Memories
5 Memory Four
Notas iniciais
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[Capítulo editado dia 27/02/2013]
Memory Four
Orihara Izaya era o seu nome. Isso era tudo que sabia sobre aquele homem. Então por que ele insistia em dizer que já se conheciam? E o que tanto queria com Mai, a ponto de vir até o orfanato procurar por ela?
Não tinha nenhum problema em se relacionar com as pessoas. Na verdade, qualquer um que se aproximasse seria bem vindo, afinal, todos ali pareciam evitá-la – e às vezes se sentia muito sozinha.
Talvez fosse até bom alguém de fora se aproximar. Quem sabe ele não a tirasse dali, lhe dando a chance de começar sua busca.
O único problema era que, aquele homem chamado Orihara Izaya lhe trazia uma estranha sensação.
Algo que ela não sabia lidar e, principalmente, que lhe dava medo.
***
Por mais que quisesse, não podia gastar tanto tempo assim no orfanato. Havia trabalho a ser feito e pessoas a serem manipuladas. E, mesmo que às vezes conseguisse deixar o primeiro um pouco de lado, o segundo era prioridade em sua lista.
Era tarde quando Izaya recebeu uma ligação de Mikado, pedindo informações sobre os Quadrados Azuis. De bom grado, e por um certo preço, o informante revelou sem preocupação algumas coisas que sabia, se deliciando com os comentários que o pequeno líder dos Dollars dava em resposta.
Só quando o sol há muito havia sumido que o rapaz conseguiu finalizar seus serviços propostos para aquele dia.
— Eu já estou indo embora, Izaya. — Namie avisou, pegando sua bolsa e indo até a porta.
— Certo, certo, até amanhã. — respondeu, rodopiando na cadeira.
Mesmo estando escuro, as luzes do recinto iluminavam estrategicamente o local. Entretanto, Izaya sentia como se estivesse em um lugar frio, nebuloso e sufocante.
Entediado, pegou o celular em cima da mesa e olhou as horas; oito da noite. Será que o diretor do Masayuki aceitaria receber sua visita a essa hora? Não custava tentar. E, mesmo que negasse, convencê-lo do contrário nãos seria tão difícil assim.
Digitou o número do escritório e esperou. No segundo toque alguém atendeu, mas era uma voz feminina.
— Orfanato Masayuki, no que posso ajudar?
— Gostaria de falar com o Akihiro-san. — pediu confiante.
— Lamento, mas ele saiu para resolver alguns assuntos particulares. É urgente?
— Não realmente. — respondeu. — Gostaria apenas de saber se posso fazer uma visita.
— ... Por acaso é Orihara Izaya-san quem está falando? — perguntou.
— Sim, sou eu.
— Normalmente não recebemos visitar depois das seis, mas no seu caso o senhor diretor deu permissão para que viesse a qualquer hora.
— Oh, que maravilha. ~ — sorriu. Gostava de quando as pessoas reconheciam sua grande importância e influência.
Izaya agradeceu a mulher e desligou. Iria para lá naquele momento. Pegou seu sobretudo em cima da cadeira e se levantou. Estava indo para a porta, quando Kuro passou ao seu lado e roçou em sua perna. Rindo, pegou-o e levantou o gato na altura de seus olhos.
— Eu estou indo visitar a Mai-chan, sabia, Kuro? — falou bobamente. — Deve estar com saudades dela, não é? — ele miou em resposta. — Não se preocupe, logo, logo, eu a trarei para vê-lo. — colocou-o de volta no chão. — Ela querendo ou não.
E assim saiu do escritório.
Ao contrário da última vez, foi até lá de moto. Era muito mais pratico, tinha que admitir. O único problema que teve durante o percurso foi ter que frear subitamente para evitar que um brinquedo de cimento acertasse-o em cheio – nem precisou olhar para os lados para saber de onde vinha. Depois disso, pilotou tranquilamente até chegar ao Masayuki.
Quando entrou, notou que grande parte das crianças e adolescentes já estávam dentro de casa, fazendo o último lanche do dia ou apenas descansando em uma das grandes salas. Chegou a pensar que seria trabalhoso procurar por Mai, até que ouviu algo que o deixou curioso.
Em um dos cômodos havia duas mulheres conversando de frente para uma janela que dava para o jardim.
— De novo ela não quer entrar? — uma delas perguntou irritada.
— De novo... — a outra suspirou. — É sempre assim, ela quase nunca fica dentro do orfanato, e espera até que fique bem tarde para fazê-lo.
— Mas por que temos que ficar aqui a vigiando o tempo todo? — indignou-se.
— Para falar a verdade, nem eu sei ao certo. O diretor e a assistente responsável por ela nunca falam sobre isso. — explicou. — Mas se for para supor algo, imagino que ela seja uma garota problemática.
Era sobre Mai que estavam falando, tinha certeza. Era verdade que ela saia um pouco do padrão de comportamento, mas Izaya não acreditava que era algo tão ruim para gerar esse tipo de reação.
