Memories

4 Memory Three


Notas iniciais
Oi, gente.
Sabe, eu confesso que estava me sentindo meio desanimada quanto a postagem dessa fic... As pessoas que comentaram na primeira temporada não apareceram todas nessa. Mas ganhei uma leitora nova e uma recomendação na antiga o que me animou um pouco.
Obrigada, Vivi chan.
Ah, mas é claro, não se preocupem, não tenho a menor intensão de parar de postar a fic. Respeito meus leitores que comentam.
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[Capítulo editado dia 24/02/2013]

Memory Three


Se ela pensa que pode fugir de mim, está muito enganada.


Izaya voltou ao casarão e procurou por Kirie, dizendo que havia visto Mai em uma das janelas do andar superior. Perguntou se podia subir até lá, mas a assistente negou com uma expressão desanimada.


— Infelizmente não é permitida a entrada de visitantes no segundo andar, nem mesmo na companhia de uma assistente, pois é onde ficam os dormitórios. — ela explicou. — No máximo, posso pedir para ela descer.


— Não é necessário.


Lógico que ela não iria descer, estava enfiada lá em cima por sua causa. O que poderia ser um problema. Se toda vez que chegasse, Mai corresse para o segundo andar, nunca conseguiria ter algum tipo de contato com ela.

Só que é claro, Izaya tinha uma solução para isso.


— É realmente uma pena. — deu de ombros. — Pensei que seria um tanto interessante conversar com ela. Mas o que posso fazer? Ela deve ser bem tímida, não? — soltou uma risada baixa, mas Kirie não o acompanhou. Estava séria.


— Se tiver realmente alguma intensão em adotá-la, Orihara-kun... — desviou os olhos dos dele. — Eu peço que tenha cautela.


— Cautela? — ergueu uma sobrancelha.


— É só isso que tenho a dizer.


Kirie não comentou mais nada, dando o assunto como encerrado. Izaya também não tentou retomá-lo; não porque achava que séria impossível arrancar tal informação dela, apenas achava que aquele não era o momento adequado.


Não tento mais anda o que fazer naquele lugar, foi embora, com a intensão de não voltar lá tão cedo. Daria à Mai a falsa sensação da segurança de que Izaya não voltaria mais, para então, pegá-la de surpresa.


***


Escurecia quando Mai finalmente resolveu sair de seu quarto. Não gostava de ficar trancada em locais assim sozinha, mas sentia um pouco de alivio por ter conseguido fugir daquele homem. Se fizesse isso todas as vezes que ele aparecesse, talvez desistisse da ideia e a esqueceria.


E foi exatamente isso que Mai fez no dia seguinte.


Logo após o almoço, subiu para o quarto e se manteve lá. Esperou por várias horas, no entanto, de sua janela, não notou nenhum movimento que denunciasse a presença daquele homem. Talvez ele tivesse desistido por definitivo de procurá-la.

Voltou para o térreo e caminhou pelo orfanato, mas não o achou. Por fim, foi até o jardim da frente e olhou para a rua, esperando ouvir aquele característico barulho que precedia sua chegada. Mas nada aconteceu.

Estava começando a caminhar em direção à rua, quando uma das mulheres que ficava rondando o orfanato gritou o seu nome.


— Já disse que você não pode sair! — ela a repreendeu irritada, caminhando em sua direção.


Entretanto, Mai não prestava atenção nisso. Enquanto a mulher a arrastava de volta para o orfanato, seus olhos continuavam presos na rua. Ele havia dessistiado, certo? Deveria estar feliz, agora não precisaria mais ficar trancada dentro daquela casa.


Só que no fundo de seu coração, ao invés de alivio, sentia culpa.


***


Seis dias. Há seis dias Izaya havia deixado o orfanato e não voltado lá mais. Pretendia esperar uma semana inteira, mas estava sendo difícil.


Durante todos esses dias seu humor variava entre irritação e incerteza. Detestava desejar algo e não tê-la naquele momento. Estava acostumado a sempre conseguir o que queria no tempo em que desejava, mas com Mai estava sendo diferente. De nada adiantaria sua influência e poder, mesmo que usasse seus recursos para tirá-la de lá, ainda não conseguiria o que tanto queria. Ao invés de manipular, teria que ser paciente e esperar.


Odiava isso. Odiava ter algo o controlando dessa forma.


