Notas iniciais
Oi, desculpe a demora!
Bem, tenho que ser rápida. Estou realmente sem tempo, já que as provas do ENEM e afins estão realmente próximas. Por isso, sinto muito mesmo, não poderei responder nenhum review por agora.
Desculpe mesmo, me corta o coração, mas meu tempo é escasso.
Corri pra digitar o capítulo e postar pra vocês. Então, relevem os erros.
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[Capítulo editado dia 22/02/2013]

Memory Two


Deitado em sua cama, Izaya fitava o teto de seu quarto. Depois do desastroso reencontro com Mai, não correu atrás dela dentro do orfanato. Simplesmente foi até Akihiro e disse que estava indo embora. Ele perguntou quando voltaria e o informante respondeu que nos próximos dias.

Na realidade, aquela foi uma resposta que saiu completamente sem pensar. Não tinha mais certeza de nada naquele momento. Que diabos Mai fazia naquele lugar? E por que não se lembrava dele? Aquilo tudo o incomodava profundamente.

Droga, ainda sentia seu sangue queimando de raiva. Ao mesmo tempo em que outro sentimento o tomava; um estranho desespero que tentava conter com todas as suas forças. E eram esses dois que faziam Izaya querer tomar decisões completamente opostas. Um lado seu desejava voltar ao orfanato naquele instante e arrastar aquela garota de lá, mesmo que a força. Já o outro, esse queria fugir, fazer exatamente o trabalho sujo de derrubar o lugar e nunca mais olhar nos olhos daquela pessoa.

Entretanto, mesmo que fosse chamado por muitos de covarde que se autopreservava acima de tudo, Izaya não era alguém que aceitava ser desafiado. Não era alguém que se deixava ser vencido.

Poderia muito bem voltar ao orfanato e adotá-la, mesmo com seus contatos, seria uma terrível burocracia, mas com toda certeza conseguiria trazê-la de volta. Só que ainda não podia. Esse era o seu desejo, entretanto, precisava entender toda aquela bizarra situação. Assim evitando decisões precipitadas.

No seu interior, sentia que havia muito mais que o aparente.


E logo iria descobrir que não estava preparado para isso.


***


Estava tudo em branco; não havia passado nem a promessa de um futuro. Eram poucas as coisas que vagavam por sua mente. No entanto, não havia necessidade de mais, aquilo era o suficiente para que continuasse até o final. Se nada a atrapalhasse, tudo terminaria bem.

No início, tudo parecia estar indo bem, até que alguém apareceu. Foi estranho. Seus olhos automaticamente a guiaram até uma pessoa em especial, que misteriosamente lhe devolvia um olhar intenso.

Não conhecia ninguém ali, por isso não havia motivos para continuar encarando-o. Desviou seu olhar, voltou a negar para a mulher e foi embora. Ainda sentia o olhar daquele homem em suas costas, então se afastou o suficiente para que não sentisse mais a sua presença.

Sentou em um banco a sombra e esperou. Era o que mais fazia naquele lugar. Esperava até o momento que pudesse sair dali e iniciar sua busca. Sentia que não era ali que devia estar. Fora que... Aquelas coisas continuavam lá.


Enquanto olhava para o gramado logo abaixo de seus sapatos, um vento forte bateu, bagunçando seus cabelos. Ajeitou-os atrás da orelha, quando segundos depois a sombra sobre si pareceu ficar ainda mais escura.


— Mai...?


Esse era o seu nome.


Lentamente levantou sua cabeça e seus olhos azuis voltaram de encontra àquela pessoa.

Seus olhos eram rubros, transmitiam uma estranha sensação de perigo que fazia seus pelos eriçarem. Sua pele era clara e possuía cabelos tão negros quanto os dela. Era um homem e trajava roupas pretas por baixo de um sobretudo felpudo. Ele a encarava, e em seus olhos havia um sentimento que não sabia decifrar.


— Você me conhece? — perguntou, mas tinha certeza que nunca o vira.


Ele pareceu ficar nervoso com a resposta.


— O que quer dizer com isso?


Mai notou que seu tom começava a mudar, mas não se preocupou, provavelmente era um mal entendido.


