Memories
6 Memory Five
Notas iniciais
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[Capítulo editado dia 03/03/2013]
Memory Five
Muito conveniente a situação em que se encontrava. Dois dias depois de chantagear Mai, lá estava Izaya voltando ao orfanato durante a noite. E por que era conveniente? Simples. Ao chegar a suas dependências, deu de cara com o diretor do local. Nada melhor do que dar a ele uma pequena demonstraçãozinha.
Sem precisar fazer muito esforço, puxou conversa com o homem, que de bom grado concentrou toda sua atenção em Izaya. E, sem que percebesse, o informante o guiou até o jardim dos fundos, alguns metros de onde Mai estava.
— Então, como está a administração? — perguntou ao acaso.
— Está indo muito bem. Cada vez mais pessoas têm vindo visitar o Masayuki. — ele respondeu.
— Que maravilhoso. — o rapaz mais novo parou de andar, mirando a garota de negro sentada em um banco. — Olha, é a Mai–chan.
Akihiro o olhou de forma interrogativa, devido ao sufixo usado, mas o rapaz apenas deu de ombros. Do banco, Mai encarou Izaya, que acenou em resposta. O moreno tinha certeza que ela apertava os punhos de irritação, porém não ligava. O importante agora era que ela estava vindo em sua direção.
— Não sabia que já se conheciam. — o diretor olhou ora para Mai, ora para Izaya.
— Já tem mais de uma semana que venho visitar a Mai-chan. — comentou. — Ela é uma boa companhia.
— E a Tatsuki-san já está sabendo disso? — interrogou.
— Claro que sim ~ — sorriu.
Então os dois homens se viraram para Mai, que até então se mantinha em silêncio. Akihiro esperava uma resposta que confirmasse os comentários, enquanto Izaya a ameaçava pelo olhar para que se pronunciasse.
— ... Que bom que está de volta, Izaya. — falou quase em um sussurro. — Estava... Esperando sua visita.
O informante sorriu com um deleite macabro, fazendo a menor arrepiar de medo.
— Que maravilha, não sabia que havia feito um amigo. — o diretor se animou. — Ah, mas quando chamar um rapaz mais velho pelo nome, use o “-san”. — ele tentou ensinar, mas a expressão de Mai não mudou.
— Tudo bem, Akihiro-san, ela prefere me chamar assim.
Sua sentença surpreendeu ainda mais o homem, enquanto a garota o encarava em dúvida, sem ter a menor ideia de que chamar alguém pelo primeiro nome apenas era sinal de intimidade.
— Bom, vou deixá-los sozinhos. — sorriu para Izaya. — Depois venha ao meu escritório para conversamos.
O informante esperou o diretor se afastar, para se virar em direção a Mai.
— Muito bem ~ — elogiou. — Você agiu melhor do que o esperado. Mudou de ideia quanto a ir comigo?
— Não. — respondeu. — Mas não tenho escolha, não é?
— Não mesmo. ~
Ficaram em silêncio por alguns segundos, quando Izaya resolveu perguntar algo que há muito o incomodava:
— O que tem de tão especial nesse orfanato para fazê-la não querer ir comigo? — colocou as mãos nos bolsos.
— Nada. — ela parou um pouco para pensar. — Na verdade, não gosto desse lugar... — completou baixinho.
— Oh, é mesmo? — interessou-se pela resposta. — E não passa pela sua cabeça que talvez vir comigo seja melhor?
— Talvez, se não fosse você a pessoa quem estivesse me tirando daqui. — a resposta custou a sair.
Izaya curvou os lábios para baixo, irritado com o comentário. Entretanto, notou que estender o assunto não levaria a nada.
— Você já esteve fora do orfanato? — indagou. Já não se importava mais em disfarçar seu tom, simplesmente falava sem nenhuma emoção na voz.
— Uma vez apenas. Antes de vir para cá, eu estive em Ikebukuro.
O foco de Izaya sobre Mai dobrou. Ele a encarou com intensidade, a espera de mais detalhes.
Mai, por outro lado, começou a sentir desconfortável com aquilo, tentava evitar os olhos do outro. Ela encolheu um pouco no lugar, e voltou a falar:
— Isso mesmo, em Ikebukuro. — ela reforçou. — ... Estava frio e chovendo naquele dia. E eu procurava por algo muito importante.
— Algo ou alguém? — insistiu, chegando mais perto dela. — Mai...
Izaya tentou tocá-la, mas a menor afastou sua mão.
— É só isso. — cortou.