Confirmando sua suposição, quando chegou do lado de fora, avistou a garota sentada no mesmo banco. Não havia ninguém no jardim, apenas ela em meio à escuridão.
— Olá ~ — chamou-a, fazendo a menor levantar a cabeça em alerta. — Nossa, não me trate como se eu fosse um predador. — riu.
— O que faz aqui tão tarde? — perguntou desconfiada.
— Eu é quem deveria perguntar. Já não está na hora das criancinhas irem dormir? — zombou.
— Isso não é da sua conta... — murmurou.
— Ora, não seja mal-educada. Deveria me tratar muito bem, na verdade. Principalmente levanto em conta que sou o único aqui que parece te suportar.
— Você está vindo aqui por que quer. Não pedi para me aguentar. — retrucou, tentando esconder a magoa em seu tom. Havia tocado em um detalhe delicado.
— Ah, não fique triste, Mai-chan, não foi minha intensão magoá-la. — falou, sem culpa alguma, sentando ao lado da garota, fazendo completa questão de ficar o mais próximo possível.
Entretanto, ao sentir seus ombros se trocarem, Mai fez uma careta e se afastou.
— Então, Mai-chan, há quanto tempo está vivendo no orfanato? — indagou, ignorando o movimento.
— Por que quer saber? — evitou encará-lo.
— Estou apenas tentando iniciar uma conversa com você. — deu de ombros.
Mai ficou em silêncio. Sentiu medo em dar uma resposta àquele homem. Não por causa dela em si, mas devido aos tipos de perguntas que poderiam vir depois dessa.
— ... Há dois meses. — respondeu depois de uma longa espera.
Ela estava aqui há dois meses e eu não tomei conhecimento disso? Droga.
— E o que fazia antes de vir para cá? — seu tom era furtivo, Izaya a olhava pelo canto dos olhos com atenção.
— O que quer dizer com isso? — apertou a barra de sua saia, nervosa.
— Bom... — o informante voltou ao seu humor descontraído, como se estivesse falando sobre banalidades. — Quando pergunto sobre o que fazia, me refiro a sua família, amigos, escola onde estudava... Seu passado.
Com a última palavra, Mai retraiu no lugar e encarou Izaya com os olhos arregalados. Retribuindo ao movimento, ele também a encarou, porém sorrindo com malícia.
— Mas cá entre nós, Mai, você não parece alguém que tem esse tipo de coisa.
Bruscamente ela se levantou do banco e o olhou em pânico. Izaya teve a impressão que Mai falaria algo, mas ela apenas apertou os punhos.
— O que foi? — aumentou seu sorriso, desafiando-a. — Ficou assustada por eu ter dito a verdade, mesmo supostamente não a conhecendo?
— Q-quem é você? — sua voz saiu por um fio.
— Eu já disse. — também se colocou de pé. —, sou Orihara Izaya, o maior informante de Tóquio e, também, o homem que você esqueceu.
Eram muitas informações para Mai, que ficava cada vez mais assustada.
— Ah, mas acho que expressei mal quando disse que você não tinha um passado. — corrigi. — Você realmente não tem um passado distante, mas tem um recente. Há exatos dois anos você me conheceu.
— Men... Mentira. — sua voz tremia.
Aquele homem a assustava. Mai sentia-se encurralada por um predador voraz e perigoso. Tinha a impressão de que Izaya olhava-a com superioridade, como se ele tivesse controle sobre ela.
— É claro que não estou mentindo ~ — insistiu. — E, devo acrescentar, éramos bem mais que conhecidos.
O último comentário, carregado de malícia, foi demais para Mai. Ela deu alguns passos para trás e correu eu direção ao Masayuki. Entretanto, antes de entrar, parou a porta e deu uma última olhada em Izaya.
— Não se preocupe, Mai-chan! — sorriu de forma radiante. — Amanhã voltarei aqui. Tenho certeza que se interessará muito por tudo que tenho a dizer! ~
E depois disso, ela bateu a porta.
Ainda sentado no banco, Izaya sorria com maldade. Estava satisfeito em perceber que aos poucos estava conseguindo ter algum tipo de influência emocional sobre a menor, mesmo que fosse receio esse sentimento. Ah, como ele estava se divertindo com isso.
E era assim que pensava no início, mas ainda iria se arrepender amargamente.
***
Seus passos foram apressados e amedrontados. Correu para os segundo andar e se trancou no quarto. Ofegava e sentia suar frio. Era por isso que Mai não queria ficar perto daquele homem. Ela a fazia sentir coisas estranhas, deixava-a nervosa e perdida. Detestava sentir isso. E ele ainda falava coisas completamente sem sentido sobre conhecê-la usando aquele tom de voz duvidoso.
Orihara Izaya, tinha certeza, não o conhecia. Mesmo que ele até dissesse coisas pertinentes, Mai nunca teve nenhum tipo de contato com ele. Não fazia sentido, afinal, essa era a sua real natureza.
***
Depois daquele encontro, Izaya percebeu que o melhor horário para ver Mai era de noite. Assim não teria outras pessoas por perto os observando.