— Acho que você me confundiu com alguém, nunca o vi antes. — tentou esclarecer com calma. Não era muito boa para explicar as coisas para as pessoas, elas pareciam nunca entendê-la, mas dessa vez esperava que fosse diferente.


Entretanto, estava enganada. O tal homem, sem aviso algum, agarrou seu pulso e a puxou com força do banco. Aquilo a assustou, por um momento achou que ele a machucaria.


— E-ei, o que...


— Que droga de brincadeira é essa, Mai?


Sua voz era raivosa, deixando-a com mais medo ainda. O que estava acontecendo? Seu medo e insegurança aumentavam cada vez mais.


— M-me solta. — pediu sem forças. — Por favor, está doendo...!


— Eu vou te soltar quando parar com isso.


— Já disse, você deve ter me confundido com alguém, pois eu não te conheço. — tentou inutilmente se afastar. — Se não me largar, eu vou gritar.


Xingando baixo, o homem finalmente a soltou, fazendo-a se desequilibrar e cair de volta no banco. Mai ofegava e se sentia aflita, era a primeira vez que alguém a tratava dessa forma.


— Mai...


Seu tom saiu mais calmo, mas o pequeno acontecimento fora suficiente para afugentá-la. Levantou-se e correu para longe dele. Ao entrar naquele lugar com o nome de orfanato, escondeu-se em um dos cômodos e ali ficou.


Era verdade que normalmente nunca entendia o que estava acontecendo a sua volta. As pessoas falavam a faziam coisas que Mai não tinha a menor noção do que eram. Mas isso não a preocupava, pois a si mesma ela entendia e ao seu proposito também. Sabia que era diferente de tudo aquilo que estava a sua volta, e compreendia que as dúvidas eram normais.

Mas aquele homem... Tinha certeza que não o conhecia, porém, mesmo assim, quando seu olhar encontrou ao dele, a fez sentir algo estranho que não sabia dizer o que era. E isso a assustou. Esperava realmente que aquela fosse a primeira e última vez que o veria.


***


No dia seguinte, depois de terminar seus serviços e almoçar, Izaya resolveu voltar ao Masayuki. Entretanto, não se dirigiu diretamente para lá, precisava fazer uma parada antes.


Shinra.


Estacionou na rua onde o médico morava e desceu da moto. Logo já estava na porta de seu apartamento tocando a campainha. Sem precisar esperar muito, a porta se abriu, revelando seu velho e único amigo.


— Que surpresa agradável, Orihara-kun. — ele sorriu ao recebê-lo.


Um fato interessante sobre Shinra era que, muitas vezes, ele era uma pessoa difícil de interpretar. Sempre conseguia manter suas reais intensões escondidas por trás de seu sorriso bobo.


— Ás vezes é bom fortalecer os laços de amizade, não? — comentou, colocando a mão no bolso do sobretudo.


— Quem me dera acreditar nisso. — respondeu com humor. — De qualquer forma, vamos entrando. Acabei de finalizar meu trabalho e estou com a tarde de folga.


O médico deu passagem a Izaya, que seguiu com ele até a sala que dividia o ambiente com a cozinha. Ao observar o local, o informante notou que o lugar não mudara nada desde o colegial.


— Onde está Celty? — perguntou, sentando no sofá.


— Trabalhando, como sempre. — contou, indo até a cozinha. — Chá?


— Prefiro café.


Não houve mais comentários; Shinra se mantinha ocupado preparando as bebidas, enquanto Izaya olhava para o próprio reflexo na porta de vidro da varanda. O silêncio só foi ser rompido quando o de óculos se aproximou com as bebidas, depositando-as na mesinha de centro, e se sentou.


— Eu me encontrei com Mai.


Sua sentença foi tão rápida e fora do esperado, que Shinra retraiu perceptivelmente ao seu lado. Depois de se recuperar, colocou o chá que bebia na mesa e o encarou.


— O que?