Para tentar acalmar sua mente, resolveu se concentrar em seu trabalho. Em especial, nos impasses pelos quais o orfanato passava. Fez algumas ligações e usou um pouco de sua influência para estabilizar a situação. Não precisava resolver o problema, apenas conseguir tempo até que tivesse Mai em sua casa.


Então, finalmente o sétimo dias chegou. Izaya largou tudo o que estava fazendo e saiu de seu escritório. Só que dessa vez sem a moto.

Essa era outra parte do plano.

Izaya precisava ser sutil, e ir de moto denunciaria sua chegada. Mesmo que o orfanato fosse longe, pegar um metrô resolveria o problema.


Era de tarde, um pouco depois da hora do almoço, quando o informante deu aos habitantes de Ikebukuro a honra de sua presença. Tinha que admitir, foi um tanto conveniente sair a pé naquele dia. Pode observar muitos de seus peões andando por ai.


Viu Mikado e Anri passeando na companhia de seu kouhai, Aoba. Os confrontos entre Dollars e Cachecóis Amarelos haviam regredido, aumentando a força da gangue sem cor. Mas o ressurgimento dos Quadrados Azuis, que antes era lento, agora se mostrava evidente.

Também pode ver o grupo de Kadota parando perto de uma loja, provavelmente de animes, levando em conta o estado eufórico do casal de otakus.


— I-ZA-YA-KUN!


E é claro, não podia faltar seu nem tão querido Shizu-chan. Uma volta por Ikebukuro não estaria completa sem sua presença.


Izaya virou-se par ao lado; Shizuo se aproximava com uma expressão de puro ódio e carregava em uma das mãos uma placa de PARE. Combinação perigosa.


— Ora, ora, você por aqui? ~ — soltou uma risada, colocando as mãos nos bolsos. — Não deveria estar trabalhando, Shizu-chan? Ou será que perdeu o emprego novamente?


O loiro estalou a língua e amassou o pilar da placa como se fosse feito de papel.


— O que eu faço durante o meu trabalho não é da sua conta, pulga maldita! — gritou.


— Da mesma forma que minha presença em Ikebukuro não deveria ser da sua, não acha? — deu de ombros, calmo. — Agora, seja um bom monstrinho e me dê passagem.


— É claro que é da minha conta, imprestável. Toda vez que você resolve dar as caras nesse distrito, uma bomba de caos é jogada sobre todos nós.


— Ás vezes você fala coisas tão infundadas. — suspirou, mesmo sabendo que era a mais pura verdade.


— Calado!


Quase antes que pudesse agir, Shizuo usou a placa que segurava como taco de baseball e tentou acertar Izaya. Mas graças aos seus reflexos, com apenas um movimento para esquerda, conseguiu desviar da rebatida.


Insatisfeita com o resultado, o loiro largou a placa e correu até uma máquina de refrigerantes e começou a erguê-la do chão. Como o informante já estava acostumado a ser caçado, logo percebeu que aquele era o momento perfeito para fugir.


— Você não escapa, maldito!


Com mais raiva ainda, ele jogou a pesada maquina em direção a Izaya. Mas era quase obvio, levando em conta a distância entre os dois, que o único resultado daquela ação seria o estrondo metálico da maquina betando contra o asfalto.


Ao ver que o informante continuava vivo, Shizuo desistiu de arremessar qualquer coisa e se pôs a correr atrás de seu inimigo, que já estava longe. Com a vantagem da distância, Izaya logo conseguiu despistá-lo. E quando chegou ao início das escadas que levavam ao metrô subterrâneo, já não se podia mais ouvir os gritos irados de Shizuo.



Para Izaya, não havia anda melhor do que observar humanos. Entretanto, para isso ocorrer, ele tinha que estar no topo, olhando-os todos de cima e com ar de superioridade. Era assim que as coisas funcionavam.

Só que não foi isso que aconteceu naquele metrô.

O informante pôde observar vários humanos de perto, ás vezes mais do que gostaria, só que ali não se sentia acima. Todos pareciam cansados ou distraídos demais para notar sua presença. Ninguém percebeu que estavam ao lado de Orihara Izaya, o terrível informante. Fato que lhe deu a desconfortável sensação de ser só mais um.

A sensação durou mais do que gostaria e só passou quando o metrô parou as portas da Estação Takamatsu, para que descesse. Rapidamente se desvencilhou daquela bagunça e voltou para superfície. Já havia revisado o mapa daquela região várias vezes, agora só restava andar e chegar ao orfanato, na espera de que Mai não note sua chegada.



