu a mão, apertando a do homem fervorosamente. — Espero poder ser seu amigo, afinal é a primeira pessoa que eu realmente conheço depois de anos, não é?

– Ah, sim, amigos. — Kagami sorriu apertando a mão daquele que julgava seu maior inimigo.

~x~

– Uma festa? — O loiro franziu a testa encarando Aomine um pouco confuso.

– Sim, eu acho que gostaria de fazer uma festa para conhecer melhor todos... — O homem havia voltado para o flat do loiro e o ruivo, afinal decidiram deixar as janelas abertas a noite para arejar a casa, afinal haviam grades nas mesmas. — Pelo que conversei no banco eu continuei recebendo todos esses anos, pois meu caso não foi decretado como morte, então eu tenho um bom dinheiro guardado e pretendo estudar um pouco para poder voltar ao trabalho normalmente.

– Entendo. — Kise sorriu comendo o arroz que Kagami havia colocado para si em um potinho preto. — Bem, eu posso organizar e chamar o pessoal... Seria melhor fazer no salão daqui, ou podemos fazer na piscina.

– Não quero te incomodar, Kise-san... — Aomine pareceu ficar encabulado com aquilo e o loiro riu.

– Não se preocupe. — O loiro olhou para o noivo e pediu a bandeja de sushis que estava longe, mas tudo o que o ruivo fez foi pegar um e colocar nos lábios do menor, que sorriu e comeu, Aomine evitou suspirar irritado. Apesar de ter chamado Kagami de amigo, não gostava de quando fazia essas coisas.

O resto do jantar foi em completo silêncio; silêncio este onde Aomine chegou à conclusão de que detestava quando Kagami tocava em Kise e, por algum motivo, ficou mais irritado consigo do que com o loiro. Que tipo de direito ele tinha de sentir raiva daquilo se ele e o loiro eram apenas amigos? Mas seus olhos sempre acabavam caindo sobre o sorriso ou a pele do menor.

Havia algo muito errado ali. E o erro estava dentro de si, sabia disso, estava em seu coração, que falhava toda vez que via o ruivo tocar no loiro, que pesava toda vez que os via trocando carinhos. Aomine fechou os olhos muitas vezes para controlar sua vontade de afastar Kagami, achando que aquilo era uma completa loucura, mas em uma das vezes sentiu-se tonto e colocou as mãos na cabeça rapidamente, sentindo uma dor aguda.

– Aominecchi? — mas a voz de Kise parecia distante.

Flashback on — Aomine's POV

Eu corria sentindo o ar bater contra meu rosto, era aliviador, já que sentia muito calor. Meu corpo era pequeno, mas muito forte e eu estava me divertindo demais, os garotos a minha frente eram muito mais velhos, como se tivessem dezesseis, dezessete anos, enquanto eu parecia ter apenas dez.

Dois pararam a minha frente e eu os encarei batendo a bola de basquete de forma compassada, pensando que dois caras enormes era realmente injusto contra um garoto de dez anos, mas não liguei, sabia que era bom e sabia como passar por ambos. Sorri de canto e joguei meu corpo para o lado do homem da direita, ambos foram para o mesmo lugar, mas no meio do movimento virei para a esquerda, como esperava, eles seguiram o movimento, mas quando parei levemente eles foram para a direita eu continuei pela esquerda, passando tranquilamente jogando a bola para a cesta, fazendo o ponto.

– HAAAAAAAAAA! — Todo meu time comemorou a vitória, um deles me colocou em seus ombros e ficamos rindo e correndo pela quadra, era uma quadra de rua e eu sabia jogar basquete de rua como ninguém, amava aquilo fervorosamente. — AOMINE, AOMINE, AOMINE! — Eu ria de como eles gritavam meu nome.

Logo me desceram e eles foram pegar suas coisas, o time que havia perdido pagaria nossa comida também, éramos todos amigos. Olhei para o lado e uma garotinha usando um vestido azul veio correndo até mim, seus cabelos cor-de-rosa estavam amarrados. Sorri para ela.