— Isso mesmo que ouviu. — reforçou. — Ontem me foi encaminhado um trabalho relacionado a um orfanato chamado Masayuki. Achei que seria um serviço comum, e realmente era, mas ao chegar lá... Foi inesperado até para mim. Eu estava no escritório do diretor, quando a vi. A mesma Mai que estava morando comigo e foi embora há um ano estava lá, Shinra.


— E qual é o grande problema? — ajeitou os óculos, ainda não chegando ao ponto aonde Izaya queria. — Se ela voltou, não é só ir lá e adotá-la para as coisas voltarem a ser como antes?


Izaya não aguentou. A situação era tão ridícula, que o fez rir alto.

— Claro, é uma atitude muito simples! — exclamou rindo. — Ou devo dizer, seria muito simples, se aquela criatura ao menos se lembrasse de mim!


— O-Orihara-kun... — o médico pareceu ficar inseguro com seu humor repentino. — Não seria melhor você me explicar isso direito?


— Não há o que explicar, é só isso. Eu fui até o maldito orfanato achando que só iria para resolver o problema e depois ir embora, quando a encontrei. Chegamos a trocar olhares no primeiro momento, mas nada aconteceu. Depois fui atrás dela para entender o motivo de não ter reagido, quando descobri que ela não se lembrava de mim.


— Por isso veio até aqui? Para que eu lhe dê alguma explicação? — concluiu.


— Você é o especialista em coisas do outro mundo.


— Hm… — com a mão no queixo, ele se recostou no sofá, pensativo. — Sinto em lhe dizer, mas sabendo tão pouco, não consigo pensar em algo concreto.


Izaya não respondeu, nem se irritou. Era obvio que Shinra não conseguiria uma resposta. Na verdade, parando para pensar um pouco, não fazia sentido a sua vinda até ali.

A culpa era de Mai, sempre fazendo-o tomar decisões precipitadas.


— Eu vou embora. — avisou, levantando do sofá sem nem mesmo tocar no café. — Tenho serviços a fazer.


— Tudo bem. — o de óculos também se pôs de pé. — Mas, Orihara-kun, sobre a Mai ter voltado... É um tanto peculiar. Quando tiver mais informações, poderia dividi-las comigo? — sorriu, e Izaya podia jurar que era o mesmo sorriso que ele dava ao dissecar um animal.


— Vou pensar a respeito. — devolveu.


O informante se despediu de Shinra e foi embora. Ao chegar à rua, montou em sua moto e seguiu direto para Takamatsu. Ao parar em frente ao Orfanato Masayuki, notou que havia algo de diferente. Parecia mais barulhento e movimentado. Lembrava-se que Kirie havia comentado algo sobre visitas e entrevistas depois do almoço. Devia ser esse o motivo.


Quando entrou no casarão, imediatamente suas suspeitas se fizeram verdadeiras. Espalhados pelos longos corredores, varandas e jardins havia não só crianças, como vários casais de adultos conversando com assistentes sociais. Olhou para os lados à procura de Mai, mas não a viu. Entretanto o melhor e mais lógico a se fazer naquele momento era ir direto ao encontro de Akihiro.


— Seja bem vindo, Orihara-san. — o diretor o recebeu com ânimo.


— Vejo que hoje está bem movimentado aqui. — comentou, adentrando na sala.


— Sim, sim! De sexta à domingo o Masayuki apresenta considerável movimento. — explicou, apontando para a janela que dava para o jardim. — Quanto mais gente se candidatando a uma adoção, melhor.


— Entendo.


Esse era outro problema. Izaya não podia correr o risco de Mai ser adotada por alguém. Daria a ele muito mais trabalho.


— Então, algo novo sobre a situação? — Akihiro perguntou, lembrando Izaya das razões profissionais de sua visita.


— Quanto a isso, vou precisar primeiro pesquisar sobre os mafiosos que estão interessados em derrubá-lo. Cada um. Para depois achar um jeito de contornar a situação ou até fazê-los desistirem de tal propósito.


Não era bem verdade o que estava dizendo, mas precisava de tempo para resolver seus problemas. De qualquer forma, sua desculpa pareceu deixá-lo satisfeito.