O informante queria força-la a dizer mais coisas, porém tal ato poderia não ter um bom efeito nela e fazê-la se retrair ainda mais. – como já aconteceu em outras ocasiões.
— Você realmente não me conhece. — ela falou com um semblante sério.
E aquilo foi a última coisa dita por Mai naquele dia.
O informante acabou não ficando muito tempo por lá também. Sem dizer nada e ignorando o pedido do diretor, foi embora de volta para sua casa. Estava com a cabeça a mil, tentando achar algum sentido nas escassas informações que Mai lhe dera.
Quando chegou ao seu escritório, subiu para o segundo andar em se jogou em sua cama.
Então... Antes de vir para o orfanato, ela estava em Ikebukuro procurando algo? Mas o que? E se fosse uma pessoa? Até chegou a pensar que inconscientemente ela estava procurando por ele, mas quando os dois se encontraram nada de especial aconteceu.
Primeiro de tudo, por que ela estava em Ikebukuro se supostamente havia ido “embora”? E agora que voltou, por que não se lembrava dele?
Droga, eram muitas perguntas. A existência de Mai era uma incógnita para Izaya. E isso o irritava. Precisava saber desesperadamente o que e passava a sua volta.
***
Será que ele havia desconfiado de algo?
Mai estava inquieta. Havia falado demais para Izaya coisas sobre si sem querer. Coisas que ela não deveria dizer a ninguém. Era pouco provável que ele conseguisse tirar alguma conclusão do pouco que falara. Todavia, isso não o impedia de ficar curioso e querer saber mais. E era esse o seu medo.
Felizmente, para sua sorte, não havia falado o principal.
***
— Viu? Sentar perto de mim não é tão ruim. — Izaya comentou com humor.
Mai não respondeu.
Era noite, e os dois estavam novamente sentados juntos naquele mesmo banco. Depois de muito esforço o moreno havia conseguido fazer a menor sentar-se ao seu lado, bem próxima de seu corpo.
Ela estava detestando aqui. Não gostava que as pessoas se aproximassem tão intimamente de si, ainda mais Izaya. Entretanto, ele não parecia ligar para sua opinião.
— Vamos, relaxe, Mai-chan. Deveria aproveitar esse incrível momento. ~
— Aproveitar o que? — ela o encarou abismada.
— Ora, a chance de ficar tão próxima de um homem como eu. — olhou-a com malícia. — Pois saiba que eu estou aproveitando muito bem o meu.
Porém, para sua insatisfação, Mai não corou com o comentário. E isso era irritante, preferia mais quando ela corava por qualquer coisinha que dizia. Ah, sim, quando voltassem os dois para o escritório, Izaya poderia tentar o que quisesse com ela. Testaria até onde essa falta de memoria havia afetado seu comportamento.
Degradantemente, enquanto no orfanato, tinha que se conter ao máximo. Não que ligasse para o fato de estar sendo observado, mas infelizmente a saída de Mai dependia da opinião dos assistentes e diretor.
Como odiava isso. Gostava de estar sempre no comando da situação.
— Por que você é assim? — ela o despertou de seus pensamentos.
— Assim como?
— Desse jeito estranho. — deu de ombros, emburrada.
— Estranho? Ah, Mai-chan, acho que você é a última pessoa que pode me julgar dessa forma. — levou a mão a sua cabeça, bagunçando seus cabelos de leve. — Já pude observar que você também não é nenhum exemplo de normalidade.
— Aos meus olhos ajo de forma normal. — arrumou os próprios fios, afastando novamente a mão do informante.
— Exatamente. Tudo é questão de ponto de vista. — explicou. — Do meu ponto de vista, meu comportamento é perfeitamente aceitável. Do ponto de vista da sociedade, nem tanto. Só que eu não me importo com o ponto de vista da sociedade. E vejo que você também não. Esse é um dos motivos que prende meu interesse em você.
— Um dos? — repetiu. — E tem mais?
— Sim, sim. ~ — falou com empolgação. — Há vários motivos que me fazem ter interesse em você.
Mai o fitou com um misto sentimento de dúvida e receio. Primeiro, porque nem sabia ao certo que tipo de interesse era aquele que o rapaz estava falando. Para ela, Izaya era só um homem estranho que veio perturbá-la. Nunca tinha pensado em um motivo para toda essa insistência. Mas agora que ele tocara no assunto, queria saber para entender o que se passava na cabeça dele. Porém tinha certo medo do que poderia ouvir.
— E... — sua curiosidade era maior. — E quais seriam os outros?
— Ora — o informante sorriu com presunção. —, sua aparência é um deles. Devo dizer que agrada muito aos meus olhos te observar.