– Fui bem hoje, Satsuki? — Perguntei a ela, sempre me importei com sua opinião.

– Foi ótimo, Dai-chan! — Ela riu e bagunçou meu cabelo, fazendo uma careta por eu estar todo suado, entreguei a ela minha toalha e ela limpou a mão. — Eles pegaram pesado com você hoje.

– Sim, mas eu ainda sou o melhor! — Eu ri de forma vitoriosa, sempre fui assim, cheio de mim, porém no começo eu sorria. — Vamos, Satsuki, eles vão pagar nosso lanche.

– Oi, Momoi-chan! — Falaram os outros garotos quando nos aproximamos, ela sorriu e acenou para eles enquanto eu ainda secava meu cabelo e nuca com a toalha. — Viu como seu namorado jogou hoje?

– Kyah! Dai-chan não é meu namorado! — Ela fez o maior bico que eu conhecia e depois ri dela, era sempre assim. — E sim, eu vi.

– Não precisa ficar tão brava, foi só uma brincadeira. — Os garotos riram e eu peguei sua mão, começando a andar assim com ela até o local onde comeríamos. Depois teria de deixá-la em sua casa, que era em frente a minha, nossas famílias sempre foram amigas, então eu acabei sendo muito próximo de Satsuki, que sempre ia me ver jogar.

Ela sabia dizer apenas de olhar a habilidade de cada um com quem eu jogava, tinha olhos perfeitos. Eu realmente gostava daquela garota, era a melhor amiga que eu podia pedir ao mundo e eu sabia que sempre seria, mas claro que, sendo orgulhoso como eu era, jamais iria admitir realmente.

Flashback off — Narradora's POV

Aomine piscou algumas vezes e grunhiu baixo, seus olhos se acostumando à claridade.

Ao olhar para o lado viu um Kagami dormindo no outro sofá com Kise sobre seu corpo, ressonavam baixo. Olhou para o relógio na parede e notou que ainda eram duas horas da manhã, suspirou e tentou levantar, mas apenas caiu como se fosse uma pluma.

Nem ao menos sentiu seus pés tocarem o chão, o barulho atraiu a atenção de Kise e seu noivo, que acordaram agitados e olharam para o homem deitado no chão.

– AOMINECCHI! — Kise ergueu-se num instante e ajudou o maior a levantar, Aomine sentou-se novamente no sofá e suspirou, fechando os olhos novamente. — Você está bem? Desmaiou do nada enquanto jantávamos...

– Ah... Kise... eu lembrei. — O loiro ficou paralisado e Kagami sentiu seu rosto ficar pálido.

– Lembrei da Satsuki... — O homem de cabelos azuis ria feliz sentindo os olhos ficarem marejados. — Eu sinto falta dela. Ah, meu Deus. — Ele colocou as mão no rosto e riu enquanto chorava, seu orgulho ainda estava ali como sempre, mas sendo ferido pela emoção de lembrar de sua única e fiel amiga.

– AH, Aominecchi, estou muito feliz! — Kise exclamou e abraçou o maior, mas ao notar o que fazia ficou com um pouco de medo, estar perto de Aomine era perigoso, sentir seu cheiro, sua pele, tudo era muito perigoso, mas tentou ignorar, afinal ele havia se lembrado de Momoi.

– Amanhã eu posso vê-la, não é? — Ele perguntou esperançoso quando o loiro saiu de perto.

– Claro, amanhã podemos te levar lá. — Dessa vez foi Kagami a falar, mas ainda estava preocupado, se ele havia lembrado de Momoi não estava longe de lembrar de Kise. E se isso acontecesse? O que faria?

Kagami disfarçou o suspiro num sorriso, mas Kise notava sua preocupação.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^ Ah, é, tem fic nova! http://fanfiction.com.br/historia/494248/Winter_-_Cold_and_Lovelly/ ^^