Olhou de um lado para o outro, com cautela. Ao invés de seguir adentro quando foi recebido, Izaya resolveu dar a volta na grande instalação. A assistente que o recebera perguntou se havia algo de errado, mas quando explicou quem era e o que estava fazendo pelo lugar, nada mais precisou ser dito.


O informante estava de pé, na esquina da casa, procurando por Mai no jardim. Como sempre, ela não estava brincando ou interagindo com ninguém. Novamente, permanecia sentada no mesmo banco debaixo da árvore.


Com passos calmos e lentos, aproximou-se dela por trás e colocou a mão em seu ombro. Entretanto, assim que sentiu-se sendo tocada, ela assustou-se.

Mai deu um pulo do banco e olhou para trás bruscamente com os olhos arregalados. O sustou foi tanto, que chegou a divertir Izaya, que deixou escapar uma risada.


Ela olhou por alguns segundos, confusa, como se não esperasse que fosse ele o motivo do susto.


— O-o que faz aqui? — perguntou descrente, olhando para os lados.


— Por acaso é proibido visitar orfanatos? — pergunto com sarcasmo.


Mai não respondeu ao comentário, mas Izaya percebeu que ela dava pequenos passos para trás. Antes que todo o seu esforço fosse em vão, deu a volta no banco e ficou entre ela e o Masayuki. Imediatamente ela também se virou para o informante, como se ficar de costas para ele fosse perigoso.


— Vamos com calma, certo? — ele tentou, — O que acha de começarmos de novo? Tenho a ligeira impressão que te assustei da última vez. — e agora também, mas não vinha ao caso.


Mai o olhou com desconfiança, mas não se moveu.


— Certo... — ela se encolheu um pouco. — Mas eu tenho certeza que não te conheço.


Ignorando ao comentário, Izaya começou:


— Meu nome é Orihara Izaya, caso queira saber. — apresentou-se. Sua paciência estava começando a se esvair, deixando um pouco de rispidez transparecer em seu tom. — E você é a Mai.


Ela acenou com a cabeça.


— Como... Como sabe o meu nome?


— Sabe, a resposta para essa pergunta é bem interessante. — afirmou com malícia.


— Ou você apenas perguntou para alguém no orfanato.


Uma boa resposta, mas não se importou com isso. Desde que demonstrasse a todo o momento certeza e confiança de que a conhecia, já era um bom progresso.


— Orihara Izaya... — ela experimentou chamá-lo. Seu nome sendo prenunciado no tom de voz de Mai lhe soou extremamente nostálgico. Há muito não a ouvia chamá-lo. — Orihara... Izaya.


— Gostou tanto assim do meu nome? — riu.


Ao perceber que havia repetido o nome do moreno duas vezes, Mai colocou a mão na boca, e evitou encará-lo.


— Não se preocupe, fique a vontade para me chamar quando quiser. — sorriu.


— Por que você resolveu vir atrás de mim? — ela quis saber, depois de abaixar os braços.


— Você parecia bem solitária aqui, por isso resolvi fazer-lhe um pouco de companhia. — tentou soar casual. — Parece muito errado?


— ... Acho que não.


Sentindo que ela parecia ter começado a relaxar, Izaya aproveitou a chance.


— O que acha de nos sentarmos? — sorrindo, foi até o banco e se sentou. — Não se preocupe, eu não mordo. ~


Lentamente Mai levantou a cabeça para encará-lo, mas quando fez isso, seus olhos se arregalaram.


— E-eu preciso ir!


Antes que Izaya pudesse fazer qualquer coisa, ela correu de volta para o orfanato.


Foi por pouco, pensou.


Ok, todo seu esforço havia sido parcialmente em vão. Ao menos havia conseguido trocar algumas palavras com ela e se “apresentar”. Talvez dali para frente ela não o evitasse mais.


Mas essa sua última ação foi bem estranha.


Izaya virou-se para trás – local para onde Mai olhara –, porém não havia nada além de um canteiro de flores e uma frondosa árvore. Nada que fizesse correr daquele jeito.

Muito estranho.


Memory Three Finalized


Notas finais
O que acharam?
Eu preciso que tenham muita paciência, as coisas precisam entrar nos eixos primeiro para depois começar realmente o romance.
Espero que mais pessoas comentem ^^