Izaya se aproximou mais dela, porém a menor se levantou.
— Qual o seu problema? — irritou-se.
— O que foi? — fingiu inocência. — Pensei que fosse obvio o motivo da adoção.
— Isso não está certo! — rebateu.
No fundo, Mai guardava um pouco de expectativa quanto à resposta do moreno. E, por algum motivo, ouvi-lo referir-se a ela de forma tão superficial a incomodou. O que não fazia sentido. Não o conhecia, então não havia motivos para sentir-se assim.
— Isso foi horrível. — ela acrescentou.
Ao ouvir isso, o moreno estalou a língua, achando aquilo ridículo.
— Por quê? — perguntou. — Como eu disse, é tudo uma questão de ponto de vista. E do meu, não há nada de errado nisso que estou fazendo. Não se lembra? Disse que já nos conhecíamos. Está mais do que claro que só estou te adotando para ter de volta aquilo que perdi.
— Ma-mas... — Mai deu um passou para trás. — Eu não acred...
— Por que não me pergunta que tipo de relação tínhamos? — interrompeu-a. — Mesmo que não acredite em minhas palavras, tenho certeza absoluta que está curiosa. E eu sei o quanto você é.
A menina engoliu seco; seus lábios tremiam, com medo de perguntar.
— Eu não quero saber! — negou, fazendo o rapaz suspirar de frustração. — Tenho certeza que é tudo inventado, por isso não há necessidade de saber.
Mai lhe deu as costas e saiu andando de volta para o orfanato. Izaya observou suas costas se afastando com o cenho franzido, até que sentiu seu celular vibrar em seu bolso. Pegou-o e olhou em seu visor.
Era uma mensagem de Shiki.
Os mafiosos descobriram seu envolvimento com o Masayuki, sugiro averiguar isso.
Considere essa informação parte do pagamento pelo serviços prestado.
Shiki.
Aquele homem sempre estava pensando em negócios, não mudava nunca.
Entretanto, a mensagem era pertinente. Se já estavam cientes do seu envolvimento, significava que haviam começando a agir. Resolver isso provavelmente lhe tomaria uma semana, talvez. Mas era melhor do que correr o risco daqueles idiotas fazerem algo ao lugar antes de tirar Mai dali.
— Darei uma semana de paz para você, Mai-chan. — falou para o nada. — Mas em troca, terá que me retribuir a generosidade.
Logo depois, o rapaz se dirigiu até o escritório de Akihiro. Deu a não muito boa notícia e o esperou se desesperar. Felizmente não houve muito drama, o que facilitou convencê-lo de que Izaya poderia resolver o problema em uma semana.
E, como sempre, diante da situação, o informante conseguiu tirar algum tipo de proveito.
— Akihiro-san. — começou em tom calmo. — Gostaria de discutir também uma possível retribuição pelos meus serviços.
Foi direto. Aquele homem até poderia parecer um idiota, mas misteriosamente havia conseguido uma boa posição na Yakuza. Ele estava mais do que acostumado a lidar com dividas e favores. Tentar mascarar suas verdadeiras intenções era perda de tempo.
— Eu já imaginava que em algum momento chegaríamos nesse assunto. — comentou. — Bem, o que deseja em retribuição?
Izaya ajeitou-se na poltrona, demonstrando que estava muito confortável em falar sobre aquilo.
— Talvez seja algo um tanto complicado e até exigente, mas nada fora do seu alcance. — começou, deixando um pouco mais de sua postura de negociante transparecer.
— Continue. — ele se inclinou, atento.
— Eu disse que me interesso por esse lugar, certo? Pois agora estou mais interessado ainda em alguém em especial.
— E esse alguém seria a Mai?
— Exatamente. E o que eu quero tem total relação com ela. Como já devo ter comentado, sou um homem que vive sozinho, e ter algum tipo de companhia é sempre bem vinda. — explicou. — Resumindo, tenho grande interesse em adotá-la. Só que isso requer tempo e burocracia.
— Ou seja, você quer que eu apresse e facilite o processo. — concluiu.
— Você é esperto, Akihiro-san.
O diretor voltou a se recostar na cadeira de olhos fechados, pensando sobre a proposta do informante.
— Para adotar alguém há algumas condições, você sabe. — voltou a encará-lo. — No entanto, a Mai é um caso especial. E hoje foi a primeira vez que a vi interagindo realmente com alguma pessoa.
— Concluindo. — apressou.
— Certo, farei com que a adoção seja a mais rápida possível. Mas há uma única condição que não pode ser ignorada em hipótese alguma: o consentimento dela. Sem isso, nada feito.