Entretanto, ter que vir todo dia ao orfanato estava começando a irritá-lo. Perdia muito do seu precioso tempo e nunca podia ficar totalmente à vontade para tomar qualquer atitude que quisesse. O que significava que estava na hora de trabalhar em uma forma de tirá-la de lá.
Novamente deu a volta na casa e entrou no jardim. Notando que uma das assistentes observava Mai pela janela, resolveu se aproximar da mulher.
— O que acha de tirar uma folga? — ofereceu com um sorriso gentil. — Pode deixar que eu tomo conta dela.
A mulher franziu o cenho e respondeu:
— Tem certeza que é uma boa ideia ficar fazendo companhia para aquela garota, Orihara-san?
— E por que não seria? Ela parece tão solitária sentada ali. — fingiu inocência. — Há algo de errado com ela?
— Se há, todos nós aqui percebemos que si, só não sabemos o que é ao certo. — ela falou em tom mais baixo. — Sabe, nem mesmo o diretor ou a assistente responsável por ela tem alguma ideia de como lidar com aquela menina. Nenhuma criança chega perto e já até desistiram de fazê-la interagir com as famílias que nos visitam.
— E há algum motivo especial para isso? — era tão fácil lidar com mulheres entediadas. Então sempre mais do que dispostas a falar da vida alheia sem se resguardarem.
— Ela age de forma... Estranha. Já tentou ir embora daqui sozinha várias vezes. Por isso tem sempre que alguém ficar vigiando-a. — parou por um segundo. — Bom, é só isso que eu sei. — afastou-se da janela. — Tome cuidado com ela.
Izaya também se afastou e caminhou em direção a Mai.
— Você não sente frio, não? — perguntou ao chegar.
Mai fez uma careta.
— Ainda não se cansou de vir aqui? — rebateu.
— Para falar a verdade, ainda não. — riu, sentando ao lado dela.
A menina voltou a ficar nervosa com a aproximação, mas tentou se conter.
— Quem é você, afinal?
Izaya suspirou.
— Já disse, sou alguém que você esqueceu.
Mai se virou para o moreno, seus olhos carregavam irritação.
— Pare de dizer isso, é irritante! — levantou-se com força. — Já disse, eu não te conheço.
O informante riu com a mudança de humor, fazendo pouco caso daquilo.
— Olha só, a Mai-chan ficou irritada, pobre de mim. — riu mais uma vez. — Desculpe, mas com esse rostinho de criança, não tem como eu te levar a sério.
Mai sentiu o rosto esquentar com a zombaria.
— Você é louco. Não sabe nada sobre mim. — despejou, dando as costas para Izaya.
O rapaz não tinha se irritado, entretanto não gostou de ouvir da boca de Mai que ele não a conhecia, pois era bem o contrário.
Também se levantou e agarrou o pulso dela com força, puxando-a para si.
— Preste atenção, Mai. — rosnou. — Sugiro que entenda que não está em condições de discutir comigo.
A respiração da garota falhou, ela tentou se afastar das mãos de Izaya, mas não conseguiu.
— Você não sabe quem eu sou, certo? Então irei explicar direitinho com quem está lidando. — começou, deixando a voz baixa e ameaçadora. — Eu sou Orihara Izaya, alguém com pode suficiente para colocar Tóquio inteira de cabeça para baixo. E quando eu quero algo, sempre consigo. E eu estou aqui para pegar de volta algo que é meu, e esse algo é você.
— Lamento dizer — ela tentou juntar um pouco de coragem. —, mas dessa vez não vai conseguir. Aqui no orfanato, caso o a pessoa em questão recusar, não há chances dela ser adotada. E eu nunca iria com você.
O moreno soltou uma risada de escárnio.
— Não prestou atenção no que eu disse? Eu sempre consigo o que eu quero. Independente de aceitar esse fato ou não, vai sair daqui sub minha guarda. E depois que você deixar esse lugarzinho, poderei fazer da sua vida a pior ou a melhor possível. — ela engasgou com sua ameaça. — Mas não se preocupe, isso só depende de você, Mai-chan, e do seu comportamento. Por isso, nas próximas vezes em que eu voltar aqui e até te adotar, sugiro que me trate da forma mais amável e carinhosa possível, entendeu?
Ela engoliu seco. Izaya soltou seu pulso, fazendo-a dar um passo incerto para trás.
— Então... — sorriu gentilmente. — Na minha próxima visita espero ser recebido de braços abertos! ~
Ela o encarou atônita.
— Agora não é o momento de você me dar as costas e sair correndo? — ironizou.
— Você é um... — ela começou, mas as palavras ficaram presas em sua boca.
— Oh, que amor, não consegue nem arrumar um xingamento para mim. — passou a mão em sua cabeça, mas Mai a empurrou com força.
Sem dizer mais anda, a menor se afastou e foi embora. Enquanto isso, Izaya sorria. Mal podia esperar pelo dia seguinte.
Memory Four Finalized.
Notas finais
Agora, sim, sinto que fiz uma representação digna do Izaya.
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