— Tenho que fazer uma confissão, Akihiro-san. — começou, chamando sua atenção. — Eu vivo sozinho em uma apartamento em Shinjuku, e ás vezes é muito solitário e silencioso por lá. Mas, devo dizer, vir aqui e ver essas crianças sorrindo tem me animado bastante.


— Oh, que interessante. — ele sorriu do outro lado da mesa. — Sinta-se a vontade para conversar com qualquer criança. Elas também gostam de companhia.


Por dentro, Izaya sorria com malícia.

Satisfeito com a reação positiva ao seu comentário – que se fosse analisado melhor, poderia ser considerado prematuro e sem fundamento –, levantou-se da poltrona e saiu do cômodo.


Novamente, cruzou os corredores do orfanato até chegar ao jardim. Agora não só crianças, como adultos também se espalhavam pelo gramado, sentados em bancos conversando com tranquilidade. Procurou por Mai no mesmo lugar que da última vez, porém ela não estava lá. Andou pelo jardim para tentar encontra-la, mas o resultado foi o mesmo.


— Ah, Orihara-kun, como vai? — ouviu a voz de Kirie cumprimentá-lo.


Virou-se para trás, observando a assistente de cabelos castanhos e olhos verdes se aproximar. Perfeito.


— Eu vou bem. — sorriu de forma gentil. — E quanto ao trabalho? Dia movimentado, não?


— Nem me fale, duas de adoção. Mas não vou mentir, sinto minhas forças sendo revigoradas ao ver uma criança sorrindo para os futuros pais.


— Deve realmente. — Izaya se segurou para não revirar os olhos.


— E quanto a você? Notei que observa bastante as crianças. Está interessado em adotar alguma?


Internamente o informante sorria. A própria mulher estava levando a conversa ao ponto que queria.


— Bom — deu de ombros. — ainda não é certo, estou apenas ajudando o Akihiro-san com a administração. Todavia, vir até me motiva cada vez mais a cometer o belíssimo ato de adoção.


— Me alegra saber disso! E há alguém em especial?


— Não é certo, então peço para não dizer nada por enquanto, mas há uma garotinha de cabelos negros e olhos azuis...


Sua voz foi morrendo aos poucos, ao notar que a descrição havia causado um estranho efeito na mulher; mesmo que tentasse não demonstrar, havia ficado tensa.


— S-seria a Mai-chan?


— Sim, é esse o nome. — olhou curioso, querendo saber o motivo da reação.


— V-vamos procurá-la, ela costuma ficar no jardim. — tentou sorrir, sem graça.


Assim como Izaya, ela procurou por todo o jardim, mas sem sucesso em achá-la.


— Que estranho... — Kirie levou a mão ao queixo. — Ela raramente fica dentro de casa.


O informante escutava calado, ainda estava tentando entender o porquê da reação dela ao descobrir que era Mai quem ele estava tentando adotar. Sabia que a garota era notavelmente estranha, mas não achava que seu comportamento poderia causar uma impressão tão ruim.


— Há algo de errado com a Mai-chan? — perguntou de forma inocente.


— Não, não! — respondeu rápido. — Espere aqui que vou procurá-la.


Kirie afastou-se tão rápido que Izaya mal pode dizer algo. Realmente suspeito.

Com os olhos cerrados, olhou para as grandes instalações do Masayuki. O casarão tinha dois andares, o segundo provavelmente destinado aos dormitórios. Passou o olhar por todas as janelas, percebendo que apenas uma estava coberta por cortinas, ou quase. Havia uma pequena fresta, por onde um par de olhos azuis o encarava com desconfiança.


Ela está fugindo de mim.

Memory Two Finalized.


Notas finais
O que acharam? Comentem bastante!
Tem muita coisa mesmo pra acontecer. E logo os mistérios começam a ficar evidentes, hoho.
Particularmente achei o Izaya meio fora do personagem, mas ao mesmo tempo penso que quando ele vai resolver o negocio realmente importante que não envolva manipular os outros por prazer, ele se apresenta bem serio.
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Ei, uma perguntinha: Vocês gostam de fics de Death Note? Pois me deu uma intensa vontade de escrever uma MelloxOC ôo
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Bye, bye!!!!!!