— Tenho certeza que ela aceitará. — por dentro, sorriu com maldade.
Estava tudo muito fácil.
***
Olhando pela greta de uma porta próxima ao escritório, Mai observava a sala fechada do diretor. Havia visto Izaya entrar lá e pelos seus acontecimentos anteriores, estava temerosa em relação ao o que ele poderia estar conversando ali.
Esperou por vários minutos, talvez meia hora, quando o moreno finalmente saiu do escritório. Mai retraiu os músculos do corpo e fechou os olhos quando o informante passou em frente à porta em que estava escondida. Mas para o seu alivio, ele continuou andando e foi embora.
Ainda aguardou por um pouco, para enfim sair da sala em que estava. Parada no corredor, olhou para a porta aberta do cômodo onde o diretor se encontrava e depois para o caminho que Izaya percorrera.
Tinha quase certeza que eles estavam falando sobre adoção. E sabia que precisava fazer algo a respeito, mas no fundo sentia um pouco de culpa.
— Ele ao menos poderia ter respondido algo gentil para mim naquela hora... — murmurou para si com pesar.
Balançou a cabeça, tentando não pensar no rapaz. Pois se o fizesse demais, acabaria desistindo e deixando as coisas como estavam.
Já com sua decisão formada, Mai respiro fundo e adentrou no escritório.
***
Naquela semana Izaya ficou tão cheio de trabalho, que mal a viu passando. Usando todo a influencia que tinha, ameaçou metade da Yakuza; usou todo o seu poder de persuasão para convencê-los de que se fizessem algo contra o Masayuki poderiam dar adeus ao precioso submundo que haviam criado. Claro, em parte era um pouco de blefe, mas nada que um bom teatro não o ajudasse.
Fazer tudo aquilo lhe deu muito trabalho e provavelmente havia feito ainda mais inimigos – não que isso o preocupasse –, mas no final valeria a pena.
Era realmente tarde quando Izaya conseguiu se desvencilhar de seus serviços para finalmente ir ao orfanato. Quando chegou, notou que o local parecia mais silencioso e parado. É claro, depois das dez as criancinhas precisavam ir para a cama. Depois de ser recebido por uma das assistentes, foi encaminhado para a sala do diretor. Só que, para sua surpresa, havia alguém saindo de lá. Mais especificamente, Mai estava saindo de lá.
Ao vê-lo, ela se assustou e correu para um dos cômodos. Izaya achou aquilo suspeito, mas não se preocupou. Logo não precisaria mais vir até ali e a teria completamente sua no escritório.
Sem cerimônia, adentrou na sala, encontrando Akihiro sentado em sua mesa com o semblante sério.
— Algo aconteceu? — perguntou rindo. — Pensei que havia exercido muito bem meu trabalho.
— Ah, não, não. — tentou sorrir, evidentemente sem graça. — Você fez muito bem o seu trabalho, Orihara-san. Tanto, que me angustia o que vou lhe falar.
Por um momento, o sorriso do informante falhou e a desconfiança se fez presente novamente.
— Poderia se sentar, por favor? — o diretor pediu.
Estreitando os olhos, Izaya o fez.
— Eu realmente tentei, já havia providenciado tudo. — ele suspirou com pesar. — Só que... A Mai não quer ser adotada.
— Como?
Ela devia ser muito burra para contrariá-lo dessa forma. Ainda mais na delicada situação em que estava, onde todas as alternativas conspiravam a favor de Izaya.
— Eu também fiquei surpreso. — Akihiro adicionou.
— Ah, mas isso pode ser apenas insegurança da parte dela. — esboçou um sorriso irônico. — Sei que se conversar um pouco mais com ela, vai conseguir convencê-la.
— Orihara-san...
— Você sabe o quão complicado é o caso dela. E Mai já deve ter seus dezesseis anos. Adolescentes são difíceis de serem adotados, ainda mais ela por ser tão apática. Você deve entender muito bem que eu sou a melhor alternativa para ela.
— Quanto a isso, não há com o que se preocupar. — ele rebateu sério. — E eu não pretendo convencê-la.
— Ah, não? — desafiou. — E por que motivo vai dar para trás com a sua “retribuição”?
— Por que eu pretendo adotá-la.
Memory Five Finalized.
Notas finais
Não é o que parece, hahahaha. Aguardem, estou super empolgada com o próximo capítulo!
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Amanhã respondo aos reviews, ok? Mas obrigada a todos!
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Para quem gosta de Originais, tá ai a minha:
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